segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Os 300 orgasmos de Elizabeth

Minha ligação com números é algo surreal: detesto-os e os amo. Tenho mania de fazer contas com tudo.
Por isso quando li uma notícia escondidinha no jornal sobre os 300 orgasmos por dia que uma mulher da Inglaterra tem, embatuquei.
Mas como?
E fui lendo. E apesar de descobrir que se trata de uma doença (Síndrome da Excitação Permanente), não pude deixar de dar gargalhadas, que me perdoe a inglesa lá.
E logo junta aquela turminha em volta, comentando: "ela é que é feliz".
E ela antes tratava da doença, mas aí arrumou um namorado que está dando conta do recado, segundo ela. Os quatro maridos anteriores jogaram a toalha.
Saí para o dentista e fui tentando fazer contas de cabeça. Quantos orgasmos por minuto?
Voltei sem ter chegado a um resultado, porque esbarrei na dúvida: conto as 24 horas, ou desconto o horário de sono? E se ela tem orgasmos dormindo? É capaz que sim, já que ela teve de largar um emprego numa fábrica de biscoitos, porque ficava excitada vendo as máquinas, vejam só, se ainda fossem os biscoitos...
Voltei e encontrei uma turma com as respostas prontinhas: a mulher tem um orgasmo a cada 4,6 minutos, considerando as 24 horas; ou um orgasmo a cada 2,2 minutos, considerando as 12 horas do dia. E outros números mais, considerando múltiplas possibilidades, aliás o que são múltiplas possibilidades diante das 300 dela?
E já fui logo imaginando Hollywood fazendo um um filme: "Os 300 de Elizabeth".

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Muito além de Além Paraíba

Além Paraíba, na Zona da Mata mineira, é o lugar mais quente do mundo. Pensei isso assim que pus o pé na rua, descendo da van geladinha, e onde estive para trabalhar, por dois dias e meio. Calor e suor escorrendo, em poucos minutos na cidade.
Mas depois percebe-se que nem é tão quente assim, que tem quase um clima de litoral, com uma boa brisa à tarde.

Às margens do rio Paraíba do Sul, a cidade tem duas incongruências, logo à primeira olhada: está na beira do Rio de Janeiro, aonde a gente chega por uma ponte comprida e estreita, a Engenheiro Armando de Godoy, de mão dupla e que trepida que nem betoneira. Guilherme, meu colega de expedição pela cidade, quase desistiu de atravessar.
Do outro lado está Jamapará, distrito de Sapucaia, já no Rio, e onde todo mundo fala cheio de sssss.

A outra é a linha ferroviária que corta toda a cidade, bem na avenida principal e que serve de caminho para os trens da Centro-Atlântica levarem a bauxita de Miraí e região para o porto de São João, no Rio.
É estranhíssimo ver o trem passando, apitando e tocando o sino, dez vezes ao dia (cinco indo e cinco voltando), bem na beira das casas, que em muitos trechos estão a menos de dois metros da linha. Apitando para espantar os carros, bicicletas e até ônibus que estacionam ali em cima dos trilhos.
Mas essa é a beleza de Além Paraíba, que tem no patrimônio ferroviário sua referência de comunidade, de povo, de história.

Descaso e abandono
Pena que as estações estão semidestruídas, como a principal delas, bem no centro da cidade e conhecida como Torreões (Estação de Porto Novo). Exemplo da bela arquitetura pré-modernista, com muitos detalhes e amplo uso do ferro fundido.
Mas o descaso vem fazendo estragos, como o desabamento de parte da rotunda, na mesma estação, no ano passado. Aquilo ali é história pura do povo mineiro e não só da Zona da Mata, pois se trata nada mais, nada menos, do que a Estrada de Ferro Leopoldina, presença constante na literatura e música nacionais ("Samba do Crioulo Doido", Stanislaw Ponte Preta). Nessa estação há um pequeno museu com peças de trens, de cinema, fotos e muitos livros.

Hidrelétrica
Além Paraíba está agora às voltas com a construção da usina de Simplício, megaempreendimento de Furnas, que vai atingir duas cidades mineiras (Além Paraíba e Chiador) e duas do Rio de Janeiro (Sapucaia e Três Rios).
Claro que não se pode negar todo o benefício da obra de 2 bilhões de reais, mas o estrago ambiental é grande. Primeiro com a derrubada de centenas de árvores para as obras de infraestrutura; depois com a movimentação de dezenas de caminhões com terra e materiais diversos, sacudindo a cidade e empoeirandos tudo, azucrinando os mais antigos com tanta barulheira.
E Furnas está sendo acusada de não cumprir os acordos de compensação ambiental, entre eles o de restauração de Torreões e do asfalto da estrada até a usina (distrito de Simplício).

"Adeus, adeus" (debaixo d'água lá se vai a vida inteira Por cima da cachoeira...)
O Paraíba do Sul vai mudar de lugar para o enchimento da barragem. As árvores estão sumindo e as replantadas ainda vão demorar anos para crescer e dar sombra e fazer a troca de CO2.
Daí que quando eu voltar a Além Paraíba em poucos anos, talvez sinta na pele, literalmente, a piada que mais ouvi dos além-paraibanos: "aqui tem três temperaturas: quente, muito quente e excessivamente quente".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Comitês de Bacias

Boa pedida é o XI Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas, em Uberlândia, de 9 a 13 de novembro.

Uma das discussões mais bacanas será a responsabilidade de todos nós com a água do planeta.
Confira programação, inscrições no site:

http://www.encob.org/

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Amigo da onça

O Banco do Brasil me deu um cartão de crédito que não pedi, mas como sou muito educada aceitei.
Claro que depois paguei por ele.
Aí o Banco do Brasil me deu um programa de pontos, pelo cartão, para me incentivar a gastar muito, como se isso fosse preciso. O programa se chama Amigo.
Amigo da onça.
Gastei muito e acumulei 9 mil pontos em dois meses.
Ao invés de resgatá-los em bugigangas, que índio não sou, mandei tranferi-los para o programa de milhagens que tenho desde os tempos da Varig.
Aí veio a gracinha. Tive de pagar 20 reais pela transferência.
E a conversa com a atendente foi surreal:
- Mas como o banco me cobra por uma coisa que é um programa de incentivo?
- .....
-Moça, tá me ouvindo?
-Sim, senhora
- Quer dizer que toda vez que eu quiser mandar os pontos para o Smiles, tenho de pagar?
- ....
-Moça, ainda está aí?
Não entendi porque ela não respondia determinadas perguntas e ficava mudinha da silva.
Deve ser técnica nova para cansar o cliente.
Queria parabenizar o BB pelo presente de grego com o amigo da onça.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quarta na xepa

Não adianta a propaganda ou quem a estrela. Se o empresário não for honesto, o engodo vai estar logo ali à frente.
Aliás, nem precisa ser muito honesto, basta um pouquinho de respeito pelo consumidor.
Não é o que acontece com a famosa promoção "quarta na feira", pelo menos nas unidades de bairro da dita empresa. A promoção é na verdade uma "quarta na xepa" e sem direito a preço baixo.
Talvez a ideia seja essa mesmo: você olha, remexe, escolhe, se conseguir alguma coisa, pega e leva.
Só que sem a vantagem do preço baixo, porque é tudo o olho da cara.
E para enganar um pouquinho mais, colocam ali uma banca de laranjas pera rio, em promoção, que não servem nem para os porcos da Tia São (ainda que ela nem viva mais seja, quanto mais a ter porcos).
E o dinheiro que deveria ser gasto com a compra de produtos bons, novos, honestos, vai todo para a garota-propaganda.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Google day em rede

Olha só que barato!!


"O que uma das empresas mais inovadoras da internet pode acrescentar para as organizações públicas e privadas?
É o que o Google vai mostrar no dia 07/10, das 14h às 18h.

Através do primeiro Google Day em rede no Brasil, os gestores públicos e privados ficarão por dentro de como aplicar as ferramentas do Google no seu dia-a-dia. E o melhor: poderão fazer isso pela internet.
O primeiro Google Day em rede no Brasil é uma iniciativa do Cepam a partir da sua Célula de Inovação do Município, o CIM, e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais por meio do TEIA.

É um encontro que vai dar ainda mais força no Brasil ao movimento de inovação que toma conta do mundo. E como esse movimento é de interesse de todos, contamos com a sua participação.
Saiba mais aqui: http://redecim.ning.com/page/primeiro-google-day-em-rede-no"

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ficha suja chega no Congresso

O projeto da ficha suja, aquela proposta popular que o Movimento de Combate à Corrupção encabeçou e que proíbe a candidatura a cargos eletivos dos cidadãos condenados em 1ª instância, chegou à Câmara de Deputados nesta terça-feira (29).
Com mais de 1,3 milhão de assinaturas, o projeto promete repetir o sucesso que foi o também projeto popular da corrupção eleitoral, que se transformou na Lei 9.840 de 1999.
Mas de cara o presidente da Câmara, Michel Temer, já deu pitaco e propôs uma mudança qualquer. Aliás, de qualquer, não tem nada. Enquanto o texto original encaminhado pela população fala em indeferimento de candidatura de quem tenha sido condenado em 1ª instância, ou tiver sido alvo de denúncias recebidas por órgão colegiado por diversos crimes, como tráfico de drogas, crime eleitoral, trabalho escravo, entre outros, o presidente da Câmara "acha" que a coisa não pode ser tão drástica assim. Que deve se dar uma chance aos "carimbados" somente na 2ª instância.
Ou seja, corre-se o risco de ficar tudo como está, com pencas de candidatos usufruindo, às vezes de até dois mandatos completos, até que o Supremo se pronuncie.
Eu como assinei o projeto, não aceito de jeito nenhum a mudança!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Enfim, o parque

Amanhã, sexta-feira (25), a comunidade de Ouro Branco vai estar em festa, a partir de 9h30, em frente à Matriz de Santo Antônio, centro da cidade. Ali, naquela hora, vai ser feito o ato comemorativo em agradecimento à assinatura do decreto de criação do Parque Estadual da Serra do Ouro Branco e do Monumento Natural Estadual de Itatiaia. O decreto foi assinado dia 21 passado, um belo presente para Ouro Branco, Ouro Preto e todos nós mineiros.
Segundo o João Paulo, do Movimento Guardiães da Serra do Ouro Branco, a festa terá a presença de autoridades, empresários, comunidade em geral, tudo animado pela fanfarra da Escola João XXIII; por um teatro temático; pelo repique do sino da Igreja; por uma queima de fogos e, "por muita alegria".

