Minha ligação com números é algo surreal: detesto-os e os amo. Tenho mania de fazer contas com tudo.
Por isso quando li uma notícia escondidinha no jornal sobre os 300 orgasmos por dia que uma mulher da Inglaterra tem, embatuquei.
Mas como?
E fui lendo. E apesar de descobrir que se trata de uma doença (Síndrome da Excitação Permanente), não pude deixar de dar gargalhadas, que me perdoe a inglesa lá.
E logo junta aquela turminha em volta, comentando: "ela é que é feliz".
E ela antes tratava da doença, mas aí arrumou um namorado que está dando conta do recado, segundo ela. Os quatro maridos anteriores jogaram a toalha.
Saí para o dentista e fui tentando fazer contas de cabeça. Quantos orgasmos por minuto?
Voltei sem ter chegado a um resultado, porque esbarrei na dúvida: conto as 24 horas, ou desconto o horário de sono? E se ela tem orgasmos dormindo? É capaz que sim, já que ela teve de largar um emprego numa fábrica de biscoitos, porque ficava excitada vendo as máquinas, vejam só, se ainda fossem os biscoitos...
Voltei e encontrei uma turma com as respostas prontinhas: a mulher tem um orgasmo a cada 4,6 minutos, considerando as 24 horas; ou um orgasmo a cada 2,2 minutos, considerando as 12 horas do dia. E outros números mais, considerando múltiplas possibilidades, aliás o que são múltiplas possibilidades diante das 300 dela?
E já fui logo imaginando Hollywood fazendo um um filme: "Os 300 de Elizabeth".
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
Para entrar no México

Um visto para o México, onde você vai gastar, deixar muitos milhares de dólares para ajudar a economia de lá, é uma verdadeira epopéia.
É preciso pegar um ônibus para o Rio de noitão e chegar lá, amanhecendo. Isto se você não quiser ir de avião, claro, mas aí vai gastar mais e em cima de uma viagem que certamente vai sair mais cara, a do México.
Mas o consulado mexicano só abre às 8 horas. Como chegamos às 6, ficamos por lá, de bobeira, mortas de sono, já que pelo menos eu e minha colega não dormimos nada, e ainda debaixo de chuva.
Aí abre, vem um homem muito ríspido e dá umas informações gerais, como se estivesse fazendo uma preleção num quartel.
E o visto só é entregue às 15h30.
Meu Deus, o que fazer no Rio de 9h às 15h30, sem poder gastar nada?
Alguns vão para uns hotéis baratos, para dormir.
Nós resolvemos ficar por ali, no Botofogo mesmo, num shopping. O sono é muito, não dá nem para curtir direito. Mas dá para uma foto na varanda do 8º andar.
O tempo vai passando e voltamos ao consulado antes da hora, quem sabe eles deixam a gente entrar antes?
Nada, só às 15h30 em ponto.
Corremos para a rodoviária e perdemos um ônibus por 5 minutos. E aí pegamos o de 18h30, em pleno rush e com uma chuva de matar.
É muita vontade de conhecer o México, né não?
Tem internet não? Tem representação estadual não?
quarta-feira, 18 de março de 2009
Dilma, a mãe dos sem-teto


Dilma Roussef fez plástica no rosto e ficou parecendo manequim para expor peruca. "Perucas Vilma, cabelos 100% naturais".
Uma foto de capa da Folha de ontem dava esta impressão. A foto oficial, divulgada logo que ela voltou do "resguardo" da plástica ficou ótima.
Maquiagem e photoshop fazem coisas...
Sério, comparando o antes e o depois, acho que ela estava melhor com óculos, mesmo que de fundo de garrafa. A esticadinha básica ficou boa, só que os olhos, sei não.
E ontem na foto, o que me chamou a atenção foi a sobrancelha. Estava totalmente arqueada, num efeito que os cirurgiões plásticos costumam chamar de "demonizado", imaginem porque.
Mas a aparência da Dilma não vem ao caso.
O que importa é mais uma obra que ela vai tocar: o resgate do déficit habitacional.
Ela anunciou ontem em Salvador que o "bolsa-habitação" vai funcionar muito bem, garantindo até prestação zero para quem não pode pagar nada. Quem puder pagar alguma coisinha vai pagar, ainda que simbolicamente.
Tomara que dê certo e que a ideia não sofra nenhum acidente de percurso, como outras obras do PAC. Gente criativa para dar o cano e roubar dinheiros alheios não falta neste País.
E eu queria pedir a Dilma para entrar num programa desses de bolsa qualquer.
E como sou modesta, não quero nenhuma bolsa Balenciaga, ou Dior, ou Chanel, ou Louis Vuitton.
Fico muito satisfeita com uma Colcci que vi dia destes, que custa "só" 200 e pouco reais.
terça-feira, 17 de março de 2009
Conversa roubada
Um velho atravessa a praça da Assembleia, pela manhã, oito e pouco, cantando a plenos pulmões:
It's now or never; my love for you; kiss me my darling..."
Pouca gente espanta ou para. Quase todos imbuídos de seu próprio tempo, caminhando, correndo, ciosos de suas próprias limitações, para se preocupar com as esquisitices alheias.
Então ele olha para um mendigo puxando uma carroça com um cachorro em cima e solta:
-É Elvis Presley, o maior cantor do mundo, de todos os tempos. Conhece? Já ouviu?
E o mendigo, que anda sempre por ali, meio que parte da paisagem urbana da região, olha sem jeito.
Esboça um sorriso de sem graça ou de compaixão, vá se saber, e balança a cabeça afirmativamente.
E o velho canta mais um trecho, feliz de compartilhar sua paixão com alguém, ainda que com um andarilho com um cachorro a bordo de seu impossível transporte.
It's now or never; my love for you; kiss me my darling..."
Pouca gente espanta ou para. Quase todos imbuídos de seu próprio tempo, caminhando, correndo, ciosos de suas próprias limitações, para se preocupar com as esquisitices alheias.
Então ele olha para um mendigo puxando uma carroça com um cachorro em cima e solta:
-É Elvis Presley, o maior cantor do mundo, de todos os tempos. Conhece? Já ouviu?
E o mendigo, que anda sempre por ali, meio que parte da paisagem urbana da região, olha sem jeito.
Esboça um sorriso de sem graça ou de compaixão, vá se saber, e balança a cabeça afirmativamente.
E o velho canta mais um trecho, feliz de compartilhar sua paixão com alguém, ainda que com um andarilho com um cachorro a bordo de seu impossível transporte.
sexta-feira, 13 de março de 2009
O golpe do telegrama
Recebo um telegrama de uma tal doutora Danielly Fragoso, com OAB e tudo, me informando que é a última tentativa para eu me pronunciar sobre um seguro de R$ 24,9 mil a que tenho direito, conforme determinação judicial.
E ainda me ameaça dizendo que se não houver pronunciamento, o dinheiro será "extornado", assim mesmo, com x, não sei para quem.
E dão um telefone para eu entrar em contato: (11) 3483 0934 ou (11) 6708 9628.
