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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ficha suja chega no Congresso

O projeto da ficha suja, aquela proposta popular que o Movimento de Combate à Corrupção encabeçou e que proíbe a candidatura a cargos eletivos dos cidadãos condenados em 1ª instância, chegou à Câmara de Deputados nesta terça-feira (29).
Com mais de 1,3 milhão de assinaturas, o projeto promete repetir o sucesso que foi o também projeto popular da corrupção eleitoral, que se transformou na Lei 9.840 de 1999.
Mas de cara o presidente da Câmara, Michel Temer, já deu pitaco e propôs uma mudança qualquer. Aliás, de qualquer, não tem nada. Enquanto o texto original encaminhado pela população fala em indeferimento de candidatura de quem tenha sido condenado em 1ª instância, ou tiver sido alvo de denúncias recebidas por órgão colegiado por diversos crimes, como tráfico de drogas, crime eleitoral, trabalho escravo, entre outros, o presidente da Câmara "acha" que a coisa não pode ser tão drástica assim. Que deve se dar uma chance aos "carimbados" somente na 2ª instância.
Ou seja, corre-se o risco de ficar tudo como está, com pencas de candidatos usufruindo, às vezes de até dois mandatos completos, até que o Supremo se pronuncie.
Eu como assinei o projeto, não aceito de jeito nenhum a mudança!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Parques e Jardins ensina a coletar água da chuva

Isto é que é primeiro mundo.
E primeiro mundo tipo Suécia, Dinamarca, Finlândia, e não Estados Unidos, porque estes, não estão nem aí.

Explico: a Fundação Parques e Jardins da Prefeitura de Belo Horizonte começa hoje (14/9) um curso para seus funcionários aprenderem a coletar água da chuva.

Não é o máximo?

Em parceria com a Secretaria municipal de Meio Ambiente, a capacitação vai até o dia 21, Dia da Árvore, no Jardim Produtivo do bairro Cardoso, no Barreiro.
Os participantes vão aprender a captar a água da chuva e reutilizá-la em irrigação.
A cidade agradece. O planeta comemora!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dia Mundial do Leite

Hoje é o Dia Mundial do Leite, data sugerida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU).
Aqui em Minas, maior produtor de leite do país, o sindicato dos produtores (Silemg), promove uma degustação do produto na Praça Carlos Chagas (Assembleia).
Quem passou por ali, recebeu desde cedo, folhetos, revistas com matérias sobre o leite e seus benefícios. E de quebra, pôde degustar queijos de vários tipos, pãezinhos com requeijão, iogurtes, uma verdadeira festa.
De longe dava para ver a fila enorme que se formou próximo à barraca de degustação.
Mas chegando perto, deu para ver que a turma estava mesmo era na fila de medição de pressão arterial e teste de glicose.
A FAO recomenda um consumo anual de 200 litros de leite, mas no Brasil, a média não passa de 120 litros. O pior disso tudo, é que segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o brasileiro consome 89% a mais de refrigerante e 41% de cerveja.
Talvez o consumo do leite esteja diretamente ligado ao preço para o consumidor final.
E volta e meia os produtores reclamam que eles não ficam com praticamente nada dos lucros da atividade e acusam o setor de embalagens, dominado pela sueca Tetra Pak.
E fica tudo por isso mesmo. E agora estão todos juntos nas comemorações do Dia Mundial do Leite.
Todo ano são feitas campanhas milionárias para incentivar o consumo do leite.
E se um pouco desse dinheiro fosse canalizado para uma espécie de subsídio ao leite para populações mais carentes?