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mata Atlântica x Mata Seca


Já nem sei mais o que pensar dessa polêmica que envolve o Norte de Minas. A antes Mata Seca, do bioma cerrado virou Mata Atlântica desde dezembro do ano passado, por obra e graça da caneta iluminada do Lula.
Já naquela época fiquei com o pé atrás, apesar de sempre apoiar tudo que envolve a proteção da Mata Atlântica. Mas alguma coisa não batia.
Continuei a ver os deputados estaduais do PT defenderem cegamente o decreto e quase me convenci, afinal o agronegócio estava desenfreado por aquelas bandas, principalmente com o aumento das áreas de pasto.
Mas aí vi um comentário do Apolo Heringer numa matéria da minha amiga Ana Paula Pedrosa, n' O Tempo, em que ele chama atenção para o engodo que é o decreto.
A pulga coçou mais e acendeu as lamparinas da teoria da conspiração: "o que está por trás daquilo ali?"
E o meu colega Márcio Metzker, antenado, levantou a teoria de que o decreto tem um objetivo muito escuso: acabar com o Jaíba, para sobrar mais água para o projeto da transposição do Rio São Francisco, para beneficiar o Ceará.
Será? - pensei em seguida.
O Projeto Jaíba, no Norte de Minas, tem na irrigação com água do São Francisco, um de seus pontos fortes. Só assim consegue produzir as frutas maravilhosas como mangas, bananas, coco, abacaxi.
A megatransposição, para não dizer mega-alucinação, aliás, megalomania mesmo do São Francisco tem um senão : a vazão pode não ser suficiente. Faltam bens uns milhares de metros cúbicos de água para poder beneficiar condignamente os produtores de camarão do Ceará, amiguinhos do Ciro Gomes, o grande defensor do assassinato do Velho Chico.
Com a reclassificação da mata no Norte de Minas, o Jaíba já dá mostras de estrangulamento, segundo a matéria da Ana Paula. As terras caíram de preço e não conseguem ser vendidas.
Os negócios por lá estão parados.
Com isso, com mais um tempo, já não será preciso água para irrigar o Jaíba, porque não haverá mais Projeto Jaíba, uma da iniciativas mais promissoras na região.
Loucura?
E mudar o rio de lugar e deixá-lo morrer de tanta poluição e assoreamento é o quê?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Manifestação dia 21 de setembro

No dia 21 próximo vamos comemorar não só o Dia da Árvore.
A Ong Avaaz programou em todo o mundo uma manifestação relâmpago para pedir um tratado global para barrar o aquecimento global.

Cidades como Nova York, Londres, Roma, Madri, São Paulo, Rio, Belo Horizonte vão participar dessa mobilização.

As imagens dos eventos serão apresentados para chefes de estado na ONU e divulgadas mundialmente!

Você quer participar? Clique no link:

https://secure.avaaz.org/po/sept21_rsvp/?id=134588&cts=Bba7Ud6

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Parques e Jardins ensina a coletar água da chuva

Isto é que é primeiro mundo.
E primeiro mundo tipo Suécia, Dinamarca, Finlândia, e não Estados Unidos, porque estes, não estão nem aí.

Explico: a Fundação Parques e Jardins da Prefeitura de Belo Horizonte começa hoje (14/9) um curso para seus funcionários aprenderem a coletar água da chuva.

Não é o máximo?

Em parceria com a Secretaria municipal de Meio Ambiente, a capacitação vai até o dia 21, Dia da Árvore, no Jardim Produtivo do bairro Cardoso, no Barreiro.
Os participantes vão aprender a captar a água da chuva e reutilizá-la em irrigação.
A cidade agradece. O planeta comemora!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Lisbeth Salander me visita

Tomo um susto ao abrir meu correio eletrônico. Encontro lá uma mensagem da Lisbeth Salander.
Para quem não sabe, Lisbeth é a personagem principal da triologia "Milennium", do sueco Stieg Larsson.
Ela é uma hacker fenomenal, que invade sistemas de bancos, empresas de comunicação, indústrias suecas e tal. Uma figura meio estranha, com problemas psíquicos e com alguns dons especiais, como a memória fotográfica.
Os três livros ( o terceiro só sai depois de 20 de setembro), são narrativas policiais muito, mas muito envolventes. É um triller fantástico e que deixa a gente louca para saber o final e continuar o livro seguinte (veja na barra da direita os nomes dos dois primeiros volumes).
Bem, recebi a mensagem por e-mail e abri, já morrendo de medo de cavalo de troia e quetais. Mas a curiosidade foi maior e abri numa espécie de blog da garota.
Pé ante pé fui navegando e dei um sorriso tipo, "cês não me pegam", quando abriu uma janela para eu colocar meu endereço. Aí vi que se tratava de divulgação da editora do livro no Brasil, a Cia das Letras.
Achei sensacional a forma de divulgar, "marketing de guerra" mesmo.
E usando a ferramenta de hacker.
Adorei!
Tô doida para ler o terceiro livro.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

E os brasileiros aprenderem a lavar as mãos

Entre tantas coisas que pensei, que esqueci, que relembrei, que revivi, uma tem sido constante: afinal aprendemos a lavar as mãos.
Este ano foi o ano em que os brasileiros aprenderam a lavar as mãos.
Todas as conversas giram em torno disso nos salões de beleza, consultórios, salas de aula, clubes, em frente à televisão à noite, nas salas de trabalho.
Também com tanto cartaz nos elevadores, prédios públicos, painéis eletrônicos, ônibus, ensinando como ensaboar, esfregar entre os dedos, sob as unhas, nos punhos e enxaguar com muita água, enxugar com toalha de papel, teríamos que aprender.
Valeu a pena.
Depois de 500 anos de vida, nós agora sabemos lavar as mãos e a importância desse pequeno gesto.
E é ótimo mesmo, pelo menos não vamos precisar gritar na hora do almoço: "ô menino vai lavar as mãos!"

Estou voltando

Estou voltando. Aos poucos. Devagar.
E seja o que Deus quiser!
"Pode preparar aquele feijão preto, estou voltando..."

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Justiça suspende licenciamento da Anglo Ferrous, em Conceição

Acabei virando da turma que se aferrou ao movimento contra a instalação da mineração predatória em Conceição do Mato Dentro, seja sob a donataria da MMX ou da Anglo Ferrous, é tudo a mesma coisa. Bem feito que a crise mundial mostrou para aqueles especuladores que o minério de ferro de Conceição não vale grande coisa e precisa mais de investimento do que se esperava. Esperto foi o megaespeculador Eike Batista que montou o negócio "da China" e passou adiante, com um lucro fabuloso.
Por isso, junto com todos, como Dorinha Alvarenga, comemoro a decisão do TJ, conforme o release do Ministério Público que reproduzo abaixo, com dois dias de atraso:

"Decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), o licenciamento ambiental de um empreendimento da Anglo Ferrous, em Conceição do Mato Dentro , a 168 quilômetros de Belo Horizonte. O TJMG reformou decisão da Justiça local, que indeferiu liminar de Ação Civil Pública ajuizada para invalidar os efeitos da licença prévia obtida pela empresa.De autoria do promotor de Justiça André Luis Machado Arantes, a ação se fundamenta em dois argumentos. O primeiro se refere à nulidade da declaração de conformidade fornecida pelo município, expedida em desacordo com o art. 172, §10, da Lei Orgânica municipal. Tal legislação exige daquele que pretenda explorar recursos minerais no município a contratação de seguro ou depósito de caução para recuperação do meio ambiente, condição que não foi atendida pela empresa. Como o documento em questão é requisito para formalização do pedido de licença prévia, sua nulidade macula todo o procedimento de licenciamento e, inclusive, a licença prévia concedida.O segundo fundamento da ação sustenta a nulidade da própria licença prévia, tendo em vista que a mesma foi expedida sem que o órgão ambiental analisasse todas as questões referentes à viabilidade ambiental do empreendimento. O projeto da empresa está em área reconhecida como biosfera pela Organização das Nações Unidas, estando ainda no entorno de quatro unidades de conservação de proteção integral, um parque estadual, além de reserva indígena.A ação foi proposta em 24 de março e, em 6 de julho de 2009, a liminar foi indeferida. O recurso foi interposto em 23 de julho, e o efeito suspensivo foi concedido no dia 29. Agora será aguardado o julgamento do mérito".

Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público de Minas Gerais Núcleo de Imprensa Tel.: 31 3330-8016 / 8166 e 8413 31.07.2009 (Meio Ambiente/ Conceição M Dentro – licenciamento ambiental Anglo Ferrus) AV

Conferência mundial sobre mudanças climáticas

A abertura da Conferência Mundial "Campanha de Liderança Climática 2020", trouxe um Lester Brown mais pessimista do que costuma ser normalmente. Brown é um dos bambambans mundiais sobre mudanças climáticas.
A conferência foi aberta ontem, no Palácio das Artes, pelo governador Aécio Neves e o prefeito da Capital, Márcio Lacerda, que se comprometeram a entrar de cabeça na meta da State of the World Forum, que lidera o movimento mundo afora, de trabalhar na redução paulatina da emissão de carbono até o índice de 80%, em 2020.
Lester Brown, que muitos consideram catastrofista, disse que as mudanças climáticas estão acontecendo rápida e assustadoramente e serão responsáveis por enormes desastres ambientais. Segundo ele, o derretimento das geleiras está cada vez mais acelerado, prenunciando o desaparecimento de extensas áreas costeiras, além de influir decisivamente na produção de alimentos.
Conferência
Até sexta-feira (7), especialistas do mundo vão discutir soluções para conter o aquecimento global. O objetivo é levar uma proposta para a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que acontece em Copenhague, Dinamarca, em dezembro.
E Brown já tem a receita para atacar o problema: diminuir a emissão de carbono passa, necessariamente, pela mudança de modelo energético, com o uso de energias eficientes; pela substituição do óleo, carvão e gás natural, por energia renovável como a solar, a eólica e a térmica; e pelo fim do desmatamento.
Mudança de hábitos
Jim Garrison, presidente da State of the World, disse que a campanha tem como foco a transformação das pessoas: "Queremos que cada um se transforme num líder climático". Para isso, basta que todos mudem seus hábitos diários, de acordo com o receituário de Lester Brown: substituir o uso de carros por bicicletas, optar por equipamentos que consumam menos energia, consumir alimentos naturais.
Siderúrgicas
Mas sinalizando que o calcanhar de aquiles é mesmo a indústria, Brown disse que é preciso rever a política oficial para o setor, principalmente entre as siderúrgicas. Ele disse que o modelo de créditos de carbono (Protocolo de Kyoto) não é satisfatório, porque não tem regras claras.
Para ele, melhor do que o negócio do crédito de carbono, que alcançou até a bolsa de valores, é mais eficiente impor ou aumentar impostos para as empresas.

Acompanhe ao vivo:
http://brasil2020.com.br/portugues/

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Bate papo sobre política ambiental


Bacana a iniciativa do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), de discutir com o público, as políticas para o setor. Nesta quinta-feira (6), o Sisema realiza uma audiência pública com esta finalidade. Será no seu auditório (rua Espírito Santo 495, 4º andar), às 17 horas.

Como carro-chefe do debate, a recém-criada Ouvidoria Ambiental. Participam o ouvidor, Eduardo Tavares, o secrtário de Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, o Fórum de Ongs Ambientais e o Ministério Público.

Mais informações pelo telefone: 3219 5094.

x.x.x.x.x.

