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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Muito além de Além Paraíba

Além Paraíba, na Zona da Mata mineira, é o lugar mais quente do mundo. Pensei isso assim que pus o pé na rua, descendo da van geladinha, e onde estive para trabalhar, por dois dias e meio. Calor e suor escorrendo, em poucos minutos na cidade.
Mas depois percebe-se que nem é tão quente assim, que tem quase um clima de litoral, com uma boa brisa à tarde.

Às margens do rio Paraíba do Sul, a cidade tem duas incongruências, logo à primeira olhada: está na beira do Rio de Janeiro, aonde a gente chega por uma ponte comprida e estreita, a Engenheiro Armando de Godoy, de mão dupla e que trepida que nem betoneira. Guilherme, meu colega de expedição pela cidade, quase desistiu de atravessar.
Do outro lado está Jamapará, distrito de Sapucaia, já no Rio, e onde todo mundo fala cheio de sssss.

A outra é a linha ferroviária que corta toda a cidade, bem na avenida principal e que serve de caminho para os trens da Centro-Atlântica levarem a bauxita de Miraí e região para o porto de São João, no Rio.
É estranhíssimo ver o trem passando, apitando e tocando o sino, dez vezes ao dia (cinco indo e cinco voltando), bem na beira das casas, que em muitos trechos estão a menos de dois metros da linha. Apitando para espantar os carros, bicicletas e até ônibus que estacionam ali em cima dos trilhos.
Mas essa é a beleza de Além Paraíba, que tem no patrimônio ferroviário sua referência de comunidade, de povo, de história.

Descaso e abandono
Pena que as estações estão semidestruídas, como a principal delas, bem no centro da cidade e conhecida como Torreões (Estação de Porto Novo). Exemplo da bela arquitetura pré-modernista, com muitos detalhes e amplo uso do ferro fundido.
Mas o descaso vem fazendo estragos, como o desabamento de parte da rotunda, na mesma estação, no ano passado. Aquilo ali é história pura do povo mineiro e não só da Zona da Mata, pois se trata nada mais, nada menos, do que a Estrada de Ferro Leopoldina, presença constante na literatura e música nacionais ("Samba do Crioulo Doido", Stanislaw Ponte Preta). Nessa estação há um pequeno museu com peças de trens, de cinema, fotos e muitos livros.

Hidrelétrica
Além Paraíba está agora às voltas com a construção da usina de Simplício, megaempreendimento de Furnas, que vai atingir duas cidades mineiras (Além Paraíba e Chiador) e duas do Rio de Janeiro (Sapucaia e Três Rios).
Claro que não se pode negar todo o benefício da obra de 2 bilhões de reais, mas o estrago ambiental é grande. Primeiro com a derrubada de centenas de árvores para as obras de infraestrutura; depois com a movimentação de dezenas de caminhões com terra e materiais diversos, sacudindo a cidade e empoeirandos tudo, azucrinando os mais antigos com tanta barulheira.
E Furnas está sendo acusada de não cumprir os acordos de compensação ambiental, entre eles o de restauração de Torreões e do asfalto da estrada até a usina (distrito de Simplício).

"Adeus, adeus" (debaixo d'água lá se vai a vida inteira Por cima da cachoeira...)
O Paraíba do Sul vai mudar de lugar para o enchimento da barragem. As árvores estão sumindo e as replantadas ainda vão demorar anos para crescer e dar sombra e fazer a troca de CO2.
Daí que quando eu voltar a Além Paraíba em poucos anos, talvez sinta na pele, literalmente, a piada que mais ouvi dos além-paraibanos: "aqui tem três temperaturas: quente, muito quente e excessivamente quente".

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A margarita como fazem no México


Se você buscar no Google vai encontrar milhares de páginas ensinando a fazer a margarita, o mais tradicional drink mexicano. No Brasil, os bares a preparam só com limão e Cointreau e a dose de tequila é muito alta o que deixa a bebida muito forte.
No México, eles a tomam bem fraquinha, talvez porque os turistas a pedem o dia inteiro, a começar pela manhã, quando estão nas piscinas dos hotéis.