domingo, 17 de maio de 2009

A importância do título

Fui gastar meu presente do Dia das Mães ontem, um vale para uma massagem de pés reflexológica. Enquanto ficava ali naquela cadeira quase cama, indo ao paraíso entre uma desligada e outra, via um circuito interno de tv com pílulas de notícias e publicidade. E várias vezes li: "mãos, faça rejuvenescimento".
Claro que na saída a primeira coisa que fiz foi perguntar sobre.
"É o máximo, você faz uma esfoliação profunda com um creme de ácido salicílico, depois duas hidratações com ácido retinóico e Dmae". Na mesma hora marquei e voltei à tarde para fazer.
Aproveitei e fiz as unhas também.
"E achei ótimo, fiquei tão maravilhada que até achei minha mão mais clara, mais brilhante. "Não é?", concordou a recepcionista.
Já em casa, mexendo numas gavetas, achei um creme de mão com ácido retinóico. E no banho, vi um creme de esfoliação. E na geladeira havia um potinho com creme Dmae, desses manipulados.
Bem, quem manda estar tão suscetível à publicidade?
E olha que sou mais ou menos do ramo!

terça-feira, 7 de abril de 2009

As farmácias de Paracatu

Sigo para o Noroeste mineiro, a trabalho, em Paracatu.
A estrada está ótima, reta, reta e mais reta. É o cerradão mineiro, quase chegando em Brasília.
Dou uma andada à esmo pela cidade e me surpreendo com o alto número de farmácias. Não dá para contar. A cada esquina tem uma.
Fico pensando se o povo de Paracatu adoece muito.
Creio que sim, porque ali tem a mineração, praticamente dentro da cidade.
A mina de ouro da Rio Paracatu Mineração, que agora é de um grupo canadense, foi expandida recentemente.
O mesmo com a mina de zinco da Votorantim. Só não sei como está a coisa depois da crise, mas no ano passado, ainda no primeiro semestre, a mineração local estava em expansão.
Paracatu tem um centro histórico e uma casa de cultura, com muita coisa bacana para ver, como shows e mostras diversas.
E claro, tem ótimas tradições culturais, como o bloco carnavalesco Pão Moiado.
E teve uma chuva torrencial, às 13 horas, de mais de uma hora, hoje, o que deixou os moradores encantados, porque quase não chove na cidade, pelo menos nesta época.
Em Paracatu tomo conhecimento de um projeto da Faculdade de Filosofia de Diamantina, ligada à Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), com a Federação dos Trabalhadores em Agricultura (Fetaemg), que forma alunos de assentamentos em cursos como Pedagogia, História, Educação Ambiental, Geografia. Há uma turma terminando agora. Vou dar outros detalhes posteriormente, já que estou postando meio que às pressas.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

As Farcs e o Exército brasileiro


Nesse domingo assisto ao vivo, pela CNN espanhol, a libertação pelas Farcs da Colômbia, de quatro reféns em poder da guerrilha.
Um confuso desembarque em Vilavicencio, a 180 quilômetros de Bogotá, depois de um mais confuso resgate ainda, por conta de sobrevoos de aviões militares colombianos.
O resgate, feito em um local da selva sul da Colômbia foi feito por um helicóptero brasileiro, com tripulação idem. Os militares brasileiros só pousaram perto das 22 horas, porque as Farcs adiaram a entrega dos reféns que deveria ter acontecido à tarde.
Em Vilavicencio, de acordo com a narração da TV Caracol da Colômbia, e da TvSur de quem a CNN aproveitava as imagens, um batalhão de jornalistas não conseguia ter acesso aos reféns - dois policiais, um soldado do exército e um um ex-deputado.
Toda a operação foi coordenada pelo grupo "Colombianos pela Paz", com apoio do exército brasileiro, Cruz Vermelha e da senadora Piedad Córdoba. E segundo o repórter Jorge Botero, que estava no helicóptero, também por Hugo Chavez.
Aliás, Piedad é uma figura marcante. Usa um turbante branco no cabelo, parecendo umas biscoiteiras antigas do interior mineiro.
O comboio parou pouco tempo em Vilavicencio e depois levantou voo novamente, para um hotel próximo dali. Para quarta está prevista uma entrevista coletiva depois da libertação de mais um refém, que deve acontecer hoje, segundo promessa das Farcs. A libertação foi um gesto da própria guerrilha.
Os militares brasileiros brilharam ali, mostrando determinação e organização, levando os reféns de volta ao helicóptero, no meio da confusão, conduzindo-os a um hotel em outra cidade, quando perecia, a quem via pela tv, que ninguém sabia o passo seguinte.
(A foto foi feita diretamente da tv, na CNN)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Seja um doador

