terça-feira, 7 de outubro de 2008

A desconstrução da "aliança"

Estou doida para ver como será o segundo turno de campanha em Beagá. O que irá para a tv. O Lacerda está prometendo uma reviravolta. Mas como ele vai fazer isso? Não sei como alguém conseguirá transformá-lo de "picolé de xuxu" em um algodão doce colorido. Acho uma missão impossível.
O Quintão, tá na cara, vai continuar com o Jeca Tatu, afinal deu certo. E quando o povo cai de amores por um personagem, não tem jeito. Os exemplos recentes são o Alemão, a Grazzi, ambos do big brother, ou o Foguinho, de uma novela aí, ou ainda a viúva Porcina, tão antiga, mas até hoje lembrada.
Os personagens marcam o público de tal forma, que não há nada que os desmistifiquem. Na política, não podemos esquecer o "Lulinha paz e amor", que levou finalmente, o ex-sapo barbudo ao paraíso.
Mas a campanha do Lacerda não fez água só porque ele é muito ruim de tv.
Aos poucos a gente vai sabendo do massacre que foi a "construção" da aliança: imposições do governador sobre segmentos do serviço público mais suscetíveis a hierarquias e disciplinas.
Pressão sobre partidos menores, alguns de cor bem definida: tiveram suas cúpulas "compradas", para não lançarem candidatos. Outros, quando as cúpulas não conseguiram desestimular o renitente, deixaram seu candidato praticamente sozinho, só com apoios de senadores externos.
E no próprio partido concorrente do Lacerda, a pressão para que um determinado candidato não emplacasse, porque ele tinha um "perfil" mais à esquerda, que poderia concorrer na mesma raia do candidato do prefeito e do governador.
Quem teve esta brilhante idéia para minimizar o PMDB deve estar se remoendo agora e lamentando eternamente não ter deixado o outro concorrer, que para quem conhece, sabe que não tem o apelo popular do Quintão. E para quem não sabe do que estou falando é só rever as notícias que antecederam a preparação das chapas.
Tanta imposição, tanta arrogância, tanta prepotência tinham que desaguar em rebelião, afinal ali na urna, o voto é seu e somente seu.
Voltando ao Quintão. Esse crescimento me lembra muito o fenômeno Collor.
Entrou pequeno, inexpressivo e caiu no gosto popular. Virou herói. Mocinho de cara bonita e discurso populista, apelativo.
E os políticos protagonizaram a maior revoada partidária que se tem notícia. Todo mundo foi para o PRN, que na verdade continuou desconhecido. O partido era o Collor, tanto que o político que o seguia era o "collorido".
E deu no que deu.
Os afoitos por apoiar o Quintão deveriam se lembrar disso.
E eu torço para queimar a língua, se o Leonardo Quintão for eleito.
E não defendo também o apoio ao Lacerda. Cruz credo.
Mas também concedo a ele o benefício da dúvida.
Minha opção é pelo voto nulo: é legítimo, é das regras do jogo, tanto quanto o voto útil, que alguns se preparam para fazer agora no segundo turno.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Agora é que a porca torce o rabo

Bem, não queimei a língua. Belo Horizonte vai mesmo para o segundo turno.
E ao contrário de muita gente, não acho que vai ser mais democrático. Vai ser o horário do embuste contra o engodo.
E a população é que perderá ao final.
Bem, falando sobre a cobertura das eleições: o portal UAI deu um show.
Acompanhei a apuração sem qualquer problema, assisti ao videochat, fiz pergunta, mas como entrei muito atrasada não deu tempo de vir a resposta.
Pela página do TRE não dava para acessar nada. É a sempre e recorrente sobrecarga de acessos.
No UAI havia entrevista ao vivo no videochat, matérias do interior, pingue pongue com a redação do jornal Estado de Minas, tudo bem ancorado por dois jornalistas muito descontraídos.
E de televisão, o show ficou por conta da TV Assembléia. Realmente a melhor em cobertura de eleições.
Segundo turno
E vamos ver se a Jô vai apoiar o Quintão, mesmo.
Não é possível que ela vai rasgar o passado histórico (dela e do partido, claro!).
Para ser coerente, tanto ela, quanto o Sérgio Miranda têm de ficar na deles, "liberar a militância", porque o apoio a qualquer um dos candidatos é incompreensível. Pelo menos para quem pensa, para quem acompanha política. Não se consegue imaginar partidos ideológicos como o PCdoB, partindo para uma linha de "oportunismo", "queremismo", "utilitarismo". Se for para esse lado o partido estará caindo na vala comum dos demais.
E para os petistas, o problema é pior ainda. Não dá para colar Márcio Lacerda apenas em Aécio e usar isso como desculpa para não apoiá-lo. Não dá para ignorar que ele é o candidato do PT sim. Será que o PT vai se prestar a ser implodido depois de 16 anos em Belo Horizonte?
E é preciso também que os petistas não se esqueçam que um partido dividido agora, já era nas próximas eleições.
Ô dúvida cruel. É como eu disse: isto é que é sinuca de bico, nem tanto para nós eleitores - que ainda temos o legítimo voto nulo e branco, apesar da campanha da Globo -, mas para os partidários.