A minha receita preferida foi esta aí em baixo:

Coquetel Margarita
(para seis pessoas)
125 ml de tequila branca
60 ml de licor seco de laranja (triple sec, encontrado em casas de bebida, ou o cointreau)
60 mil de suco de limão
4 taças de gelo picado e
Sal
Preparo -
Umedecer as bordas do copo ou taça em que for servir o drink com suco de limão. Espalhar sal em um prato e molhar as bordas do copo ou taça nele para fazer a borda cristalizada de sal
Bater num liquidificador a tequila, o licor de laranja, o suco de limão e o gelo, por uns instantes, em velocidade alta.
O gelo batido dá a consistência de "frozen", que é bem melhor do que o gelo batido ou picado, feito em coqueteleira.
Colocar a mistura nos copos ou taças previamente preparados.
Se você quiser mais forte, vá temperando com mais tequila, mas depois não reclame.
E advinha por que me lembrei de colocar esta receita agora?

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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Viagens lidas são como as vividas

Para quem gosta de textos de viagens confira a coluna lateral Viagens & Cia. As últimas são as do México e umas postagens do jornalista Márcio Metzker que fez um périplo de carro pela Europa e nos enviou uns textos sensacionais como só ele sabe fazer. Aproveite!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Outras fotos do México

Uxmal, mergulhadores de Acapulco, Chichen-Itzá e aeroporto da Cidade do México













Algumas fotos do México

Acapulco, Taxco, Teotihuacan














sexta-feira, 24 de abril de 2009

Acapulco é tudo isso

Abro a varanda do apartamento do hotel Elcano e dou de cara com o Pacífico. Dou pulos de alegria. É lindo, maravilhoso, um céu azul de morrer e uma paisagem... bem só vendo.
Como diz a outra "tô nem aí" se Acapulco já está ultrapassada, ou como dizem os esnobes, "out".
Eu me senti uma rica, com todo aquele quarto enorme bem em frente ao mar muito forte, por sinal.
Mas que me importa?
Passeio pela cidade, descobrindo as belezas, as pequenas baías, conhecendo as casas dos ricos, ô programinha jacú. Mas eu me concedo a breguice e rio.
"E rio, porque rico ri à-toa, também não custa nada imaginar"...
E supra sumo da breguice: visito um hotel luxuriante: o Princess, onde filmavam a Ilha da Fantasia, com Ricardo Montalban e o Tatoo, lembram?
É o nome adequado para o lugar adequado, depois posto umas fotos.
E por último, vou ver aquele famoso show de mergulhadores, ou clavadistas.
Ficamos todos ali, a turistada toda, debaixo de um sol infernal, esperando os muchachos despencarem lá do alto dos 35 metros do penhasco -romanos no Coliseu, vendo leões devorarem cristãos.
Pouca coisa muda neste atávico mundo.
Depois eu volto.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Taxco é o lugar