Como sou divulgadora voluntária (blogueira divulgadora) do Instituto Voluntários em Ação (IVC), recebo minha primeira tarefa deste ano. No ano passado participei, ajudando a divulgar as doações para as vítimas das chuvas de Santa Catarina. Este ano, as atividades começam com uma campanha de doação de sangue. Aí vai:


"Você é doador por natureza. A doação está no seu sangue. Seja um doador"

Há um assunto bem importante, mas que poucas pessoas levam a sério: doação de sangue.
Sabemos que o Brasil necessita diariamente de aproximadamente 5.500 bolsas de sangue, sendo que este número aumenta em períodos de grande movimentação no País, como férias e final de ano. Pacientes em todo o Brasil correm risco de vida quando falta sangue no atendimento médico de emergência.
Todos nós podemos ajudar a diminuir esse número e assim, salvar muitas vidas.
A doação de sangue é segura e não demora mais do que meia hora. Todo o material utilizado é descartável e oferece total segurança ao doador. O sangue coletado na doação também é utilizado em cirurgias, no tratamento de doenças como: hemofilia, câncer no sangue, anemias intensas e em casos de queimaduras.
Existem apenas alguns requisitos para ser um doador, conheça-os.
Seja um doador e ajude a salvar vidas! Candidatando-se a uma das vagas disponíveis no Portal Voluntários Online, clicando em um dos links abaixo, de acordo com a região que você está.

Voluntário doador de sangue na região Centro-Oeste
Voluntário doador de sangue na região Nordeste
Voluntário doador de sangue na região Norte
Voluntário doador de sangue na região Sudeste
Voluntário doador de sangue na região Sul

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Doações de roupas estão suspensas

Ligo para a Defesa Civil de Santa Catarina (0800 482020) para fazer uma doação em dinheiro.
A atendente me informa que as doações de roupas e alimentos estão suspensas temporariamente. Não me atrevo a perguntar por que, já que queria era uma conta de banco, pois pretendia doar dinheiro. Imagino que seja uma questão operacional.
Mas me preocupei imediatamente com todas as entidades que estão recolhendo roupas e calçados Brasil afora.
Como vão dar vazão à montanha de donativos recolhidos? Será que as doações vão chegar aos desabrigados?
Por isso, sugiro que todos passem a doar o dinheiro, pois aí a Defesa Civil de Santa Catarina, que está fazendo um trabalho magnífico, extremamente organizado, poderá suprir melhor o que é preciso repor.
Creio que com a trégua da chuva, agora começa a hora da reconstrução. E aí os desabrigados precisam é de material de construção, móveis, etc. E isto só com dinheiro.
Para quem quiser doar dinheiro aí vão os bancos e as contas, informações repassadas pela Defesa Civil:

Banco do Brasil
Agência 3582-3
Conta Corrente - 80.000-7

Caixa Econômica Federal -
Agência - 1877
Operação - 006
Conta Corrente - 80.000-8

Bradesco
Agência - 0348-4
Conta Corrente - 160000-1

Itaú
Agência - 0289
Conta Corrente - 69971-2

Santander
Agência - 1227
Conta Corrente - 43000005-2

Banco de Santa Catarina (Besc)
Agência 068-0
Conta Corrente - 80.000-0

Banrisul
Agência - 0131
Conta Corrente - 06.8527250-5

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Solidariedade com Santa Catarina

