sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A passagem dos cubanos














As fotos são do Guilherme Dardanhan

Participo de uma coletiva com dois jornalistas cubanos. Na verdade, eu e a repórter da TV Assembléia somos as únicas repórteres na coletiva. A imprensa mineira já não cobre absolutamente nada, a não ser polícia e mesmo assim se o caso for muito escabroso mesmo.
Depois dizem que isto e aquilo não dá ibope, que o povo não gosta disto ou daquilo.
Não gosta como, se não lhe é oferecido?
Os dois visitam o Brasil, a convite da Federação dos Jornalistas com a ajuda dos Sindicatos de Jornalistas de Brasília, São Paulo, Rio e Minas Gerais. Os dois participam de um intercâmbio de jornalistas pela América Latina, mas sobretudo, reforçam a Campanha Nacional Com todos pelo Bem de Cuba.
É uma campanha transnacional com o objetivo de derrubar o bloqueio econômico imposto ao país há 50 anos pelos Estados Unidos, e que agora, parece, se aproxima do fim, pelo menos esta é a expectativa internacional, diante da eleição de Obama.
O jornalista Ariel Terrero é chefe de Informação Nacional da equipe de jornalismo de investigação da Revista Bohemia, fundada em maio de 1908.
E a jornalista Maribel Damas é repórter do Sistema Informativo da Televisão Cubana e produtora de notícias para os telediários e programas informativos da TVC. Os dois também são membros da Unión de Periodistas de Cuba (UPEC) e professores.
Naquele manjado portunhol vamos conversando com os dois, na Sala de Imprensa da Assembléia, num arremedo de entrevista que teve ainda a participação do deputado Carlin Moura, do PCdoB e da Lília Michailowsky, da bancada do PT na ALMG e diretora da Associação Cultural José Martí, que também apoiou a vinda dos cubanos.
Embargo econômico
Ao falar do quase fim do embargo dos EUA contra Cuba, Ariel Terrero disse que se isto acontecer não será por uma "concessão" dos Estados Unidos, mas fruto da luta de 50 anos do povo cubano, bem como do atual contexto político da América Latina, majoritariamente composto de governos progressistas, como Brasil, Venezuela, Equador, Uruguai, Paraguai, Bolívia.
Ele lamentou os prejuízos decorrentes do bloqueio -U$ 3 bilhões em 50 anos, segundo estimativas mais modestas - , não só em perdas materiais, mas em investimentos perdidos nas áreas de saúde, educação, agricultura, cultura. Ariel Terrero falou do atraso tecnológico na área de imprensa, "que aos poucos vamos superando, através do intercâmbio com outros jornalistas da América Latina".
E é este intercâmbio também que permite aos cubanos mostrar sua face real ao resto do mundo, superando parte do bloqueio midiático, filhote do bloqueio econômico. E com a ajuda da internet, óbvio.
E mais recentemente (dois anos) da TV SUR, canal criado por Chávez e que tem espaço para o noticiário cubano.
Os dois jornalistas concordam que só o intercâmbio entre os profissionais de imprensa da América Latina permitirá um novo olhar sobre Cuba.
Campanha
Ariel e Maribel dão uma força para a campanha de doações ao povo cubano, assolado pela catástrofe que foi a passagem dos furacões Gustav e Ike em agosto. O Brasil participa ativamente da campanha e vai enviar navios com remédios e alimentos. O Sindicato dos Jornalistas de Minas está na campanha e arrecada roupas, mantimentos, remédios, ferramentas, cobertores, material de construção.
A prioridade da reconstrução em Cuba, é segundo Ariel Terrero, a recuperação das moradias de quase 400 mil pessoas afetadas pelos estragos dos furacões.

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