Estou hoje em Taxco, no estado de Guerrero, a 170 quilometros da cidade do México. Para chegar aqui é uma aventura, pois sair da capital mexicana exige muita, mas muita paciência.
É um trânsito infernal, afinal são seis milhões de veículos nas ruas, que mesmo muito largas, cheias de túneis e viadutos, metrô, trólebus, metrobus, táxis, não comportam os 24 milhões de habitantes (região metropolitana).
A estrada é excelente, pistas amplas, parecendo um tapete, limpas e arborizadas por quilômetros e quilômetros de pinheiros. Resultado da privatização.
O México parece um país pobre, e o é. Mas tem um nível de vida muito parecido com o dos Estados Unidos, contrastes de uma economia satélite da grande potência.
Segundo Carlos, um motorista que contratei para me levar em alguns lugares ontem, não interessa aos Estados Unidos ter um vizinho de muro muito pobre. Procede.
O dinheiro dos EUA, do Banco Mundial e vez e outra da Franca, não falta.
Depois conto mais sobre as outras andanças pelo México.
Vou prosseguir com o passeio para Taxco.
Antes passamos em Cuernavaca, no estado de Moleros, o menor do México, com pouco mais de 3 mil metros de extensão. Cuernavaca é a capital. É uma cidade linda, colonial, cheia de flores e se diz que tem o melhor clima do país, por isso é chamada de cidade da eterna primavera.
Visitamos uma igreja de 1522, mandada construir pelos franciscanos, que parece uma fortaleza e o era, na época da construção, onde os espanhóis se abrigavam da fúria dos indígenas. Há uns passadiços e umas torrinhas como em castelos medievais.
O acesso às duas cidades se faz cortando a Sierra Madre, com uma paisagem belíssima e em determinado ponto é possível ver ao longe o vulcão Popocatep, ainda em atividade.
Aliás, ficamos sabendo que o México tem 5 mil vulcões, alguns ainda em atividade.
O acesso para Cuernacava é uma subida de 3.100 metros, mas a cidade está num vale, por isso, depois se desce até 1.100m em relação ao nível do mar.
Ficamos sabendo também que 1/5 da população mexicana está na Cidade do México.
E que no interior ainda há cerca de dois milhões de índios puros, descendentes dos aztecas. E que no interior se falam mais de 50 dialetos nativos.
Taxco
Esta cidade é um presépio espraiado morro acima, com ruelas e becos superconservados, assim como suas casas coloniais. A cidade é patrimônio nacional e tudo aqui gira em torno da exploração e indústria da prata.
Eu achei tudo caro demais, mas muito bonito.
Fomos visitar uma igreja, símbolo da grandiosidade religiosa desse país, e da megalomania dos espanhóis. É simplesmente gigantesca, com altares inteiramente recobertos em ouro, de um detalhismo realmente rococó, período a que pertence a catedral, dedicada a Santa Prisca.
O mais interessante é que esta santa não existe no panteão católico.
Foi uma mártir italiana e quando o patrono da construção da igreja a mandou erguer, para presentear seu filho que se tornara padre, havia um movimento para a canonização da Santa Prisca, que não resultou em nada.
A igreja tem umas pinturas de um artista famoso, que depois consulto o nome, que para mim, era fortemente influenciado por El Grego. Pelo menos nas cores sombrias e nas imagens soturnas.
O piso é todo original, em madeira, assim como as pesadas portas. Tudo, tudo entalhado a mão, segundo o guia Sérgio, pelos indígenas.
Mas o melhor mesmo é bater pernas pela cidade. Suas ladeirinhas deixam Ouro Preto ou Olinda no chinelo. São muito mais íngremes e estreitas.
Depois conto mais.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Um imenso museu mexicano

O México é um país que pode ser definido pela diversidade. Tem de tudo:
história, cultura, belezas naturais, como lindas praias, deserto, a Sierra Madre, vulcões.
Em quase todas as cidades há a marca das civilizações pré-hispânicas, a começar pela capital, que tem no centro, o Zócalo, as ruínas da cidade dos mexicas ou astecas, que dominaram quase todo o país e tiveram uma civilização avançada, em artes, astrologia, medicina.
O Templo Mayor é intrigante, com seus altares de sacrifício, suas pinturas.
A poucos quilômetros ao Norte da cidade, está o complexo impressionante de Teotihuacan, anterior à chegada dos mexicas, cidade construída por outro povo, que os arqueólogos chamaram de teotihuacanos, já que não se tem qualquer notícia deles. Os mexicas ou astecas adotaram esta cidade como lugar de cerimônias religiosas.
São duas pirâmides gigantes, a do Sol e a da Lua, a primeira com 65 metros de alura e mais de 200 degraus. A da Lua é menor, com cerca de 45 metros de altura. Há uma larga avenida separando as duas, chamada Alameda dos Mortos. Há pinturas ainda perfeitas, como a de um jaguar.
Não dá para segurar a emoção quando se chega ao último degrau da pirâmide do Sol e se vê todo o complexo.
Por aí se entende por que Von Daniken levantou a tese de que tais povos eram extraterrestres.
É que pensamos tudo com nossa cabeça de tecnologias ultra avançadas e mal mal conseguimos entender como foi possível construir tudo aquilo sem ferramentas modernas.
No Museu de Antropologia, em Chapultepec, bairro na parte Oeste, e também no museu do Templo Mayor, estão milhares de peças, esculturas, joalheria, que indicam o quanto estes povos antigos, alguns cujas civilizações floresceram milhares de anos antes de Cristo, estavam organizados.
E de quanto foi o estrago que os espanhóis fizeram.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Afinal o México