As fotos são do website do Governo de Sta Catarina
A ajuda a Santa Catarina é a maior mobilização social que já vi. Nem aquelas campanhas da Globo, do Criança Esperança, que tem um bombardeio de oito dias direto, 24 horas por dia, mobiliza tanto.
Porque aqui, não é mobilização passiva: você pega no telefone e doa lá uma quantia.
Agora é uma mobilização ativa, ampla, de todos os segmentos sociais, em todo o país.
Fiquei emocionada ao ver o povo do Pará, de Rondônia, mandando alimentos. Um mundo tão distante, que nem parece que estamos no mesmo país. E, no entanto, lá estavam os caminhões emprestados por uns empresários, prontos para atravessar um continente.
Ontem (30), fui com meu irmão no Carrefour e na porta encontramos uns jovens com coletes escritos SOS Santa Catarina.
Meu irmão pergunta e fica sabendo que é de uma igreja próxima, evangélica.
Ele, católico fervoroso, ex-seminarista e bem sectarista quando se trata de religiões, voltou e comprou pacotes de arroz e de feijão. E ele é só um aposentado com salário de R$ 700.
Mas isso é só um grãozinho na imensa corrente de solidariedade para Santa Catarina.
Já fiz uma doação em dinheiro por telefone, num número que peguei na TV Record e minha filha fez uma limpa em roupas de cama e banho e mandamos para a sede do Galo.
Mas vou ajudar de outra forma. Me cadastrei no site "Voluntários em Ação". Vamos ver o que terei de tarefa.
Por enquanto continuo a divulgar os endereços para as doações.
Nos sites abaixos há muita informação:

"Defesa Civil habilita 0800 para informação de contas bancárias
Às 16 horas deste domingo (30), a Defesa Civil de SC disponibiliza um número de discagem gratuita aos interessados em fazer doação por depósito bancário. Por meio do 0800 48 2020 será possível obter todas informações sobre bancos e contas bancárias abertas para esse fim. (leia mais)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Carta de Santa Catarina

Não tenho palavras, só um nó na garganta...