domingo, 5 de outubro de 2008

A eleição volúvel

O que acontece com o eleitor de Belo Horizonte? Em menos de dois meses ele optou por três candidatos para prefeito. Com perfis inteiramente distintos, com ideologias desde a "bem esquerda" até a direita completa. É o eleitorado volúvel, de escolhas voláteis.
O eleitor belo horizontino está dando um banho nos analistas políticos: não dá para classificar esta movimentação ora para um, ora para outro candidato.
Nem matematicamente dá para entender, afinal os números de indecisos, brancos e nulos não cobrem as oscilações bruscas.
Parece até o clima da cidade, que de repente deu para despejar granizo de bom tamanho sobre nossas cabeças.
E agora, quase ao final da votação, é certo que haverá segundo turno (depois digo se queimei ou não a língua).
E o belo horizontino que começou a campanha roxo pela Jô Moraes, virou fã de carteirinha de Márcio Lacerda, de repente e espetacularmente; e no finalzinho caiu de amores por Leonardo Quintão.
Não dá para entender, afinal o morador da cidade aprova a gestão de Pimentel, com índices elevados de credibilidade. Aprovou também a aliança formada pelo prefeito e o governador e deu mostras disso, com a estrondosa subida do candidato deles. Mas no final da campanha começou a debandar para Quintão, seduzido pelo bom mocismo e carinha bonitinha do candidato.
Parece que a população de Beagá não tem aprendido lições recentes: bom mocinho e estampa levaram o Collor à presidência e todo mundo sabe no que deu.
Ou não. Há um eleitorado muito jovem e outro muito desinformado. Collor é coisa de um passado que já pode estar esquecido nas gavetas.
E o que se avizinha para Belo Horizonte é a possibilidade de uma gestão retrógrada, depois de 16 anos de governos populares e progressistas.
Pior, mais do que o histórico do PMDB, o grande temor é o engodo popular diante da construção de uma imagem falsa do seu candidato.
A população pode ter um choque ao acordar depois do segundo turno e descobrir que seu príncipe não passa de um sapo!
Do outro lado, a aliança. A intenção pode ter sido boa, mas o produto mostrou-se muito ruim.
Vamos ver se os marqueteiros conseguem ajeitar as coisas para o segundo turno. Duvido.
Para nós, eleitores que pensamos, que refletimos, infelizmente a coisa está perdida.
E a propaganda do TSE tem razão: quatro anos é muito tempo.

sábado, 4 de outubro de 2008

A campanha caiu de nível

Há muito não se via em Belo Horizonte os ataques pessoais a candidatos. As ofensas, o uso de métodos espúrios de difamação.
Pois a cidade amanheceu, nesta última semana, coberta de panfletos onde o candidato Márcio Lacerda é comparado a bandidos procurados.
Num método que há muito não se via, extremamente condenável em minha opinião, o cartaz chama o Lacerda de "mensaleiro".
Os cartazes estão sobretudo próximo a universidades.
O mesmo teor já havia varrido a internet de cabo a rabo.
Acho que as coisas têm de ser travadas no campo jurídico, como fez a candidata Jô Moraes, que ajuizou diversas ações contra a campanha de seu concorrente.
Agora, usar estes métodos da época da ditadura, que difama sem esclarecer, no famoso "vale tudo", é abusar da população. Isso não contribui em nada para o esclarecimento do eleitor.
É preciso lembrar que eleição , como muitos pensam, "não é uma guerra", onde vale tudo.
É uma disputa com regras claras e limites legais

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A eleição do magnata contra o riquinho

