quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Doações de roupas estão suspensas

Ligo para a Defesa Civil de Santa Catarina (0800 482020) para fazer uma doação em dinheiro.
A atendente me informa que as doações de roupas e alimentos estão suspensas temporariamente. Não me atrevo a perguntar por que, já que queria era uma conta de banco, pois pretendia doar dinheiro. Imagino que seja uma questão operacional.
Mas me preocupei imediatamente com todas as entidades que estão recolhendo roupas e calçados Brasil afora.
Como vão dar vazão à montanha de donativos recolhidos? Será que as doações vão chegar aos desabrigados?
Por isso, sugiro que todos passem a doar o dinheiro, pois aí a Defesa Civil de Santa Catarina, que está fazendo um trabalho magnífico, extremamente organizado, poderá suprir melhor o que é preciso repor.
Creio que com a trégua da chuva, agora começa a hora da reconstrução. E aí os desabrigados precisam é de material de construção, móveis, etc. E isto só com dinheiro.
Para quem quiser doar dinheiro aí vão os bancos e as contas, informações repassadas pela Defesa Civil:

Banco do Brasil
Agência 3582-3
Conta Corrente - 80.000-7

Caixa Econômica Federal -
Agência - 1877
Operação - 006
Conta Corrente - 80.000-8

Bradesco
Agência - 0348-4
Conta Corrente - 160000-1

Itaú
Agência - 0289
Conta Corrente - 69971-2

Santander
Agência - 1227
Conta Corrente - 43000005-2

Banco de Santa Catarina (Besc)
Agência 068-0
Conta Corrente - 80.000-0

Banrisul
Agência - 0131
Conta Corrente - 06.8527250-5

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Solidariedade com Santa Catarina

As fotos são do website do Governo de Sta Catarina
A ajuda a Santa Catarina é a maior mobilização social que já vi. Nem aquelas campanhas da Globo, do Criança Esperança, que tem um bombardeio de oito dias direto, 24 horas por dia, mobiliza tanto.
Porque aqui, não é mobilização passiva: você pega no telefone e doa lá uma quantia.
Agora é uma mobilização ativa, ampla, de todos os segmentos sociais, em todo o país.
Fiquei emocionada ao ver o povo do Pará, de Rondônia, mandando alimentos. Um mundo tão distante, que nem parece que estamos no mesmo país. E, no entanto, lá estavam os caminhões emprestados por uns empresários, prontos para atravessar um continente.
Ontem (30), fui com meu irmão no Carrefour e na porta encontramos uns jovens com coletes escritos SOS Santa Catarina.
Meu irmão pergunta e fica sabendo que é de uma igreja próxima, evangélica.
Ele, católico fervoroso, ex-seminarista e bem sectarista quando se trata de religiões, voltou e comprou pacotes de arroz e de feijão. E ele é só um aposentado com salário de R$ 700.
Mas isso é só um grãozinho na imensa corrente de solidariedade para Santa Catarina.
Já fiz uma doação em dinheiro por telefone, num número que peguei na TV Record e minha filha fez uma limpa em roupas de cama e banho e mandamos para a sede do Galo.
Mas vou ajudar de outra forma. Me cadastrei no site "Voluntários em Ação". Vamos ver o que terei de tarefa.
Por enquanto continuo a divulgar os endereços para as doações.
Nos sites abaixos há muita informação:

"Defesa Civil habilita 0800 para informação de contas bancárias
Às 16 horas deste domingo (30), a Defesa Civil de SC disponibiliza um número de discagem gratuita aos interessados em fazer doação por depósito bancário. Por meio do 0800 48 2020 será possível obter todas informações sobre bancos e contas bancárias abertas para esse fim. (leia mais)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Como repor a memória afetiva?

Acabo de ler o texto aí embaixo, que recebo por e-mail de uma pessoa daqui de Belo Horizonte.
Me ocorreu que a perda é muito maior do que aquilo que a televisão mostra, do que as pessoas falam.
A tragédia de Santa Catarina agora, como tantas outras em tantos outros lugares do mundo, não é só o que se perde de bens.
Casas, móveis, plantações, estradas.
Há uma perda muito mais irreparável, com exceção da vida, naturalmente.
Para aqueles que ficam sem teto, sem roupas, sem móveis, sem comida, há uma realidade mais cruel: a perda da identidade.
Com os desmoronamentos, soterramentos, perdem-se as lembranças da vida: papéis, um bilhete, uma foto, uma carta, um objeto de família.
Reconstruir a casa, ganhar móveis, outras roupas, comida é possível e o povo brasileiro está dando este exemplo de solidariedade com seus irmãos catarinenses.
Mas como repor a memória afetiva?
Como resgatar os momentos vividos, eternizados em fotos, cartas, poemas, cadernos copiados, livros grifados, panos pintados a mão, pequenos bordados, roupas tecidas em crochê ou tricô, lembranças múltiplas da família, desde um avô ou avó há muito desaparecidos?

Carta de Santa Catarina

Não tenho palavras, só um nó na garganta...

SANTA CATARINA

"Chorei!
Mas agora não foram lágrima de tristeza, a mesma tristeza que sinto como catarinense e vivendo no meio desta catástrofe. Chorei emocionada assistindo o Jornal Nacional e ver que o povo brasileiro é o melhor povo do mundo...As lágrimas nos olhos daquela senhora do Rio de Janeiro são as mesmas lágrimas que flui nos olhos de todos nós catarinenses. Meu povo está destruído, arrasado, morto por dentro, sem entender que castigo é esse...
Vendo o jornal chorei ao ver que Curitiba, Rio e outros estados estão se mobilizando nesta campanha de solidariedade, de compaixão e de amor. Cada pessoa que doa algo está certamente agradando a Deus, porque nessa hora é que Deus vê quem é capaz de atos gigantescos, mesmo que seja doando um litro de leite, uma meia para um bebezinho.
Moro em Itapema, as escolas estão cheias de família sem nada, suas casas foram destruídas, se não foi a casa, nada do que tinham dentro de casa restou...nem moveis, muito menos roupas, alimentos...e não há água!
Eu não tenho água em casa. Não moro em área de risco, mas estamos todos sem água, ficamos sem luz, não podemos trabalhar normalmente, parece o fim do mundo...
Hoje, quando levantei e vi o mar limpo, porque a cor do mar era cinza misturado com marrom...ondas imensas, assustador. Quando vi o sol, meus olhos ficaram marejados...desde agosto não vemos o sol, ou seja, tínhamos dois dias no máximo de sol e restante da semana chuva.
Somos valentes, somos batalhadores, somos um povo de paz, receptivo e solidário, somos de luta, mas quando vemos tudo se perder, como meus olhos presenciaram, nossas forças desaparecem feito fumaça e os olhos não crêem no que se vê. Ficamos com as lágrimas dependuradas nos cantos dos olhos, e muitas vezes precisamos nos esconder para descarregar a dor no pranto, um pranto por ora sem fim.
Aqui não somos mais comerciantes, gerentes, donos de empresas, moradores pobres e ricos. Somos agora um povo arrasado pela fúria da natureza, somos um povo castigado, no meio do caos ninguém é diferenciado pela cor, religião, ou posição social, somos um povo que perdeu tudo, e recomeçar do zero é preciso. Porque há os que perderam pela fúria da natureza e há os que não conseguem trabalhar porque não há a menor possibilidade.
Diante de tanta destruição, onde só quem viu e vê é que pode realmente crer, que tudo aquilo não é um filme de terror, mas sim a realidade do povo catarinense.
É provação? Provação para ver até onde vai nossa capacidade de luta? Somos valentes na alegria e na dor...Provação em ver os entes queridos soterrados, arrancados do meio da lama, barro e mortos?
Não sei dizer o que é isso! Sei que choro a dor dos que perderam a vida, daqueles que perderam seus móveis, e dos que perderam suas empresas e casas...Eu vi o que se passou onde moro e ameniza um pouco agora, que o sol veio sorrindo como se nada tivesse acontecido...eu vi a dor nos olhos de todos, eu vi as crianças sem mamadeiras, sem fraldas, sem toalhas de banho, mulheres sem uma calcinha para trocar, sem absorventes...eu vi pessoas sem nada, fugindo de casa carregando na palma de sua mão apenas suas vidas...
Eu vi a luta dos bombeiros, dos salva-vidas, aqueles moços que foram treinados para entrar no mar e salvar pessoas, mas dentro do mar...aprenderam mais uma lição aqueles moços e moças, aprenderam a salvar até mesmo a dignidade das pessoas...porque ficamos sem saber quem somos diante do horror. Eu vi a luta de todos e muitas vezes ficamos sem ação, apenas olhando tudo sem reação alguma.
Foi um momento da besta ou de Deus, tudo isso?
Não quero perder minha fé, sabendo que estou viva e bem, claro que devido a tudo, os que supostamente estão bem, estão sem trabalhar, sem ganhar seu ganha-pão, sem água potável e muitas vezes sem luz. Todos, todos os catarinenses desta região foram afetados de alguma forma, os que estavam seguros ficaram sem a menor condição de agir.
Caos é o que se tornou a vida de todos, mas todos indistintamente...
Quando vi no jornal, roupas de crianças, era o que mais a Rádio Cidade FM pedia, as crianças com pezinhos gelados, e ali não eram crianças pobres e nem ricas, eram crianças com frio, molhadas e fugindo do terror.
Muita gente me pergunta: - Mas por que não saíram antes de suas casas?
Creio que nem os geólogos seriam capazes de prever algo tão terrível...lugares que não eram de risco tornaram-se o inferno.
No sábado escrevi falando que Santa Catarina chora...mas poucos acreditaram que estávamos no meio do inferno...porque ninguém crê em tanta desgraça assim, não queremos crer que o inferno desceu à terra e ainda aterroriza dessa forma.
Agora, ouço as sirenes desesperadas das ambulâncias correndo pela cidade...ando assustada, temendo esse som desesperado.
Àquelas pessoas que vi no jornal, doando não somente roupas, calçados, alimentos e outros, mas doando seu coração para o povo catarinenses, acreditem, somos gratos por toda eternidade. Por mais que nós, as pessoas que não sofreram diretamente, mas indiretamente todo esse horror, ajudamos, mas é muito pouco diante do que se precisa. Dividimos o que tínhamos, mas é um grão de areia o que fizemos, se comparado com a necessidade...ainda é necessário muito mais...por isso, todas as pessoas dos estados que estão mobilizadas, a defesa civil dos estados que entraram nessa campanha de socorro, somos gratos.
Por ter a certeza que temos o melhor povo do planeta, é que sinto orgulho de dizer: Eu sou brasileira com muito orgulho!
As orações que foram dirigidas vieram com a mesma intensidade da chuva, porque hoje o sol abriu um sorriso, assim, aliviando nosso medo.
Santa Catarina chora um pranto de morte e dor. O povo catarinense está desolado, apenas olha para tudo sem força para lutar nesse momento.
Olhei hoje a praia, não a reconheci, tem tanta coisa estranha ali, tem coisas que vieram do mar que não dá pra crer, tem destruição em tudo. Nosso paraíso, a Meia Praia - Itapema está irreconhecível...A avenida Atlântica em Balneário Camboriu era uma coisa só, água do mar e dos rios...
Os sonhos não morrem, não tem morte súbita. Os sonhos estão no coração de todos os catarinenses, mesmo que agora, estejam amortecidos, doentes, mas existem...sabendo que agora os sorrisos se transformaram em lágrimas de sangue e dor. Depois que tudo passar e o sorriso voltar traduzindo garra e coragem, sei que nosso povo irá se agigantar e do barro levantará suas vidas...porque o tempo não pode ser de negras nuvens para sempre. Sei que as horas de terror tornar-se-ão minuto, minuto este de paz, de calmaria...
Quando tudo passar, o povo catarinense terá disso tudo, apenas um passado de terror e todos renascerão no futuro, com uma vida renovada...porque não pressentimos o perigo, mas podemos pressentir o futuro e em paz.
Obrigada todos amigos que junto comigo rezaram desde sábado. Obrigada todos que estão atentos e enviando uma energia positiva a ponto de fazer um sol nascer para todos nós...porque a previsão era de chuva ate quinta-feira, mas não ocorreu, o sol nasceu nesta segunda em meio a nuvens, pancadas de chuvas, mas hoje, o sol nasceu com todo seu esplendor, creio na força da oração dos meus amigos
Não vou assinar com fel e dor este momento, desde já, um pedido de perdão para Deus, quando indaguei desesperadamente:
- Por que, meu Deus?! Por quê! Por que crianças? Por que doentes em UTIs? Por que idosos? Por que todos? Por que prantos sem consolo? Por que tudo isso?
Vou agora tomar meu banho de caneca, porque desde a semana passada estamos sem água...e vou rezar, porque ajuda está vindo, mas ainda preciso orar por todos que estão se mobilizando em todos os estados...
Quisera fosse possível fechar os olhos e adormecer serenamente, mas tudo isso não é mais um filme de terror, e sim a realidade do povo catarinense.
Itapema chora por seu povo...Santa Catarina chora!"