Mas eu não poderia deixar passar batido: no convite para o debate, achei muito engraçado o fato de três dos cinco apoiadores serem cachaças (Butequim Mineiro, Vale Verde e Germana). E para contrabalançar e a turma não ficar só nos bebes, tem também os comes, do Queijos Lactominas e Massas Vilma.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Começa campanha contra o aquecimento global

Repasso a informação abaixo:

Antecipar em 30 anos o resultado de ações para frear o aquecimento global é a meta que um grupo de cientistas e especialistas do mundo todo vai debater na primeira conferência “2020 Climate leadership campaign”, que acontece em Belo Horizonte entre os dias 04 e 07 de agosto. O evento, organizado pela State of the World Forum, entidade sem fins lucrativos que tem como fundador o historiador e presidente da Wisdom University, Jim Garrison, e como convening chairman o ex-presidente da União Sociética e prêmio Nobel da Paz, Mikhail Gorbachev, será o ponto de partida de uma campanha de âmbito mundial visando a conscientização de pessoas, empresas e governos sobre o tema.Na visão da State of the World Forum, o prazo estabelecido por governos de todo mundo para cumprimento de metas importantes para frear o avanço do aquecimento global, entre elas a redução em até 80% da emissão de CO2 até 2050, estaria muito alongada e surtiria pouco efeito. Pelos cálculos dos cientistas, mesmo que os obejtivos fossem cumpridos dentro do prazo, a temperatura média no mundo poderia subir 4 graus, o que seria um ameaça geral ao ecossistema. O ideal é que os prazo fossem antecipados para 2020.O Brasil foi escolhido pela entidade para ser um dos líderes globais da campanha contra o aquecimento global. Entre as razões para a escolha do país estão suas grandes riquezas naturais, entre elas a Amazônia, o uso intensivo de energia renovável dentro da matriz energética, que chega a quase 50%, as boas relações diplomáticas com outros países e por ser uma liderança econômica em expansão. Um dos slogans escolhidos para a campanha mundial será ”Join Brazil”, ou seja, “Junte-se ao Brasil”.Foco nas pessoasDiferentemente de outras iniciativas para conter o avanço do aquecimento global, a campanha terá grande foco nas pessoas. Para a World Forum, todos devem ser considerados “Climate leaders”, em português, líderes climáticos. Ou seja, todos tem grande responsabilidade sobre o problema e devem ter participação fundamental em sua abordagem. Pela primeira vez na história, a humanidade está incluída em um único sistema e as ações de uma pessoa tem consequências para todas as outras.Cronograma O encontro em Belo Horizonte, entre os dias 4 e 7 será o primeiro evento da campanha. As mensagens e ações definidas na conferência mineira serão refinadas em encontro em Washington, Estados Unidos, em fevereiro de 2010. Em agosto, o primeiro ano da campanha será fechado com eventos no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amazonas e Bahia. Outras cidades ao redor do mundo irão sediar a campanha nos próximos anos. Entre as candidatas estão a Cidade do México, Melbourne, na Austrália, e Haia, na Holanda.

Fonte: FSB Comunicações

terça-feira, 23 de junho de 2009

Audiências para Parque da Serra do Ouro Branco

João Paulo, do Movimento Legal de Ação Guardiães da Serra do Ouro Branco/Projeto Co-Criar (projeto.co-criar@oi.com.br), a meu pedido, me manda um relato da audiência pública entre os moradores de Ouro Branco e o IEF.
Segundo ele, a reunião serviu para esclarecer alguns detalhes do projeto.
"O principal foi a destinação dada ao Monumento Natural do Itatiaia. O monumento foi escolhido por ser uma área com comunidades. Isto evita as desapropriações e dá margem para a criatividade das comunidades envolvidas, possibilitando seu desenvolvimento e sua contribuição efetiva para o sucesso das Unidades. Nessa linha, não houve conflitos, mas sim uma grande satisfação da comunidade ourobranquense e um comprometimento desta em fazer das novas Unidades de Conservação, modelos internacionais de revitalização, preservação e utilização consciente destes presentes da vida, para todos nós, que são a Serra do Ouro Branco e a Serra de Itatiaia. A consulta pública ainda está aberta no site do IEF, disponivel para a população e interessados diretos. Com esses passos, o processo segue agora para a junção de todos os papéis necessários à finalização do projeto por parte do IEF, que o encaminhará para o Secretário de Meio Ambiente do Estado, José Carlos Carvalho, para o SISEMA e por fim, para a análise do governador Aécio Neves. Se tudo estiver nos conformes o governador há de assinar o decreto de criação do Parque Estadual da Serra do Ouro Branco e do Monumento Natural Estadual do Itatiaia até novembro deste ano".

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ameaça de asfaltamento do único trecho intacto da Estrada Real

O único trecho intacto da Estrada Real – compreendido entre Rio Acima/Itabirito - está ameaçado de ser asfaltado pelo DER. A ameaça está sendo denunciada por ambientalistas da Associação Ecológica de Sitiantes e Moradores do Entorno da Rodovia MG-30, que começa no BH-Shopping, na estrada que liga Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos, Rio Acima e Itabirito, antigo caminho com de mais de 200 anos, que ligava Minas Gerais ao Rio de Janeiro. Para reverter o equivocado asfaltamento os defensores do meio ambiente e da história colonial fizeram um ante-projeto para que a estrada seja calçada com pedra "pé de moleque", “pedra de mão”, ou bloco intertravado sob o argumento que, assim feito dará maior autenticidade ao local e possibilitará permeabilidade e condições propícias para plantas, animais e pássaros conviverem harmoniosamente no meio ambiente. HISTÓRIA - Esta antiga estrada tem 23 km encascalhados e salpicados com pedras do tempo colonial. Foi construída com cortes radicais nos contrafortes da serra e da mata protegida na APA/SUL. Porém, as prefeituras de Rio Acima e Itabirito, insensíveis ao comprometimento ambientalista, tentam forçar a barra para asfaltar - com o equivocado argumento do progresso a qualquer custo, e com prejuízo ao meio ambiente, o que poderá acabar com o ecossistema da região e fará com que aumente o perigo de acidentes automobilísticos, pois o trecho é cheio de curvas e muitos precipícios abissais. Os pequenos sitiantes e moradores do entorno da Rodovia (pelo menos os mais conscientes), os ambientalistas e vários vereadores de Rio Acima, Itabirito, Nova Lima, Raposos e Belo Horizonte, juntamente com associações ambientais estão fazendo apelos ao DER, IBAMA, FEAM, IEF, IGAM, SISEMA e às secretarias de Cultura, de Desenvolvimento Urbano etc. para se unirem contra a ameaça de mais um crime ecológico, e de forma irreversível, caso seja perpetrado. DECISÃO ECOLÓGICA - Os sistemas de calçamento ecologicamente corretos são indicados para pavimentos que preservam o meio ambiente sem agredi-los. Os pisos feitos com pedra “pé de moleque” (“pedra de mão”), além da vantagem ambiental , são fortalecidos pelo argumento do aspecto social, pois deverá ser feito empregando material e mão de obra locais,e que poderá também incentivar a adoção do exemplo em várias outras cidade do entorno das estradas vicinais, com ganho ambiental e cultural. Trata-se, portanto, de uma alternativa que de ser considerada por administradores públicos e privados, projetistas, ambientalistas, consultores e empreiteiros, ou por qualquer pessoa envolvida na escolha dos tipos de pavimentos a serem utilizados nos mais diversos campos de aplicação. A escassez de água no meio ambiente e as formas de garantir o melhor aproveitamento desse recurso, são alguns dos temas mais discutidos em todo planeta. A UNESCO afirma que nos próximos cinqüenta anos, os problemas relacionados com a falta de água afetarão todas as pessoas no mundo. Uma das causas é a ação predatória do homem, que continua a intervir no ciclo hidrológico, aumentando e na intensificando os desastres naturais, seja com o desmatamento, ou até mesmo pela impermeabilização do solo, através da pavimentação asfáltica dessas áreas ambientais, como a que se pretende fazer. Ao longo dos anos, muitos fatores vêm modificando as exigências da gestão municipal, impondo a busca de novas soluções que sejam, ao mesmo tempo, práticas e capazes de agregar outros valores para a economia do município e para a vida dos contribuintes. A exemplo disso, as Prefeituras precisam fazer algumas alterações na Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo do Município, e aprovar mudanças que vêm de encontro às necessidades da sociedade e da cidade, em se adaptarem à dinâmica urbana e às conseqüências deste crescimento. É preciso ter a consciência de que as vias públicas e estradas coloniais deverão ser pavimentadas com revestimentos que tenham maior capacidade de permeabilização, para garantir através de medidas adequadas de planejamento de uso e ocupação do ambiente, os recursos hídricos na quantidade necessária e na qualidade desejada aos diversos usos, principalmente ambientais. O calçamento “pé de moleque”/“pedra de mão”, ou os blocos de concreto de pavimentação permitem a perfeita drenagem das águas de chuva. Ao mesmo tempo, evitam a impermeabilização do solo, pois sabe-se que as juntas entre as pedras ou blocos possibilitam a infiltração de uma de parcelas das águas incidentes, amenizando assim, o impacto ambiental, sendo considerado pisos ecologicamente corretos.
Adriano Duarte P. Cunha Sítio De Persi -Km 48 - Rodovia MG-30 Rio Acima – Minas Gerais

Estrada Real em Risco

Apoio porque acho o atual prefeito de Nova Lima um completo idiota, que abriu a cidade aos megaempreendimentos imobiliários, megaedifícios, nas outroras azuis montanhas mineiras da RMBH. Também queriam o quê? O cara nem é de Minas.
E também não tem visão de futuro, destruiu aquela região do Belvedere, com tanto prédio, esquecendo-se de que junto com os prédios vêm os milhares de automóveis, as toneladas de fumaça, os milhões de decibéis de buzinas...