Depois do debate da Globo entre os cinco candidatos a prefeito de Belo Horizonte, fiquei muito triste.
Belo Horizonte vai perder a melhor oportunidade de ter o Sérgio Miranda como prefeito. Não estou fazendo campanha. Só estou me reportando ao debate e fazendo um juízo de valor, diante do desempenho de cada um naquela sabatina global, chamada de debate.
Foi um show do Sérgio: de lucidez, preparo, segurança, conhecimento de causa.
Comecei a assistir a sabatina torcendo para o Márcio Lacerda se sair muito bem e desmentir tudo que os demais passaram a campanha inteira dizendo: que ele é produto da cabeça louca de Pimentel e Aécio, num dia de porre.
Pior: ele não é nem produto do porre. A minha impressão é de que ele é uma emenda frankenstein, aquela coisa colocada no texto às pressas, sem nada a ver com nada, para cumprir um objetivo muito específico, normalmente muito espúrio.
Não teve jeito: o homem é ruim demais: não tem dados, não tem segurança para falar, aliás, não fala nada.
O pior: ele nem se apoderou (no sentido sociológico, de empoderamento) da própria candidatura. Só se referia a si mesmo, como "ele", o "Márcio Lacerda", porque foi assim que Pimentel e Aécio levaram sua propaganda eleitoral o tempo todo. Ele mal mal falou em seu horário gratuito. E imagino que para falar aquela mínima participação deve ter sido preciso gravar e gravar e gravar, quase ad infinitun.
O pior de tudo, o mais triste, é que a eleição de Belo Horizonte está numa sinuca de bico: ou dá Márcio Lacerda no primeiro turno ou vai para o segundo com Lacerda e Leonardo Quintão.
Ou seja: o magnata x o riquinho.
Sim, porque se formos falar de personagens criados, longe do "Jeca Tatu" inventado para Quintão, ele é mais o Riquinho, aquele menino do quadrinho norte-americano, bonitinho, engomadinho, lourinho, cheeeiiinho de dinheiro e de brinquedos caros, que quer brincar com os meninos pobres. Coitadinho!
E fica falando "oceis", "me ajude", "pelamordedeus" "cê vai".
E diz que quer cuidar de gente. Vai ser médico então!
Pena que a legislação eleitoral e seu sargentão, o TSE, transformem a democracia, a cada eleição que passa, nesta coisa amorfa, sem sal, esdrúxula, onde um produto bem embalado fica no ar por 15 minutos. E outros autênticos, artesanais, não tenham nem lugar na prateleira da tv.
E o povo não pode comparar, porque é um massacre. E é o tempo de tv que tem definido mesmo as eleições.
Pena que as idéias sejam só "uma lembrança antiga na parede". Porque o candidato hoje, pelo menos na eleição de Belo Horizonte, não passa de um sabão em pó, ou um xampu.
Se não fosse o Sérgio Miranda, que fosse a Jô, guerreira sim, mas sem foco. Ou o Gustavo Valadares, que não inventou o que não é. Foi o tempo todo ele mesmo: o candidato do DEM, com a ideologia privativista do partido, mas com clareza de idéias, com programas e projetos coerentes e viáveis.
Belo Horizonte merece um produto melhor!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O aniversário da Jane

Se somássemos as idades naquela mesa, ontem, no Vinil, daria mais de 500 anos.
Dou risada ao me lembrar do comentário que fiz a este respeito e da reação de todas nós. Todas sim, porque tirando o namorado da Dirce, bendito fruto, o resto dos convidados da Jane eram mulheres.
Quando liguei para a Rosângela convidando para o aniversário, a primeira reação dela foi de surpresa: "Mas a Jane comemora aniversário?"
- "Claro, sempre e em grande estilo", confirmou a própria, à noite no Vinil, quando ainda podíamos conversar, porque o Chevette Hatch não havia começado a tocar.
E depois que recebeu inúmeros elogios sobre sua aparência, seu cabelo modernérrimo e tal.
Ainda bem que ninguém saiu com uma daquelas pérolas: "nossa, como você está conservada!" Poderia ter escutado poucas e boas, afinal a Jane tinha sempre uma piada sobre "coroa conservada".
Depois que a banda Chevette Hatch, puro anos 80 brasileiro, começou, foi aquela festa!
Eu cantei e dancei até.
Aproveitei que tinha tomado uma garrafa de vinho inteira, junto com a Rosângela, afinal combináramos de chegar mais cedo para botar o tricô em dia, e me soltei toda.
Comi bolo de limão também, apesar do regime. As amigas merecem qualquer sacrifício (como se um bolo delicioso daqueles fosse sacrifício. Eu, heim!!)
E quando já havia ganho um brinde da banda, por responder que o Nunes fez carreira no Flamengo, e me preparava para atacar um bofe que estava de olho em mim, a Jane chama para ir embora.
Fazer o que, né? Fica para a próxima.
E além do mais, depois escuto que mulher não fala"bofe". Bofe é gay quem fala.
E eu com isso?
Quero mais é me divertir.
E depois voltar ao Vinil com a Rita, a Fátima, a Dirce, afinal somos amigas desde criancinha a partir de ontem à noite.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Para Carlos Eduardo Oliveira

O que dizer a uma pessoa que deixa um recado desesperado em seu blog?
Que tenha fé? Que tenha perseverança? Que entregue tudo nas mãos de Deus?
Ainda assim será pouco para quem está num momento de aflição e desesperança completas.
Mais uma vez o descuido em hospital provoca vítimas.
A pergunta volta a ser: por que os hospitais não são obrigados a divulgar para a população seus índices de contaminação hospitalar?
Não é suficiente ter uma lei que obriga o comunicado à Anvisa. Quem fiscaliza?
Em umas postagens de junho ou julho do ano passado contei o caso de minha mãe, que internada no dito "melhor hospital" de Belo Horizonte, por causa de uma dor nas costas, acabou submetida a uma via crucis de 22 dias na UTI, traqueostomizada, dializada (diálise) e ligada a todos os dantescos aparelhos desses centros.
E houve ainda os casos das mães do Trota, da Luciene, da avó do Jader.
E agora a mãe do Carlos Eduardo. E também a mãe dos nossos colegas Márcio e Marcelo Metzker.
Até quando vamos ficar inertes vendo nossos parentes serem submetidos a essas torturas?
Mais do que nunca compartilho da opinião de uma médica da Anvisa, que tem um artigo sobre a desumanização da medicina. Sobre a inutilidade da tecnologia, frente à inexorabilidade de algumas moléstias. Ou frente à asséptica máquina que lhe esconde o contato com o médico.
Peço a Deus que Carlos Eduardo Oliveira - que em uma sexta-feira (12) deixou um apelo para que rezássemos para a mãe dele - , tenha encontrado um pouco de consolo para sua dor e seu assombramento.
E que este país volte a se mobilizar por uma mudança nesses procedimentos hospitalares, que transformam seres humanos em farrapos, reféns de máquinas torpes.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Começa a mudança ortográfica