Marillena Salete Ribeiro
Itapema - Santa Catarina
25/11/2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Planeta Água de Santa Catarina

E por falar em Diálogos da Terra no Planeta Água, vamos arregaçar as mangas para ajudar o povo de Santa Catarina.
Fiquei chocada com as imagens sobre o desastre meteorológico no estado.
Fico impressionada com as expressões que a imprensa usa para descrever as chuvas: "fúrias das águas", "fúria da natureza", "vingança da natureza".
Como chamar o despejo de toneladas de produtos químicos num afluente do Paraíba do Sul, que matou 80 toneladas de peixe?
Como chamar o despejo de esgotos em rios como Tietê, Arrudas, Pinheiros, Velhas e mais centenas de outros pelo Brasil afora?
Como chamar a derrubada indiscriminada de árvores na Amazônia?
Como chamar o desmatamento de matas ciliares ao longo dos rios?
Irresponsabilidade e fúria seria pouco.
A natureza não se vinga.
Ela tenta se reequilibrar
Em BH tem a campanha SOS Santa Catarina, feita pela Fundação Dom Cabral:

Campus Aloysio Faria - Centro Alfa Av. Princesa Diana, 760 Alphaville, Lagoa dos Ingleses 34000-000 - Nova Lima/MG - Brasil (31) 3589-7457 (geral)
Unidade Belo Horizonte - Rua Bernardo Guimarães, 3071 Sto. Agostinho - 30140-083Belo Horizonte/MG - Brasil (31) 3299-9700 (geral)

Ambientalistas no Diálogos da Terra

E como eu não fui, claro que perdi o "extra-oficial".
Este ficou por conta do protesto dos ambientalistas, na porta do Minascentro, segundo um e-mail que recebi e só lido agora, devido ao dia infernal que tive ontem.
O pessoal do Manuelzão, Amda e SOS Rio das Velhas entregou um documento para o Aécio Neves chamado "Carta dos Rios de Minas".
No conteúdo, a enorme preocupação com o Meta 2010 (de despoluição da Bacia do Rio das Velhas), por causa da transposição do São Francisco.
É como diz Apolo Heringer: a transposição, sem recuperação do São Francisco vai tornar inútil toda recuperação do Rio das Velhas. Heringer disse. "Esta Meta é antagônica ao projeto de transposição do rio São Francisco, pois havendo transposição jamais haverá revitalização. Vão fazer barragens para aumentar a disponibilidade de água para Sobradinho etc e tal. Os rios vão ficar com algas e sem piracema. Terras férteis serão inundadas, haverá problemas".
Isto não está na Carta, mas no e-mail que o Apolo me mandou na época das eleições municipais.
Independente da manifestação, ninguém da área ambiental seria doido de deixar de ir ao Minascentro ouvir o Mohan do IPCC. O cara é "o cara".

Diálogos da Terra

É preciso tirar o chapéu para uma coisa deste governo mineiro: pela primeira vez eu vejo uma Secretaria de Ciência e Tecnologia usar tecnologia. Usar e bem.
Exemplos são os inúmeros recursos que a Sctes criou para usar a web. O mais recente é o site do Diálogos da Terra, que cobre, em tempo real, o que acontece na conferência internacional sobre sustentabilidade que o governo mineiro está realizando até amanhã, sexta-feira (28). É um site fantástico.
Na abertura, transmitiu em tempo real a conferência do presidente executivo da Green Cross, Alexander Likhotal e da conferência magna com o prêmio Nobel da Paz de 2007, Mohan Munasinghe (foto ao lado), presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
Antes houve uma coletiva, da qual não participei porque estava trabalhando, mas que reproduzo alguns trechos. Depois acompanhei alguma coisa pelo meu computador, em casa mesmo.
Mas vc pode acompanhar mesmo pelo Twitter, se você estiver cadastrado no site, óbvio, aí recebe as informações no celular, se não, só na página do Diálogos mesmo, também no Twiter, onde dá para ver as informaçõs de última hora, mas bem resumidinhas, afinal esta é a característica do bichinho.
A coletiva foi conduzida pelo Otávio Elísio Alves de Brito, que é o coordenador do evento, que acontece no Minascentro, e teve a participação do Munasinghe, do IPCC; do Alexander Likhotal, presidente da Green Cross International; e do diretor da Green Cross, Xavier Guijarro.
O discurso é de que poderá sair da conferência algo para ser replicado no restante do planeta e que existe uma certa má-vontade dos dirigentes mundiais com o desenvolvimento sustentável.
Já dentro de uma visão social, e o cara sabe do que está falando, já que é do Sri Lanka, um dos países mais pobres do mundo, Mohan Munasinghe disse que os problemas estão aumentando porque estão relacionados com a pobreza, alimentação, energia e segurança.
Ou à falta de planejamento deles. E que o problema é que os líderes mundiais não querem saber de mexer nos atuais modelos de gestão. Mohan creditou, ainda, um papel determinante para as empresas, ao lado dos governos naturalmente, no controle e recuperação das atividades que degradam o ambiente.
Energia renovável
Um dado interessante: Alexander Likhotal, da Green Cross, disse que se houver investimentos de US$ 100 bilhões em energias renováveis, serão gerados quatro vezes mais empregos do que nas fontes tradicionais. Bem, só não disseram isso para os governos, inclusive o de Minas, que licenciam diariamente atividades intensamente degradantes, como a mineração.
O Diálogos da Terra se realiza pela primeira vez na América Latina. Já aconteceu na França, Espanha, Estados Unidos e Austrália. Minas foi escolhida para sediar o evento, em 2008, por ser o estado brasileiro que possui grande biodiversidade ambiental e cultural, além de abrigar nascentes de importantes rios brasileiros. Por isso, o encontro recebeu o nome de “Diálogos da Terra no Planeta Água”. As conclusões do encontro farão parte da pauta do 5º Fórum Mundial da Água, que será realizado em Istambul (Turquia), em 2009.

Chorar é humano

Desde que o mundo é mundo, alguém reclama de alguma coisa, quando algo não vai bem.
Imagino que Adão reclamou com Deus que não tinha uma Tv para ver o jogo de futebol naquelas tardes de modorra de domingo no Éden.
E a Eva então?
Deve ter reclamado que não tinha um xampu adequado para lavar os cabelos. Ou um protetor solar para proteger sua pelezinha sensível daquele solão infernal do Paraíso.
Ontem ouvi e presenciei o chororô dos produtores de leite.
Que o preço para a indústria está baixo. Que não tem mercado externo e nem interno, por isso há excesso de leite no mercado. Que os insumos estão pela hora da morte. E que o setor leiteiro vai quebrar.
Não sei desde quando escuto esta conversa. Creio que desde que fui editora de agropecuária no Diário de Minas lá pelos anos 80 e alguma coisa. Não só os produtores de leite, mas os pecuaristas, os cafeicultores.
O choro é geral quando algum evento no mercado externo faz o preço despencar. Ou quando há um tempo ruim na natureza, muito ou pouca chuva, muito ou pouco frio, aí então, é o fim do mundo.
Me espanta um setor, cujo negócio é matéria prima ou comoditie, ficar afirmando que isso ou aquilo não estava previsto.
É um negócio inteiramente relacionado às condições climáticas e aos movimentos do mercado externo. Então não há como dizer que o setor foi pego de surpresa.
Na verdade, o que existe é o velho paternalismo da economia brasileira, onde quando tudo vai bem, ótimo, ninguém sabe, ninguém viu.
E quando algo sai mal um pouquinho, aí é culpa do governo, do excesso de tributos, e a salvação é uma linha de crédito especial para os produtores.
E o pior de tudo: os produtores querem que o governo faça uma campanha de marketing para incentivar o consumo do leite. Por que eles mesmos não fazem isso?
E depois não entendem por que o brasileiro bebe 90 litros de refrigerante/ano por pessoa e só 38 de leite/ano por pessoa.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Vixe Maria!!!

E como hoje estou meio que no gilete press, aí vai outro assunto para você entrar e votar.
Não que eu esteja sem assunto, mas é que achei os dois mais relevantes.
Este aqui, então, é uma boa mostra daquilo que move as preocupações de alguns parlamentares em Brasília. Ou daquilo que povoa suas mentes férteis.
Depois ainda estranham o desinteresse da população pela política!

Há trezentos anos Nossa Senhora Aparecida é venerada pelos brasileiros como sua Rainha e Padroeira.
Nas calamidades, nos períodos de agitação ou de tranqüilidade, a Senhora Aparecida sempre foi um fator de unidade nacional.
Por essa razão Ela é reconhecida oficialmente como Rainha e Padroeira do Brasil.
Mas, o Projeto de Lei 2623/2007, do Deputado Vitório Galli, pastor evangélico da Assembléia de Deus, quer que esse título seja retirado.