SANTA CATARINA

"Chorei!
Mas agora não foram lágrima de tristeza, a mesma tristeza que sinto como catarinense e vivendo no meio desta catástrofe. Chorei emocionada assistindo o Jornal Nacional e ver que o povo brasileiro é o melhor povo do mundo...As lágrimas nos olhos daquela senhora do Rio de Janeiro são as mesmas lágrimas que flui nos olhos de todos nós catarinenses. Meu povo está destruído, arrasado, morto por dentro, sem entender que castigo é esse...
Vendo o jornal chorei ao ver que Curitiba, Rio e outros estados estão se mobilizando nesta campanha de solidariedade, de compaixão e de amor. Cada pessoa que doa algo está certamente agradando a Deus, porque nessa hora é que Deus vê quem é capaz de atos gigantescos, mesmo que seja doando um litro de leite, uma meia para um bebezinho.
Moro em Itapema, as escolas estão cheias de família sem nada, suas casas foram destruídas, se não foi a casa, nada do que tinham dentro de casa restou...nem moveis, muito menos roupas, alimentos...e não há água!
Eu não tenho água em casa. Não moro em área de risco, mas estamos todos sem água, ficamos sem luz, não podemos trabalhar normalmente, parece o fim do mundo...
Hoje, quando levantei e vi o mar limpo, porque a cor do mar era cinza misturado com marrom...ondas imensas, assustador. Quando vi o sol, meus olhos ficaram marejados...desde agosto não vemos o sol, ou seja, tínhamos dois dias no máximo de sol e restante da semana chuva.
Somos valentes, somos batalhadores, somos um povo de paz, receptivo e solidário, somos de luta, mas quando vemos tudo se perder, como meus olhos presenciaram, nossas forças desaparecem feito fumaça e os olhos não crêem no que se vê. Ficamos com as lágrimas dependuradas nos cantos dos olhos, e muitas vezes precisamos nos esconder para descarregar a dor no pranto, um pranto por ora sem fim.
Aqui não somos mais comerciantes, gerentes, donos de empresas, moradores pobres e ricos. Somos agora um povo arrasado pela fúria da natureza, somos um povo castigado, no meio do caos ninguém é diferenciado pela cor, religião, ou posição social, somos um povo que perdeu tudo, e recomeçar do zero é preciso. Porque há os que perderam pela fúria da natureza e há os que não conseguem trabalhar porque não há a menor possibilidade.
Diante de tanta destruição, onde só quem viu e vê é que pode realmente crer, que tudo aquilo não é um filme de terror, mas sim a realidade do povo catarinense.
É provação? Provação para ver até onde vai nossa capacidade de luta? Somos valentes na alegria e na dor...Provação em ver os entes queridos soterrados, arrancados do meio da lama, barro e mortos?
Não sei dizer o que é isso! Sei que choro a dor dos que perderam a vida, daqueles que perderam seus móveis, e dos que perderam suas empresas e casas...Eu vi o que se passou onde moro e ameniza um pouco agora, que o sol veio sorrindo como se nada tivesse acontecido...eu vi a dor nos olhos de todos, eu vi as crianças sem mamadeiras, sem fraldas, sem toalhas de banho, mulheres sem uma calcinha para trocar, sem absorventes...eu vi pessoas sem nada, fugindo de casa carregando na palma de sua mão apenas suas vidas...
Eu vi a luta dos bombeiros, dos salva-vidas, aqueles moços que foram treinados para entrar no mar e salvar pessoas, mas dentro do mar...aprenderam mais uma lição aqueles moços e moças, aprenderam a salvar até mesmo a dignidade das pessoas...porque ficamos sem saber quem somos diante do horror. Eu vi a luta de todos e muitas vezes ficamos sem ação, apenas olhando tudo sem reação alguma.
Foi um momento da besta ou de Deus, tudo isso?
Não quero perder minha fé, sabendo que estou viva e bem, claro que devido a tudo, os que supostamente estão bem, estão sem trabalhar, sem ganhar seu ganha-pão, sem água potável e muitas vezes sem luz. Todos, todos os catarinenses desta região foram afetados de alguma forma, os que estavam seguros ficaram sem a menor condição de agir.
Caos é o que se tornou a vida de todos, mas todos indistintamente...
Quando vi no jornal, roupas de crianças, era o que mais a Rádio Cidade FM pedia, as crianças com pezinhos gelados, e ali não eram crianças pobres e nem ricas, eram crianças com frio, molhadas e fugindo do terror.
Muita gente me pergunta: - Mas por que não saíram antes de suas casas?
Creio que nem os geólogos seriam capazes de prever algo tão terrível...lugares que não eram de risco tornaram-se o inferno.
No sábado escrevi falando que Santa Catarina chora...mas poucos acreditaram que estávamos no meio do inferno...porque ninguém crê em tanta desgraça assim, não queremos crer que o inferno desceu à terra e ainda aterroriza dessa forma.
Agora, ouço as sirenes desesperadas das ambulâncias correndo pela cidade...ando assustada, temendo esse som desesperado.
Àquelas pessoas que vi no jornal, doando não somente roupas, calçados, alimentos e outros, mas doando seu coração para o povo catarinenses, acreditem, somos gratos por toda eternidade. Por mais que nós, as pessoas que não sofreram diretamente, mas indiretamente todo esse horror, ajudamos, mas é muito pouco diante do que se precisa. Dividimos o que tínhamos, mas é um grão de areia o que fizemos, se comparado com a necessidade...ainda é necessário muito mais...por isso, todas as pessoas dos estados que estão mobilizadas, a defesa civil dos estados que entraram nessa campanha de socorro, somos gratos.
Por ter a certeza que temos o melhor povo do planeta, é que sinto orgulho de dizer: Eu sou brasileira com muito orgulho!
As orações que foram dirigidas vieram com a mesma intensidade da chuva, porque hoje o sol abriu um sorriso, assim, aliviando nosso medo.
Santa Catarina chora um pranto de morte e dor. O povo catarinense está desolado, apenas olha para tudo sem força para lutar nesse momento.
Olhei hoje a praia, não a reconheci, tem tanta coisa estranha ali, tem coisas que vieram do mar que não dá pra crer, tem destruição em tudo. Nosso paraíso, a Meia Praia - Itapema está irreconhecível...A avenida Atlântica em Balneário Camboriu era uma coisa só, água do mar e dos rios...
Os sonhos não morrem, não tem morte súbita. Os sonhos estão no coração de todos os catarinenses, mesmo que agora, estejam amortecidos, doentes, mas existem...sabendo que agora os sorrisos se transformaram em lágrimas de sangue e dor. Depois que tudo passar e o sorriso voltar traduzindo garra e coragem, sei que nosso povo irá se agigantar e do barro levantará suas vidas...porque o tempo não pode ser de negras nuvens para sempre. Sei que as horas de terror tornar-se-ão minuto, minuto este de paz, de calmaria...
Quando tudo passar, o povo catarinense terá disso tudo, apenas um passado de terror e todos renascerão no futuro, com uma vida renovada...porque não pressentimos o perigo, mas podemos pressentir o futuro e em paz.
Obrigada todos amigos que junto comigo rezaram desde sábado. Obrigada todos que estão atentos e enviando uma energia positiva a ponto de fazer um sol nascer para todos nós...porque a previsão era de chuva ate quinta-feira, mas não ocorreu, o sol nasceu nesta segunda em meio a nuvens, pancadas de chuvas, mas hoje, o sol nasceu com todo seu esplendor, creio na força da oração dos meus amigos
Não vou assinar com fel e dor este momento, desde já, um pedido de perdão para Deus, quando indaguei desesperadamente:
- Por que, meu Deus?! Por quê! Por que crianças? Por que doentes em UTIs? Por que idosos? Por que todos? Por que prantos sem consolo? Por que tudo isso?
Vou agora tomar meu banho de caneca, porque desde a semana passada estamos sem água...e vou rezar, porque ajuda está vindo, mas ainda preciso orar por todos que estão se mobilizando em todos os estados...
Quisera fosse possível fechar os olhos e adormecer serenamente, mas tudo isso não é mais um filme de terror, e sim a realidade do povo catarinense.
Itapema chora por seu povo...Santa Catarina chora!"