O Lula assina hoje o decreto da mudança ortográfica, para marcar o centenário de morte do Machado de Assis.
O decreto é resultado do acordo ortográfico da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e vai atazanar um pouquinho mais a vida da gente, principalmente para quem já passou por duas mudanças.
Mas se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, vamos unificar a língua de Camões. E de Machado de Assis, de Lualdino Vieira (angolano), de Mia Couto (Moçambique).
Vamos perder o trema, vamos perder os acentos de alguns paroxítonos terminados em ditongos abertos, vamos mudar o hífen de lugar, e máximo do máximo, vamos oficializar o K,Y, W.
Só precisamos agora ensinar a ler e escrever nossos alunos de 9, 10 anos, que estão nas séries finais do antigo ensino primário e mal, mal desenham o nome e tartamudeiam algumas palavras.
Veja mais:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u448829.shtml

domingo, 28 de setembro de 2008

Os olhos azuis de Paul Newman

O mundo girou e eu estive fora do ar.
E num desses giros, foi-se embora Paul Newman.
Amei Paul Newman como ator, como estampa, como ídolo. Os olhos azuis mais infinitos.
Paul Newman em Butch Cassidy é pura alegria, andando naquela bicicleta ao som de "Raindrops keep falling on my head". O filme de 69 tinha ainda Robert Redford, no papel do outro personagem-título, Sundance Kid
E quando a gente pensava que não haveria uma música mais parecida com o personagem ou com o próprio ator, vem o Golpe de Mestre, e novamente uma música a cara do Paul Newman.
E a trilha sonora fica interminavelmente na cabeça da gente, na lembrança de Paul Newman contando aquele dinheirão.
E tem ainda filmes inesquecíveis como Gata em teto de zinco, A cor do dinheiro, de Martin Scorcese, Rebeldia indomável e Doce pássaro da juventude.
Pois agora ele se foi, como tantos outros que marcaram uma época do cinema em que a sutileza e a inteligência eram mais importantes do que as armas estratosféricas, o sangue jorrando fácil e os corpos despedaçados. Ahhrrcc!
Aguardo uma maratona Paul Newman na tv, se houver sensibilidade suficiente dos programadores.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Para dar um up no site

Minhas viagens pela web me deixam cada dia mais angustiada.
Estou com uma sensação muito forte de que estou perdendo o bonde da história.
A mudança tecnológica é muito rápida para poder acompanhar.
Fui procurar a definição de alguns termos que aparecem vez ou outra em textos na internet e caí em sites e mais sites especializados.
Por isso, agora estou com a obrigação de dar um up neste pequeno espaço de planeta que se chama Ondepublicar, só porque fui querer saber o que é SEO.
Prometo a mim mesma começar pelo que me compete fazer: dar um "tcham" nos títulos, para que eles melhorem minha posição nos buscadores, como Google.
Quanto aos outros passos do SEO, não posso fazer nada, já que a parte técnica aqui do pedaço é pronta, no formato todinho do blogspot, onde me hospedo.
E nessas andanças por aí, descobri algumas coisas que recomendo:
Para quem gosta de esportes, há um site bacana, feito por uma empresa chamada Bnary de Uberaba:
http://www.newsport.com.br/
E para quem gosta do ciberespaço, ótimos artigos podem ser encontrados no
http://imasters.uol.com.br/

terça-feira, 23 de setembro de 2008

MMX, a batalha final

E para quem acha que a MMX está fazendo com o mineroduto Minas Rio uma casa de mãe joana, em Conceição do Mato Dentro (apesar de quase), a turma do contra está mobilizadíssima.
Para ancorar o contra ao projeto, com ações judiciais, os grupos ambientalistas acionaram o Ministério Público de Conceição e do Serro.
Agora é aguardar a decisão do Copam em Diamantina, dia 29 próximo, quando será analisado o parecer técnico.
Sobre a votação da LP, a mobilização será em São Gonçalo do Rio Abaixo, dia 9 de outubro.
Aguardo notícias.