Cidade Feudalizada - reprodução

Pela pertinência, pela lucidez reproduzo o artigo do Jorge Espechidt abaixo, com o link para o texto completo:

Direito à Cidade
CIDADE FEUDALIZADA
Não causa surpresa a decisão da Justiça, noticiada pela imprensa, de permitir o uso de guaritas de segurança na Rua Carrara, Bairro Bandeirantes. Concordo com o juiz que os cidadãos têm o direito de se proteger, já que o estado não tem sido capaz de fazê-lo. Contudo, a cabine fere o Código de Posturas – lei que disciplina o uso do espaço

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Voto no mercado Santa Tereza


Eu que fiz campanha junto com um mundaréu de gente, pelo mercado de Santa Tereza, volto ao assunto.
Não deixem de votar agora na destinação daquele tradicional espaço. Faça isso pela internet, tendo em mãos seu título de eleitor. Voto na proposta abaixo e faço campanha para ela.
Vamos, vote! É melhor que eleição de prefeito. Pelo menos nessa e na votação do OP Digital a gente vê o resultado! No OP ainda não me decidi por nenhuma das opções. Recebi pedidos de votos para o Portal Sul (Belvedere) e para a Praça São Vicente, no Padre Eustáquio. Ambas são obras viárias, importantes para desafogar o trânsito e, conseqüentemente, a vida de quem mora ou passa por ali.http://www.votosantatereza.com.br/

sábado, 22 de novembro de 2008

Nossos coleguinhas de Cuba

Ainda sobre a visita dos jornalistas cubanos.
O mais interessante, aliás, interessante não, triste, é o total desinteresse da imprensa mineira pelos seus colegas cubanos.
Mesmo sem a obrigação de fazer matéria me bateu aquela curiosidade de perguntar tudo, de saber como é a profissão em Cuba. De confrontá-los com alguma pergunta sobre censura. Sobre salários, vagas, tipo de jornalismo que vem sendo feito lá.
Não temos esta oportunidade todo dia, no entanto, não houve interesse dos jornalistas mineiros.
Pra dizer a verdade, a imprensa mineira está tão burocrática, mas tão burocrática, que quem faz reportagens hoje em dia são as assessorias de imprensa.
Aí sim, é possível ler alguma informação.
E os jornalistas mineiros, gerações e gerações formadas nos últimos 10 anos, brincam de ser repórteres.
E se esquecem que os principais meios de comunicação, rádio e tv, são uma concessão pública e, portanto, têm um papel a cumprir junto ao público.
A grande imprensa hoje cria fatos, como faz a Globo quando quer mostrar determinado assunto.
Pega lá um recorte de qualquer coisa e o mostra como verdade total, inquestionável, montando um show, um espetáculo de qualidade questionável. A dita maior revista pega os temas e faz aquela mistureba de ataques inúteis, quando não trata o assunto superficialmente, o que acontece na maioria das vezes.
E assim vão-se criando os mitos sobre o que o público consome, sobre o que é audiência.
Pena que não pudemos conversar com os cubanos em uma palestra, no Sindicato, por exemplo.
Seria mais proveitoso para nós do que a coletiva marcada e ignorada.
Mas corria-se o risco de uma palestra vazia também.
Onde foi parar a curiosidade natural dos jornalistas?
Onde foi parar nossa sensação de pertenecimento do mundo e alteridade?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A passagem dos cubanos














As fotos são do Guilherme Dardanhan

Participo de uma coletiva com dois jornalistas cubanos. Na verdade, eu e a repórter da TV Assembléia somos as únicas repórteres na coletiva. A imprensa mineira já não cobre absolutamente nada, a não ser polícia e mesmo assim se o caso for muito escabroso mesmo.
Depois dizem que isto e aquilo não dá ibope, que o povo não gosta disto ou daquilo.
Não gosta como, se não lhe é oferecido?
Os dois visitam o Brasil, a convite da Federação dos Jornalistas com a ajuda dos Sindicatos de Jornalistas de Brasília, São Paulo, Rio e Minas Gerais. Os dois participam de um intercâmbio de jornalistas pela América Latina, mas sobretudo, reforçam a Campanha Nacional Com todos pelo Bem de Cuba.
É uma campanha transnacional com o objetivo de derrubar o bloqueio econômico imposto ao país há 50 anos pelos Estados Unidos, e que agora, parece, se aproxima do fim, pelo menos esta é a expectativa internacional, diante da eleição de Obama.
O jornalista Ariel Terrero é chefe de Informação Nacional da equipe de jornalismo de investigação da Revista Bohemia, fundada em maio de 1908.
E a jornalista Maribel Damas é repórter do Sistema Informativo da Televisão Cubana e produtora de notícias para os telediários e programas informativos da TVC. Os dois também são membros da Unión de Periodistas de Cuba (UPEC) e professores.
Naquele manjado portunhol vamos conversando com os dois, na Sala de Imprensa da Assembléia, num arremedo de entrevista que teve ainda a participação do deputado Carlin Moura, do PCdoB e da Lília Michailowsky, da bancada do PT na ALMG e diretora da Associação Cultural José Martí, que também apoiou a vinda dos cubanos.
Embargo econômico
Ao falar do quase fim do embargo dos EUA contra Cuba, Ariel Terrero disse que se isto acontecer não será por uma "concessão" dos Estados Unidos, mas fruto da luta de 50 anos do povo cubano, bem como do atual contexto político da América Latina, majoritariamente composto de governos progressistas, como Brasil, Venezuela, Equador, Uruguai, Paraguai, Bolívia.
Ele lamentou os prejuízos decorrentes do bloqueio -U$ 3 bilhões em 50 anos, segundo estimativas mais modestas - , não só em perdas materiais, mas em investimentos perdidos nas áreas de saúde, educação, agricultura, cultura. Ariel Terrero falou do atraso tecnológico na área de imprensa, "que aos poucos vamos superando, através do intercâmbio com outros jornalistas da América Latina".
E é este intercâmbio também que permite aos cubanos mostrar sua face real ao resto do mundo, superando parte do bloqueio midiático, filhote do bloqueio econômico. E com a ajuda da internet, óbvio.
E mais recentemente (dois anos) da TV SUR, canal criado por Chávez e que tem espaço para o noticiário cubano.
Os dois jornalistas concordam que só o intercâmbio entre os profissionais de imprensa da América Latina permitirá um novo olhar sobre Cuba.
Campanha
Ariel e Maribel dão uma força para a campanha de doações ao povo cubano, assolado pela catástrofe que foi a passagem dos furacões Gustav e Ike em agosto. O Brasil participa ativamente da campanha e vai enviar navios com remédios e alimentos. O Sindicato dos Jornalistas de Minas está na campanha e arrecada roupas, mantimentos, remédios, ferramentas, cobertores, material de construção.
A prioridade da reconstrução em Cuba, é segundo Ariel Terrero, a recuperação das moradias de quase 400 mil pessoas afetadas pelos estragos dos furacões.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Papai Noel dos Correios

Pego duas cartinhas de crianças que escrevem para o Papai Noel dos Correios.
Há 18 anos o órgão federal faz esta campanha e quem quiser presentear é só buscar uma carta e entregar o presente. O resto o Correio faz.
Desde o ano passado pego uma ou duas cartas, na própria Assembléia, que entrou na campanha como parceira.
Minhas duas crianças querem brinquedos, claro. Escolhi a carta com o seguinte critério: pedido farto e brinquedo útil. A primeira, é uma menininha de 9 anos que quer uma cama, um guarda-roupa e uma boneca bebê não sei o quê.
Gostei do pedido. Com a menina não tem miséria. Pede tudo que tem direito, o que vier é lucro. Pedir mais para ganhar o necessário ou o mínimo é estratégia aprendida nos meus tempos de Sindicato dos Jornalistas.
A segunda menina, de 6 anos, é uma empreendedora. Me cativou o pedido de uma "caixa registradora para brincar de supermercado e quando crescer, trabalhar de caixa em um supermercado para ajudar minha família".
Achei o máximo. Ela, tão pequena, já tem senso de oportunidade, idéia de futuro.
Não sei como vou fazer com a cama e o guarda-roupa, já que um dos critérios de doação via Correios é um peso de no máximo 30 quilos e determinado tamanho. Mas vou tentar.
Fiquei pensando nas milhares de cartas que ficam no Correio, porque ninguém pega.
Deve ser uma frustração danada para as crianças que as escrevem.
Bom mesmo seria que várias empresas particulares e públicas levassem parte das cartas recebidas para que seus funcionários e visitantes as adotassem.
Ajuda muito na redistribuição dos pedidos, já que não é todo mundo que tem tempo ou se dispõe a passar na agência do Correio que centraliza esta iniciativa maravilhosa.
Quem quiser falar no Correio para obter mais informações pode ligar no (31) 3201-2412

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Ainda a casa da Nédia

Com curiosidade mais aguçada ainda busco mais informações na internet sobre os processos da Nédia, que venho relatando aqui desde domingo.
Aí encontrei o teor completo de um julgamento no TJ e quase caí de costas.
Na verdade, quem entrou com a ação de usucapião e perdeu, foi a Nédia. Além do mais, ela foi condenada por litigância de má-fé. Os dois processos já estão arquivados.
Passei uma tarde inteira lendo o processo e descobri uma história de folhetim.
A mãe da Nédia era viúva e tinha uma filha, minha amiga Nédia.
Casou-se novamente e foram todos felizes para sempre até morrer o pai/padrasto e alguns anos depois a mãe.
Aí a Nédia entra com o processo de usucapião. E escondeu várias informações no processo, inclusive a existência de outros irmãos, filhos do padrasto em uma relação extra-conjugal. E como ela não era filha do segundo marido da mãe, na verdade os filhos dele não são irmãos dela.
É um negócio de louco: você mora a vida inteira numa casa e já na velhice descobre que vai ficar sem ela, porque você nem é filha do dono.
Daí, imagino, a idéia do usucapião contra os filhos do padrasto, já que morava lá a vida inteira.
Mas antes ela apresentou uma certidão em que o padrasto a adotava. Houve um processo para anular esta adoção, o que aconteceu realmente.
Então ela pediu o usucapião, mas foi negado porque os juízes entenderam que ela morava lá num núcleo familiar e não sob o "animus domini" (intenção do dono de ter como sua a coisa possuída), requisito básico para o usucapião, além do prazo. Ela não tinha nem um nem outro, já que também ao entrar com a ação, só havia transcorrido seis anos da morte do padrasto.
A litigância de má-fé foi entendida pelo juiz por causa das omissões de informações sobre os outros herdeiros. Depois da ação de usucapião, o inventário do padrasto foi anulado.
Claro que me surpreendi com a história porque achava que a Nédia era a parte fraca e prejudicada da história.
E aí descubro que ela fez de tudo para ficar com a casa.
Não a condeno e nem mudei de opinião. Ainda assim acho que ela é a mais prejudicada. Afinal mora a vida toda num lugar, tem um padrasto desde pequenina, para ela o pai verdadeiro, já que o biológico morreu muito cedo.
E ao final da vida, descobre que o padrasto tem outros filhos, que nem são irmãos dela e que são estes que têm direito.
E o mais importante: ela tem um documento registrado em cartório onde o padrasto vende a casa para ela, documento que foi rejeitado no processo.
E o pior ainda: a casa não era de ninguém, porque na verdade só há um contrato de promessa de compra e venda.
Interessante foi uma observação feita por um dos juízes do Tribunal, para quem o papel dos advogados é também mediar as tensões entre as partes e que ele não havia visto isso no processo.
O que existe é uma briga de foice para ver quem fica com a casa, o que já gerou excessos de parte a parte, como a tentativa quase concretizada de vendê-la, feita pelos "irmãos".
Daqui a uns 200 anos, quando só existirem herdeiros de quinta geração, como no processo da Fazenda Gameleira (onde está o Parque de Exposições), a Justiça decide alguma coisa.
A Justiça poderia fazer feito Salomão: manda buscar uma espada e dividir o bem ao meio.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Um encontro com Nédia