(Roteiro da viagem na coluna ao lado)
Há dois anos programo uma viagem ao México. E agora, finalmente aqui estou.
Chego no domingo, às 14 h30 local, 17h30 no Brasil. Deixo as coisas no hotel e vou bater pernas nas redondezas.
Mas antes, tive de pegar um táxi do aeroporto para o hotel, porque o agente de viagens não foi me buscar. Básico.
Nas andancas, dou de cara com uma feira. E, claro, páro por ali.
Olho tudo, numa praça imensa, ao lado da avenida Willian Sullivan. Há uma parte de artes plásticas e depois de bugigangas. Lembro da feira da Afonso Pena, ex-Feira Hippie.
Há uma parte de verduras e frutas, que se chama mercado sobre ruedas. É o ABC deles.
Olho e experimento frutas. Como um pedaco de mamei, um tipo de mamão, de polpa avermelhada.
E como numa barraca de comidas, uma quesadilla. Peço sem "chilli", mas não adianta, vem tudo muito apimentado. Minha amiga torce o nariz por eu comer na rua e se espanta quando digo que vou à feira hippie para comer acarajé.
Não tenho frescuras, só não quero pegar cólera um dia, como o personagem de Morte em Veneza, de Thomas Mann, adaptado para o cinema por Luchino Visconti.
À noite como umas fajitas e também deixo a guacamole de lado, de tão apimentada.
E depois de tanta pimenta tenho um sonho erótico. Óbvio.
Amanhã conto mais.

domingo, 16 de março de 2008

Hotel Tamareiras, luxo de um tempo antigo




Em Uberaba, o Hotel Tamareiras é atração turística. Resquício da "Era do Zebu", o hotel guarda em suas instalações o luxo e o bom gosto de construções que ainda privilegiam o conforto com elegância.
Nada parecido com estes hotéis "estilo Miami", onde tudo é de carpete e papelão, inclusive as paredes.
O Tamareiras foi construído a partir de uma casa da década de 30, toda preservada na entrada do hotel. A expansão foi feita nos fundos, com duas torres altas, seguindo o estilo mourisco da casa.
Desenhado por um arquiteto austríaco, possui materiais de diversos países, como mármore carrara nas colunas e escadas, lustres alemães, vitrais franceses, azulejos e pisos portugueses. Um luxo. E um clima "belle époque", que faz a gente pensar que é rica!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Receita de pisco para o carnaval



E como o Carnaval está chegando, aí vai uma receita de pisco sour, da chilena Vanessa ( nesta foto , que não é da minha turma, se vestiu até de mestre cuca), especialmente testada em sala de aula:

Ingredientes - 3 medidas (copo lagoinha) de pisco; uma medida (idem) de suco de limão; 2/3 de medida de açúcar branco; gelo picado.

Preparação - O limão deve ser espremido na hora da preparação da bebida. Dissolva o a´çúcar previamente no pisco e junte em seguida o limão; coloque a mistura no liquidificador até a metade do copo e complete o resto com gelo. Bata até dissolver o gelo, ou então, misture já o gelo triturado.

(O pisco original leva clara de ovo, mas nem os chilenos aguentam assim!)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Mais andanças






Pelas fotos, viram que cheguei. E já na chegada tive alguns probleminhas, como perder o primeiro vôo para Beagá, ter o segundo cancelado e o terceiro atrasado por uma hora e meia. Bem, mas sobrevivemos todos, inclusive ao "city tour" que minha irmã Elvira resolveu fazer nas imediações do aeroporto de Congonhas.
Bueno muchachos y muchachas, de volta para o futuro!