O telegrama contém muito erro de português, tanto de ortografia como de concordância.
Como tenho birra de erro de concordância, principalmente verbal, desconfio daquilo.
Primeiro não tenho seguro nenhum, a não ser um de morte, que, obviamente, não viria para mim.
Aí vou à internet e digito o nome da doutora e encontro lá um fórum, falando do golpe.
Ô gente criativa esta brasileira!
Fico pensando como os golpistas montaram o esquema.
Passam o telegrama (está lá no corpo, que é fonado). Aí já me pergunto como o Correio vai cobrar.
Se for telefone fixo, significa que a turma montou uma empresa, com endereço, telefones, recepcionista/telefonista e tudo mais, portanto, gastou alguma coisa.
Se for telefone celular, o Correio vai tomar o cano.
Aí faço outra pesquisa no Google e descubro que se trata de alguma coisa ligada a uma antiga rede de hotéis em praia chamada Solemar, em que as pessoas compravam cotas e nunca usavam, porque o grupo faliu, foi mudando de nome e tal.
E quem atende ao telegrama acaba pagando alguma coisinha mais.
Bem, sinceramente não me lembro de ter pago nada de Solemar, então ainda estou curiosa para descobrir como fui brindada pela doutora Danielly, ora com um ele, ora com dois.
Aí bate a paranóia: de repente fiquei muito exposta aos golpes.
Este ano já fui sorteada com o telefonema de madrugada, aquele do sequestro de um parente; e agora com o telegrama.
Fico cismando se não estou lá no computador do Protógenes, afinal meu telefone tinha uns ruídos estranhos no ano passado.
Acho que vou mudar de identidade ou entrar no programa de proteção a testemunhas.
E ainda me ameaça dizendo que se não houver pronunciamento, o dinheiro será "extornado", assim mesmo, com x, não sei para quem.
E dão um telefone para eu entrar em contato: (11) 3483 0934 ou (11) 6708 9628.
O telegrama contém muito erro de português, tanto de ortografia como de concordância.
Como tenho birra de erro de concordância, principalmente verbal, desconfio daquilo.
Primeiro não tenho seguro nenhum, a não ser um de morte, que, obviamente, não viria para mim.
Aí vou à internet e digito o nome da doutora e encontro lá um fórum, falando do golpe.
Ô gente criativa esta brasileira!
Fico pensando como os golpistas montaram o esquema.
Passam o telegrama (está lá no corpo, que é fonado). Aí já me pergunto como o Correio vai cobrar.
Se for telefone fixo, significa que a turma montou uma empresa, com endereço, telefones, recepcionista/telefonista e tudo mais, portanto, gastou alguma coisa.
Se for telefone celular, o Correio vai tomar o cano.
Aí faço outra pesquisa no Google e descubro que se trata de alguma coisa ligada a uma antiga rede de hotéis em praia chamada Solemar, em que as pessoas compravam cotas e nunca usavam, porque o grupo faliu, foi mudando de nome e tal.
E quem atende ao telegrama acaba pagando alguma coisinha mais.
Bem, sinceramente não me lembro de ter pago nada de Solemar, então ainda estou curiosa para descobrir como fui brindada pela doutora Danielly, ora com um ele, ora com dois.
Aí bate a paranóia: de repente fiquei muito exposta aos golpes.
Este ano já fui sorteada com o telefonema de madrugada, aquele do sequestro de um parente; e agora com o telegrama.
Fico cismando se não estou lá no computador do Protógenes, afinal meu telefone tinha uns ruídos estranhos no ano passado.
Acho que vou mudar de identidade ou entrar no programa de proteção a testemunhas.
terça-feira, 10 de março de 2009
Proibiram o "kit ressaca"
Estou de mal da Anvisa porque ela proibiu o "kit ressaca".
Olha só que bobagem, proibir a salvação dos bebuns, enquanto um remédio abortivo continua por aí, à vontade, em muitas farmácias.
E que mal pode ter uma embalagem com heparex e um outro pro estômago, para evitar o enjoo?
Lembro do tempo em que trabalhava no Diário do Comércio, ali na Rua Padre Rolim, bem ao lado de uma farmácia antiga, daquelas tipo botica, com estantes altas em mogno e portas de vidro.
O dono, um senhor velhinho, tinha uma clientela fixa nas manhãs de quinta e sexta. A turma que abusava dos uísques, cervejas e cachaças na noite anterior, e na seguinte, fazia a primeira parada na farmácia, antes mesmo do café.
O homem preparava uma poção mágica para a gente, um líquido amarelo, ruim que só, misturado ali na nossa frente, em um copo, mexido com um tubo de vidro branco.
Ah, alquimistas!
Era tiro e queda, passava a ressaca na hora.
Aí industrializaram o "kit", antes com um hepoclair e um engov ou um plasil. Simples assim.
Mas a Anvisa está muito ciosa de suas funções e proibiu.
Mas a gente vai continuar a passar na farmácia de manhã e comprar o engov, ou o plasil, ou o hepoclair do mesmo jeito.
Ou tomar o engov antes de começar a rebordosa.
Olha só que bobagem, proibir a salvação dos bebuns, enquanto um remédio abortivo continua por aí, à vontade, em muitas farmácias.
E que mal pode ter uma embalagem com heparex e um outro pro estômago, para evitar o enjoo?
Lembro do tempo em que trabalhava no Diário do Comércio, ali na Rua Padre Rolim, bem ao lado de uma farmácia antiga, daquelas tipo botica, com estantes altas em mogno e portas de vidro.
O dono, um senhor velhinho, tinha uma clientela fixa nas manhãs de quinta e sexta. A turma que abusava dos uísques, cervejas e cachaças na noite anterior, e na seguinte, fazia a primeira parada na farmácia, antes mesmo do café.
O homem preparava uma poção mágica para a gente, um líquido amarelo, ruim que só, misturado ali na nossa frente, em um copo, mexido com um tubo de vidro branco.
Ah, alquimistas!
Era tiro e queda, passava a ressaca na hora.
Aí industrializaram o "kit", antes com um hepoclair e um engov ou um plasil. Simples assim.
Mas a Anvisa está muito ciosa de suas funções e proibiu.
Mas a gente vai continuar a passar na farmácia de manhã e comprar o engov, ou o plasil, ou o hepoclair do mesmo jeito.
Ou tomar o engov antes de começar a rebordosa.
quarta-feira, 4 de março de 2009
A internacionalização do crime 2
Fiz uma piada dia destes, aqui, depois que a polícia mineira prendeu uma quadrilha de assaltantes de banco que tinha ligações com o PCC. Falei que o crime se internacionalizara, com a organização criminosa vendendo a franquia de sua atividade.
E num é que a coisa era verdadeira?
Leio hoje que o governo dos Estados Unidos mandou um estudo para as autoridades brasileiras, constatando que o I Comando da Capital, o PCC , de São Paulo, e o Comando Vermelho, o CV, do Rio, estão com filiais no Paraguai, Argentina, intercâmbio cultural com as Farcs da Colômbia e até um pezinho em Portugal.