A primeira vez que vi Nédia me chamou a atenção sua figura: parecia uma daminha saída de um século passado.
Vestida com um talleurzinho vermelho, saia e blazer, uma blusa branca por baixo, de frufru, era a verdadeira imagem da distinção. Aquelas imagens que a gente vê em camafeus antigos. E um sapatinho escarpin saltinho pequeno, o máximo da elegãncia discreta.
Isto tudo numa reunião informal, onde tinha gente até de bermuda e chinelo de borracha, numa quadra de um clube, onde fui falar sobre cooperativismo para artesãos.
A palestra foi uma bela forma de a Nanci me apresentar para um grupo de moradores do Santa Mônica, para que conhecessem minhas propostas para a Câmara de Belo Horizonte.
Depois eu falo da Nanci.
Vou-me concentrar na Nédia, que afinal, é o objetivo desta postagem e da de ontem.
A partir daquela reunião, Nédia se integrou à minha campanha, junto com a Nanci, com todo o entusiasmo.
As duas iam quase todos os dias ao meu comitê, na Praça Raul Soares, levavam um vaso de pimentinhas para afastar os "maus olhados" e ficavam por ali, ajudando numa coisa e noutra. Também foram em alguns comícios.
Mas a ajuda maior, definida creio que pela Nanci, foi o "suporte" espiritual.
Nanci sentia vibrações e Nédia lia o tarô para mim.
Quase todo o comitê visitou a casinha azul da Praça Hugo Werneck para ouvir os conselhos da Nédia, "lidos" no tarô.
Um dia sumi a tarde inteira e todos no comitê doidos para falar comigo
Eu, celular desligado, passei uma tarde lá com a Nédia e a Nanci, às voltas com as cartas, velas acesas, café com bolo e muitas, muitas risadas e esperanças.
Claro que não ganhei a eleição, afinal "ninguém ganha disputa nenhuma lendo tarô", como disse minha irmã, quando voltei ao comitê naquele dia.
Mas ganhei duas amigas fiéis. Aliás ganhei mais do que duas ou dois. Ganhei muitas pessoas e um monte de lembranças que até hoje, tanto tempo depois, nos arrancam gargalhadas, nas reuniões familiares.
Outra hora conto sobre a campanha.
Desde aquela época visitava a Nédia algumas vezes, ou passava pela feira da Afonso Pena, aos domingos, onde ele tem uma barraca cheinha de produtos do Paraguai. E alguns cavalinhos de cabo de vassoura e cabeça de pano, feitos manualmente, que a feira é de artesanato, afinal de contas.
Aí fui escasseando as visitas até essa sexta passada quando a revi e me deu esta vontade grande de escrever sobre ela.
Nédia é dessas personagens de Belo Horizonte que parecem ser inventadas pela nossa imaginação.
Mas não é. Está lá, com sua casinha azul, lutando para mantê-la, "ou deixá-la para quem eu quiser", como sentenciou, no final da nossa conversa depois de fazer um resumo do andamento do processo na Justiça.

domingo, 16 de novembro de 2008

O caso da Nédia

Passando pela Praça Hugo Werneck, perto da Santa Casa, vejo a casinha azul, velha, da Nédia.
Nédia, ela também já velhinha, deve ter mais de 75 anos, mas é esperta que só.
Espio dentro do alpendre e vejo que ela está com o bazar de Natal aberto, como faz todos os anos. Vende mimos do Paraguai.
Me dá uma vontade de conversar com ela. Há mais de quatro anos não a visito.
Entro e a vejo sentada ao fundo fazendo contas numa calculadora.
-"Minha amiga Nédia", vou exclamando para dar tempo de ela se lembrar de mim.
-"Adriana, tá lembrada?"
E ela abre o sorriso e os braços e nos apertamos muito.
Conversamos, eu elogio a disposição dela para o trabalho e a aparência.
Falamos sobre a Nanci e a campanha para vereadora em 2000.
Rimos.
Pergunto pelo processo da casa.
Vamos saindo e ela embola a explicação, falando baixinho, já na porta.
Conta que perdeu a causa - "30 anos, na Justiça"- mas trocou de advogado, creio que o terceiro ou quarto, e este já entrou com nova ação.
Nunca entendi bem o caso porque ela falava pelas metades.
Nédia mora sozinha numa casa grande, antiga, num dos locais mais valorizados de Belo Horizonte: a região hospitalar, que cresceu assustadoramente nos últimos 8 anos, tempo que eu a conheci.
Há prédios altos, um movimentadíssimo comércio e prestação de serviços, muitos laboratórios.
E a Nédia brigando na Justiça para manter a casa, segundo ela, herança do pai.
Mas uma outra família entrou na Justiça com pedido de usucapião, sem nunca ter morado lá, segundo minha amiga e depois de 15 anos conseguiu mas não levou. Segundo a Nédia, o processo foi feito sobre declarações e documentos falsos.
Por isso, o novo advogado dela entrou com uma ação inominada e pediu a apresentação do inventário do dono original da casa e ainda a escritura.
A coisa é mais ou menos assim, segundo entendi depois de hoje, não sei por que, vim à internet pesquisar o caso, na página do Tribunal de Justiça.
E encontrei processos da Nédia desde 1984, com o inventário de quem eu suponho ser o pai dela. Fiquei abismada com o vaivém da papelada.
E me compadeci das pessoas humildes que não têm ninguém por si como a Nédia, e envelhecem sozinhas dependendo da boa vontade alheia.
Como outra companheira também velha, a Natalice, que toca um inventário do ex-marido. Só que o inventário é em Recife para onde ele se mandou, depois de largá-la, mas de não ter desfeito o casamento. Ele arrumou outra família.
E esta está metendo a mão nos bens que ele deixou, enquanto a Natalice aguarda aqui, há mais de 10 anos, por uma "decisão" (ou seria condescendência?) da Justiça

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O método BHtrans

Recebi hoje uma notificação da BHtrans: um comunicado de multa por estacionamento irregular.
Definitivamente eu e a BHtrans estamos em rota de colisão, sem perdão do trocadilho.
E pior é que desta vez fui eu mesma que estacionei o carro, num faixa azul de cinco horas.
Estava regular até este ponto, mas me esqueci de trocar o talão depois das cinco horas. Coisa de gente que quase não anda de carro mais, principalmente para ir trabalhar. Ou que pára o carro perto do serviço porque tem de ir a um lugar longe depois que sair. Mas aí pega uma cobertura de uma comissão infernal e além de ficar sem almoço, morta de sede, deixa passar o horário da troca.
Mas a BHtrans não tem nada com isso. Sua função primordial é multar.
E eu vou pagar, claro, afinal passei 1h40 do tempo permitido, mesmo não tendo encontrado nenhum canhoto da autuação no pára-brisa. Por isso só fiquei sabendo hoje e o caso foi na semana passada.
Desconfio que o fiscal da BHtrans nem estava por lá. Foi chamado pelos bandidos dos flanelinhas, porque eu não quis lavar o carro e nem deixar "o do café", já que cheguei com o talão e tudo. O fiscal não estava por lá (rua Araguari entre Matias Cardoso e Rodrigues Caldas, no Santo Agostinho), não passou antes, nem depois, só no momento exato da troca do talão. Estranho né? Ainda mais que não tinha o canhoto.
Antes, deixar o canhoto era obrigação do "agente". Será que isto virou cortesia, ou nem havia a obrigação?
Desconfio que o agente da BHtrans vai tratar de uns assuntos pessoais e deixa lá os flanelinhas como olheiros, afinal ando por ali diariamente e nunca vi um guarda sequer, a não ser na hora que já estão rebocando.
Também não é de se estranhar, em se tratando da BHtrans que usa a roleta russa como método para rebocar os veículos estacionados irregularmente, né mesmo? (postagem abaixo).
É ou não é a indústria da multa?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Onde estavam os moradores de rua?

Umas andanças por bairros diferentes do meu dia a dia me mostraram uma realidade que há muito não via em Belo Horizonte: gente dormindo no chão, em calçadas, sob marquises de prédios.
Mesmo com esta chuvinha vi umas pessoas dormindo a sono solto, num passeio, lá pelos lados da Santa Casa, de tarde.
Cercados por papelão, com aquele pedaço de cobertor, que os serviços de caridade chamam de "cobertor de São Vicente".
Coitado do São Vicente: o cobertor cobre os braços e descobre os pés ou vice-versa.
Não sei se é porque não ando muito por aquelas bandas, mas há muito tempo não via moradores de rua dormindo no chão. Ainda mais com chuva.
A miséria aumentou ou é o Natal que se aproxima e a possibilidade de faturar com a caridade da população faz com que muitos deixem os abrigos nesta época?
Ou será que eu tenho andado na Suíça?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Volta a portuguesa

Não tem jeito. Está no sangue.
Depois que comecei a ler o diário de viagem da Patrícia Duarte sobre a viagem dela e família a Portugal, bateu de novo a vontade de ser portuguesa.
Já havia desistido diante de tanta dificuldade, tanto papel, tanto carimbo, tanto selo que o consulado português pede.
Mas foi só ler as andanças da Patrícia por Portugal que voltou a vontade.
Nem quero mais a cidadania.
Vou me contentar mesmo em visitar a terrinha como turista. Mas não abro mão de ir lá no Norte, na cidade onde nasceu meu avô: Aveira.
Mas isto é plano para o ano que vem, ainda assim se a crise não virar um cataclisma.
Mas já me empolgo de novo e vou à internet buscar uns sites de pesquisa genealógica.
Leio isso na revista Encontro de setembro, que me serve de companhia, enquanto espero para fazer uma endoscopia hoje. Depois dizem que revista velha não serve para nada!
Já chego em casa, depois de dormir a tarde toda, claro, sob o efeito do Dormonid que me aplicaram na clínica, e vou para o computador. Encontro dezenas de sites sobre o tema.
Já salvei uns quatro e penso até em encomendar uma pesquisa de árvore genealógica de três gerações, por um site português. Mas é tudo pago em euros. Vou pensar direitinho.
E enquanto isso vou fazendo meus planos, embalada pela narrativa colorida e saborosa da Patrícia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A geração Madona

Naiara, Lenora, Raquel e Juliana são jovens, bonitas, bem resolvidas afetivamente e sexualmente.
Profissionalmente também, apesar de financeiramente nem tanto. As três primeiras são advogadas e a última é jornalista.
Saem para as baladas, bebem muito (menos a Naiara, que não bebe nada), vão a shows, sítios, Macacos, Tiradentes, Lavras Novas, enfim a vida normal das garotas de 25, 26 anos, que com toda a evolução feminista ainda moram com as mães e pais, quase sempre as mães.
Pois essas aí quase descabelaram para comprar os ingressos do show da Madona.
Ficaram na internet dias e dias tentando comprar naquele site que não funcionou de jeito nenhum e depois montaram um acampamento no telefone para comprar por este meio.
Até que a Juliana consegui comprar para o Rio, às 3h 15 da madrugada.
E agora se preparam para o grande momento.
Vão ficar em Ipanema, afinal ir ao Rio sem ir à praia é impensável. Em Ipanema vão ficar num albergue, pois as finanças pessoais das quatro, muito antes da crise americana, já não eram lá essas coisas.
Mas o que importa isso? Vão ver a Madona, ainda que a um quilômetro de distância e embaçada por um mar de cabeças e corpos de jovens como elas que passaram a adolescência ouvindo e dançando Madona.
Ou como disse a Juliana:
- "Naiara, precisamos ir ver o show da Madona. Ela é parte da nossa vida"!!!
Quase tudo pronto, minha parcela nesta história é fazê-las desistir de ir de carro e ir de ônibus, afinal, nesta época do ano, com dias muito chuvosos, a Serra de Petrópolis é um terror, neblina pura!
Mas que sei eu? Eu não sou da geração Madona.