A voz do povo

Não sou eu que digo, é o povo:

"Mais de 70% da população brasileira quer jornalista com diploma
A pesquisa de opinião nacional CNT/Sensus, divulgada hoje (22), em Brasília, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), registra que a grande maioria da população brasileira é a favor da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Dos dois mil entrevistados em todo Brasil, 74,3% se disseram a favor do diploma, 13,9% contra e 11,7% não souberam ou não responderam.
Os dados foram muito comemorados pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e pelos sindicatos de jornalistas. Para o presidente da FENAJ, Sergio Murillo de Andrade, este é melhor apoio que a campanha poderia obter e o resultado da pesquisa renova as forças dos que estão lutando pela regulamentação profissional. "Esses números da pesquisa CNT/Sensus mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do jornalismo para o País e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados".
Murillo afirmou, também, que esses dados ficam ainda mais importantes com a proximidade da votação da exigência do diploma pelo STF e espera que ministros percebam o desejo da sociedade. "O STF tem a chance de mostrar à população que anda junto com seus anseios, reconhecendo que jornalismo precisa ser feito por profissionais com formação teórica, técnica e ética e que o jornalismo independente e plural é condição indispensável para a verdadeira democracia".
A Pesquisa CNT/Sensus quis saber, também, o que a população acha da criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Para a pergunta: o sr. (a) acha que deveria ou não deveria ser criado um Conselho Federal dos Jornalistas, para a regulamentação do exercício da profissão no País – como as OAB's para os Advogados e os CREA's para os Engenheiros, o resultado foi que 74,8 % acham que o Conselho deveria ser criado, 8,3% que não deveria ser criado, para 6,5% depende e 10,4% não sabem ou não responderam.
A última pergunta relacionada ao tema foi sobre a credibilidade das notícias. Parte dos entrevistados, 42,7%, disseram que acreditam nas notícias que lêem, ouvem ou assistem, 12,2% que não acreditam, 41,6% que acreditam parcialmente e 3,5% não sabem ou não responderam.
A Pesquisa foi realizada de 15 a 19 de setembro, com dois mil questionários aplicados em cinco regiões brasileiras e 24 estados, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho – PPT. A margem de erro é de mais ou menos 3%."


Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais
Av. Álvares Cabral, 400, Centro
(31) 3224-5011
E-mail: eventos@sjpmg.org.br
Site: www.jornalistasdeminas.org.br

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Os ministros contra os jornalistas

Definitivamente o ministério de Lula declarou guerra aos jornalistas.
Não se passa um dia sem que um deles saia com uma declaração estapafúrdia qualquer para atingir o livre exercício da profissão, e, conseqüentemente, da liberdade.
O herói do dia foi o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que ao invés de se preocupar com a arapongagem generalizada, descabida e institucionalizada, vem dar pitaco na profissão dos jornalistas.
Quer o douto cidadão que a Constituição Federal seja mudada para que o jornalista seja obrigado a informar o nome de suas fontes.
Um dos preceitos mais básicos, mais caros ao jornalismo, que permite a denúncia de esquemas e mais esquemas espúrios, o anonimato da fonte agora está na berlinda.
Sim, porque quando alguém do quilate de Jobim (quilate aqui entendido pela posição que ocupa na plutocracia lulista) pede o seu fim, aí tem coisa.
E tem coisa grossa, orquestrada por setores incomodados com a liberdade da imprensa, que por meio de denúncias de escândalos e mais escândalos vem obrigando os poderes (os três), a uma nova postura ética, exigência que é da sociedade, apenas traduzida pelos jornalistas.
Jobim talvez tenha se esquecido que o anonimato da fonte foi responsável pelo deslindamento de um dos escândalos políticos mais sérios do mundo, o Watergate, e pela conseqüente renúncia de Nixon. Só para falar num bem grande, que não dá para ninguém esquecer.
O receituário político brasileiro está coalhado de outros exemplos.
Dá para juntar Fernando Haddad, da Educação, Jobim, da Defesa e para assessorá-los, Vanucchi, dos Direitos Humanos (este só culpou os jornalistas pelas besteiras que falou) e fazer um campeonato de a "maior língua do mundo".
Enquanto isso, os resultados de suas respectivas pastas estão aí, clamando por mais ação e menos falação.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

E o ladrão chamou a polícia!

E aconteceu mesmo, não é piada: o ladrão chamou a polícia.
Foi hilário ouvir e ver a transcrição da gravação que a polícia de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, fez do telefonema do ladrão.
"Seguinte: vou ser bem sincero contigo. Eu roubei um carro agora. Peguei o carro e tinha uma criança dentro, cara. Não vi, entendeu, não vi. Peguei o carro e botei atrás do Enave, tá? Então tu manda uma viatura lá e manda o pai dele pegar ele e levar pra casa. Um piazinho, tá?"
E o ladrão deu outras informações, como o modelo do carro.
E ainda mandou a polícia avisar para o pai irresponsável, que na verdade era o padrasto e estava bebendo num bar, junto com a mãe do garoto, que o mataria, caso pegasse o carro de novo e encontrasse o piá dormindo lá dentro.
Ladrão solidário. Ladrão cidadão.
Este país não é o máximo?