É a tal estória, se o capitalismo pode se globalizar, por que não o crime organizado? Não é por isso que eles são organizados?
E num é que a coisa era verdadeira?
Leio hoje que o governo dos Estados Unidos mandou um estudo para as autoridades brasileiras, constatando que o I Comando da Capital, o PCC , de São Paulo, e o Comando Vermelho, o CV, do Rio, estão com filiais no Paraguai, Argentina, intercâmbio cultural com as Farcs da Colômbia e até um pezinho em Portugal.
É a tal estória, se o capitalismo pode se globalizar, por que não o crime organizado? Não é por isso que eles são organizados?
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
O pula-pula castelo
Bem, vocês viram nos comentários do pula-pula, que o comprador enganado esclareceu sobre o brinquedo: não se trata daquele brinquedinho dos anos 80, mas de um pula-pula castelo. Que também não é o do deputado.
Aí leio um texto da jornalista Anna Marina no Estado de Minas, com uma reclamação de uma consumidora sobre um colchão que comprou e veio com uma deformação.
Há dias reclamei aqui também de um colchão.
Ou seja, o Código de Defesa do Consumidor, com seus 18 anos, ainda é uma quimera.
Não adianta só inventar leis e penalizações.
É preciso mudar a cultura do empresariado brasileiro e de seus empregados.
Os empregados, aliás, costumam ser mais estúpidos do que os donos, tratando o cliente com grosserias ou ironias.
No momento em que o Judiciário brasileiro começar a aplicar multas milionárias em ações de consumidores lesados, o empresariado adquire esta cultura rapidinho.
A gente torce é para que o Judiciário acorde para esta realidade.
Aí leio um texto da jornalista Anna Marina no Estado de Minas, com uma reclamação de uma consumidora sobre um colchão que comprou e veio com uma deformação.
Há dias reclamei aqui também de um colchão.
Ou seja, o Código de Defesa do Consumidor, com seus 18 anos, ainda é uma quimera.
Não adianta só inventar leis e penalizações.
É preciso mudar a cultura do empresariado brasileiro e de seus empregados.
Os empregados, aliás, costumam ser mais estúpidos do que os donos, tratando o cliente com grosserias ou ironias.
No momento em que o Judiciário brasileiro começar a aplicar multas milionárias em ações de consumidores lesados, o empresariado adquire esta cultura rapidinho.
A gente torce é para que o Judiciário acorde para esta realidade.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
O pula-pula da China
Colega meu enfrenta uma via crucis por causa de um produto comprado pela internet.
No Natal perguntou à filha de quatro anos o que queria ganhar: uma bicicleta? Uma boneca gigante? Uma casa da Barbie?
Nada, a menina quis um prosaico pula-pula.
Alguém conhece o pula-pula?
É um brinquedo antigo, do final dos anos 80, espécie de bola com uma borda, onde a criança sobe e fica pulando. O brinquedo parece o planeta Saturno.
O colega comprou na Americanas.com, a menina pulou uns dois ou três dias e o troço estragou. Furou na emenda.
Ou seja, não estragou pelo uso, mas por ser mal emendado.
Desde então ele tenta resolver o caso e não consegue.
Gastou horrores com telefonemas, de tanto ser jogado daqui e dali. Recebeu até o número de um telefone de uma empresa na China, a fabricante do produto. Explica-se a qualidade (má) do produto.
De saco cheio e chateado porque a menina teve a maior decepção, o colega recorreu ao Juizado de Relações do Consumo. Está no aguardo.
Não é absurdo ter de reclamar na Justiça por uma compra que não custou nem R$ 50,00?
No Natal perguntou à filha de quatro anos o que queria ganhar: uma bicicleta? Uma boneca gigante? Uma casa da Barbie?
Nada, a menina quis um prosaico pula-pula.
Alguém conhece o pula-pula?
É um brinquedo antigo, do final dos anos 80, espécie de bola com uma borda, onde a criança sobe e fica pulando. O brinquedo parece o planeta Saturno.
O colega comprou na Americanas.com, a menina pulou uns dois ou três dias e o troço estragou. Furou na emenda.
Ou seja, não estragou pelo uso, mas por ser mal emendado.
Desde então ele tenta resolver o caso e não consegue.
Gastou horrores com telefonemas, de tanto ser jogado daqui e dali. Recebeu até o número de um telefone de uma empresa na China, a fabricante do produto. Explica-se a qualidade (má) do produto.
De saco cheio e chateado porque a menina teve a maior decepção, o colega recorreu ao Juizado de Relações do Consumo. Está no aguardo.
Não é absurdo ter de reclamar na Justiça por uma compra que não custou nem R$ 50,00?
domingo, 25 de janeiro de 2009
O cartel das liquidações
Dou uma passeada por um shopping para ver as liquidações.
Olho daqui, olho dali e pergunto preços.
A resposta é sempre a mesma: "uma peça é tanto, duas é tanto, três é tanto e quatro é tanto".
Tanto é o percentual de desconto.
Em todas as lojas é a mesma coisa: aquilo que se vê anunciado do lado de fora "até 50 ou 60% de desconto", é só uma forma de atrair o consumidor para dentro da loja. Lá dentro, se você quiser comprar uma só peça, praticamente não pode, porque os vendedores tentam convencê-lo de que não vale a pena. O melhor é comprar muitas peças para aproveitar o desconto progressivo, afirmam.
Não sei o que aconteceu com as liquidações.
Não há opção. De sapato, perfume a bijuteria, é o tal do desconto progressivo.
As lojas combinaram uma forma de não concorrerem entre si nas liquidações.
É o cartel da liquidação.
É pool de notícia. É consórcio de saúde e de educação. É cartel de combustível.
Não há nada de novo neste mundo.
Ô mesmice!
Ai que tédio!
Olho daqui, olho dali e pergunto preços.
A resposta é sempre a mesma: "uma peça é tanto, duas é tanto, três é tanto e quatro é tanto".
Tanto é o percentual de desconto.
Em todas as lojas é a mesma coisa: aquilo que se vê anunciado do lado de fora "até 50 ou 60% de desconto", é só uma forma de atrair o consumidor para dentro da loja. Lá dentro, se você quiser comprar uma só peça, praticamente não pode, porque os vendedores tentam convencê-lo de que não vale a pena. O melhor é comprar muitas peças para aproveitar o desconto progressivo, afirmam.
Não sei o que aconteceu com as liquidações.
Não há opção. De sapato, perfume a bijuteria, é o tal do desconto progressivo.
As lojas combinaram uma forma de não concorrerem entre si nas liquidações.
É o cartel da liquidação.
É pool de notícia. É consórcio de saúde e de educação. É cartel de combustível.
Não há nada de novo neste mundo.
Ô mesmice!
Ai que tédio!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
O "Magayver" está de volta
A viagem pelas gavetas me põe na mão um cartão do "Magayver, prestação de serviços em geral".