domingo, 9 de novembro de 2008

Compradores Compulsivos Anônimos

Conheço uma pessoa que tem compulsão por compras.
Geralmente, por roupas e sapatos, mas às vezes também não resiste a um brinquedo, a um adereço de casa, um vaso de flor, qualquer coisa enfim, o que lhe garante a certeza de que é uma consumidora compulsiva.
Há os Álcóolicos Anônimos, os Narcóticos Anônimos e deve haver os Compradores Compulsivos Anônimos.
Estes devem ajudar uma pessoa que entra numa loja de marca e compra um vestidinho de festa, mais simples, curto, de R$ 800, sem ter nenhuma festa para ir.
Ou quatro pares de sapato em dois dias.
E cúmulo dos absurdos: um anel de brilhantes pela televisão, naqueles programas de madrugada, que vendem jóias, tapetes e quadros.
Bem, arrumamos um telefone de uma psicóloga comportamental para esta pessoa, enquanto não descobrimos os Compradores Compulsivos Anônimos

sábado, 8 de novembro de 2008

O roteiro da ambulância

Vejo uma ambulância do SAMU urrar desesperadamente na avenida Bias Fortes próximo à Praça Raul Soares.
Sábado de manhã, perto do Mercado Central, é impossível o trânsito. Está tudo parado. Além do dia de compras, aquela região está em obras. A Augusto de Lima, no quarteirão do mercado está com uma pista interditada.
Por isso, além do barulho infernal, a ambulância vai conseguir no máximo avançar lentamente, como os demais veículos. Não há como ceder espaço, por mais que os motoristas tentem.
Fico pensando se não há um roteiro alternativo para ambulâncias e viaturas, já que nem sempre o menor caminho é o mais rápido.
Ainda mais com o serviço de informações em painéis luminosos espalhados cidade afora.
E também com a certeza antecipada de que aquele local está intransitável, por causa das obras. Então por que a ambulância passa por ali? Por que não dar uma volta maior, mas fugir do engarrafamento já sabido?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A roleta russa da BHtrans

Recentemente meu carro foi rebocado no centro, bem na avenida Amazonas, perto da Praça Sete. Foram R$ 119 para retirá-lo do pátio da BHtrans, uma multa de R$ 67 por estacionamento irregular e mais os pontos na carteira.
Bem, nem liguei. Não fui eu quem coloquei o carro lá, quem pôs que pague o prejuízo. Quanto aos pontos na carteira, desconfio que não vão aparecer, como outros anteriormente, porque esta não é primeira preocupação de nossa gestora de trânsito.
Hoje, passando na Barbacena, vejo um carro sendo rebocado. Uma caminhonete S10.
Dou uma olhada nos carros estacionados e vejo três com talões de faixa azul vencidos.
Chego perto do guarda às voltas com o guincho, e pergunto se ele vai rebocar todo mundo.
-"Só os que estão irregulares", resposta pronta e inteligente.
Olho o crachá dele, vejo lá "Ornelas", não sei a patente. Deve ser sargento.
- "E quantos estão irregulares?", insisto.
- "Três".
- "E o senhor vai rebocar os três?", já emendo olhando para um único guincho ali.
- "Não, só a caminhonete, porque o guincho só leva um."
- "Ah..."
Não há lógica, só a roleta russa da BHtrans.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

E o Obama chegou lá

"Sim, nós podemos",
confirmaram os americanos, colocando na Casa Branca um negro, que foi pobre, é muçulmano, e tem um nome que faz logo todo mundo pensar em terrorismo.
Mas os americanos se cansaram.
Cansaram-se das trapalhadas de Bush e por isso todos os republicanos levaram a culpa.
Cansaram-se das guerras, da quebradeira, da falta de rumos.
E deram a resposta.
O mais incrível é que só havia dois candidatos.
Aqui na eleição de Beagá, mesmo com oito candidatos iniciais, a gente chegou ao final sem opção, votando com aquela cara amarela. E nem deu para comemorar.
E o pior: o vencedor já começou a falar que não vai fazer isto, nem aquilo, coisas prometidas, que estão inclusive no programa de governo (metrô e hospital no Barreiro).
O cara é mesmo um elefante em loja de porcelana.
O jeito é torcer para o Obama.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Serra da Calçada e da Moeda

Já com o tombamento provisório decidido desde junho último, o que impede a mineração no local, a Serra da Calçada luta agora contra o turismo predatório.
Localizada ao lado do Parque do Rola Moça, a Calçada é um dos lugares mais pitorescos da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com área abrangendo Brumadinho e Nova Lima.
Na sua área, de cerca de 4 mil hectares, está o Forte de Brumadinho, instigante monumento de pedra e trechos em que as trilhas foram calçadas por escravos, daí seu nome.
Dividida em quatro vetores, somente no primeiro foram detectados 22 vestígios de áreas arqueológicas, como pinturas rupestres e cerâmica.
A Serra da Calçada é considerada um caminho secundário da Estrada Real. Em seu entorno estão importantes mananciais que abastecem a RMBH, como o Ribeirão dos Fechos.
Por isso, sua importância se estende a aspectos ecológicos, históricos, arqueológicos, além de econômicos, claro, já que por ali, estão algumas das mais antigas áreas de mineração do Estado.
Mas esta foi proibida desde a ação do Ministério Público que pediu a interrupção das prospecções que estavam sendo feitas no local pela MBR, dona de boa parte da área, (foram feitas 93 perfurações com até 200 metros de profundidade, ou o equivalente a um prédio de 60 andares).
Depois de conseguir a interrupção por liminar confirmada pelo Tribunal de Justiça, a atividade cessou definitivamente por causa do tombamento provisório pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha).
Agora a luta é para que a Serra da Calçada vire uma unidade de conservação autônoma, para que o turismo desenfreado (cerca de 2 mil pessoas passam por lá nos fins de semana) seja contido ou regulamentado. Ou ainda que seja incorporada ao Parque do Rola Moça; ou que tudo seja incluído no tombamento mais amplo da Serra da Moeda, complexo que abrange as duas outras unidades.
A primeira alternativa é defendida por ambientalistas, tendo à frente a Associação para Recuperação e Conservação Ambiental da Serra da Calçada (Arca Amaserra). A segunda consta do Projeto de Lei 1.304/07, do deputado Délio Malheiros (PV), que integra a Serra da Calçada ao Rola Moça; e a terceira alternativa está contida na Proposta de Emenda à Constituição 16/07, do deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), que altera o caput do artigo 84 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição do Estado (dispõe sobre o tombamento para fins de conservação e declara monumento natural a Serra da Moeda).
E o sindicato das indústrias extrativistas - Sindiextra- (acreditem, as mineradoras estão neste "complexo sindical") encomendou um calhamaço de 1.200 páginas intitulado "Patrimônio Natural e Cultural e zoneamento ecológico da Serra da Moeda: uma contribuição para seu desenvolvimento" para definir seu posicionamento, óbvio: "desenvolvimento sustentável".
E entregou isso para os deputados da Comissão Especial da Serra da Calçada e da Moeda da Assembléia, que fez sua primeira audiência pública hoje, (que acompanhei). Essa comissão foi criada para colocar tudo preto no branco - preservação e desenvolvimento - e estabelecer uma vertente única de uso daquele solo, já que considera que a região, toda ela integrante da APA Sul, está sob um conflito de legislações.

E a Copasa responde finalmente

Seguindo conselho da minha colega jornalista, Ana Paula Pedrosa, que para quem ainda não sabe, tem um blog ótimo "escritos ao vento" (link ao lado), de insistir com a Copasa, para obter aquela resposta sobre a fartura de água na calçada do shopping em Lourdes, volto ao site da empresa hoje.
Novamente faço as perguntas pelo chat, que hoje, depois de três tentativas na semana atrás e duas hoje, funcionou.
Aleluia, converso novamente com a Rosália Vicente.
Bem ela me responde, pelo atendimento de número 5271, numa conversa de 17 minutos, que a água que o shopping usa, cuja mangueira está ligada naquele registro no chão, é dele mesmo, ou seja, é paga.
Mas não tem idéia do quanto é gasto e nem quanto isso representa em reais. Mas me dá uma dica: para lavar 1 metro quadrado, é gasto 1,5 litro de água, o que me leva a concluir que pelo tamanho do quarteirão, cerca de 400 metros, são gastos diariamente, 600 litros de água.
Tudo bem, que o shopping paga, mas é muita água desperdiçada. Água tratada, quase potável, como a própria Copasa gosta de dizer de seu produto.
E enquanto isso, há bairro nem tão longe assim de Belo Horizonte que não tem água nas casas, só em bicas ou de caminhão-pipa.
E a água do planeta está acabando, não se pode esquecer.
Já se fala até que a próxima guerra será pela posse da água potável.

Mercado Santa Tereza

E para quem gosta de votar pela internet, não se esqueça do Mercado Santa Tereza.
A prefeitura não conseguiu acabar com ele, como tentou no ano passado. Agora há um projeto bacana para uso daquele tradicional espaço.
Vote pelo link abaixo.

www.pbh.gov.br/mercadosantatereza*

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A modernidade que não funciona

Tenho sido contumaz entusiasta das tecnologias da informação à nossa disposição hoje.
Já falei dos diversos cursos sobre web, jornalismo on line, arquitetura da informação que tenho feito, por puro gosto de descobrir o mundo, de aprender e apreender a modernidade.
Comentei sobre o uso da rede mundial pela campanha do Obama e de como cada vez mais o jornalismo terá de se voltar para a internet. E de como nossos sites públicos terão de se adaptar à interatividade, para não continuarem a ser somente diários oficiais eletrônicos "aqueles com a letrinha que a gente consulta só quando vai saber a classificação no concurso ou se saiu a aposentadoria".
Mas cada vez mais constato que não adianta somente implantar o último instrumento tecnológico nos sites ou no atendimento público.
É preciso mantê-lo funcionando.
Não adianta ter um call center em que o cliente/cidadão fica horas esperando pelo atendimento.
Não adianta ter um Fale Conosco que não responde às demandas.
Pois é exatamente isso que acontece no site da Copasa.
Lá no Fale Conosco, não há local para deixar uma simples mensagem, porque moderno demais, há um chat para você conversar em tempo real.
Pois bem, semana passada, em busca de resposta para o caso da água na calçada do shopping (postagem abaixo), fui ao site, me cadastrei, entrei no chat e fiz as perguntas.
E só a mensagem : "você está sendo atendido por Rosália Vicente".
E ficava, e ficava, aguardando resposta, aguardando resposta. E aí: "esta sessão foi encerrada". E nada da resposta. Foram três dias assim.
Até que me dou conta de que o bom e velho telefonema pode ser mais útil.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Índice para medir felicidade

Enquanto a Copasa não me responde quem paga a conta da lavagem das calçadas do shopping, recebi uma notícia que de tão interessante reproduzo na íntegra, sem nem comentar, mesmo porque em si ela já diz tudo.