Agora algumas fotos






Passeios em Santiago, Valparaíso e Viña del Mar

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Vida cultural no verão de Santiago


Vanessa, a terceira, e a receita de pisco sour, na sala de aula

Para quem está em Santiago no verão, como estudante, há muitas opções, como em qualquer grande capital mundial. É nesta época que começam os festivais de teatro e de cinema. A Católica oferece um festival de cinema a partir de 15 de janeiro, até o final do mês, nas suas diversas unidades, tudo gratuito. Também há muitas apresentações musicais gratuitas em praças, como o festival de Jazz próximo ao Teatro Providência, com cobras como Ravi Coltrane, dia 18. Se o seu negócio é buteco, há com fartura, de todo jeito: salsatecas, "regatón" ( o funk castellano, que tem este nome, por ter uma origem no reggae caribenho). Em Providência, a rua Constituición oferece bares e pubs, um atrás do outro. Os brasileiros da escola se esbaldaram por lá.
Há ainda a parte cultural permanente. Eu visitei o Museu de História Nacional, que tem ótimo acervo, desde os primórdios da colonização no Chile; o Museu Pré-Colombiano, com incríveis artefatos das populações autóctones, vestígios de civilizações de até 5 mil anos antes de Cristo, não só do Chile, mas da Bolívia, Peru, Equador e até do Brasil.
E o Centro Cultural La Moneda, inaugurado no ano passado, junto ao palácio, e que tem uma sala permanente de Violeta Parra, com suas pinturas e tapeçaria. Para quem conhecia Violeta só como "cantante" de protesto dos anos 70, é uma incrível surpresa ver sua produção nas artes plásticas, com um traço meio parecido com Miró e Frida Kallo, mas bem centrada na realidade chilena.
O Centro apresenta até fevereiro, a exposição "Espanha, encruzilhada de civilizações". É também imperdível, com a mostra da arte espanhola desde antes de Cristo, com objetos de todos os povos que passaram pela península, formando o que hoje é a nação (meio que aglomerado de culturas), espanhola. Idade média e idade moderna. É interessante ver a mescla de influências diversas, greco-romanas, etrusta, árabe, aportando na "encruzilhada", que é a Espanha de hoje.
Também não se pode deixar de fazer o passeio às casas de Pablo Neruda: a de Valparaíso, La Sebastiana, a de Santiago, La Chascona e a de Isla Negra.
Visitiei as duas primeiras e amei. Dá para entender por que Neruda era o "cara". Dizem que a de Isla Negra é mais bonita ainda. Não deu tempo de visitar. São museos com riquíssimo acervo de objetos pessoais, de decoração e de "regalos" oferecidos por pintores e escultores famosos, como uma luminária de Oscar Niemayer, que está em La Chascona. Esta foi "saqueada" pela ditadura militar e muita coisa se "perdeu".
Em Valparaíso, que fica somente há uma hora e meia de Santiago, a vida noturna é intensa e também tem de tudo. A cidade é a preferida por estudantes, artistas, boêmios e alternativos no geral.
À noite ou de dia, ao lado dos vinhos, é imprescindível beber o pisco sour, que a professora Vanessa nos ensinou a fazer um dia em sala de aula. É a nossa caipirinha, ou a marguerita mexicana, claro, cada uma com seu gosto próprio (o pisco é feito de uva, não esquecer).
E seguindo as recomendações de Vanessa, o melhor pisco do Chile é o Alto del Carmen, apesar de ter um mais bonito, o Capel, em uma garrafa em forma de "moai" (as estátuas da Ilha de Páscoa).