Um vídeo premiado

Volto ao computador, pela madrugada, já que o sono não vem.
Bem feito, quem manda dormir à tardinha!
Mas foi bom ter vindo.
Encontro, no meu e-mail, uma mensagem da Dorinha Alvarenga contando que o vídeo "Conceição: guarde nos olhos" está entre os selecionados da 8ª Mostra Internacional de Vídeos de Montanha, que acontecerá no Rio de Janeiro.
Mesmo que não fique entre os primeiros colocados, só a seleção já é um prêmio.
Já é um prêmio também pelo fato de mostrar, como diz a Dorinha, para pessoas do mundo todo, a luta para salvar a Serra da Ferrugem, ou Serra do Sapo, em Conceição do Mato Dentro.
Luta de Davi contra Golias, davis todos aqueles que enfrentam a MMX, golias do "Eike Destruísta" (adorei o apelido, por isso vou adotar daqui para frente).
A professora Dorinha é arquiteta e atua na área de ecoempreendimentos. E dá muita dor de cabeça a alguns tubarões por aí. Bem feito para eles!
Me encontrei com ela em algum evento de meio ambiente na Assembléia, não lembro qual e ela me passou um CD com um outro vídeo chamado Dança, que também está no Youtube.
Para quem quiser ver o vídeo agora selecionado aí vai o link:

http://br.youtube.com/watch?v=kLxQjBsvQdo

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O ministro boca larga e os jornalistas

Um governo que tem ministros como os que o Lula tem não precisa de inimigos.
Primeiro vem um na tv, dá uma entrevista pedindo a revisão da Lei de Anistia, para punir os torturadores, anistiados junto com os torturados. Claro que depois, quando viu o tamanho da crise institucional envolvendo as Forças Armadas, desmentiu tudo. "Foi a imprensa que distorceu", óbvio, a culpa é sempre do jornalista.
Agora vem o da Educação, Fernando Haddad e diz que vai formar uma comissão para estudar o fim do diploma para o exercício do jornalismo.
Ô santa ignorância! Ô inocente útil!
Pois a declaração do ministro estampou uma das principais páginas da Folha de São Paulo hoje, exatamente no dia em que o Supremo Tribunal Federal iria analisar a ação que começou na justiça paulista, com uma destrambelhada de uma juíza de primeira instância ajuizando a favor de um camarada que queria ser jornalista sem ter passado pelo curso correspondente.
Aliás, vou trocar "correspondente", por "curso de formação", já que a coisa está tão bagunçada que já tem gente querendo fazer jornalismo por correspondência, em três meses.
Pois o Haddad foi mais infeliz ainda, disse que era a favor de se "flexibilizar" as exigências da profissão de jornalista. "Outros profissionais podem exercer o jornalismo, desde que passem por uma preparação".
Que preparação, ô ministro?
Um cursinho Madureza?
Por que não flexibilizar a profissão de engenheiro, médico, advogado, sociólogo, professor, dentista, arquiteto, só para citar as mais conhecidas?
Santa ignorância que acredita até hoje que para ser jornalista basta saber escrever. Até hoje não disserem para estes juízes e ministros que um currículo de quatro anos tem que ter algo mais do que o simples aprender a escrever?
Santa inocência que se presta a fazer o jogo do patronato, doido para "flexibilizar", porque aí pega esses mainardis da vida, e nem paga nada, só cedendo o espaço para que realizem seus egos incomensuráveis. Não precisam pagar salário, encargos, dar férias.
O cerne do erro está na indistinção entre jornalista e colaborador. Tudo bem, que o dono do jornal queira usar o colaborador, aquela figura "famosa", para escrever um artigo e agregar status à sua empresa. E vice-versa.
Mas quero ver como fica na hora de fazer a cobertura diária, de ficar horas numa reunião, numa assembléia, numa delegacia, numa porta de hospital, na estrada onde acabou de bater um ônibus cheio de romeiros, de cair um caminhão cheio de bóias-frias, nessa busca insana, cotidiana, de dar à sociedade o direito constitucional à informação, direito, aliás, humano, antes de constitucional.
Ministro da Educação deveria é discutir a qualidade das escolas, das universidades, dos currículos, das mensalidades exorbitantes das escolas privadas, dos motivos pelos quais os alunos chegam ao ensino médio tartamudeando numa simples leitura.
Ministro não tem de achar isso ou aquilo, tem é de fazer jus ao salário que recebe pago por nós, inclusive jornalistas, e melhorar o desempenho de sua pasta.
O ministro Haddad foi de uma infelicidade completa ao dar essa entrevista, nesse dia histórico para nós jornalistas, que nos mobilizamos em todo o Brasil, em defesa da exigência do diploma para o exercício da profissão.
O direito à informação não pode estar submetido à vontade de donos da mídia, ao viés de seus interesses. E contra isso, o antídoto é o jornalista formado em escolas.
Que alguém conte isso para o inocente útil, pelo amor de Deus!

PS - Estava terminando a postagem, quando recebi a nota do sindicato, que transcrevo abaixo:

x.x.x.x.x.