Marillena Salete Ribeiro
Itapema - Santa Catarina
25/11/2008

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Papai Noel dos Correios

Pego duas cartinhas de crianças que escrevem para o Papai Noel dos Correios.
Há 18 anos o órgão federal faz esta campanha e quem quiser presentear é só buscar uma carta e entregar o presente. O resto o Correio faz.
Desde o ano passado pego uma ou duas cartas, na própria Assembléia, que entrou na campanha como parceira.
Minhas duas crianças querem brinquedos, claro. Escolhi a carta com o seguinte critério: pedido farto e brinquedo útil. A primeira, é uma menininha de 9 anos que quer uma cama, um guarda-roupa e uma boneca bebê não sei o quê.
Gostei do pedido. Com a menina não tem miséria. Pede tudo que tem direito, o que vier é lucro. Pedir mais para ganhar o necessário ou o mínimo é estratégia aprendida nos meus tempos de Sindicato dos Jornalistas.
A segunda menina, de 6 anos, é uma empreendedora. Me cativou o pedido de uma "caixa registradora para brincar de supermercado e quando crescer, trabalhar de caixa em um supermercado para ajudar minha família".
Achei o máximo. Ela, tão pequena, já tem senso de oportunidade, idéia de futuro.
Não sei como vou fazer com a cama e o guarda-roupa, já que um dos critérios de doação via Correios é um peso de no máximo 30 quilos e determinado tamanho. Mas vou tentar.
Fiquei pensando nas milhares de cartas que ficam no Correio, porque ninguém pega.
Deve ser uma frustração danada para as crianças que as escrevem.
Bom mesmo seria que várias empresas particulares e públicas levassem parte das cartas recebidas para que seus funcionários e visitantes as adotassem.
Ajuda muito na redistribuição dos pedidos, já que não é todo mundo que tem tempo ou se dispõe a passar na agência do Correio que centraliza esta iniciativa maravilhosa.
Quem quiser falar no Correio para obter mais informações pode ligar no (31) 3201-2412

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Arquitetando informações para todos