domingo, 20 de janeiro de 2008

Comer barato em Santiago


D. Augusto, no Mercado Central
Comer barato em Santiago nao é fácil,
principalmente se você for seguir as indicações turísticas e se você for estudante. Para estes restaurantes, a pedida sao sempre os pescados, afinal o Chile é um dos principais exportadores. Os mariscos sao o carro chefe. Como eu nao gosto, nem me atrevi a provar, como costumo fazer com comidas que gosto menos.
Mas comi cada salmao divino. O Chile tem uma grande produçao de salmao e é o principal abastecedor dos Estados Unidos deste produto.
Para comer barato entao, é preciso catar os restaurantezinhos sem maiores pretençoes. Nestes servem o prato do dia, com uma das três carnes mais comuns: porco, ave ou vaca. Tudo é muito farto, quando se trata das porçoes de carne. As saladas, geralmente sao só a alface ou só o repolho, a menos que você peça uma salada completa e aí vai pagar à parte. O prato do dia sai, geralmente, por 1.300 pesos, o que equivale a cerca de 5,50 reais e tem a salada (alface), um ou dois paezinhos, um molho de pimenta e um prato com carne e batata, ou arroz.
Perto da Escuela Bellavista tem uns quatro restaurantes desses. A escola fica no bairro Providência, que é muito bonito.
Andei experimentando uns pratos típicos, como o porotos com maiz, que nada mais é do que uma espécie de sopa de milho moído com uns feijoes claros (o poroto) e uns pedacinhos de frango. E também a cazuela que foi dica do Tchito. Este prato é uma mistura de pedaços de frango com legumes, como batata e abóbora, alcaparras e temperos diveros, aos quais se agrega o arroz.
As dicas sao dadas pela mamá Isabel. Ela insistiu muito para eu provar as humitas, e quando pedi uma morri de rir, ao chegar uma pamonha igualzinha à nossa, enroladinha na palha do milho e bem docinha. Estava muito boa.
Tivemos uma excursao gastronômica na quinta-feira e também tive vontade de rir. Fomos a um boteco perto do Museu Pré-Colombiano, chamado El Rapido, cuja especialidade sao os pastéis, que eles chamam de empanadas. Comi um pastelão de champignon e só faltou o "cardo" de cana. Fernando, o professor, explicou orgulhoso que o buteco tem 80 anos.
Também se pode comer no mercado central. É o mesmo tipo de mercado de qualquer lugar do mundo, mas nao deixa de ser um passeio interessante. No mercado existem uns restaurantes tradicionais e muito chiques, coisa para estrangeiro mesmo, como o Dom Augusto.
E no centro da cidade há outro bar tradicional onde a escola leva os alunos, que se chama o Piolhento, mas nesse eu nao fui. É de lanches rápidos também.
Outro passeio para estudantes é visitar os outros mercados, o Verga Chica e o Verga Central, para experimentar as frutas chilenas, como a chirimóia, os pêssegos, as uvas, as cerejas, os damascos, todas muito boas. O Chile é um grande exportador de frutas.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Os mapuches querem suas terras de volta


A naçao mapuche, que é a maior do Chile, (povos indígenas que habitavam o continente antes da chegada dos espanhóis, assim como os chinchoros)está em pé de guerra com Michelle Bachelet. Aliás, segundo a filha de Isabel, María dos Anjos, eles estao sempre em pé de guerra por alguma coisa.
Porém, a luta mais recente, é contra o projeto de construçao de uma hidrelétrica monumental, mais ao Sul do país, que estaria totalmente em suas terras.
Ambientalistas daqui também sao contra, por considerar seu tamanho e capacidade inteiramente desnecessários, por falta de demanda e, naturalmente, pelos danos ambientais. A hidrelétrica está em terras dos mapuches e há duas semanas um executivo da empresa sofreu um atentado, quando seu jipe foi baleado e a autoria foi atribuída â liderança mapuche.
Os principais líderes desse povo estao presos e no final do ano passado fizeram uma estrondosa greve de fome de mais de 50 dias. Iam para o hospital e voltavam e recomeçavam a greve.
Há dois dias flagrei uma manifestaçao deles na Plaza de Armas, local emblemático dos movimentos sociais chilenos, onde está a Catedral de Santiago.
Cantaram e dançaram e gritaram slogans de protestos.
Dizem por aqui, que nao existem mais mapuches puros, mas tao miscigenados, que sao quase "europeus".
De fato, do grupo que protestava, havia dois ou três no máximo com fisionomia de índios. Aliás a populaçao chilena, neste aspecto, é totalmente diversa do que se vê no Peru, onde a maioria do povo guarda os traços típicos dos indígenas, tanto no altiplano, quanto no litoral. Aqui no Chile, pelo menos nesta regiao central, onde fica Santiago, a populaçao tem traços fisionômicos brancos, inclusive com grande porcentagem de olhos claros. Estou só fazendo observaçoes, porque nao me atrevo a analisar nada, já que nao tenho conhecimento suficiente sobre a colonizaçao chilena, para fazê-lo. Sei só o básico e nao estou com tempo de pesquisar, o que pretendo fazer depois, já que minha permanência entre os chilenos me despertou a curiosidade.
Os mapuches brigam também contra um projeto de implantaçao de uma clareadora de celulose também mais ao Sul.
O Chile tem em sua indústria florestal, seu segundo produto econômico mais importante. ( Os cinco principais setores econômicos: mineraçao, com o cobre; indústria florestal; pescados, com o salmao; vinicultura e turismo, nesta ordem de importância).
Por causa de interesses mais fortes do que os dos mapuches, o projeto foi proibido, mas estranhamente, as obras continuam. Interesses mais fortes tambem, por supuesto.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Novo sistema de pensoes no Chile