Associação de Sitiantes Ecológicos de Rio Acima e Itabirito/ Estrada Real/MG-3O

O ecocidadão só enxerga a Estrada Real calçada com pedra “pé de moleque”ou bloco intertravado, pois tem certeza de que assim as matas e os rios continuarão respirando.
Rio Acima, 1º de junho de 2009
Prezados amigos e amigas,
Ajudem-nos a divulgar a inconsequente pretensão e o absurdo ambiental e cultural que seria o asfaltamento de 21 km de caminho colonial, no único trecho intacto da Estrada Real, entre Rio Acima e Itabirito.
Insanidade pretendida pelos prefeitos de Rio Acima e de Itabirito, e que são aplaudidos pelos destruidores do meio ambiente e da memória cultural e de toda a espécie de aproveitadores/traficantes de animais silvestres, pois a estrada que pretendem destruir ainda guarda reminiscências da época colonial/imperial do século XVIII.
Caso seja asfaltado, além de perder a característica de Estrada Real, esse trecho carregaria a pecha de ser um verdadeiro convite para o suicídio de milhares de pessoas (motoristas e passageiros), pois é cheia de curvas perigosas e precipícios abissais tipo canyons, em toda sua extensão. Essa estrada foi feita há mais de duzentos anos nos contrafortes da serra e matas da APA-SUL, protegidas pela leis ambientais do IBAMA e SISEMA e culturalmente pelo Patrimônio Histórico
Por isso, as pessoas sensatas e honestas defendem, principalmente, uma obra que preserve, primeiro a vida e, logo a seguir, o meio ambiente. Alertam ainda sobre a falta de segurança que beneficiará os marginais que usarão a estrada como rota de fuga após praticarem roubos na região e outros delitos, como tráfico de drogas ou todo tipo de desassossego que incomodará a comunidade pacata e ordeira de Rio Acima, Itabirito, Nova Lima, Raposos e Ouro Preto.
Nós, defensores da natureza, da preservação histórica e ambiental temos um ante-projeto que substitui esse famigerado asfalto por um calçamento ecologicamente correto que é a pavimentação feita em pedra ”pé-de moleque"/"pedra de mão", ou o bloquete intertravado, que certamente trará enormes ganhos sociais, uma vez que utilizará material e mão de obra locais.
Soluções construtivas criativas e de interesse sócio/educativo/comunitário devem ser a tônica nesse momento em que o mundo exige a presença de atitudes politicamente corretas e sem os maneirismos e subterfúgios demagogos de dirigentes municipais que não tem nenhum compromisso com as gerações futuras, pois querem destruir passado e o presente em nome de um “progresso” falso e inconsistente.

Com meu abraço fraterno,
Adriano Duarte P. Cunha
Km 48 - Rodovia MG-30 – Rio Acima





sexta-feira, 5 de junho de 2009

Os desabrigados ambientais

E no Dia Mundial do Meio Ambiente, um texto para ler e refletir. Trata-se dos refugiados ambientais, centenas de pessoas que têm de abandonar seus lares diante das novas características geográficas de seu habitat, novas características provocadas pelas mudanças climáticas. Ilhas que desaparecem, orlas que são inundadas, beiras de rio idem. Veja no link abaixo:
http://educacao.uol.com.br/geografia/refugiados-ambientais.jhtm

E porque hoje é sexta, e se Deus quiser, eu só volto na segunda, desde claro, que ninguém jogue filhos pela janela, ninguém roube descaradamente o dinheiro público, não se rompa nenhuma barragem, aí vai uma poesia para vocês lembrarem o meio ambiente:

A folha
Carlos Drummond de Andrade

A natureza são duas.
Uma, tal qual se sabe a si mesma.
Outra, a que vemos. Mas vemos?
Ou é a ilusão das coisas?

Quem sou eu para sentir
o leque de uma palmeira?
Quem sou, para ser senhor
de uma fechada, sagrada
arca de vidas autônomas?

A pretensão de ser homem
e não coisa ou caracol
esfacela-me em frente à folha
que cai, depois de viver
intensa, caladamente,
e por ordem do Prefeito
vai sumir na varredura
mas continua em outra folha
alheia a meu privilégio
de ser mais forte que as folhas.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Um eucalipto de presente no Dia do Meio Ambiente

A Fundação Biodiversitas e a Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente (Amda) estão com uma campanha na internet para apoiar o projeto de lei 2.771/08, do governador, que está tramitando na Assembleia e sobre o qual eu falei aqui ontem.
É o projeto que vai alterar a Lei Florestal mineira, mudando algumas coisas, como a proibição gradativa do uso do carvão proveniente de floresta nativa pelas siderurgias. Há outras alterações importantes, como o monitoramento eletrônico do comércio carvoeiro.
A filosofia que orienta o projeto é aquilo que falei no texto de ontem, dá-se uma mão e retira-se um braço.
Respeito a iniciativa da Amda e da Biodiversitas, mas me preocupo com o raciocínio reducionista que a orienta.
Tal raciocínio consiste em apoiar o menos pior. Se proibir o carvão natural vai preservar o que restou de Mata Atlântica e Cerrado, então vamos aderir.
Só que esta proibição vai fazer explodir o setor da silvicultura de eucalipto, afinal de onde as siderúrgicas irão comprar o carvão?
E tome plantação de eucalipto nesse mundão de Deus, ex-cerrado de Guimarães Rosa.
As entidades ambientalistas estão sempre correndo atrás do prejuízo. Nunca vi uma ação propositiva, como fazer um lobby correto e legítimo, como por exemplo durante a tramitação do projeto; e propor outras mudanças, que além de preservar o que restou da mata (míseros 10%), não levem áreas remanescentes a conviver com o eucalipto e suas nefastas sequelas de empobrecimento do solo e prejuízos à agricultura familiar.
Mudanças poderiam ser: destinar X% da área do Estado para o reflorestamento de espécies nativas (não o plantio de eucalipto, isto é atividade comercial, e a silvicultura mineira já deu mostras de seu poder junto ao Estado e Assembleia).
Pelo menos a filosofia que orientou a lei que ora se propõe alterar era mais protecionista, com a exigência de destinação de se preservar 20% da área de fazendas para o meio ambiente.
Enquanto a silvicultura faz congressos, banca campanhas políticas, banca megaeventos no Expominas, as entidades ambientalistas ficam aí com cartinhas e apoio a projetos que os menos ingênuos sabem muito bem a quem atenderá. Pelo menos parte do projeto, claro.
E eu nem sou contra a silvicultura nada. Sei que é uma atividade economicamente sustentável, de um setor com visão mais moderna, em comparação com o setor minerário, por exemplo.
Só acho que uma coisa não vai compensar a outra (carvão de mata nativa por carvão de mata plantada).
Os 10% de Mata Atlântica vão ficar, mas ao lado dos 50, 60%(?) de eucalipto.
E uma hora dessas teremos ótimas receitas de pratos com eucalipto.
Dizem que o chá é ótimo para o pulmão!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Dia do Meio Ambiente e as comemorações

Depois de amanhã (5/06) é o Dia Mundial do Meio Ambiente.
No ano passado sugeri aqui algumas formas de comemorar a data.
Este ano vou sugerir algumas reflexões.
Estamos num momento estranho no Brasil: há avanços e retrocessos quase que diariamente, como se houvesse uma intenção velada de deixar esta briga empatada.
Já é ruim suficientemente por ser uma briga. Pior ainda é mantê-la empatada, porque empate pode significar equilíbrio, mas de um outro ponto de vista pode significar também anulação de ações.
E no meio disso tudo um ministro do Meio Ambiente meio doido, espetaculoso, para usar um termo mais midiático.
Dá ou não dá saudades da suave Marina?
O Congresso se encarrega de detonar algumas leis ambientais, como a de proteção às cavidades naturais, a de proteção a restingas (ainda em tramitação) e mais uma lista, que os ambientalistas reunidos no Ibirapuera, São Paulo, no finalzinho de maio, denunciaram.
Aqui fala-se que o desmatamento cairá, a partir da aprovação do projeto de lei 2.771/08, que reduz o uso de carvão proveniente de matas nativas pelas siderúrgicas, gradativamente, até 2017.
Também já está na reta final a criação do Parque Estadual da Serra do Ouro Branco.
Mas a mata seca, no Norte de Minas, já pode ser usada mais amplamente para projetos agropecuários.
E a Reserva do Cercadinho vai ceder seu quinhão para o Vetor Sul, aquele acesso novo para Nova Lima, local todo estrangulado na altura do Belvedere.
É obra que precisa ser feita, mas a diminuição da área da reserva não veio acompanhada de nenhuma contrapartida ou de exigências mais duras para o licenciamento de construção da alça viária.
São Paulo fez o contrário. Seu rodoanel vai sair numa área de mananciais, mas o licenciamento para a obra terá que cumprir uma lista quilométrica de medidas mitigantes.
Mas o que merece mais reflexão, neste momento, é mesmo o PL 2.771, que está sendo saudado como a redenção do desmatamento em Minas Gerais, redenção do que resta de Mata Atlântica no Estado.
Mas em uma solenidade ontem promovida pela Associação Mineira de Silvicultura (AMS), Sindifer (produtores de ferro gusa), Embrapa Florestas e governo mineiro, liguei o sinal de alerta.
Foi um megaevento, (que continua por três dias, em forma de um congresso sobre florestas energéticas) o que demonstra a robustez do setor.
Reivindicando para si o título de agricultores e xingando o ministro Minc que os chamou de vagabundos, os plantadores de florestas agradeceram muito, mas muito mesmo, ao governador e ao vice pelas "políticas para o setor".
Bem, as "políticas" estão contidas no PL 2.771.
A siderurgia não poderá comprar mais do que um percentual X de carvão proveniente de mata nativa já a partir do próximo ano, percentual que chegará a no máximo 5% em 2017.
Isto vai tornar mais robusta a silvicultura mineira.
Se não se pode derrubar mata nativa, o carvão tem de vir das florestas plantadas.
Nada de mais, se não houvesse uma discussão quase filosófica sobre os malefícios do eucalipto. Ou sobre a monocultura, outra vertente do debate.
Ou seja, saimos da chuva para cair no molhado.
E o efeito estufa, com suas mudanças climáticas, avança e agradece.
Vamos rezar no Dia Mundial do Meio Ambiente!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dia Mundial do Leite

Hoje é o Dia Mundial do Leite, data sugerida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU).
Aqui em Minas, maior produtor de leite do país, o sindicato dos produtores (Silemg), promove uma degustação do produto na Praça Carlos Chagas (Assembleia).
Quem passou por ali, recebeu desde cedo, folhetos, revistas com matérias sobre o leite e seus benefícios. E de quebra, pôde degustar queijos de vários tipos, pãezinhos com requeijão, iogurtes, uma verdadeira festa.
De longe dava para ver a fila enorme que se formou próximo à barraca de degustação.
Mas chegando perto, deu para ver que a turma estava mesmo era na fila de medição de pressão arterial e teste de glicose.
A FAO recomenda um consumo anual de 200 litros de leite, mas no Brasil, a média não passa de 120 litros. O pior disso tudo, é que segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o brasileiro consome 89% a mais de refrigerante e 41% de cerveja.
Talvez o consumo do leite esteja diretamente ligado ao preço para o consumidor final.
E volta e meia os produtores reclamam que eles não ficam com praticamente nada dos lucros da atividade e acusam o setor de embalagens, dominado pela sueca Tetra Pak.
E fica tudo por isso mesmo. E agora estão todos juntos nas comemorações do Dia Mundial do Leite.
Todo ano são feitas campanhas milionárias para incentivar o consumo do leite.
E se um pouco desse dinheiro fosse canalizado para uma espécie de subsídio ao leite para populações mais carentes?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Leis ambientais estão na mira dos legisladores