Isto mesmo, Magayver com a e y. E o homem faz de tudo: jardinagem, eletricista, bombeiro hidráulico, dedetização, limpeza de caixa d'água, caixa de gordura e aquecedor solar; desentupimento, vidraceiro, instalação de cortinas e outros.
Morro de rir da criatividade ao lembrar o seriado que passava na TV com este nome, nos anos 90.
Alguém se lembra do seriado MacGyver, profissão perigo?
Era o máximo. Richard Dean Anderson, com aquele cabelo espetadinho, prenúncio dos heróis que viriam já nos anos 2000, saía de tudo quanto é tipo de perigo, apenas usando um canivete, um pedaço de linha, um barbante, um fósforo. Foi um dos melhores seriados, com uma mensagem muito clara: superar os perigos com criatividade, usando o material que houvesse à mão, as coisas mais improváveis, como um chiclete mastigado, uma barra de chocolate. Com isso, o cara explodia até submarino e se safava sempre. Lindo, lindo.
Pois guardei o cartão num lugar de destaque da minha agenda, agora.
Para usar tanta criatividade e relacionar tão bem sua atividade com o nome, o cara dos consertos deve ser mesmo muuuiiito bom.
E viva o marketing pessoal!
Isto mesmo, Magayver com a e y. E o homem faz de tudo: jardinagem, eletricista, bombeiro hidráulico, dedetização, limpeza de caixa d'água, caixa de gordura e aquecedor solar; desentupimento, vidraceiro, instalação de cortinas e outros.
Morro de rir da criatividade ao lembrar o seriado que passava na TV com este nome, nos anos 90.
Alguém se lembra do seriado MacGyver, profissão perigo?
Era o máximo. Richard Dean Anderson, com aquele cabelo espetadinho, prenúncio dos heróis que viriam já nos anos 2000, saía de tudo quanto é tipo de perigo, apenas usando um canivete, um pedaço de linha, um barbante, um fósforo. Foi um dos melhores seriados, com uma mensagem muito clara: superar os perigos com criatividade, usando o material que houvesse à mão, as coisas mais improváveis, como um chiclete mastigado, uma barra de chocolate. Com isso, o cara explodia até submarino e se safava sempre. Lindo, lindo.
Pois guardei o cartão num lugar de destaque da minha agenda, agora.
Para usar tanta criatividade e relacionar tão bem sua atividade com o nome, o cara dos consertos deve ser mesmo muuuiiito bom.
E viva o marketing pessoal!
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Chorar é humano
Desde que o mundo é mundo, alguém reclama de alguma coisa, quando algo não vai bem.
Imagino que Adão reclamou com Deus que não tinha uma Tv para ver o jogo de futebol naquelas tardes de modorra de domingo no Éden.
E a Eva então?
Deve ter reclamado que não tinha um xampu adequado para lavar os cabelos. Ou um protetor solar para proteger sua pelezinha sensível daquele solão infernal do Paraíso.
Ontem ouvi e presenciei o chororô dos produtores de leite.
Que o preço para a indústria está baixo. Que não tem mercado externo e nem interno, por isso há excesso de leite no mercado. Que os insumos estão pela hora da morte. E que o setor leiteiro vai quebrar.
Não sei desde quando escuto esta conversa. Creio que desde que fui editora de agropecuária no Diário de Minas lá pelos anos 80 e alguma coisa. Não só os produtores de leite, mas os pecuaristas, os cafeicultores.
O choro é geral quando algum evento no mercado externo faz o preço despencar. Ou quando há um tempo ruim na natureza, muito ou pouca chuva, muito ou pouco frio, aí então, é o fim do mundo.
Me espanta um setor, cujo negócio é matéria prima ou comoditie, ficar afirmando que isso ou aquilo não estava previsto.
É um negócio inteiramente relacionado às condições climáticas e aos movimentos do mercado externo. Então não há como dizer que o setor foi pego de surpresa.
Na verdade, o que existe é o velho paternalismo da economia brasileira, onde quando tudo vai bem, ótimo, ninguém sabe, ninguém viu.
E quando algo sai mal um pouquinho, aí é culpa do governo, do excesso de tributos, e a salvação é uma linha de crédito especial para os produtores.
E o pior de tudo: os produtores querem que o governo faça uma campanha de marketing para incentivar o consumo do leite. Por que eles mesmos não fazem isso?
E depois não entendem por que o brasileiro bebe 90 litros de refrigerante/ano por pessoa e só 38 de leite/ano por pessoa.
Imagino que Adão reclamou com Deus que não tinha uma Tv para ver o jogo de futebol naquelas tardes de modorra de domingo no Éden.
E a Eva então?
Deve ter reclamado que não tinha um xampu adequado para lavar os cabelos. Ou um protetor solar para proteger sua pelezinha sensível daquele solão infernal do Paraíso.
Ontem ouvi e presenciei o chororô dos produtores de leite.
Que o preço para a indústria está baixo. Que não tem mercado externo e nem interno, por isso há excesso de leite no mercado. Que os insumos estão pela hora da morte. E que o setor leiteiro vai quebrar.
Não sei desde quando escuto esta conversa. Creio que desde que fui editora de agropecuária no Diário de Minas lá pelos anos 80 e alguma coisa. Não só os produtores de leite, mas os pecuaristas, os cafeicultores.
O choro é geral quando algum evento no mercado externo faz o preço despencar. Ou quando há um tempo ruim na natureza, muito ou pouca chuva, muito ou pouco frio, aí então, é o fim do mundo.
Me espanta um setor, cujo negócio é matéria prima ou comoditie, ficar afirmando que isso ou aquilo não estava previsto.
É um negócio inteiramente relacionado às condições climáticas e aos movimentos do mercado externo. Então não há como dizer que o setor foi pego de surpresa.
Na verdade, o que existe é o velho paternalismo da economia brasileira, onde quando tudo vai bem, ótimo, ninguém sabe, ninguém viu.
E quando algo sai mal um pouquinho, aí é culpa do governo, do excesso de tributos, e a salvação é uma linha de crédito especial para os produtores.
E o pior de tudo: os produtores querem que o governo faça uma campanha de marketing para incentivar o consumo do leite. Por que eles mesmos não fazem isso?
E depois não entendem por que o brasileiro bebe 90 litros de refrigerante/ano por pessoa e só 38 de leite/ano por pessoa.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Ainda a casa da Nédia
Com curiosidade mais aguçada ainda busco mais informações na internet sobre os processos da Nédia, que venho relatando aqui desde domingo.
Aí encontrei o teor completo de um julgamento no TJ e quase caí de costas.
Na verdade, quem entrou com a ação de usucapião e perdeu, foi a Nédia. Além do mais, ela foi condenada por litigância de má-fé. Os dois processos já estão arquivados.
Passei uma tarde inteira lendo o processo e descobri uma história de folhetim.
A mãe da Nédia era viúva e tinha uma filha, minha amiga Nédia.
Casou-se novamente e foram todos felizes para sempre até morrer o pai/padrasto e alguns anos depois a mãe.