Da Agência Estado:


Inspirada numa idéia de um país tão longínquo quanto o Butão, pequena nação asiática incrustada no meio do Himalaia, São Paulo pensa agora em medir o progresso com base na felicidade de seus cidadãos. O conceito de FIB (Felicidade Interna Bruta), instituído no Butão em 1972, com a proposta de incorporar conceitos díspares como felicidade e progresso, alegria e desenvolvimento econômico, será apresentado nesta quarta-feira, numa conferência internacional em São Paulo - e conta, desde já, com apoiadores dentro da administração municipal“A idéia do FIB é incorporar a felicidade, medida por critérios técnicos em questionários de até 150 perguntas, aos índices de desenvolvimento de uma cidade, Estado ou país”, explica a psicóloga e antropóloga Susan Andrews, organizadora da 1ª Conferência Nacional sobre FIB, que ocorre hoje no Sesc Pinheiros. Para medir o FIB, a percepção dos cidadãos em relação a sua felicidade é analisada em nove dimensões: padrão de vida econômica, critérios de governança, educação de qualidade, saúde vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicológico.“O FIB situa a felicidade como pivô do desenvolvimento, em oposição ao PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma das transações econômicas de uma nação), que falha em contabilizar os custos ambientais e inclui formas de crescimento econômico prejudiciais ao bem-estar da sociedade, como o corte de árvores” afirma Susan.“Os bons resultados no Butão chamaram a atenção da ONU (Organização das Nações Unidas), que passou a estudar a implementação do exemplo butanês em outros países”, afirma. Uma versão internacional está sendo elaborada no Canadá, com aplicação prática prevista para este ano.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Água que escorre


Me espanto e me preocupo com a lavagem de calçadas. O desperdício de água é imenso, ainda mais depois que inventaram aquela máquina de alta compressão. Aquilo é um sorvedouro infindável.
Passo toda manhã em frente a um shopping que ocupa todo um quarteirão.
E lá está a maquininha lavando, lavando. Lavam as calçadas, lavam as pilastras de mármore marta rocha, lavam as duas cúpulas.
Sempre pensava: "como deve ser alta a conta de água desse shopping".
Mas aí observei melhor e vi que a máquina estava ligada no hidrante do chão.
Será que esta água é direta da Copasa e por isso o shopping não paga nada?
Vou apurar direitinho.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Quem ama não mata

Já repararam como a violência contra as mulheres recrudesceu?
São namorados, maridos, ex, amantes, todo mundo querendo desforrar por ter tomado um fora.
O que não dá para entender é porque os homens querem ficar com as mulheres a qualquer custo, depois de terem sido chutados.
Será por orgulho?
Sim, porque por falta de mulher não é, afinal os censos demográficos indicam excesso de mulheres no Brasil inteiro e em alguns lugares elas são quase 10% a mais do que os homens.
Então por que os machos não se contentam com o pé e procuram outra simplesmente?
Por que querem infernizar aquela que não os quer mais?
Será que vamos ter de fazer outra campanha "quem ama não mata", nos moldes daquela feita nos anos 80, diante de tanto marido ciumento matando mulheres e exs?
E agora, em pleno século XXI, com a Lei Maria da Penha, milhares de mulheres dando sopa por aí, até ex-namorado se julga no direito de "lavar a honra" .
É parece que o macho não muda mesmo!

domingo, 26 de outubro de 2008

Alea jacta est

A sorte está lançada.
Vamos ver como se sai o novo prefeito, a partir de janeiro.
Diante do que foi o segundo turno, a responsabilidade de Lacerda com o eleitor é maior ainda. Mesmo porque a diferença foi pequena, o que indica que a população realmente estava insatisfeita, ainda que tenha sido uma insatisfação conduzida por um marketing enganoso.
Não vai ser possível continuar com as mesmas práticas políticas desenvolvidas até agora, de arrogância, personalismo, pressão sobre o funcionalismo, mordaças diversas.
As urnas mostraram claramente o engano de algumas políticas autoritárias.
Agora é cumprir as promessas de mais diálogo com a população.
E Márcio Lacerda pode começar paralisando a licitação da nova rodoviária, para escutar o contraditório.
E o contraditório não são só os moradores daquela região. São técnicos, engenheiros, sindicatos.
Lacerda tem a obrigação moral de abrir a discussão sobre a construção da rodoviária no Calafate, porque prometeu reavaliar a obra.
E mesmo que não houvesse prometido, a população deixou claro que uma administração moderna não significa somente continuar obras, mas defini-las de forma participativa, principalmente se elas representam um enorme impacto na vida das pessoas.
Uma cidade democrática é feita de locais e pessoas que vivem neles.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O desespero final

Estávamos no encerramento da semana do servidor com um show do Wander Lee marcado para as 17 horas.
Lá pelas 16 chega uma tropa de choque de um candidato, ocupa a frente da Assembléia, onde seria o show, e em seguida um trio elétrico com o som lá nas alturas.
Conversa vai, deixa disso, é coisa de servidor, não tem caráter político, etc, etc. E o candidato empatou nosso show por quase uma hora.
Desrespeito de gente que descuida de gente, que persegue um objetivo obsessivamente, desconhecendo métodos, ética, dignidade.
Ficamos todos ali, com cara de bobos, esperando o trio elétrico sair.
Saiu o trio e o candidato deixou alguns bate-paus com bandeiras e balões vermelhos, por via das dúvidas e "doidos" para arrumar outra encrenca, tentativa desesperada de criar um fato político. Candidaturas fúteis e inúteis precisam destes expedientes.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Um vaso de suculentas


Hoje aprendi a fazer um vaso de mini suculentas.
Fiquei feliz de pegar a terra, colocar o cascalho, separar as mudas dos vasos, plantar, cobrir com areia e finalizar com mini seixos brancos. Ficou lindo.
Foi um curso de jardinagem rápida em comemoração à semana do servidor.
Não, não estou pensando em me aposentar e por isso, procurando atividades para preencher o tempo.
Mas a montagem do vaso de suculentas me deu tanto prazer, tanto bem estar que já começo a pensar em me dedicar a este tipo de atividade.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A baixaria mobiliza

Entre uma baixaria e outra vamos discutindo as eleições.
Não discutimos a política, os projetos, o futuro.
Isto não dá ibope.
O que dá ibope é big brother, crianças atiradas pela janela, namorados matando namoradas.
E como eu disse numa postagem antes do 1º turno: esta é a eleição da volubilidade e da volatilidade. Volúveis somos nós eleitores que mudamos a qualquer movimento estranho. Voláteis são nossas construções míticas: hoje heróis, amanhã bandidos.
A pesquisa mostrou hoje que a preferência eleitoral mudou novamente. O que estava em cima, desceu, depois do que estava em baixo ter subido.
É o humor da cidade variando como o clima.
Como as propostas dos candidatos.
Como os ataques pessoais.
Será por que?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mais uma vez o lamentável espetáculo da mídia

"A cobertura do sequestro por parte da Mídia paulista foi lamentável, para dizer o mínimo. O espírito sensacionalista, espetacularizando o episódio contribuiu também para a morte de Eloá. A apresentadora Sonia Abraão, da Rede TV!, chegou ao absurdo de estabelecer contato telefônico com o sequestrador, interferindo diretamente no trabalho da Polícia. O namorado desesperado acaba se transformando em 'personalidade nacional'. Não estranha, portanto, a singular resistência do dito cujo no apartamento."

Uso um trecho da postagem do Flávio Sapori, que escreve no portal UAI, para mais uma vez comentar o comportamento da mídia (tvs à frente) em mais um caso policial.
O Sapori disse tudo: mais uma vez a notícia virou espetáculo.
Até quando as tvs vão ficar de campanha nesses casos, criando fatos?
Uma coisa é você dar a notícia, quando ela ocorrer naturalmente; outra é ficar 24 horas no ar, até no programa da Ana Maria (que um dia foi de variedades) e ficar inventando fatos ou repetindo, repetindo.
E depois a mídia critica todo mundo: a polícia, a família, o cachorro, o papagaio.
Quando vai começar a olhar para o próprio umbigo?
A única coisa positiva da cobertura foi a informação da doação dos órgãos de Eloá.
A garota de Santo André não morreu: multiplicou-se.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

E a Jô, heim?

Não vi, mas me contaram.
A Jô Moraes no programa eleitoral do Leonardo Quintão. Fala, dá depoimento e no final, o Quintão "manda" ela fazer "jóia" - aquele gesto do dedo polegar para cima. ¨Faz JÔ, faz jóia aí"...
Se foi como ele mandou a mulher dele, Poliana, fazer o mesmo gesto, digo para a JÔ que ela pode encerrar a carreira política de defesa da dignidade das mulheres.
O Leonardo Quintão falando para a mulher dele "vamos Poliana, faça jóia", soou aos meus ouvidos e olhos, algo como assim: "vamos, mulher, você que não pensa, não tem idéias próprias, só faz o que o marido manda".
E a JÔ, meu Deus se prestando a este papel!
É constrangedor!
Como ficam suas bandeiras feministas depois dessa ridícula participação na tv?

Inveja dos americanos

Vejo na sexta-feira uma reportagem de tv sobre um jantar beneficente em Nova York onde estavam Obama e McCain e Hillary Clinton. Descontraídos, cheios de brincadeiras e piadinhas.
Fora dali é artilharia pesada. Mas em determinados momentos volta a civilidade.
Morro de inveja.
É isso que a eleição americana tem de diferente da nossa: os candidatos são patriotas acima de filiados partidários.
Acabou a convenção partidária, são todos democratas ou republicanos, não ficam divididos em alas e alas autofágicas.
Ainda temos muito caminho a percorrer rumo à democracia real.
Aquela democracia que envolve vitórias e derrotas dentro dos partidos, mas que prevê também que a derrota não é dissensão, é parte da mesma moeda do jogo. E que em algum momento da disputa deve prevalecer o bem comum.
Me vem à lembrança uma frase lida há muito tempo, já nem me lembro mais de quem, acho que é do psicoterapeuta Ângelo Gaiarsa: "a liberdade é ótima, conquanto não nos bata à porta".
Esta é a situação de determinados grupos políticos de Beagá.
Só sabem ganhar e quando não concordam com o resultado de uma disputa se insurgem e debandam.

domingo, 19 de outubro de 2008

Fora do ar

Cai uma chuva braba no sábado.
Um pico de luz me tira do ar. Sem tv a cabo, sem internet.
Ligo para a operadora, agendam uma visita para segunda.
Puxa, como vou ficar sábado e domingo sem tv e sem internet?
Mas a moça não entende.
Só decorou o "senhora" e "nosso técnico só tem agenda para segunda".
Com as mudanças impostas ao telemarketing pela Justiça, na semana passada, vou sugerir às operadoras que façam um treino extra para os funcionários.
Que eles aprendam a dizer uma palavra gentil, de conforto, fora do script, do tipo concordar que é mesmo muito chato ficar sem internet um dia e meio; que é um absurdo só ter visita na segunda!
Só para ser solidário com quem liga querendo o serviço pronto na hora, do mesmo jeito que paga a conta no dia certo.
Meu sinal volta agora à tarde.
E eu já nem sei se quero ver tv...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Nosso prêmio da Aberje