O movimento ambientalista dá mostras de uma mobilização tímida. E é urgente esta mobilização, diante do torpedeamento drástico que o meio ambiente vem sofrendo, sobretudo com a modificação das leis que o protegem.
Exemplos estão aí aos montes: a mudança na lei de proteção às cavidades naturais, uma das coisas mais estúpidas que se pode imaginar, principalmente para Minas Gerais, que tem rico acervo de cavernas.
E também a mudança proposta na Câmara de Deputados para a lei de proteção às restingas, outro chute no saco de quem quer preservar um patrimônio que é de todos, diante do interesse de alguns pouquíssimos.
Por isso, a turma do ambiente, sob a batuta do SOS Mata Atlântica, se reuniu em São Paulo, no último fim de semana, para discutir uma mobilização nacional. E foi proposto algo como o movimento das "Diretas Já".
A ideia é colocar 1 milhão de pessoas nas ruas do país.
Aqui temos alguns avanços: está perto a criação do Parque Estadual da Serra do Ouro Branco, com seus 15 mil hectares. As audiências públicas acontecem nos dias 4 e 9 de junho, em Ouro Branco e em Ouro Preto.
E há um projeto de lei tramitando desde o ano passado na Assembleia Legislativa (PL 2.771/08), que reduz os limites de consumo de produtos e subprodutos florestais pela indústria.
Seria mais um projeto do Executivo a rolar no Legislatico, não fosse o puxão de orelhas dado pelo governador hoje, nos deputados estaduais, insistindo para que votem logo, senão a vaca vai para o brejo.
Segundo especialistas, a nova lei seria uma maneira eficiente de combate ao desmatamento no Estado.
No corpo do projeto, que modifica a Lei 14.309 de 2002, está a diminuição até 2017 da quantidade de mata nativa que as indústrias (siderurgia) podem usar para suprir suas necessidades. (Já viram a quantidade de caminhões de carvão na estrada de Curvelo?).
Esta redução gradativa chegará a no máximo 5% de uso de matéria-prima natural em 2017. Hoje as siderúrgicas podem usar 100% de floretas naturais desde que façam a reposição em dobro do que foi consumido. (Mas como fiscalizar isso, apesar da boa vontade do IEF?).
Só para lembrar: Minas possui a maior área remanescente de Mata Atlântica do país: 2,6 milhões de hectares.
Mas como nem tudo são flores, dá-se ali, toma-se aqui.
É o que fizeram com a mata seca , no Norte de Minas. Lei anterior permitia o uso de no máximo 20% desse bioma, na implantação de projetos agropecuários. Modificação sancionada em janeiro deste ano escancarou o percentual para 60%, um pequeno mimo para os grandes projetos comerciais de agropecuária da região.

terça-feira, 26 de maio de 2009

A criação do Parque da Serra do Ouro Branco


Finalmente foram marcadas as audiências públicas para discutir a criação do Parque Estadual da Serra do Ouro Branco e Monumento Estadual Natural do Itatiaia. As explicações do IEF, outras entidades e empresas vão acontecer dias 4 e 9 próximos, em Ouro Branco e Ouro Preto.
No dia 4, a audiência é às 18 horas, no auditório da prefeitura de Ouro Branco. E no dia 9, é às 17 horas, na sede da Associação dos Moradores de Chapada, distrito de Ouro Preto.
Quem manda o convite é o João Paulo, da ONG Movimento Legal de Ação Guardiães da Serra do Ouro Branco e Projeto Co-Criar.
Já tem é tempo que uma gente preocupada com a conservação de um dos monumentos naturais mais bonitos de Minas luta para que o parque saia, desde 2003.
Em 2007, participei de uma audiência pública em Ouro Branco com ambientalistas, IEF e Assembleia Legislativa e assinei uma petição para a criação do parque.
São 15 mil hectares de área, quase tudo em Ouro Branco e uns 5% em Ouro Preto.
O local guarda uma biodiversidade riquíssima, mais do que a Serra do Cipó, considerada antes o celeiro mineiro de espécies vivas. Um estudo da Terra Brasílis mostra que a serra guarda mais de 800 espécies vegetais.
A Serra do Ouro Branco já é tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual desde 1976. Conta com incríveis lugares históricos e naturais, como um mirante, trilhas, cachoeiras, partes da Estrada Real com pontes dos séculos XVIII e XIX.
E o mais significativo: é o marco zero da Cadeia do Espinhaço.
A criação do parque vem coroar o trabalho de muita gente preocupada com a exploração indiscriminada de minérios e com o turismo predatório.
Por isso é preciso que toda a população compareça.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A moça e seu celular

A moça olha seu celular sem parar. Confere e-mails.
E é sábado e o dia está lindo, com sol claro e céu azul.
Será que ela não vê o tempo?
Não vê as pessoas à sua volta, conversando, rindo?
Vê mas não enxerga?
Que pena ter tanta tecnologia e ficar escrava dela, trabalhando quando deveria estar ouvindo os passarinhos, os risos de seus convidados, o barulhinho das folhas nas árvores, o movimento do vento.
Mas o celular que acessa e-mails é ferramenta de trabalho, de escravidão e nem todos se dão conta disso.
Saem de férias, de licença médica, de feriados, mas carregam o trabalho junto. Carregam a angústia também.
Que pena ter de ficar 24 horas lendo e-mails e ficar com eles estampados na cara amarrada, no rosto congestionado, na mudez, no distanciamento.
Algumas coisas ficam na face, indelevelmente.
E desconectar é tão simples!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Férias de graça em Cancún

Pela primeira vez, desde que cheguei do México, fiquei triste de não ter pego o vírus da gripe influenza A. E não estou de brincadeira não.
Se antes fiquei aliviadíssima após os 10 dias do período de incubação, agora estou aborrecidíssima.
É que vi ontem a associação dos hoteleiros de Cancún oferecendo um pacote de férias gratuitas (uma semana), em hotéis de lá, por três anos consecutivos, para quem, comprovadamente, foi contaminado e sarou.
Fiquei com ódio da Secretaria de Estado da Saúde que sequer me indicou ir ao Hospital das Clínicas, pelo menos para fazer uma avaliação médica, mesmo quando eu liguei para informar que estava esspirrando muito e tossindo, ainda dentro do prazo de contaminação do vírus (no nono dia manifestei esses sintomas, que a SES disse ser da gripe comum).
E com mais ódio ainda, já que minha filha ficou gripada, bem mal, com uma tosse infernal por mais de 10 dias. Os meus sintomas foram mais suaves. Lembrem-se que estive na Cidade do México, Acapulco, Mérida e Cancún, no auge da epidemia.
Já pensou se eu tivesse feito o exame e ter sido positivada para o influenza A?
Já estaria curada e candidatíssima a ir a Cancún durante três anos seguidos.
Ficar lá naquela mordomia toda, naquele paraíso, de graça!
E com possibilidade ainda de passagens aéreas também gratuitas, segundo o boss lá da associação dos hoteleiros.
Mas já viu como é a Lei de Murphy, né?

domingo, 17 de maio de 2009

A importância do título

Fui gastar meu presente do Dia das Mães ontem, um vale para uma massagem de pés reflexológica. Enquanto ficava ali naquela cadeira quase cama, indo ao paraíso entre uma desligada e outra, via um circuito interno de tv com pílulas de notícias e publicidade. E várias vezes li: "mãos, faça rejuvenescimento".
Claro que na saída a primeira coisa que fiz foi perguntar sobre.
"É o máximo, você faz uma esfoliação profunda com um creme de ácido salicílico, depois duas hidratações com ácido retinóico e Dmae". Na mesma hora marquei e voltei à tarde para fazer.
Aproveitei e fiz as unhas também.
"E achei ótimo, fiquei tão maravilhada que até achei minha mão mais clara, mais brilhante. "Não é?", concordou a recepcionista.
Já em casa, mexendo numas gavetas, achei um creme de mão com ácido retinóico. E no banho, vi um creme de esfoliação. E na geladeira havia um potinho com creme Dmae, desses manipulados.
Bem, quem manda estar tão suscetível à publicidade?
E olha que sou mais ou menos do ramo!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A passeata dos "sem-namorado"

Movimento Marcha mundial das Mulheres

Um site de relacionamentos resolveu inovar e vai promover uma passeata dos "sem-namorado". Achei o máximo, ainda mais que o evento ocorre quase um mês antes do Dia dos Namorados (ainda é 12 de junho?).O Rio faz amanhã, 15, e São Paulo dia 17, para - quem sabe-, alguns chegarem na data romântica já com os respectivos pares. No Rio a andança acontece na Candelária e em Sampa no Parque do Ibirapuera. Portanto, se você estiver aí de bobeira, corra e vá buscar sua cara-metade.Imagino que vai dar muito ibope, tal a quantidade de gente, sobretudo jovens, reclamando da falta de relacionamentos fixos, duradouros, sérios. O engraçado, ou triste, sei lá, é que a reclamação é entre os dois públicos, ou seja, a culpa está em uns e outros, segundos eles mesmos.Já escrevi aqui algumas vezes sobre as dificuldades de relacionamento relatadas pela moçada: "que não há meninos/meninas sérios", "que não há meninos/meninas interessados em namoros sérios" e por aí vai.Fico pensando onde está o ponto de estrangulamento, porque a coisa parece muito fácil: "você quer namorar sério comigo, tipo casal?"Mas não é bem assim. Há toda uma pressão do grupo de ambos os sexos para "ficar", "pegar", "beijar".E como vivemos na era do coletivismo, onde as ideias e os comportamentos não padronizados são considerados "muito estranhos", "sem noção", a turma vai cumprindo seu destino de rebanho.Fico pensando na passeata dos sem-namorado de Belo Horizonte, se ela aqui ocorresse.Uma multidão de mulheres de encher duas avenidas Afonso Pena e uns gatos pingados bêbados, lotando o saco das coitadas.E óbvio, muitos, mas muitos, mas muitos gays dando o maior apoio a suas coleguinhas, porque toda moça solteira tem seus gays no rol dos melhores amigos.E isso aqui de gays não tem nada com preconceito, apesar do texto parecer meio pejorativo.É pura comprovação da nossa realidade.Na turma de amigos da minha filha há pelos menos uns 10 gays e todos muito amigos e companheiros entre si.E eu já tentei até arrumar um namorado para um deles, mas acabou não dando certo, porque o pretendente era muito branquinho e ele preferia os bem moreninhos, o que mostra que eu de cupido teria morrido de fome.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Urbanização ambiental


Plante sementes no Rola Moça

Um bom programa para o próximo domingo. É divertido, agradável e ajuda o meio ambiente
Dia 17/5, o Movimentaminas programou uma atividade no Parque Estadual Serra do Rola Moça.
É o projeto Sementes, de conscientização social com ações que favoreçam a preservação do meio ambiente.
Mais de 50 voluntários irão plantar 150 mudas de espécies nativas do cerrado.
Quem quiser participar ainda dá tempo.
É no domingo, dia 17, começando às 10 horas, com credenciamento e lanche, palestra às 10h30 e plantio às 11h30. O encerraento está previsto para 12h30.
Você pode também acessar a página do movimento e ver mais detalhes:

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A "consulta " da influenza A