Aí a Nédia entra com o processo de usucapião. E escondeu várias informações no processo, inclusive a existência de outros irmãos, filhos do padrasto em uma relação extra-conjugal. E como ela não era filha do segundo marido da mãe, na verdade os filhos dele não são irmãos dela.
É um negócio de louco: você mora a vida inteira numa casa e já na velhice descobre que vai ficar sem ela, porque você nem é filha do dono.
Daí, imagino, a idéia do usucapião contra os filhos do padrasto, já que morava lá a vida inteira.
Mas antes ela apresentou uma certidão em que o padrasto a adotava. Houve um processo para anular esta adoção, o que aconteceu realmente.
Então ela pediu o usucapião, mas foi negado porque os juízes entenderam que ela morava lá num núcleo familiar e não sob o "animus domini" (intenção do dono de ter como sua a coisa possuída), requisito básico para o usucapião, além do prazo. Ela não tinha nem um nem outro, já que também ao entrar com a ação, só havia transcorrido seis anos da morte do padrasto.
A litigância de má-fé foi entendida pelo juiz por causa das omissões de informações sobre os outros herdeiros. Depois da ação de usucapião, o inventário do padrasto foi anulado.
Claro que me surpreendi com a história porque achava que a Nédia era a parte fraca e prejudicada da história.
E aí descubro que ela fez de tudo para ficar com a casa.
Não a condeno e nem mudei de opinião. Ainda assim acho que ela é a mais prejudicada. Afinal mora a vida toda num lugar, tem um padrasto desde pequenina, para ela o pai verdadeiro, já que o biológico morreu muito cedo.
E ao final da vida, descobre que o padrasto tem outros filhos, que nem são irmãos dela e que são estes que têm direito.
E o mais importante: ela tem um documento registrado em cartório onde o padrasto vende a casa para ela, documento que foi rejeitado no processo.
E o pior ainda: a casa não era de ninguém, porque na verdade só há um contrato de promessa de compra e venda.
Interessante foi uma observação feita por um dos juízes do Tribunal, para quem o papel dos advogados é também mediar as tensões entre as partes e que ele não havia visto isso no processo.
O que existe é uma briga de foice para ver quem fica com a casa, o que já gerou excessos de parte a parte, como a tentativa quase concretizada de vendê-la, feita pelos "irmãos".
Daqui a uns 200 anos, quando só existirem herdeiros de quinta geração, como no processo da Fazenda Gameleira (onde está o Parque de Exposições), a Justiça decide alguma coisa.
A Justiça poderia fazer feito Salomão: manda buscar uma espada e dividir o bem ao meio.
Aí encontrei o teor completo de um julgamento no TJ e quase caí de costas.
Na verdade, quem entrou com a ação de usucapião e perdeu, foi a Nédia. Além do mais, ela foi condenada por litigância de má-fé. Os dois processos já estão arquivados.
Passei uma tarde inteira lendo o processo e descobri uma história de folhetim.
A mãe da Nédia era viúva e tinha uma filha, minha amiga Nédia.
Casou-se novamente e foram todos felizes para sempre até morrer o pai/padrasto e alguns anos depois a mãe.
Aí a Nédia entra com o processo de usucapião. E escondeu várias informações no processo, inclusive a existência de outros irmãos, filhos do padrasto em uma relação extra-conjugal. E como ela não era filha do segundo marido da mãe, na verdade os filhos dele não são irmãos dela.
É um negócio de louco: você mora a vida inteira numa casa e já na velhice descobre que vai ficar sem ela, porque você nem é filha do dono.
Daí, imagino, a idéia do usucapião contra os filhos do padrasto, já que morava lá a vida inteira.
Mas antes ela apresentou uma certidão em que o padrasto a adotava. Houve um processo para anular esta adoção, o que aconteceu realmente.
Então ela pediu o usucapião, mas foi negado porque os juízes entenderam que ela morava lá num núcleo familiar e não sob o "animus domini" (intenção do dono de ter como sua a coisa possuída), requisito básico para o usucapião, além do prazo. Ela não tinha nem um nem outro, já que também ao entrar com a ação, só havia transcorrido seis anos da morte do padrasto.
A litigância de má-fé foi entendida pelo juiz por causa das omissões de informações sobre os outros herdeiros. Depois da ação de usucapião, o inventário do padrasto foi anulado.
Claro que me surpreendi com a história porque achava que a Nédia era a parte fraca e prejudicada da história.
E aí descubro que ela fez de tudo para ficar com a casa.
Não a condeno e nem mudei de opinião. Ainda assim acho que ela é a mais prejudicada. Afinal mora a vida toda num lugar, tem um padrasto desde pequenina, para ela o pai verdadeiro, já que o biológico morreu muito cedo.
E ao final da vida, descobre que o padrasto tem outros filhos, que nem são irmãos dela e que são estes que têm direito.
E o mais importante: ela tem um documento registrado em cartório onde o padrasto vende a casa para ela, documento que foi rejeitado no processo.
E o pior ainda: a casa não era de ninguém, porque na verdade só há um contrato de promessa de compra e venda.
Interessante foi uma observação feita por um dos juízes do Tribunal, para quem o papel dos advogados é também mediar as tensões entre as partes e que ele não havia visto isso no processo.
O que existe é uma briga de foice para ver quem fica com a casa, o que já gerou excessos de parte a parte, como a tentativa quase concretizada de vendê-la, feita pelos "irmãos".
Daqui a uns 200 anos, quando só existirem herdeiros de quinta geração, como no processo da Fazenda Gameleira (onde está o Parque de Exposições), a Justiça decide alguma coisa.
A Justiça poderia fazer feito Salomão: manda buscar uma espada e dividir o bem ao meio.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Um encontro com Nédia
A primeira vez que vi Nédia me chamou a atenção sua figura: parecia uma daminha saída de um século passado.
Vestida com um talleurzinho vermelho, saia e blazer, uma blusa branca por baixo, de frufru, era a verdadeira imagem da distinção. Aquelas imagens que a gente vê em camafeus antigos. E um sapatinho escarpin saltinho pequeno, o máximo da elegãncia discreta.
Isto tudo numa reunião informal, onde tinha gente até de bermuda e chinelo de borracha, numa quadra de um clube, onde fui falar sobre cooperativismo para artesãos.
A palestra foi uma bela forma de a Nanci me apresentar para um grupo de moradores do Santa Mônica, para que conhecessem minhas propostas para a Câmara de Belo Horizonte.
Depois eu falo da Nanci.
Vou-me concentrar na Nédia, que afinal, é o objetivo desta postagem e da de ontem.
A partir daquela reunião, Nédia se integrou à minha campanha, junto com a Nanci, com todo o entusiasmo.
As duas iam quase todos os dias ao meu comitê, na Praça Raul Soares, levavam um vaso de pimentinhas para afastar os "maus olhados" e ficavam por ali, ajudando numa coisa e noutra. Também foram em alguns comícios.
Mas a ajuda maior, definida creio que pela Nanci, foi o "suporte" espiritual.
Nanci sentia vibrações e Nédia lia o tarô para mim.