E por falar em política, ontem comemoramos um prêmio nacional que a Assembléia recebeu: o de melhor campanha do ano, com o projeto Expresso Cidadania.
Para nós comunicadores, é gratificante um prêmio do nível dos conferidos pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial.
Mostra que estamos fazendo um trabalho comprometido com a sociedade e que a instituição está acima de seus membros, embora a população nem sempre diferencie isto.
O Expresso Cidadania foi um projeto de incentivo à participação política dos jovens de 16 e 17 anos. Percorreu diversas cidades, levando a escolas estaduais palestras, oficinas, teatro e a emissão de título de eleitor e carteira de identidade. O projeto foi concebido a partir de uma constatação do TRE de que houve um refluxo grande no interesse dos jovens pela política antes da idade obrigatória, os 18 anos.
E foi um projeto muito bacana. Em cada cidade-pólo descobríamos realidades específicas.
Não houve interferência dos parlamentares, mesmo quando o Expresso estava em alguma cidade de sua base, porque a idéia foi de promover cidadania e não filiação partidária. Essa é uma tarefa para partidos e políticos.
Os resultados mostraram o acerto da idéia: foram mobilizados cerca de 19 mil estudantes de 17 cidades mineiras. Entre março e abril foram emitidos 4.818 títulos de eleitor e 2.855 carteiras de identidade.
Por isso, nós da gerência de comunicação ficamos muito orgulhosos com o prêmio, afinal, o reconhecimento é sempre bom, principalmente para servidores que trabalham numa instituição muitas vezes incompreendida, ou confundida com práticas condenadas pela sociedade, de alguns de seus membros.
E comemorar com todos os envolvidos no projeto foi um magnífico momento de cumplicidade, reencontros e compartilhamento.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Dois telefonemas na manhã

Tomo um susto com um telefonema no final da manhã de ontem.
Uma voz masculina, grossa, pausada e educada me diz: " A senhora está sendo convidada para comparecer ao gabinete militar, para explicar as ofensas que vem postando em seu blog".
Gelo!
"Ai meu Deus, e agora?"
Bem que eu achei que estava exagerando com o Quintão. "Não devia ter citado nome. Devia ter hospedado este blog em algum provedor de Mianmar, aí ninguém me acharia.
E o projeto dos crimes virtuais já foi aprovado?"
E o cara falando e eu imaginando, imaginando...
De repente uma risada corta meu susto.
- Márcio, seu f*...
E caio na risada, aliviada.
Não era o Lacerda, mas meu colega Márcio Metzker, que adora uma piada e que manda fotos de mulher pelada para mim, como se eu gostasse da coisa. Mas olho todas, sem nenhum preconceito.
Prefiro acreditar que meu nome está lá perdido no meio daquela enorme lista de nomes masculinos.
Lista, aliás, que ele abastece diariamente com umas peladonas russas e com umas legendas engraçadíssimas que ele inventa.
Poucas horas depois, recebo outro telefonema: "Aqui é do comitê do Leonardo Quintão e estamos querendo saber por que a senhora está perseguindo o candidato".
Já mando logo um palavrão (eu posso, não sou candidata a nada e falo palavrão mesmo, talvez resquício dos tempos de redação, onde o ambiente era, digamos, meio "oficina mecânica").
E Eduardo Ávila ri do outro lado da linha, mesmo não tendo conseguido passar o trote. E ri também de algumas expressões que inventei para os Quintão.
Isto é porque ele não sabe o susto que passei antes.
E nós até esquecemos de falar da torcida do Atlético que inferniza a minha porta toda vez que vai ter jogo com o Cruzeiro. Eu sempre xingo e reclamo com ele, que é atleticano da cozinha do time. Eduardo morre de rir e promete arrumar mais e mais torcedores para gritar a noite inteira na minha porta.
Jornalistas são assim, adoram fazer piada com tudo!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Os olhares sobre Beagá

Não, não vou falar do segundo turno. Chega.
Falo hoje de Belo Horizonte. De como sou privilegiada ao passar todos os dias, a pé, pela avenida Barbacena, no último quarteirão antes de chegar à Praça Carlos Chagas, ou da Assembléia, para os íntimos.
Aquele trecho é único. Um túnel de árvores e canteiros bem cuidados. Imensos paus-ferro sombreando a avenida.
Um gari luta com o vento forte na praça, tentando ajuntar as folhas caídas. Junta, junta e o vento espalha. Alguns garis usam umas folhas secas de palmeiras para varrer, mais largas, abrangendo um pedaço maior do passeio e rua.
Passo perto dos varredores e digo que é uma tarefa ingrata varrer a cidade com esta ventania.
-"Não é?", responde um.
Na frente da casa da minha sobrinha há uma linda sibipiruna, florida escandalosamente.
Vou elogiando o privilégio de ter uma árvore assim, bem na porta, e ela começa a varrer as flores miudinhas que inundam sua varanda e passeio. "Dá vontade de cortar à noite, bem caladamente".
Estes são nossos olhares sobre Belo Horizonte: os que se encantam com as árvores, os que suam para juntar suas folhas, os que sonham ficar livres delas para não ter tanto trabalho.
A vida nos possibilita esta multivisão, nós é que teimamos em vê-la de forma míope e estrábica.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

E o Collor se confirma!

Mudei meu voto!
Não vou votar nulo mais. E peço a todos que estavam me seguindo nesse propósito (Gleidson, Jader, Naiara, Camila, Fabricia, etc, etc), que façam o mesmo.
Vou votar no Márcio Lacerda.
Depois da propaganda eleitoral de ontem aderi ao voto útil: vou com o menos ruim.
Não dá para votar na edição revista e atualizada do Collor.
Aquele vídeo de ontem, o Leonardo Quintão gritando ensandecido, na convenção do PMDB em Ipatinga, correndo num exíguo espaço de uma sala e berrando que "nós vamos chutar a bunda deles" me convenceu: precisamos nos mobilizar todos e salvar Belo Horizonte.
Cada um de nós precisa convencer o outro de que é preciso esquecer a forma espúria como foi escolhido o Lacerda. Esquecer a interferência do governador ou do prefeito.
Precisamos acreditar que pelo menos por trás da candidatura do PSB há um projeto político de partidos e não de aventura.
Esqueçam o que eu disse antes sobre anular votos, prescindir de partidos. Vamos deixar esta discussão para depois, para fora do período eleitoral.
Neste momento é preciso salvar a cidade do perigo quintanista. E o perigo não é o PMDB, ou o Hélio Costa.
O Leonardo Quintão & família não são uns ingênuos que se deixarão manipular por caciques decrépitos.
Eles são sim os messiânicos Quintão. Aqueles que montaram um valerioduto em Ipatinga, usando o mesmo esquema via publicidades superfaturadas. O Ministério Público já denunciou e encaminhou as denúncias à Justiça, portanto, não estou inventando nada.
Bom seria que as facções do PT que discordaram do Pimentel, como Patrus Ananias, Dulci, Rogério Correia, o Quintão do bem, se revestissem de um pouco de magnanimidade e abrissem mão das picuinhas, pelo menos nesse momento.
O que está em jogo não é a sobrevivência dessa ou daquela facção. Ou o futuro político desse ou daquele personagem petista.
O que está em jogo é a cidade e o seu futuro, diante do aventureirismo obscurantista de um clã, que tem no sedutor galã Leonardo Quintão seu mais arrematado embuste.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sou mais o Skank

Nem Lacerda nem Quintão. Muito menos o debate de domingo à noite.
No domingo me dediquei mesmo ao showzaço do Skank, claro depois de rezar para Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Fui ver o show no Chevrolet Hall, e melhor, de greitis.
Dava para trocar por aquela xaropada de debate?
Ver aquele Quintão Johnson dizendo prestenção, dá para fazer.
Pois então deixa ele fazer, uai!
Depois não reclamem que a cidade está uma porcaria.
Ou então o Lacerda, piscando, piscando e dizendo "eu tenho o apoio do Aécio e do Pimentel..." que nem disco arranhado?
Eu não, ninguém me chamou para opinar antes dessa confusão que agora está aí. Agora aguentem.
Além do voto nulo eu agora tenho uma outra tese, que acho que deveria ser estudada com muito carinho:
Chegado o final do mandato de prefeito, governador ou presidente, nem deveria ter eleição. O TRE fala assim: "tá na hora de escolher de novo o prefeito. Se vocês acham que este que está aí está bom então é só votar nele. Se ele não está bom tem mais este, este e este candidato".
Não precisa fazer campanha, aliás, deveria ser proibido, para não falar que o que já está no poder seria beneficiado
Se o cara está ruim deve ser trocado, independente do que o próximo fala que vai fazer. Isto porque programa é só figura de retórica. Quase nunca o candidato cumpre, depois de eleito.
E os concorrentes podem ser qualquer um de nós, sem partido, sem nada.
Não precisa de partido, apenas um conselho de cidadãos, sem filiação, encarregado de mostrar para a população, "olha ele fez isso, fez aquilo, mas deixou isso e isso de lado.
Podemos aproveitar agora e escolher outro. E se ele não cumprir os compromissos conosco, daqui a quatro anos a gente muda outra vez".
Simples assim, como deve ter sido o contrato social no início do estado.
Mais ou menos isso. O resto penso depois, porque hoje eu quero falar mesmo é do Skank.
Skank for ever
Eita moçada que está cada dia melhor! Novas músicas cheias de erotismo. E as de sempre, que não tem como não tocar, o público exige.
A empatia da banda com seu público é tanta que Samuel Rosa fez um duo (ele na guitarra e a platéia cantando) como se tivesse sido ensaiado de tão sincronizado e perfeito.
E o público era só entusiasmo: gente de idades diferenciadas, incluindo algumas crianças com seus vovôs.
Que me perdoe Belo Horizonte com seu dilema eleitoral: mas o Skank continua sendo "a sua mais completa tradução".

sábado, 11 de outubro de 2008

O movimento "Rodoviária Não" e a política

O que desanima nesses movimentos sociais é o uso político deles. Me engajei no movimento contra a Rodoviária no Calafate, porque morava ali pertinho do local e mudei correndo quando a informação sobre a transferência do terminal se concretizou há dois anos.
Meu irmão ainda está lá, no final do Padre Eustáquio, quase na Via Expressa, tentando acreditar que a rodoviária não irá para lá. E com ela, os assaltos, a prostituição, os menores, pedintes, trânsito empacado.
Assinei lista, fiz inúmeras postagens e descubro agora, na maior preguiça, pra não dizer decepção, que o movimento na verdade estava eivado de outras intenções.
Não sou contra a politização do movimento social, mas em ano de eleição é preciso muito cuidado.
O movimento contra a rodoviária viu a Maria Lúcia Scarpelli, a única vereadora do bairro, votar favorável à transferência na Câmara e depois, na campanha, dizer que era contra, como se fôssemos mentecaptos.
E agora, a lista do movimento na web, ao invés de trazer informações, traz convocações para uma "caminhada com o 15". Ou ainda a pérola do "compromisso assinado em cartório" de paralisação do projeto!
Ah, me poupem!
Vão fazer campanha para o Papai Noel, que é mais produtivo e instrutivo. Ou para o Coelhinho da Páscoa!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Conceição do Mato Dentro

Continuo aguardando as notícias do pessoal do fórum de ongs ambientalistas que está na expectativa da liberação da licença de funcionamento da MMX Anglo American.
Gentes de Conceição do Mato Dentro não puderam participar de uma audiência no início do mês em Diamantina, porque era "fechada", só para técnicos. Havia um parecer do Sisema que iria ser apresentado, mas só para os "interessados".
A Serra do Espinhaço, as cachoeiras, a festa do Bom Jesus do Matosinhos agradecem. Daqui a um tempo serão só "uma lembrança na parede".
E pior, não terão nem um Carlos Drumond de Andrade para colocá-las em verso.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Comentários sobre o fim do monopólio partidário