É cansativo ter de voltar ao assunto da gripe influenza A, mas sou obrigada a relatar o que me aconteceu, para mostrar mais uma vez o despreparo dos órgãos oficiais encarregados de monitorar a epidemia.
E é bom que se repita insistentemente: é epidemia, quase pandemia.
No sábado à noite, 9º dia da minha volta do México, comecei com uns sintomas da gripe, imagino que a comum. Espirros abundantes, congestão nasal e dor de cabeça leve. Nada de febre, nada de dores musculares e tosse. Domingo a coisa persistiu e minha filha também reclamou. Os sintomas dela foram só espirros e dor de cabeça, e um ligeiro estado febril (37.5 graus).
Hoje, segunda-feira, ligo para o o8002832255 da Secretaria de Estado de Saúde.
Finalmente resolveram pegar meus dados, quando fui e quando voltei do México, telefone e endereço.
A atendente, Ana Paula, disse que a médica iria me ligar em poucos minutos.
Disse a ela que não estava impressionada, só precisava tomar medidas em relação à minha secretária, e ao meu emprego. Ou seja, quis deixar claro que não estou preocupada, pois não sou nem um pouco neurótica com doenças, pelo contrário, sou bastante displiscente.
Bom, duas horas e meia depois, nada de telefonema.
Nesse meio tempo já havia falado com o médico da Assembléia, pedindo uma orientação sobre ir ou não trabalhar.
Disse para ele que os espirros e a coriza muito intensos poderiam deixar inseguros meus colegas. Ele concordou e me mandou ficar em casa hoje, inclusive para evitar uma propagação da gripe comum, que segundo ele, deve ser o meu caso.
Eu concordei e também acho que apenas dei o azar de pegar a gripe comum ainda dentro do período de manifestação da influenza A.
Voltei a ligar na Secretaria de Saúde e reclamei que não havia recebido o telefonema ainda.
A atendente disse que hoje estava tendo uma demanda grande de ligações, o que acendeu minha luzinha de jornalista, pois indica algum descontrole ou um certo pânico da população. E pediu meu endereço novamente, o que indica uma bagunça no atendimento telefônico.
Finalmente a médica, Neuza Soares Menzes, agora da Secretaria Municipal de Saúde, me ligou e descartou imediatamente a influenza A, pelo critério do tempo.
Achei muito precária a "consulta" pelo telefone, pois se trata de um vírus muito desconhecido, de alta mutação e, portanto, que merecia um rigor maior nos critérios de avaliação da contaminação.
Mas este é o Brasil.
Estas são nossas autoridades sanitárias, que nunca lidaram com uma situação dessas, a não ser em relação à dengue, e que deveriam estar mais criteriosos, mais desconfiados, porque depois do vírus instalado, não terão nem linhas telefônicas para atender os chamados.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Porque hoje é sexta

E porque hoje é sexta, e se Deus quiser, não acontecerá mais nenhum escândalo, a gripe não pulará, a chuva no Nordeste dará uma trégua, ninguém matará seu filho, e aí volto a postar só na segunda.
Por isso, porque hoje é sexta, vou de Fernando Pessoa, compartilhando-o com vocês:

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu

Cassação já para o deputado que se lixa

A Câmara Federal poderia fazer um gesto supremo "de corte na carne" - como se costuma chamar aquelas ações que ela própria perpetua contra algum de seus membros -, e cassar de vez dois deputados: o do castelo e o que "está se lixando para a opinião pública".
Este deputado Sérgio Moraes, do PTB gaúcho, é mesmo um elefante em loja de porcelana.
A declaração dele de que está se lixando para o que os jornais escrevem, e consequentemente, para a opinião pública, é alguma coisa nunca vista em termos de escárnio.
Qunado ele disse, com todas as letras, que não se importava a mínima com os jornais, sabia que estes, ruins, bons, engajados, comprometidos com um ou outro interesse, são o reflexo da opinião pública.
É ali, naquele pedaço cheio de imperfeições, que a sociedade se espelha.
E o deputado ignorar isso, bem, só usando a popular "me engana que eu gosto".
Por isso deve perder o mandato, já que não respeita o povo para quem deveria ser dirigido seu mandato, povo aliás, objetivo primordial de qualquer mandato político.
E o do castelo deve ser cassado não porque tem um castelo, que aliás construiu muito antes de ser deputado.
Mas por ter usado suas empresas para fornecer notas fiscais e justificar os seus gastos com a verba de representação. Quer algo mais espúrio do que isso? E o cara ainda se apropriava dos dinheiros descontados dos empregados, como o FGTS e o INSS.
Recall
Por isso, na reforma política que ora se discute no Congresso, é preciso urgente implantar um mecanismo já presente em alguns países, o do "recall de políticos".
Com este instrumento, a população pode tomar o mandato de presidentes, senadores, deputados, quando estes estiverem fora da linha, quer dizer muito fora da linha, com muito defeito de fabricação mesmo, daqueles que comprometem a segurança e o desempenho.
Tem até uma Proposta de Emenda à Constituição com este teor, do senador Eduardo Suplicy tramitando no Congresso.
Mas já viram né? É a história do cortar na carne. A matéria tramita a passo de tartaruga, apesar de ter opinião favorável do relator na Comissão de Constituição, senador Pedro Simon.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

E a gripe chegou

Finalmente não deu para esconder mais e o governo brasileiro teve de admitir hoje quatro casos da gripe influenza A.
Disso tudo fica uma certeza: os governos continuam cometendo eternamente os mesmos erros: esconder da população a verdade, ou mascarar, ou dourar a pílula.
Desde domingo, alguns de nós, por causa de contatos dentro da vigilância epidemilógica de São Paulo, já sabíamos do caso naquele estado, confirmadíssimo. Menos pelas autoridades brasileiras e por esta imprensa incompetente, que fica repetindo infinitamente, sem levantar o traseiro de suas redações refrigeradas, o que o comunicado oficial garante.
Ô saudade dos tempos da imprensa que apurava, que não engolia releases e comunicados oficiais.
A história brasileira está repleta de mentiras encobertas pelos comunicados oficiais.
Alguém ainda se lembra do caso do Tancredo Neves?
Pois é, pouca coisa mudou.
Aliás piorou, porque agora não há jornalistas dispostos a desvendar esquisitices.
É mais, mais cômodo, mais rentável repetir o oficial, "colocando na boca do entrevistado" (jargão dos jornalistas para as declarações entre aspas, sem qualquer apuração).
A confirmação já era sabida, mas a informação foi sendo ministrada em doses homeopáticas, como na declaração do ministro Temporão (será que ele algum dia amadurece?), de que "a chegada do vírus ao Brasil é inevitável".
De que adianta o ufanismo agora, de que estamos preparados, temos remédio para 9 milhões de pessoas, etc?
Por que não admitir desde o início que existia muito discurso e pouca ação, pouco comprometimento dos servidores da área de saúde que trabalham no caso?
Por que não admitir desde o início que o Brasil não tinha sequer como comprovar os casos suspeitos porque não possuía o kit do exame, que só chegou hoje? (Coincidência o anúncio oficial dos quatro casos?)
Por que não admitir que instalado o vírus no país, pelas nossas condições sanitárias, corremos o risco de ele se alastrar rapidamente?
E pior de tudo, por que as autoridades estão se lixando (para usar uma palavra na moda entre os políticos), para a possibilidade da segunda onda da gripe, mais intensa e devastadora?
Só para avivar nossas memórias: dengue era uma doencinha de nada, que acontecia aqui e ali e hoje é este flagelo, que governo nenhum de cidade ou estado consegue controlar. E com dezenas e dezenas de mortes todos os anos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A margarita como fazem no México


Se você buscar no Google vai encontrar milhares de páginas ensinando a fazer a margarita, o mais tradicional drink mexicano. No Brasil, os bares a preparam só com limão e Cointreau e a dose de tequila é muito alta o que deixa a bebida muito forte.
No México, eles a tomam bem fraquinha, talvez porque os turistas a pedem o dia inteiro, a começar pela manhã, quando estão nas piscinas dos hotéis.

A minha receita preferida foi esta aí em baixo:

Coquetel Margarita
(para seis pessoas)
125 ml de tequila branca
60 ml de licor seco de laranja (triple sec, encontrado em casas de bebida, ou o cointreau)
60 mil de suco de limão
4 taças de gelo picado e
Sal
Preparo -
Umedecer as bordas do copo ou taça em que for servir o drink com suco de limão. Espalhar sal em um prato e molhar as bordas do copo ou taça nele para fazer a borda cristalizada de sal
Bater num liquidificador a tequila, o licor de laranja, o suco de limão e o gelo, por uns instantes, em velocidade alta.
O gelo batido dá a consistência de "frozen", que é bem melhor do que o gelo batido ou picado, feito em coqueteleira.
Colocar a mistura nos copos ou taças previamente preparados.
Se você quiser mais forte, vá temperando com mais tequila, mas depois não reclame.
E advinha por que me lembrei de colocar esta receita agora?

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Oi TV e Oi internet, a fantasia

Ter de recorrer ao atendimento de algum desses serviços - Oi, Oi TV, Oi internet, Claro, Vivo, Tim, é um martírio.
Há dois dias estou com o sinal de tv a cabo da Oi TV praticamente inviável. Os canais comerciais estão quase desaparecidos, de tão ruim o sinal.
E agora, quando ligo para pedir assistência técnica começa o suplício.
Duzentos telefonemas cheios de "um momento senhora", "confirme alguns dados, senhora", meu Deus é de deixar qualquer um louco!
E não resolvem!
"O sistema está indisponível", "o ramal está ocupado", "liga daqui a 30 minutos"!
Quem pode com uma coisa dessas? E a ligação é cobrada num telefone prefixo 4002, que me passam.
E o pior: não estou relatando nada novo. Os Procons estão entupidos dessas reclamações.
Então por que não há uma providência drástica das autoridades competentes (Anatel)?
Há lei para isso, lei para aquilo, mas tais serviços, ou melhor, desserviços, continuam cada vez piores. E ainda pago e caro por eles.
Formas de punir e resolver existem, só que as agências reguladoras não têm coragem de encarar o poder desses grupos.
Também com as relações incestuosas entre governo, agências e operadoras, dá para entender.
Uma medida muito simples seria, a cada reclamação na agência, a multa à operadora seria imediata. Uma multa razoável, só para dar bastante prejuízo à operadora no acumulado.
Mas podem dizer: "não, mas a culpa pode não ser da operadora. É preciso apurar antes".
Ah, é? E as multas de trânsito que tenho de pagar primeiro para depois contestar?
Com a cobrança automática a cada reclamação na Anatel, quem sabe as operadoras pensariam em investir um pouco dos fabulosos lucros em modernização tecnológica e de atendimento, principalmente.
E nem adianta mudar de operadora, como sugere candidamente a Anatel, confiando na concorrência. É tudo uma porcaria só.
O índice de civilidade e desenvolvimento de um país se mede também pelo respeito ao consumidor.
Já viu em que nível o Brasil está né?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Viagens lidas são como as vividas

Para quem gosta de textos de viagens confira a coluna lateral Viagens & Cia. As últimas são as do México e umas postagens do jornalista Márcio Metzker que fez um périplo de carro pela Europa e nos enviou uns textos sensacionais como só ele sabe fazer. Aproveite!