Quase todo o comitê visitou a casinha azul da Praça Hugo Werneck para ouvir os conselhos da Nédia, "lidos" no tarô.
Um dia sumi a tarde inteira e todos no comitê doidos para falar comigo
Eu, celular desligado, passei uma tarde lá com a Nédia e a Nanci, às voltas com as cartas, velas acesas, café com bolo e muitas, muitas risadas e esperanças.
Claro que não ganhei a eleição, afinal "ninguém ganha disputa nenhuma lendo tarô", como disse minha irmã, quando voltei ao comitê naquele dia.
Mas ganhei duas amigas fiéis. Aliás ganhei mais do que duas ou dois. Ganhei muitas pessoas e um monte de lembranças que até hoje, tanto tempo depois, nos arrancam gargalhadas, nas reuniões familiares.
Outra hora conto sobre a campanha.
Desde aquela época visitava a Nédia algumas vezes, ou passava pela feira da Afonso Pena, aos domingos, onde ele tem uma barraca cheinha de produtos do Paraguai. E alguns cavalinhos de cabo de vassoura e cabeça de pano, feitos manualmente, que a feira é de artesanato, afinal de contas.
Aí fui escasseando as visitas até essa sexta passada quando a revi e me deu esta vontade grande de escrever sobre ela.
Nédia é dessas personagens de Belo Horizonte que parecem ser inventadas pela nossa imaginação.
Mas não é. Está lá, com sua casinha azul, lutando para mantê-la, "ou deixá-la para quem eu quiser", como sentenciou, no final da nossa conversa depois de fazer um resumo do andamento do processo na Justiça.
Vestida com um talleurzinho vermelho, saia e blazer, uma blusa branca por baixo, de frufru, era a verdadeira imagem da distinção. Aquelas imagens que a gente vê em camafeus antigos. E um sapatinho escarpin saltinho pequeno, o máximo da elegãncia discreta.
Isto tudo numa reunião informal, onde tinha gente até de bermuda e chinelo de borracha, numa quadra de um clube, onde fui falar sobre cooperativismo para artesãos.
A palestra foi uma bela forma de a Nanci me apresentar para um grupo de moradores do Santa Mônica, para que conhecessem minhas propostas para a Câmara de Belo Horizonte.
Depois eu falo da Nanci.
Vou-me concentrar na Nédia, que afinal, é o objetivo desta postagem e da de ontem.
A partir daquela reunião, Nédia se integrou à minha campanha, junto com a Nanci, com todo o entusiasmo.
As duas iam quase todos os dias ao meu comitê, na Praça Raul Soares, levavam um vaso de pimentinhas para afastar os "maus olhados" e ficavam por ali, ajudando numa coisa e noutra. Também foram em alguns comícios.
Mas a ajuda maior, definida creio que pela Nanci, foi o "suporte" espiritual.
Nanci sentia vibrações e Nédia lia o tarô para mim.
Quase todo o comitê visitou a casinha azul da Praça Hugo Werneck para ouvir os conselhos da Nédia, "lidos" no tarô.
Um dia sumi a tarde inteira e todos no comitê doidos para falar comigo
Eu, celular desligado, passei uma tarde lá com a Nédia e a Nanci, às voltas com as cartas, velas acesas, café com bolo e muitas, muitas risadas e esperanças.
Claro que não ganhei a eleição, afinal "ninguém ganha disputa nenhuma lendo tarô", como disse minha irmã, quando voltei ao comitê naquele dia.
Mas ganhei duas amigas fiéis. Aliás ganhei mais do que duas ou dois. Ganhei muitas pessoas e um monte de lembranças que até hoje, tanto tempo depois, nos arrancam gargalhadas, nas reuniões familiares.
Outra hora conto sobre a campanha.
Desde aquela época visitava a Nédia algumas vezes, ou passava pela feira da Afonso Pena, aos domingos, onde ele tem uma barraca cheinha de produtos do Paraguai. E alguns cavalinhos de cabo de vassoura e cabeça de pano, feitos manualmente, que a feira é de artesanato, afinal de contas.
Aí fui escasseando as visitas até essa sexta passada quando a revi e me deu esta vontade grande de escrever sobre ela.
Nédia é dessas personagens de Belo Horizonte que parecem ser inventadas pela nossa imaginação.
Mas não é. Está lá, com sua casinha azul, lutando para mantê-la, "ou deixá-la para quem eu quiser", como sentenciou, no final da nossa conversa depois de fazer um resumo do andamento do processo na Justiça.
domingo, 16 de novembro de 2008
O caso da Nédia
Passando pela Praça Hugo Werneck, perto da Santa Casa, vejo a casinha azul, velha, da Nédia.
Nédia, ela também já velhinha, deve ter mais de 75 anos, mas é esperta que só.
Espio dentro do alpendre e vejo que ela está com o bazar de Natal aberto, como faz todos os anos. Vende mimos do Paraguai.
Me dá uma vontade de conversar com ela. Há mais de quatro anos não a visito.
Entro e a vejo sentada ao fundo fazendo contas numa calculadora.
-"Minha amiga Nédia", vou exclamando para dar tempo de ela se lembrar de mim.
-"Adriana, tá lembrada?"
E ela abre o sorriso e os braços e nos apertamos muito.
Conversamos, eu elogio a disposição dela para o trabalho e a aparência.
Falamos sobre a Nanci e a campanha para vereadora em 2000.
Rimos.
Pergunto pelo processo da casa.
Vamos saindo e ela embola a explicação, falando baixinho, já na porta.
Conta que perdeu a causa - "30 anos, na Justiça"- mas trocou de advogado, creio que o terceiro ou quarto, e este já entrou com nova ação.
Nunca entendi bem o caso porque ela falava pelas metades.
Nédia mora sozinha numa casa grande, antiga, num dos locais mais valorizados de Belo Horizonte: a região hospitalar, que cresceu assustadoramente nos últimos 8 anos, tempo que eu a conheci.
Há prédios altos, um movimentadíssimo comércio e prestação de serviços, muitos laboratórios.
E a Nédia brigando na Justiça para manter a casa, segundo ela, herança do pai.
Mas uma outra família entrou na Justiça com pedido de usucapião, sem nunca ter morado lá, segundo minha amiga e depois de 15 anos conseguiu mas não levou. Segundo a Nédia, o processo foi feito sobre declarações e documentos falsos.
Por isso, o novo advogado dela entrou com uma ação inominada e pediu a apresentação do inventário do dono original da casa e ainda a escritura.
A coisa é mais ou menos assim, segundo entendi depois de hoje, não sei por que, vim à internet pesquisar o caso, na página do Tribunal de Justiça.
E encontrei processos da Nédia desde 1984, com o inventário de quem eu suponho ser o pai dela. Fiquei abismada com o vaivém da papelada.
E me compadeci das pessoas humildes que não têm ninguém por si como a Nédia, e envelhecem sozinhas dependendo da boa vontade alheia.
Como outra companheira também velha, a Natalice, que toca um inventário do ex-marido. Só que o inventário é em Recife para onde ele se mandou, depois de largá-la, mas de não ter desfeito o casamento. Ele arrumou outra família.
