terça-feira, 18 de março de 2008

Rodoviária no Calafate: o conto do vigário

Em uma reunião da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembléia hoje, para discutir a transferência da rodoviária para o bairro Calafate, região Oeste de Belo Horizonte, ouvi coisas de arrepiar os cabelos.
Há um consenso entre os deputados participantes, sobretudo Alencar da Silveira Jr. e Délio Malheiros, de que o monstrengo nao sai do papel. Segundo Alencar, o projeto é só para a prefeitura ganhar dinheiro e que este é um debate de mais de 16 anos. (Especulação imobiliária?). Alencar prometeu, inclusive, abandonar a vida pública, caso o projeto saia.
Segundo Délio, o projeto técnico é completamente frágil juridicamente. E ele sabe do que está falando, pois foi do Procon por anos e anos. Ele questionou as falhas: ausência de uma lei para regulamentar a questão, o que hoje é feito por decreto; e o alto investimento que empresários particulares teriam de fazer com desapropriações e outros custos, sem garantia de retorno.
Ou seja: que havia interesses por trás, a gente desconfiava. Mas que eles pudessem ser expostos assim, publicamente, é de deixar qualquer cidadão engasgado.
Lembram-se que já escrevi sobre a rodoviária aqui, e que vendi meu apartamento no Prado, às pressas. Meu irmão ainda está lá, no Padre Eustáquio. Resolveu pagar para ver.
Os argumentos contra a construção naquele local todo mundo sabe. Capacidade de trânsito esgotada, aumento da violência, terrenos particulares.
O Estado doou para a prefeitura um terreno que só era dele parcialmente, num típico caso de "fazer reverência com o chapéu alheio".
O "cidadão engasgado" veio na fala do vice-presidente da Associação dos Moradores do Prado e Calafate, professor Renato de Leme. Ele disse que a associação vai lotar o Judiciário de ações populares contra a construção, porque o decreto da nova rodoviário está cheio de irregularidades. E fez um discurso aplaudidíssimo por moradores, contra a inércia das instituições e a negligência dos políticos para com os eleitores.
Consultor da Fundação Getúlio Vargas para estratégias de negócios, ele garantiu que não há empresário "burro", que queira investir num projeto como esse.
Vivendo e aprendendo.

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