E a Globo manda a Vigilância me ligar

Depois que a Secretaria de Saúde me ligou no sábado sobre a gripe suína - que não é suína mais, e sim Influenza A (H1N1), depois que os porcos reclamaram que não tinha ninguém por lá com gripe-, fiquei mirabolando como a SES conseguiu meu telefone.
Primeiro achei que foi por causa da matéria do Hoje em Dia, mas como a Rosângela Guimarães não recebeu nenhuma ligação, descartei esta via.
Pensei que havia sido a minha irmã Glória, em sua esculhambação com o pessoal da Infraero em Confins e depois com os da Vigilância Sanitária estadual. Ela passou de setor em setor, esculhambando todo mundo.
Mas ela não deu meu telefone para ninguém, aliás, segundo ela, nem perguntaram meu nome ou algo assim básico.
Aí me lembrei que no meu contato com a produtora Patrícia, da Globo Minas, deixei meu telefone.
Bingo!
A Globo deve ter ligado para a Secretaria para ver se estavam fazendo a vigilância e citaram minha reclamação.
É a Globo pautando as autoridades também.
Também, porque já pauta o resto da imprensa, o público brasileiro e até sul-americano.
Recebo o e-mail de minhas colegas paulistas, duas de Campinas e duas da Capital. Fora o desgaste da viagem, o estresse, a tensão, o atraso do voo em duas horas das duas últimas, ao chegar em Guarulhos no sábado, também não foram abordadas. E também não receberam folheto algum.
Há anúncio pago nas tvs e jornais sobre a epidemia, numa clara inversão de público-alvo. Os que chegam do México e Estados Unidos passam batido.
E depois querem que os anônimos que folheiam o jornal displicentemente, ou saem da frente da tv no intervalo da novela ou do jogo, prestem atenção naquele anúncio ali.
Enquanto isso a OMS já disse hoje que vai declarar nível 6 da epidemia.

sábado, 2 de maio de 2009

A vigilância vigia depois que a imprensa reclama

No aeroporto do México esperando voo para Cancún

Como não fui abordada em Confins, depois de chegar do México, fui para os jornais. Liguei para a Globo e a produtora do MG TV "ouviu" tudo muito pacientemente. Provavelmente vendo tv, conversando com alguém do lado e revirando os olhos, pensando "mais um que quer aparecer".
Bem, não é o meu caso, afinal sou jornalista e sei como se dá a produção da notícia.
Sei dos interesses todos que determinam qual fato irá ao ar e como.
Mas o jornal Hoje em Dia deu nossa reclamação, minha e da editora-adjunta deles, Rosângela Guimarães.
Além disso, minha irmã Glória ligou para a Vigilância Sanitária em Confins e fez um escarcéu danado com o fato de eu não ter sido abordada. E ainda foi atendida com rispidez e com informações truncadas. Esta é a burocracia das coisas.
Resultado: hoje, às 11 horas recebi um telefonema da Secretaria de Saúde do Estado, perguntando se eu estava bem e me deixando um 0800 caso manifeste algum sintoma daqui para frente.
No Hoje em Dia, uma dentista que chegou do México dois dias antes de mim, com um filho bebê, também se queixou de não ter sido abordada e de não ter recebido telefonema nenhum até ontem, dia da produção da notícia do jornal.
O jornal que dá o outro lado da notícia, que não a declaração oficial de "que estamos distribuindo folhetos a todos passageiros procedentes de áreas de risco", presta um serviço social e faz um papel que deveria ser das autoridades.
A Secretaria da Saúde não está distribuindo folhetos informativos coisíssima nenhuma, pelo menos nos voos da Copa, os únicos procedentes do México.
Só se estão distribuindo nos voos que chegam de Lisboa, os únicos internacionais, além deste do México. Ou quem sabe os da ponte aérea Rio/São Paulo.
E assim caminha a humanidade: autoridades dizem que fazem, mas as ações não chegam aos interessados.
E vamos vivendo todos neste circo de engodos, falácias, espetáculos, como se as doenças fossem combatidas com ações psicológicas.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Outras fotos do México

Uxmal, mergulhadores de Acapulco, Chichen-Itzá e aeroporto da Cidade do México













Algumas fotos do México

Acapulco, Taxco, Teotihuacan














A vigilância que não vigia a gripe

Chego em Confins na madrugada de hoje, preparada para ser barrada, colocada numa ambulância e levada para o isolamento do Hospital das Clínicas.
Afinal estou voltando do México, de Cancún, mas estive também na capital, onde a epidemia se espalhou rapidamente.
Na saída do aeroporto mexicano recebi máscaras, folhetos explicativos sobre a doença e um questionário para responder sobre se senti dois dos seis sintomas.
Na escala no Panamá, a mesma coisa.
Mas no Brasil, em Beagá, nada aconteceu. Todo mundo desceu tranquilamente, apesar de uma mulher ter espirrado metade da viagem e de um senhor mais velho ter tossido outro tanto. Ambos sem proteger os incômodos com um lenço sequer.
Claro que é brincadeira a primeira frase, mas que eu esperava alguma coisa mais, esperava.
Afinal não dá para combater epidemia só com a boa vontade de cada um.
Eu me preveni com máscara, passei já do período de manifestação da doença (de 2 a 7 dias), mas poderia ter sido contaminada em qualquer dos aeroportos e só saber daqui a dois dias.
O chato é ver o ministro Temporão, com aquele cabelão ao vento, mastigando mentiras.
Não dá para fazer jogo de cena nestes casos.
Não dá para chamar a imprensa, principalmente tvs, para ir aos aeroportos, junto com a Vigilância Sanitária e fiscalizar um voo qualquer.
Dá ótimas imagens, mas não dá resultado.
Foi assim com a Aids, cujas campanhas levaram pelo menos 5 anos até atingir o público-alvo. E o estrago já estava feito.
As autoridades precisam saber que o público-alvo são os viajantes de aviões e navios que tenham passado pelo México e Estados Unidos. E precisam ser mais incisivas, pelo menos recomendando a estes passageiros que fiquem em casa por uns cinco dias, mais ou menos em isolamento, ou pelo menos evitando lugares de grande aglomeração, como igrejas, shoppings, teatros, cinemas, etc.
Eu vou fazer minha parte, me mantendo em semi-isolamento: dei folga de uma semana para a secretária e minha filha foi para a casa de amigos.
Minha consciência - ajudada pelo médico-chefe da instituição onde trabalho, o primeiro a sugerir a quarentena, via e-mail ainda quando eu estava no México -, não me permite agir de outra maneira.
E não é paranóia não: a epidemia teve uma disseminação galopante, passando de um nível a outro em menos de 48 horas. Enquanto eu escrevia num dia que ela estava no nível 4, já havia pulado para o nível 5.
E mesmo que venha a ser controlada nas próximas semanas, não se sabe nada sobre uma recidiva e sua virulência. E pior: as vacinas só estarão prontas daqui a seis meses.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cancun é um mundo à parte, sem influenza

Se nao fosse um ônibus cheio de turistas que chegou há pouco no hotel, todos com máscaras no rosto, diria que Cancún é outro país. Nao se fala da influenza aqui. Nao estão nem um pouco preocupados. A não ser aqueles que chegam da Cidade do México.
A gripe continua avançando e inclusive em outros países já em alerta.
O nível de risco da epidemia já é o numero 4, segundo OMS. E só há 6 níveis.
No México, o governo tem feito de tudo para deter o avanço, mas é um vírus forte, mutante, sem vacinas, apesar de num primeiro momento o governo mexicano ter dito que estava preparado com 2 milhões de vacinas. E o que é isso num país que tem 24 mihões de pessoas, fora os turistas?
Na capital todos os espetáculos públicos foram cancelados: cinemas, teatros, shows.
No domingo missas na Catedral de Guadalupe foram suspensas, o que é seriíssimo para o país, o mais católico do mundo.
Mas em Cancún não há qualquer sinal de que está havendo uma epidemia.
Procurei hoje máscara, ou cobreboca em três farmácias e nao encontrei.
Disseram que não tinham encomendado.
A mídia continua a bater nas medidas preventivas, que preveem, além de se evitar os locais de grande aglomeração, recomendações para se comer alimentos ricos em vitamina C, lavar bem as mãos.
Vamos ver como saímos daqui amanhã.

domingo, 26 de abril de 2009

Mortes por gripe aumentam no México

Hoje, domingo, leio os jornais com preocupação. Os casos da gripe influenza continuam a subir. O governo mexicano já registra oficialmente 81 mortes. Há dois dias eram 20. Os contaminados já sao 1.324, mas uma vacinação em massa ainda não começou.
Segundo o Ministério da Saúde, que aqui se chama Secretaria de Saúde Federal, há estoques de vacinas, algo como um milhão de doses da vacina, a Oseltamivit, mas elas não são vendidas em farmácias.
Entre as novas medidas para conter a epidemia estão o isolamento de pacientes, mas a ação principal tem se concentrado na vigilância nos aeroportos. Já se param as pessoas para perguntar sobre sintomas da gripe, nos desembarques de cidadãos dos estados mais afetados, o distrito federal, Baixa Califórnia e outros do Norte.
Já foram registrados 16 casos nos Estados Unidos, também em cidades próximas à fronteira com o México.
Medidas mais drásticas como a suspensão de voos ainda nao foram anunciadas, mas um jogo de futebol na Cidade do México hoje, vai ser realizado sem acesso ao público.
No Yucatan, onde estamos, ainda nao há registros de casos da gripe. Mas as medidas de segurança estão em andamento. A principal é o cerco aos passageiros que chegam da capital. As autoridades portuárias estao instruídas para notificar casos suspeitos à Secretaria de Saúde do Estado, contudo, sem alarmar os demais passageiros.

sábado, 25 de abril de 2009

Gripe deixa o México em alerta

Tomo um susto ao voltar à cidade do México para fazer conexão para a Península do Yucatan, vinda de Acapulco. Não há voos diretos, por isso precisamos voltar ao aeroporto da capital.
Antes de sair do desembarque já vemos as pessoas com as máscaras no rosto, "os tapa-bocas" como dizem aqui.
O medo da gripe influenza é grande. Há dois dias houve um princípio de pânico, sobretudo no distrito federal, porque as pessoas não sabiam o que estava acontecendo realmente.
Vi nos noticiários e nos jornais impressos que já haviam sido confirmados 24 casos de morte pela gripe. Depois houve desmentidos, até que o Ministério da Saúde foi em rede nacional esclarecer que já se configurava uma epidemia, que as mortes também tinham como causa a gripe, mas que todas as medidas de precaução estavam sendo tomadas. Entre elas a farta distribuição de informes nos aeroportos.
Por isso as máscaras, afinal a Cidade do México tem simplesmente 24 milhões de habitantes (região metropolitana).
Os mexicanos da capital já estão acostumados com as máscaras, pois a cidade já foi uma das mais poluídas do mundo. Hoje há um certo controle, resultado do rodízio dos 6 milhões de veículos.
E outras medidas contra a propoagação da gripe incluíram a suspensao das aulas nas escolas primárias na Cidade do México e a retenção de viajantes que apresentem sintomas.
Há 24 anos nao acontecia uma suspensão de aulas, desde o terremoto de 1985. Dados oficiais já admitem cerca de 1.300 contaminados pela gripe influenza porcina, ou seja, o transmissor é o porco.
E os casos começam a ser notificados em outros estados, como Baixa Califórnia, na divisa com os Estados Unidos.
A Organizaçao Mundial de Saúde alertou o governo mexicano para a possibilidade de uma pandemia, daí as medidas drásticas e imediatas.
Desci no aeroporto para ficar apenas duas horas e tratei de comprar meu "tapa-bocas", sabe como é, seguro morreu de velho.
Todos os funcionários do terminal, tripulações, velhos e crianças principalmente, foram agraciados com as máscaras.
Nos três dias que passei antes na cidade não havia me dado conta da gravidade da situação, mesmo vendo os noticiários. É que gripe parece ser uma coisinha à-toa.
Só que com epidemia que se espalha pelo ar, em um local onde passam milhões de pessoas, não dá para brincar.
Nos estados mais ao Sul, como Guerrero onde estava, em Acapulco, e no Yucatan onde cheguei hoje, ainda nao foram registrados casos.
Graças a Deus!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Acapulco é tudo isso