E esta está metendo a mão nos bens que ele deixou, enquanto a Natalice aguarda aqui, há mais de 10 anos, por uma "decisão" (ou seria condescendência?) da Justiça
Nédia, ela também já velhinha, deve ter mais de 75 anos, mas é esperta que só.
Espio dentro do alpendre e vejo que ela está com o bazar de Natal aberto, como faz todos os anos. Vende mimos do Paraguai.
Me dá uma vontade de conversar com ela. Há mais de quatro anos não a visito.
Entro e a vejo sentada ao fundo fazendo contas numa calculadora.
-"Minha amiga Nédia", vou exclamando para dar tempo de ela se lembrar de mim.
-"Adriana, tá lembrada?"
E ela abre o sorriso e os braços e nos apertamos muito.
Conversamos, eu elogio a disposição dela para o trabalho e a aparência.
Falamos sobre a Nanci e a campanha para vereadora em 2000.
Rimos.
Pergunto pelo processo da casa.
Vamos saindo e ela embola a explicação, falando baixinho, já na porta.
Conta que perdeu a causa - "30 anos, na Justiça"- mas trocou de advogado, creio que o terceiro ou quarto, e este já entrou com nova ação.
Nunca entendi bem o caso porque ela falava pelas metades.
Nédia mora sozinha numa casa grande, antiga, num dos locais mais valorizados de Belo Horizonte: a região hospitalar, que cresceu assustadoramente nos últimos 8 anos, tempo que eu a conheci.
Há prédios altos, um movimentadíssimo comércio e prestação de serviços, muitos laboratórios.
E a Nédia brigando na Justiça para manter a casa, segundo ela, herança do pai.
Mas uma outra família entrou na Justiça com pedido de usucapião, sem nunca ter morado lá, segundo minha amiga e depois de 15 anos conseguiu mas não levou. Segundo a Nédia, o processo foi feito sobre declarações e documentos falsos.
Por isso, o novo advogado dela entrou com uma ação inominada e pediu a apresentação do inventário do dono original da casa e ainda a escritura.
A coisa é mais ou menos assim, segundo entendi depois de hoje, não sei por que, vim à internet pesquisar o caso, na página do Tribunal de Justiça.
E encontrei processos da Nédia desde 1984, com o inventário de quem eu suponho ser o pai dela. Fiquei abismada com o vaivém da papelada.
E me compadeci das pessoas humildes que não têm ninguém por si como a Nédia, e envelhecem sozinhas dependendo da boa vontade alheia.
Como outra companheira também velha, a Natalice, que toca um inventário do ex-marido. Só que o inventário é em Recife para onde ele se mandou, depois de largá-la, mas de não ter desfeito o casamento. Ele arrumou outra família.
E esta está metendo a mão nos bens que ele deixou, enquanto a Natalice aguarda aqui, há mais de 10 anos, por uma "decisão" (ou seria condescendência?) da Justiça
domingo, 9 de novembro de 2008
Compradores Compulsivos Anônimos
Conheço uma pessoa que tem compulsão por compras.
Geralmente, por roupas e sapatos, mas às vezes também não resiste a um brinquedo, a um adereço de casa, um vaso de flor, qualquer coisa enfim, o que lhe garante a certeza de que é uma consumidora compulsiva.
Há os Álcóolicos Anônimos, os Narcóticos Anônimos e deve haver os Compradores Compulsivos Anônimos.
Estes devem ajudar uma pessoa que entra numa loja de marca e compra um vestidinho de festa, mais simples, curto, de R$ 800, sem ter nenhuma festa para ir.
Ou quatro pares de sapato em dois dias.
E cúmulo dos absurdos: um anel de brilhantes pela televisão, naqueles programas de madrugada, que vendem jóias, tapetes e quadros.
Bem, arrumamos um telefone de uma psicóloga comportamental para esta pessoa, enquanto não descobrimos os Compradores Compulsivos Anônimos
Geralmente, por roupas e sapatos, mas às vezes também não resiste a um brinquedo, a um adereço de casa, um vaso de flor, qualquer coisa enfim, o que lhe garante a certeza de que é uma consumidora compulsiva.
Há os Álcóolicos Anônimos, os Narcóticos Anônimos e deve haver os Compradores Compulsivos Anônimos.
Estes devem ajudar uma pessoa que entra numa loja de marca e compra um vestidinho de festa, mais simples, curto, de R$ 800, sem ter nenhuma festa para ir.
Ou quatro pares de sapato em dois dias.
E cúmulo dos absurdos: um anel de brilhantes pela televisão, naqueles programas de madrugada, que vendem jóias, tapetes e quadros.
Bem, arrumamos um telefone de uma psicóloga comportamental para esta pessoa, enquanto não descobrimos os Compradores Compulsivos Anônimos
sábado, 8 de novembro de 2008
O roteiro da ambulância
Vejo uma ambulância do SAMU urrar desesperadamente na avenida Bias Fortes próximo à Praça Raul Soares.
Sábado de manhã, perto do Mercado Central, é impossível o trânsito. Está tudo parado. Além do dia de compras, aquela região está em obras. A Augusto de Lima, no quarteirão do mercado está com uma pista interditada.
Por isso, além do barulho infernal, a ambulância vai conseguir no máximo avançar lentamente, como os demais veículos. Não há como ceder espaço, por mais que os motoristas tentem.
Fico pensando se não há um roteiro alternativo para ambulâncias e viaturas, já que nem sempre o menor caminho é o mais rápido.
Ainda mais com o serviço de informações em painéis luminosos espalhados cidade afora.
E também com a certeza antecipada de que aquele local está intransitável, por causa das obras. Então por que a ambulância passa por ali? Por que não dar uma volta maior, mas fugir do engarrafamento já sabido?
Sábado de manhã, perto do Mercado Central, é impossível o trânsito. Está tudo parado. Além do dia de compras, aquela região está em obras. A Augusto de Lima, no quarteirão do mercado está com uma pista interditada.
Por isso, além do barulho infernal, a ambulância vai conseguir no máximo avançar lentamente, como os demais veículos. Não há como ceder espaço, por mais que os motoristas tentem.
Fico pensando se não há um roteiro alternativo para ambulâncias e viaturas, já que nem sempre o menor caminho é o mais rápido.
Ainda mais com o serviço de informações em painéis luminosos espalhados cidade afora.
E também com a certeza antecipada de que aquele local está intransitável, por causa das obras. Então por que a ambulância passa por ali? Por que não dar uma volta maior, mas fugir do engarrafamento já sabido?
terça-feira, 4 de novembro de 2008
E a Copasa responde finalmente
Seguindo conselho da minha colega jornalista, Ana Paula Pedrosa, que para quem ainda não sabe, tem um blog ótimo "escritos ao vento" (link ao lado), de insistir com a Copasa, para obter aquela resposta sobre a fartura de água na calçada do shopping em Lourdes, volto ao site da empresa hoje.
Novamente faço as perguntas pelo chat, que hoje, depois de três tentativas na semana atrás e duas hoje, funcionou.