Cutucada pelos rumos da campanha eleitoral em Belo Horizonte e pelos resultados, me aventurei a fazer umas análises mesmo que superficiais, devido ao espaço e à pouca disposição de muitos em ler textos maiores. Minha surpresa foi que muita gente se manifestou com outros ângulos de pensamento, mesmo que fora do blog, no meu e-mail.
Foi gratificante.
Um dos e-mails reproduzo hoje, porque é um ponto de vista muito inovador, para um país, como o Brasil, acostumado a estruturas arcaicas de política e poder.
Apolo Heringer, que todos conhecem, me manda um artigo em que defende a candidatura avulsa, fora dos partidos políticos.
Literalmente ele defende o fim do monopólio partidário no lançamento de candidaturas. O objetivo, segundo ele, é arejar a cena política do país, com candidaturas mais éticas, comprometidas com a população, e menos com as estruturas profissionais de ganhar eleições em que se transformaram os partidos.
Para ele, a via é uma mudança na Constituição, para que seja superada a incongruência do texto legal, onde ao mesmo tempo em que garante a plena liberdade de associação, poder ao povo, e que ninguém é obrigado a permanecer associado e ainda que a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, exige que para ser eleito o cidadão seja filiado.
Para Apolo, não é o partido político que garante a democracia, como preconiza a Constituição, mas o contrário: o fim do monopólio e, conseqüentemente, dos modelos corrompidos que aí estão é que garantirão a plena democracia.
"Somente o fim do monopólio partidário das eleições e da governança pode garantir avanços do regime democrático. É só olhar os escândalos do panorama político brasileiro e a indignação de cidadãos competentes e honestos marginalizados da governança do país, monopólio de indicações partidárias, na lógica eleitoreira".
E ele lista alguns escândalos protagonizados por políticos para corroborar sua tese e defender a punição a partidos, cujos membros, no exercício de mandatos, sejam flagrados em qualquer tipo de falcatrua. A principal punição seria a suspensão das prerrogativas legais do partido.
É uma tese inovadora e plausível sobre a qual deveríamos refletir.
Concordo com ele, em que a mudança não se daria por uma varinha de condão.
E antes que alguém mais apressado pense, não se trata também de nenhum anarquismo.
Esse sistema existe nos Estados Unidos. Lá é permitida a candidatura avulsa, apesar do bipartidarismo arraigadamente histórico.
Não sei se funcionaria no Brasil, diante de nossa história e prática política, onde o dinheiro pode tudo, o sistema de fiscalização é pífio e muitas vezes integrante dos mesmos esquemas de corrupção. Não sei se funcionaria, diante da desigualdade econômica das candidaturas, e diante da condição financeira precária de enorme parcela da população, que usa as campanhas políticas como trabalho temporário, com remuneração muitas vezes superior à de muitas atividades econômicas. Mas concordo com o Apolo Heringer: há espaço para os movimentos sociais começarem uma mudança.
Há espaço, sobretudo, para que reflitamos e comecemos a recuperar nosso poder e retomar às nossas mãos, o destino que um dia entregamos na mãos de uns poucos, num pacto social perdido nas brumas do tempo.



Fim do monopólio partidário

Deveria ser permitido a candidatura sem ser por partido político ?

FIM DO MONOPÓLIO PARTIDÁRIO DAS CANDIDATURAS E DAS ELEIÇÕES
Apolo Heringer Lisboa

O fim do monopólio partidário teria um efeito salutar na vida política brasileira. Falar em reforma política mantendo o monopólio é não reformar o essencial. Como o fim do monopólio das candidaturas nós teríamos um sistema mais arejado, com a possibilidade de opções reais fora do controle destas máquinas constituídas por profissionais. Porque atualmente o eleitor escolhe entre nomes definidos pelos partidos nas suas respectivas convenções. Na verdade o voto não é livre, é condicionado por uma lista imposta aos eleitores. E as circunstâncias internas dos partidos são insuportáveis para muitos cidadãos que repelem certos compromissos e cumplicidades eleitorais e o silêncio corporativo diante de falcatruas. Um ex-presidente de Tribunal de Contas de um estado brasileiro expressou de forma corajosa suas convicções quando foi acusado de expedientes pouco condizentes numa campanha eleitoral, dizendo: "o único crime eleitoral é perder eleições". Nada sofreu com esta declaração, muita gente graúda achou até graça, pois a nossa moral política está muito pobre.A Constituição Federal da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988, nos garante o "pluralismo político", diz que "todo poder emana do povo", que "é plena a liberdade de associação e que ninguém poderá ser compelido associar-se ou a permanecer associado". Diz que "a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos". Ótimo. Mas no artigo 14, § 3º, que trata das condições de elegibilidade, o inciso V exige "filiação partidária". Interessante que no § 4º está escrito que são inelegíveis os inelistáveis e os analfabetos. Na lei complementar 64/1990, que trata das inelegibilidades e inelistáveis, praticamente se refere a criminosos. Ou seja, o cidadão que decide não associar-se a partido, por motivos fundados e de consciência, é comparado a criminosos e analfabetos pois torna-se inelegível.A Lei Federal nº 9096 /95, chamada lei orgânica dos partidos, diz no artigo 1: "O partido político, pessoa jurídica de direito privado, destina-se a assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e a defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal". Estamos convencidos de que é justamente o contrário: somente o fim do monopólio partidário das eleições e da governança pode garantir avanços do regime democrático. É só olhar os escândalos do panorama político brasileiro e a indignação de cidadãos competentes e honestos marginalizados da governança do país, monopólio de indicações partidárias, na lógica eleitoreira. Como pude defender em palestra no seminário Eleições e Ética, promovido pela ONG Mãos Limpas dia 10 de setembro de 2004 em Belo Horizonte, o caminho é mobilizar a sociedade para alterar o artigo 14 da Constituição Federal, § 3, incluindo entre as condições de elegibilidade, além da filiação partidária, a inscrição de qualquer cidadão em pleno gozo de seus direitos políticos, que atenda às exigências incluídas em lei.O fim do monopólio partidário das candidaturas e da governança contribuirá par sanear o ambiente político estruturalmente corrompido. Não que será uma varinha mágica, mas introduzirá no processo político eleitoral forças sociais fora do controle político do governo e do Estado, mas forças sociais legitimadas e agindo dentro da lei e do regime democrático. Permitirá também romper com o voto de legenda, instrumento que permitiu Enéas com mais de 1.000.000 de votos em São Paulo, carregar candidatos do Prona com menos de 1000 votos à Câmara Federal. Um deputado me disse que os partidos são importante porque representam um conjunto de pensamentos e compromissos. Pessoalmente, não conheço discussões de idéias nos principais partidos do Brasil, mas o exercício do mais pobre pragmatismo eleitoral. É o jogo de forças do poder, o sonho acabou para eles.Majoritariamente, a população vota nos candidatos não em partidos. Cada cidadão tem sua história, é um programa vivo, mais merecedor de acatamento que um programa de papel. O movimento social não pode continuar sendo cassado pelas eleições, dando com seu voto um cheque em branco para os eleitos formarem um grupo fechado agindo em nosso nome durante alguns anos. Todos os cargos públicos são exercidos por indicações do esquema eleitoral. Não há valores éticos além desta lógica, a qualidade do trabalho das pessoas não é levado em conta na composição de um governo. Chego a comparar estes esquemas com o modus operandi de uma máfia. Em Minas Gerais a ONG Mãos Limpas surgiu devido à indignação cívica com o escândalo do megasalários dos deputados estaduais descoberto em 2001. Todos os partidos representados na Assembléia foram pegos em flagrante delito por denúncia publicada num jornal mineiro. Ninguém foi expulso, ninguém devolveu o dinheiro, pediu desculpas à sociedade ou renunciou ao mandato por vergonha. Quase todos se reelegeram. Vários deputados chegaram a receber num só mês mais de 100 mil reais e alguns mais do dobro. E houve ali partidos que recentemente expulsaram militantes por motivos de divergências ideológicas, mostrando que a obediência é o único valor ético exigido para filiação.No interesse do regime democrático os partidos deveriam ser punidos com suspensão de suas prerrogativas, em diversos níveis e por tempo variado, se seus membros com mandato popular fossem surpreendidos em corrupção ou outro crime grave. Hoje apenas quem exerce mandato corre o risco de ser punido, ou renuncia para não ser cassado e fica assim habilitado para concorrer de novo. Isto mostra que o partido não assume suas responsabilidades pela lista de candidatos que apresenta. Sendo assim porque ter o monopólio?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A desconstrução da "aliança"

Estou doida para ver como será o segundo turno de campanha em Beagá. O que irá para a tv. O Lacerda está prometendo uma reviravolta. Mas como ele vai fazer isso? Não sei como alguém conseguirá transformá-lo de "picolé de xuxu" em um algodão doce colorido. Acho uma missão impossível.
O Quintão, tá na cara, vai continuar com o Jeca Tatu, afinal deu certo. E quando o povo cai de amores por um personagem, não tem jeito. Os exemplos recentes são o Alemão, a Grazzi, ambos do big brother, ou o Foguinho, de uma novela aí, ou ainda a viúva Porcina, tão antiga, mas até hoje lembrada.
Os personagens marcam o público de tal forma, que não há nada que os desmistifiquem. Na política, não podemos esquecer o "Lulinha paz e amor", que levou finalmente, o ex-sapo barbudo ao paraíso.
Mas a campanha do Lacerda não fez água só porque ele é muito ruim de tv.
Aos poucos a gente vai sabendo do massacre que foi a "construção" da aliança: imposições do governador sobre segmentos do serviço público mais suscetíveis a hierarquias e disciplinas.
Pressão sobre partidos menores, alguns de cor bem definida: tiveram suas cúpulas "compradas", para não lançarem candidatos. Outros, quando as cúpulas não conseguiram desestimular o renitente, deixaram seu candidato praticamente sozinho, só com apoios de senadores externos.
E no próprio partido concorrente do Lacerda, a pressão para que um determinado candidato não emplacasse, porque ele tinha um "perfil" mais à esquerda, que poderia concorrer na mesma raia do candidato do prefeito e do governador.
Quem teve esta brilhante idéia para minimizar o PMDB deve estar se remoendo agora e lamentando eternamente não ter deixado o outro concorrer, que para quem conhece, sabe que não tem o apelo popular do Quintão. E para quem não sabe do que estou falando é só rever as notícias que antecederam a preparação das chapas.
Tanta imposição, tanta arrogância, tanta prepotência tinham que desaguar em rebelião, afinal ali na urna, o voto é seu e somente seu.
Voltando ao Quintão. Esse crescimento me lembra muito o fenômeno Collor.
Entrou pequeno, inexpressivo e caiu no gosto popular. Virou herói. Mocinho de cara bonita e discurso populista, apelativo.
E os políticos protagonizaram a maior revoada partidária que se tem notícia. Todo mundo foi para o PRN, que na verdade continuou desconhecido. O partido era o Collor, tanto que o político que o seguia era o "collorido".
E deu no que deu.
Os afoitos por apoiar o Quintão deveriam se lembrar disso.
E eu torço para queimar a língua, se o Leonardo Quintão for eleito.
E não defendo também o apoio ao Lacerda. Cruz credo.
Mas também concedo a ele o benefício da dúvida.
Minha opção é pelo voto nulo: é legítimo, é das regras do jogo, tanto quanto o voto útil, que alguns se preparam para fazer agora no segundo turno.