Abro a varanda do apartamento do hotel Elcano e dou de cara com o Pacífico. Dou pulos de alegria. É lindo, maravilhoso, um céu azul de morrer e uma paisagem... bem só vendo.
Como diz a outra "tô nem aí" se Acapulco já está ultrapassada, ou como dizem os esnobes, "out".
Eu me senti uma rica, com todo aquele quarto enorme bem em frente ao mar muito forte, por sinal.
Mas que me importa?
Passeio pela cidade, descobrindo as belezas, as pequenas baías, conhecendo as casas dos ricos, ô programinha jacú. Mas eu me concedo a breguice e rio.
"E rio, porque rico ri à-toa, também não custa nada imaginar"...
E supra sumo da breguice: visito um hotel luxuriante: o Princess, onde filmavam a Ilha da Fantasia, com Ricardo Montalban e o Tatoo, lembram?
É o nome adequado para o lugar adequado, depois posto umas fotos.
E por último, vou ver aquele famoso show de mergulhadores, ou clavadistas.
Ficamos todos ali, a turistada toda, debaixo de um sol infernal, esperando os muchachos despencarem lá do alto dos 35 metros do penhasco -romanos no Coliseu, vendo leões devorarem cristãos.
Pouca coisa muda neste atávico mundo.
Depois eu volto.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Taxco é o lugar

Estou hoje em Taxco, no estado de Guerrero, a 170 quilometros da cidade do México. Para chegar aqui é uma aventura, pois sair da capital mexicana exige muita, mas muita paciência.
É um trânsito infernal, afinal são seis milhões de veículos nas ruas, que mesmo muito largas, cheias de túneis e viadutos, metrô, trólebus, metrobus, táxis, não comportam os 24 milhões de habitantes (região metropolitana).
A estrada é excelente, pistas amplas, parecendo um tapete, limpas e arborizadas por quilômetros e quilômetros de pinheiros. Resultado da privatização.
O México parece um país pobre, e o é. Mas tem um nível de vida muito parecido com o dos Estados Unidos, contrastes de uma economia satélite da grande potência.
Segundo Carlos, um motorista que contratei para me levar em alguns lugares ontem, não interessa aos Estados Unidos ter um vizinho de muro muito pobre. Procede.
O dinheiro dos EUA, do Banco Mundial e vez e outra da Franca, não falta.
Depois conto mais sobre as outras andanças pelo México.
Vou prosseguir com o passeio para Taxco.
Antes passamos em Cuernavaca, no estado de Moleros, o menor do México, com pouco mais de 3 mil metros de extensão. Cuernavaca é a capital. É uma cidade linda, colonial, cheia de flores e se diz que tem o melhor clima do país, por isso é chamada de cidade da eterna primavera.
Visitamos uma igreja de 1522, mandada construir pelos franciscanos, que parece uma fortaleza e o era, na época da construção, onde os espanhóis se abrigavam da fúria dos indígenas. Há uns passadiços e umas torrinhas como em castelos medievais.
O acesso às duas cidades se faz cortando a Sierra Madre, com uma paisagem belíssima e em determinado ponto é possível ver ao longe o vulcão Popocatep, ainda em atividade.
Aliás, ficamos sabendo que o México tem 5 mil vulcões, alguns ainda em atividade.
O acesso para Cuernacava é uma subida de 3.100 metros, mas a cidade está num vale, por isso, depois se desce até 1.100m em relação ao nível do mar.
Ficamos sabendo também que 1/5 da população mexicana está na Cidade do México.
E que no interior ainda há cerca de dois milhões de índios puros, descendentes dos aztecas. E que no interior se falam mais de 50 dialetos nativos.
Taxco
Esta cidade é um presépio espraiado morro acima, com ruelas e becos superconservados, assim como suas casas coloniais. A cidade é patrimônio nacional e tudo aqui gira em torno da exploração e indústria da prata.
Eu achei tudo caro demais, mas muito bonito.
Fomos visitar uma igreja, símbolo da grandiosidade religiosa desse país, e da megalomania dos espanhóis. É simplesmente gigantesca, com altares inteiramente recobertos em ouro, de um detalhismo realmente rococó, período a que pertence a catedral, dedicada a Santa Prisca.
O mais interessante é que esta santa não existe no panteão católico.
Foi uma mártir italiana e quando o patrono da construção da igreja a mandou erguer, para presentear seu filho que se tornara padre, havia um movimento para a canonização da Santa Prisca, que não resultou em nada.
A igreja tem umas pinturas de um artista famoso, que depois consulto o nome, que para mim, era fortemente influenciado por El Grego. Pelo menos nas cores sombrias e nas imagens soturnas.
O piso é todo original, em madeira, assim como as pesadas portas. Tudo, tudo entalhado a mão, segundo o guia Sérgio, pelos indígenas.
Mas o melhor mesmo é bater pernas pela cidade. Suas ladeirinhas deixam Ouro Preto ou Olinda no chinelo. São muito mais íngremes e estreitas.
Depois conto mais.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Um imenso museu mexicano

O México é um país que pode ser definido pela diversidade. Tem de tudo:
história, cultura, belezas naturais, como lindas praias, deserto, a Sierra Madre, vulcões.
Em quase todas as cidades há a marca das civilizações pré-hispânicas, a começar pela capital, que tem no centro, o Zócalo, as ruínas da cidade dos mexicas ou astecas, que dominaram quase todo o país e tiveram uma civilização avançada, em artes, astrologia, medicina.
O Templo Mayor é intrigante, com seus altares de sacrifício, suas pinturas.
A poucos quilômetros ao Norte da cidade, está o complexo impressionante de Teotihuacan, anterior à chegada dos mexicas, cidade construída por outro povo, que os arqueólogos chamaram de teotihuacanos, já que não se tem qualquer notícia deles. Os mexicas ou astecas adotaram esta cidade como lugar de cerimônias religiosas.
São duas pirâmides gigantes, a do Sol e a da Lua, a primeira com 65 metros de alura e mais de 200 degraus. A da Lua é menor, com cerca de 45 metros de altura. Há uma larga avenida separando as duas, chamada Alameda dos Mortos. Há pinturas ainda perfeitas, como a de um jaguar.
Não dá para segurar a emoção quando se chega ao último degrau da pirâmide do Sol e se vê todo o complexo.
Por aí se entende por que Von Daniken levantou a tese de que tais povos eram extraterrestres.
É que pensamos tudo com nossa cabeça de tecnologias ultra avançadas e mal mal conseguimos entender como foi possível construir tudo aquilo sem ferramentas modernas.
No Museu de Antropologia, em Chapultepec, bairro na parte Oeste, e também no museu do Templo Mayor, estão milhares de peças, esculturas, joalheria, que indicam o quanto estes povos antigos, alguns cujas civilizações floresceram milhares de anos antes de Cristo, estavam organizados.
E de quanto foi o estrago que os espanhóis fizeram.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Afinal o México

(Roteiro da viagem na coluna ao lado)
Há dois anos programo uma viagem ao México. E agora, finalmente aqui estou.
Chego no domingo, às 14 h30 local, 17h30 no Brasil. Deixo as coisas no hotel e vou bater pernas nas redondezas.
Mas antes, tive de pegar um táxi do aeroporto para o hotel, porque o agente de viagens não foi me buscar. Básico.
Nas andancas, dou de cara com uma feira. E, claro, páro por ali.
Olho tudo, numa praça imensa, ao lado da avenida Willian Sullivan. Há uma parte de artes plásticas e depois de bugigangas. Lembro da feira da Afonso Pena, ex-Feira Hippie.
Há uma parte de verduras e frutas, que se chama mercado sobre ruedas. É o ABC deles.
Olho e experimento frutas. Como um pedaco de mamei, um tipo de mamão, de polpa avermelhada.
E como numa barraca de comidas, uma quesadilla. Peço sem "chilli", mas não adianta, vem tudo muito apimentado. Minha amiga torce o nariz por eu comer na rua e se espanta quando digo que vou à feira hippie para comer acarajé.
Não tenho frescuras, só não quero pegar cólera um dia, como o personagem de Morte em Veneza, de Thomas Mann, adaptado para o cinema por Luchino Visconti.
À noite como umas fajitas e também deixo a guacamole de lado, de tão apimentada.
E depois de tanta pimenta tenho um sonho erótico. Óbvio.
Amanhã conto mais.

terça-feira, 7 de abril de 2009

As farmácias de Paracatu

Sigo para o Noroeste mineiro, a trabalho, em Paracatu.
A estrada está ótima, reta, reta e mais reta. É o cerradão mineiro, quase chegando em Brasília.
Dou uma andada à esmo pela cidade e me surpreendo com o alto número de farmácias. Não dá para contar. A cada esquina tem uma.
Fico pensando se o povo de Paracatu adoece muito.
Creio que sim, porque ali tem a mineração, praticamente dentro da cidade.
A mina de ouro da Rio Paracatu Mineração, que agora é de um grupo canadense, foi expandida recentemente.
O mesmo com a mina de zinco da Votorantim. Só não sei como está a coisa depois da crise, mas no ano passado, ainda no primeiro semestre, a mineração local estava em expansão.
Paracatu tem um centro histórico e uma casa de cultura, com muita coisa bacana para ver, como shows e mostras diversas.
E claro, tem ótimas tradições culturais, como o bloco carnavalesco Pão Moiado.
E teve uma chuva torrencial, às 13 horas, de mais de uma hora, hoje, o que deixou os moradores encantados, porque quase não chove na cidade, pelo menos nesta época.
Em Paracatu tomo conhecimento de um projeto da Faculdade de Filosofia de Diamantina, ligada à Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), com a Federação dos Trabalhadores em Agricultura (Fetaemg), que forma alunos de assentamentos em cursos como Pedagogia, História, Educação Ambiental, Geografia. Há uma turma terminando agora. Vou dar outros detalhes posteriormente, já que estou postando meio que às pressas.