Aleluia, converso novamente com a Rosália Vicente.
Bem ela me responde, pelo atendimento de número 5271, numa conversa de 17 minutos, que a água que o shopping usa, cuja mangueira está ligada naquele registro no chão, é dele mesmo, ou seja, é paga.
Mas não tem idéia do quanto é gasto e nem quanto isso representa em reais. Mas me dá uma dica: para lavar 1 metro quadrado, é gasto 1,5 litro de água, o que me leva a concluir que pelo tamanho do quarteirão, cerca de 400 metros, são gastos diariamente, 600 litros de água.
Tudo bem, que o shopping paga, mas é muita água desperdiçada. Água tratada, quase potável, como a própria Copasa gosta de dizer de seu produto.
E enquanto isso, há bairro nem tão longe assim de Belo Horizonte que não tem água nas casas, só em bicas ou de caminhão-pipa.
E a água do planeta está acabando, não se pode esquecer.
Já se fala até que a próxima guerra será pela posse da água potável.
Novamente faço as perguntas pelo chat, que hoje, depois de três tentativas na semana atrás e duas hoje, funcionou.
Aleluia, converso novamente com a Rosália Vicente.
Bem ela me responde, pelo atendimento de número 5271, numa conversa de 17 minutos, que a água que o shopping usa, cuja mangueira está ligada naquele registro no chão, é dele mesmo, ou seja, é paga.
Mas não tem idéia do quanto é gasto e nem quanto isso representa em reais. Mas me dá uma dica: para lavar 1 metro quadrado, é gasto 1,5 litro de água, o que me leva a concluir que pelo tamanho do quarteirão, cerca de 400 metros, são gastos diariamente, 600 litros de água.
Tudo bem, que o shopping paga, mas é muita água desperdiçada. Água tratada, quase potável, como a própria Copasa gosta de dizer de seu produto.
E enquanto isso, há bairro nem tão longe assim de Belo Horizonte que não tem água nas casas, só em bicas ou de caminhão-pipa.
E a água do planeta está acabando, não se pode esquecer.
Já se fala até que a próxima guerra será pela posse da água potável.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
A modernidade que não funciona
Tenho sido contumaz entusiasta das tecnologias da informação à nossa disposição hoje.
Já falei dos diversos cursos sobre web, jornalismo on line, arquitetura da informação que tenho feito, por puro gosto de descobrir o mundo, de aprender e apreender a modernidade.
Comentei sobre o uso da rede mundial pela campanha do Obama e de como cada vez mais o jornalismo terá de se voltar para a internet. E de como nossos sites públicos terão de se adaptar à interatividade, para não continuarem a ser somente diários oficiais eletrônicos "aqueles com a letrinha que a gente consulta só quando vai saber a classificação no concurso ou se saiu a aposentadoria".
Mas cada vez mais constato que não adianta somente implantar o último instrumento tecnológico nos sites ou no atendimento público.
É preciso mantê-lo funcionando.
Não adianta ter um call center em que o cliente/cidadão fica horas esperando pelo atendimento.
Não adianta ter um Fale Conosco que não responde às demandas.
Pois é exatamente isso que acontece no site da Copasa.
Lá no Fale Conosco, não há local para deixar uma simples mensagem, porque moderno demais, há um chat para você conversar em tempo real.
Pois bem, semana passada, em busca de resposta para o caso da água na calçada do shopping (postagem abaixo), fui ao site, me cadastrei, entrei no chat e fiz as perguntas.
E só a mensagem : "você está sendo atendido por Rosália Vicente".
E ficava, e ficava, aguardando resposta, aguardando resposta. E aí: "esta sessão foi encerrada". E nada da resposta. Foram três dias assim.
Até que me dou conta de que o bom e velho telefonema pode ser mais útil.
Já falei dos diversos cursos sobre web, jornalismo on line, arquitetura da informação que tenho feito, por puro gosto de descobrir o mundo, de aprender e apreender a modernidade.
Comentei sobre o uso da rede mundial pela campanha do Obama e de como cada vez mais o jornalismo terá de se voltar para a internet. E de como nossos sites públicos terão de se adaptar à interatividade, para não continuarem a ser somente diários oficiais eletrônicos "aqueles com a letrinha que a gente consulta só quando vai saber a classificação no concurso ou se saiu a aposentadoria".
Mas cada vez mais constato que não adianta somente implantar o último instrumento tecnológico nos sites ou no atendimento público.
É preciso mantê-lo funcionando.
Não adianta ter um call center em que o cliente/cidadão fica horas esperando pelo atendimento.
Não adianta ter um Fale Conosco que não responde às demandas.
Pois é exatamente isso que acontece no site da Copasa.
Lá no Fale Conosco, não há local para deixar uma simples mensagem, porque moderno demais, há um chat para você conversar em tempo real.
Pois bem, semana passada, em busca de resposta para o caso da água na calçada do shopping (postagem abaixo), fui ao site, me cadastrei, entrei no chat e fiz as perguntas.
E só a mensagem : "você está sendo atendido por Rosália Vicente".
E ficava, e ficava, aguardando resposta, aguardando resposta. E aí: "esta sessão foi encerrada". E nada da resposta. Foram três dias assim.
Até que me dou conta de que o bom e velho telefonema pode ser mais útil.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
E o ladrão chamou a polícia!
E aconteceu mesmo, não é piada: o ladrão chamou a polícia.
Foi hilário ouvir e ver a transcrição da gravação que a polícia de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, fez do telefonema do ladrão.
"Seguinte: vou ser bem sincero contigo. Eu roubei um carro agora. Peguei o carro e tinha uma criança dentro, cara. Não vi, entendeu, não vi. Peguei o carro e botei atrás do Enave, tá? Então tu manda uma viatura lá e manda o pai dele pegar ele e levar pra casa. Um piazinho, tá?"
E o ladrão deu outras informações, como o modelo do carro.
E ainda mandou a polícia avisar para o pai irresponsável, que na verdade era o padrasto e estava bebendo num bar, junto com a mãe do garoto, que o mataria, caso pegasse o carro de novo e encontrasse o piá dormindo lá dentro.
Ladrão solidário. Ladrão cidadão.
Este país não é o máximo?
Foi hilário ouvir e ver a transcrição da gravação que a polícia de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, fez do telefonema do ladrão.
"Seguinte: vou ser bem sincero contigo. Eu roubei um carro agora. Peguei o carro e tinha uma criança dentro, cara. Não vi, entendeu, não vi. Peguei o carro e botei atrás do Enave, tá? Então tu manda uma viatura lá e manda o pai dele pegar ele e levar pra casa. Um piazinho, tá?"
E o ladrão deu outras informações, como o modelo do carro.
E ainda mandou a polícia avisar para o pai irresponsável, que na verdade era o padrasto e estava bebendo num bar, junto com a mãe do garoto, que o mataria, caso pegasse o carro de novo e encontrasse o piá dormindo lá dentro.
Ladrão solidário. Ladrão cidadão.
Este país não é o máximo?
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