SJPMG promove mobilização pela regulamentação do diploma

“Se não houver a regulamentação, qualquer pessoa pode escrever sem compromisso nenhum com a ética, ou seja, ele não vai ser penalizado, a sociedade não vai poder reclamar dele junto, por exemplo, às Comissões de Ética”, alertou o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Aloisio Morais Martins, durante manifestação realizada pela categoria, hoje, em defesa da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.
No início da tarde, profissionais, estudantes e professores de jornalismo, portando bandeiras e camisas da campanha “Jornalistas por Formação”, reuniram-se em frente ao prédio da Justiça Federal, no bairro Santo Agostinho, em Belo Horizonte, para conscientizar a sociedade sobre a importância da regulamentação do diploma. O Ato Público foi marcado também pelo discurso de jornalistas, além da distribuição de folhetos aos cidadãos.
Ao ressaltar a necessidade do diploma, a Diretora de Direito Autoral e Imagem do Sindicato dos Jornalistas, Vera Lucia Godoi de Faria, criticou a declaração do Ministro da Educação, Paulo Haddad, publicada, hoje, pelo jornal Folha de São Paulo, sobre a possibilidade de graduados em outras áreas poderem ser diplomados em Jornalismo mediante formação complementar: “Eu acho um absurdo porque é mais uma forma de precarizar a profissão, que exige tempo, dedicação, foi um momento inoportuno“.
A manifestação dos jornalistas, em Belo Horizonte, foi realizada simultaneamente ao Ato Público promovido pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. A iniciativa visa sensibilizar os Ministros do STF, que votarão, em breve, a ação que questiona a exigência de formação profissional para Jornalista. Também foram coletados, em todo o Brasil, abaixo-assinados em favor da manutenção do diploma, encaminhados aos Ministros do STF, sendo mais de 3.000 assinaturas somente em Minas Gerais.
A campanha tem sido apoiada por diversos setores da sociedade, inclusive entidades de jornalismo de todo o mundo. “A formação é essencial para o exercício responsável da profissão. São técnicas, preceitos, princípios éticos. Seria um retrocesso a falta de regulamentação. A sociedade moderna exige um jornalismo cada vez mais qualificado e tem esse direito”, esclarece a Diretora Jurídica do Sindicato dos Jornalistas, Maria Candida de Medeiros Cânedo.

Mais informações
Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais
Av. Álvares Cabral, 400, Centro
(31) 3224-5011
E-mail: mailto:eventos@sjpmg.org.br
Site: http://www.jornalistasdeminas.org.br/

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O bom e velho regime

Com mais um mês acho que me transformo na modelo da clínica Fina Forma.
Não que eu seja linda ou escultural, vocês sabem, é só ver a foto ao lado.
Mas é que em menos de um mês na clínica de emagrecimento, perdi 2,7 quilos! Não é demais?
Nada de chás verde, branco, vermelho, arco-íris, apesar de estar tomando um chá de umbaúba, que eu nem sei bem para que serve, mas como resolvi aliar várias alternativas, fui de umbaúba também. Que é uma árvore, por sinal, à qual fui apresentada recentemente em Ravena.
Muito prazer.
E o método não tem nenhum mistério, só o bom e antigo "fechar a boca".
Pois foi o que fiz.
Tranquei a matraca, até em outros sentidos também, para aderir ao "em boca fechada não entra mosquito", porque este também deve engordar (inclusive em outras conotações, como os choques com a vizinhança).
E deu certo. Está dando certo. Passei fome uns dias, o estômago roncou, roncou e eu só lá, resistindo.
Com uma semana ele já estava domado, pequenino de novo, coisa de gente civilizada.
E se em um dia me excedo, comendo uma torta, tomando uns chopes, comendo um churrasco, no dia seguinte compenso, passando a líquido e quando a fome aperta, comendo uma frutinha aqui outra ali.
O ponto de partida foi um regime que recebi pela internet, chamado regime das notas. De acordo com o peso, idade e altura, só posso comer x notas por dia. E veio lá a lista com os alimentos e suas notas. Foi uma ótima referência.
Mas ótimo mesmo foi minha persistência. Como nunca precisei fazer regime, por ter sido magra a vida toda, nunca fui disciplinada para as questões do corpo: nem com comida, nem ginástica, essas bobagens que azucrinam a todas e todos também.
Mas então por que isso agora?
Ah! ingrata idade.
Fui à cardiologista e tomei um sabão. Estava tudo alterado: colesterol, triglicérides e num sei mais o quê.
- Bebe? Bebo
- Fuma? Não
Faz ginástica, caminhada, corrida, hidroginástica? Não, não, não e não.
Namora? Transa? Bom...
E sabão vai, sabão vem, que é assim, que é assado, e eu pensando, "pô essa dona é a médica ou a minha mãe?"
Aí queimei no golpe e resolvi radicalizar. Comigo é oito ou oitenta. Quero ver se as gorduras baixam ou não.
E o médico da clínica mandou a minha filha ficar de olho em mim, porque não punha muita fé em que eu fosse me empenhar mesmo na coisa.
Quero ver agora.
Vou querer desconto, afinal passo fome e a clínica dele é que leva a fama, só porque faço lá uma tal de carboxterapia e um tal de phisioplates?
Comigo não, violão!