A Câmara de Deputados chilena, que funciona em Valparaíso e nao em Santiago, desde Pinochet, aprovou ontem a criaçao de um sistema de pensoes para os idosos, que nao contavam com nenhum tipo de benefício. Assim como a saúde, a previdência é praticamente privada.
Michele Bachelet foi à Tv, em cadeia nacional, para comemorar e dizer que com a aprovaçao do projeto de lei, em segundo turno, depois da tramitaçao no Senado, cumpria uma de suas principais promessas de campanha.
O governo chileno passa a bancar um sistema que beneficiará mais de 600 mil pessoas, maiores de 65 anos, que nao tinham nenhuma cobertura até agora (a lei começa a vigorar em júlio).
O projeto é chamado de pensao mínima solidária e vai garantir uma renda de 65 mil pesos, cerca de 130 dólares, aos maiores de 65 anos. E além disso, a presidenta se comprometeu a elevar este piso para 75 mil pesos, ou 150 dólares, no próximo ano.
Apesar das melhorias, Michele Bachelet, que tem mandato até 2010, enfrenta a oposiçao da etnia Mapuche, a maior do país, que ainda que pequena, é muito barulhenta. Mas este é assunto da postagem seguinte.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

35 graus de madrugada

Esta noite nao dormi. Nao é possivel dormir com um calor de 35 graus à meia noite. Fiquei olhando o teto do quarto pequeno, pintado de azul escuro, sufocante. Um ventilador de pé, daqueles bem antigos, espalhava o ar fervente pelo pequeno ambiente. Molhei uma toalha com água e enrolei nos pés, que estao sofrendo, devido às andanças durante o dia. O chao é de carpete. Tudo é prático, para nao dar trabalho para a dona, que fica fora de casa o dia todo. Diferenças culturais, claro.
O sistema de transporte de Santiago é muito bom. Nao há engarrafamentos. O metrô cobre praticamente toda a cidade e há conexoes com ônibus, daqueles grandes, com sanfona, como os de Curitiba.
Segundo Isabel (la mamá), a mudança no sistema foi feita em janeiro de 2007 e num primeiro momento foi um caos. Os santiaguinos estavam acostumados com o transito caótico de milhares de microônibus, até que a Transantiago resolveu mudar tudo. Aqui como no Brasil temos nossas BHTrans. Nao conheci como era antes, mas agora é muito bom. Os motoristas de carro sao extremamente gentis e param sempre para o pedestre. Basta que se aponte numa esquina e o motorista já está parando o carro para você passar. Em algumas ruas pequenas nem precisa sinal de trânsito. O pedestre tem mesmo a preferência.
Outras observaçoes: o povo daqui fuma muito e bebe pouco. Na escola estao espantados com o tanto que nós brasileiros bebemos. Ontem fizemos um pisco sour de manha, na aula (mas foi a professora quem fez). E bebemos tudo. Já pensou uma caipirinha, ou duas ou três logo depois de 10 horas?
Diferenças culturais, claro.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Las parejas chilenas