domingo, 14 de setembro de 2008

A infecção hospitalar novamente

Mais de um ano depois que comecei a escrever aqui, para aplacar a dor da perda da minha mãe, que se foi por um descuido do hospital considerado modelo em Belo Horizonte; e que antes de lhe tirar a vida, lhe impingiu um sofrimento de 22 dois dias de aparelhos, remédios, exames, traqueostomia, recebo uma mensagem em uma postagem daquele período.
Um filho angustiado me escreve contando o seu e o sofrimento da mãe, que passou por uma cirurgia bem sucedida, mas depois pegou uma infecção hospitalar.
Cláudio escreveu de uma cidade de São Paulo.
Fico imaginando o desespero dele, sozinho, à noite, diante da angústia do imponderável, à frente de um computador, buscando consolo para uma dor atroz e pedindo orações para pessoas que nunca viu.
Rezei por ele e por sua mãe ainda nesta noite.
E fico imaginando até quando iremos presenciar o sofrimento de milhares e milhares de famílias, pela perda de seus entes queridos, pela irresponsabilidade e descuido de hospitais que cobram cada vez mais caro para oferecer saúde e cura e só oferecem a morte.
Quando haverá uma lei que obrigue os hospitais a publicarem mensalmente os seus números de infecção hospitalar?
Porque comunicarem à Anvisa eles já são obrigados, desde que Tancredo Neves morreu daquela forma ignominiosa, em 1985.
Mas de que adianta comunicar à Anvisa? É preciso que a população saiba quem se preocupa ou não com a infecção hospitalar, para poder ter um parâmetro de escolha na hora de internar seus familiares.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Porões da ditadura

O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Tarso Vannuchi, foi centro de uma polêmica recentemente. Em uma entrevista, disse uma frase descuidada que se transformou em tremenda saia justa para o governo do Lula: a revisão da Lei da Anistia, que colocou num saco só torturadores e torturados, perdoando a todos.
Participando da Conferência Estadual de Direitos Humanos na Assembléia, ontem e hoje, ele negou que tivesse defendido a revisão da lei.
Como sempre é culpa da imprensa que distorce tudo.
O camarada fala algo no meio de um monte de outras coisas e os jornalistas com diploma, treinados em cursos de quatro anos e mais para pinçar "furos" na verborragia das autoridades, dão destaque àquilo. No dia seguinte é aquela surpresa do descuidado, que corre para desmentir tudo.
Diz o ministro que esta revisão deve ser feita pelo Judiciário, como foi feito na Argentina e Chile. Ou seja, desmentiu que tivesse defendido a revisão pelo governo, mas não negou a idéia. Só a creditou ao órgão de direito.
E Minas Gerais, que tem um dos mais fortes movimentos de luta dos direitos humanos no país, deu o primeiro passo.
Colocou entre suas propostas para a conferência nacional em dezembro, a punição para os torturadores, mesmo que essa mancha negra da nossa história já tenha 20 anos. E a criação de um Centro da Memória, em Juiz de Fora, onde ficaram vários presos políticos, no presídio de Linhares.
Podem achar que é revanchismo, que é revirar antigos esqueletos, mas é preciso pensar naqueles que perderam filhos, irmãos, pais, desaparecidos nos porões da ditadura, e até hoje não tiveram acesso a seus restos mortais.
Não dá para varrer o lixo para debaixo do tapete eternamente. Não sou a favor de punições tardias, mas da abertura dos arquivos secretos, que até hoje se escondem sob a névoa do pára-poder do estado nacional. É preciso que toda a história seja conhecida e não apagada da nossa memória, como se nunca tivesse existido.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A lista do nepotismo

Há dias que estou para escrever sobre isso, mas é uma coisa ou outra e o assunto foi esquecido.
A inclusão de Taís Cougo na lista de nepotismo que a imprensa mineira fez e vem publicando sistematicamente é algo cômico, se não fosse trágico.
Cômico porque mistura alhos com bugalhos.
Trágico porque demonstra a falta de cuidado com o fato e compromisso com a verdade, pilares que devem nortear o trabalho do jornalista.
Taís Cougo - que eu não conheço pessoalmente, a não ser de vista, pelos corredores do curso de História da UFMG, e nem me deu procuração para defendê-la -, é a Taís Pimentel, esposa do prefeito e diretora do Museu Abílio Barreto. É funcionária da UFMG e só está emprestada à direção do museu, por competência e dedicação à causa pública.
Taís Cougo tem brilho próprio, como tinha Ruth Cardoso, que criou o Comunidade Solidária, extenso e primeiro projeto sério de segurança humana, embrião de todos estes "bolsas" que estão por aí.
Por isso, Taís não precisa ser "mulher do prefeito", cargo que muitas primeiras damas vivem por aí.
Entre elas, nosso exemplo maior, Marisa Letícia, que em oito anos de mandato do marido presidente, não disse a que veio. Aliás, nem sabemos a cor da sua voz. Não se tem notícia de um projeto dela sequer.
Mas ela frequenta as primeiras páginas dos jornais, sorridente e muda ao lado do marido, em inaugurações, viagens internacionais e festas juninas no Torto.
Enquanto isso, a historiadora, profissional reconhecida no meio acadêmico, Taís Pimentel, ou Cougo, frequenta as listas de nepotismo.
Dá para confiar numa imprensa assim?
E depois os jornais não sabem explicar para onde foram seus leitores...