Uma coisa que me chamou a atençao: os casais nao se separam legalmente, segundo minha "mamae", que se chama Isabel. Ela me disse que é mais vantajoso continuarem casados, mesmo que com outros parceiros, porque quando um dos pares do casal original morre, o outro fica com a pensao. Seja o homem ou a mulher. Desta forma, ela é separada de seu primeiro marido, mas nao se divorciou. Vive com outro companheiro há cinco anos, que também nao se separou de sua primeira esposa. E esta vive com um outro que também nao se separou da primeira mulher. Muito práticos os chilenos. E espertos. E a pensao passa para o outro, mesmo que você trabalhe e tenha seus próprios rendimentos.
Sobre o ensino, as filhas (mis "hermanas", Beatriz e María de los Ângeles), me deram uma aula sobre o sistema de ensino no Chile. Nao há ensino gratuito universitário. Até mesmo a Universidade de Chile, que é pública, é paga. Isto depois de Pinochet, porque antes havia a gratuidade. Porém, há o sistema de bolsas de ensino, bastante difundido.
E também me explicaram sobre a orientaçao política de cada universidade: as de direita, ou de orientaçao tradicionalista, sao identificadas como "opus dei". A Católica é "opus dei", a Los Andes é inteiramente "opus dei".
Também o sistema de saúde é todo privado. Há o "Inss" deles, o Funasa (Fondo Nacional de Salud) que tem os mesmos problemas que o similar brasileiro. O resto é privado e muito caro, segundo mis hermanas. E o atendimento privado se faz por meio de seguros de saúde que se contratam à iniciativa privada. Isabel vende este tipo de seguro de uma das maiores empresas, a Clínica Santa María. A maior se chama Clínica Alemana.

Infernal Santiago



Viña del Mar e a casa de Neruda, La Sebastiana, em Valparaíso
Infernal no bom sentido, só de calor, claro. O dia já amanhece com 25 graus. À tarde faz 34, 35 graus. E só anoitece às 9 horas da noite. A cidade tem um clima muito seco, apesar das centenas e centenas de praça, todas com fontes de água.
Obrigada a todos que estao acompanhando minhas impressoes e desculpem pela falta de acentos e outros errinhos. É que tenho postado sempre correndo, antes das aulas. E o teclado nao tem til. Quando chegar ao Brasil reviso tudo.
Bem acabei nao indo a Pucon. Me esqueceram no terminal de ônibus que é uma loucura só.
Fiquei p da vida e quase volto ao Brasil. A escola é muito bagunçada, como já disse.
Mudaram o ponto de encontro na última hora e como eu já nao estava mais lá, fui para o ponto original. Mas no sábado levantei cedo e fui para Välparaíso. Foi um passeio maravilhoso. Valparaíso é patrimônio mundial e as ladeiras sao muito mais inclinadas que as de Ouro Preto. Tem um clima (nao no sentido físico), maravilhoso. Há pessoas do mundo todo. Visitei a casa de Pablo Neruda, La Sebastiana. Uma casa muito doida, maravilhosa, com uma arquitetura estranha, mas interessante. Casa museu. E uma vista sobre o Pacífico indescritível. Aí pensei: "também com uma vista dessas, diariamente se abrindo de seu quarto, de sua sala, até eu escreveria "100 poemas de amor". (ai, ai, que sonho bom!)
Fui também a Viña del Mar, um balneário lindo, parecido com Mônaco. E a Reiñaca, onde almocei e paguei os olhos da cara por um peixe grelhado e uma saladinha.
Continuo minhas impressoes sobre Santiago. Minha "mamae" chilena conversa muito. Estou aprendendo mais com ela do que na escola. Ela me conta coisas do dia a dia e me ensina expressoes típicas, como "regalón", para pessoas muito folgadas. E pacos, o nome pejorativo dos carabineiros, que no Chile sao muito respeitados. Sao extremamente profissionais e acodem a todos os pedidos da populaçao. Desde incômodos de vizinhos até tentativas de assalto e perseguiçoes.
Bem minha aula está começando. Vou parar agora.