Mais do que aprender arquitetura da informação em um fim de semana, um curso sobre o tema me ensinou um pouco mais sobre manter a mente aberta.
Gosto de conhecer experiências novas, idéias idem. E estes cursos costumam ser plenos de gente jovem, outros nem tanto, como eu, mas que estamos sempre com uma curiosidade infinita para aprender.
Para instigar nossa mente, deixá-la perplexa, cutucar a imaginação, o Daniel Diniz, professor do curso de Arquitetura da Informação, passou um vídeo sobre tecnologias de navegação para cegos, os obstáculos que eles encontram para navegar, quase tão intransponíveis como os do dia a dia das cidades, e as soluções simples, se se quiser realmente democratizar este mundo que nasceu sob o signo da socialização.
Uma internauta cega vai falando de suas dificuldades, principalmente com bancos, cujos sígnos de acesso seu programa de leitura não consegue decifrar, e outro, também cego, vai indicando as soluções para superação dessa ou daquela dificuldade.
Achei fantástico o vídeo e adorei a cutucada.
Nunca como agora achei perfeita a máximna "há muito mais sobre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia".
Preocupados em distribuir a informação nos sites e em fazer tudo corretamente, não nos passa pela cabeça os públicos especiais: cegos, portadores de deficiências de membros superiores (mãos e braços), crianças, adolescentes, velhos.
E me lembrei da foto do Stephen Hawking ("O universo numa casca de noz", entre outros tantos)aprisionado a uma cadeira de rodas, inteiramente imobilizado, mas totalmente lúcido, com uma mente a milhões de anos luz à frente das nossas, usando o computador com os olhos.
E me torno esperançada: de que haverá sempre gente pensando à nossa frente, olhando o mundo com outro olhar, o olhar dos menos, dos deficientes, dos loucos, dos desvairados.
E tenho certeza de que é essa gente que faz o mundo caminhar e que torna nossa vida mais confortável nos pequenos detalhes do nosso cotidiano.

domingo, 6 de abril de 2008

Acredito em redes de ajuda

Acredito em redes de ajuda. Grupos que se vão formando, muitas vezes aleatoriamente, em função de um objetivo qualquer. Pode ser para ajudar numa operação médica cara, num transplante, para encontrar uma criança desaparecida, contra alguma mudança ou obra de governos títeres.
Muita gente recebe isso por email e deleta, com raiva de receber mais uma "corrente".
Separando estas, que realmente enchem o saco, gosto e acredito nas redes que se organizam socialmente. Já participei de inúmeras, como a Liga contra o Trauma, Doação de Medula, etc.
Exemplo de redes de ajuda, é o grupo criado na internet (yahoo grupos) para lutar contra a implantação da rodoviária no bairro Calafate em Belo Horizonte.
Fiz alguns artigos sobre o assunto, como ex-moradora do Prado/Calafate, e entrei com todo o entusiasmo nas campanhas dos moradores.
Contribuo como posso: escrevendo.
Desde que fui adicionada ao grupo, tenho recebido e-mails da Eliane Torquato, Vanessa Freitas, pessoas que não conheço, com quem nunca troquei uma palavra, mas que temos uma luta comum.
As redes sociais são o que há de moderno em mobilização social. E com a ajuda da internet, então, é o melhor dos mundos.
E como gosto muito de uma campanha, estou sempre em defesa de algo, uma colega minha já me nomeou presidente da associação comunitária da Portelinha (pra quem não sabe, a favela da novela das 8 da Globo, que além de toda a chatice e implausibilidade, ainda é politicamente incorreta, chamando o tal local de "favela" ao invés de "vila", como manda o figurino sociológico).
A turma contra a rodoviária no Calafate está ativa, participando de todas as reuniões sobre o tema, e já prepara uma ofensiva mais séria, que são as ações populares contra a prefeitura.
E viva a consciência política e social!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Escola Corina, um exemplo de dinamismo




Para quem estudou em escola pública, como eu, depois viu a falência e derrocada do modelo, é supergratificante encontrar escolas que ainda resistem e tocam o barco com a maior dignidade. Encontrei uma assim em Uberaba.
Me encantei com o projeto da rádio da Escola Estadual Professora Corina de Oliveira. É rádio mesmo, não é serviço de som. Tem microfone, computador para a programação, jornalismo e grade com programas variados, como o Fala Professor. É toda tocada pelos alunos que correram atrás e fizeram tudo, como o estúdio acústico com embalagem de ovo.
Os locutores tiveram treinamento em uma faculdade local e os textos do jornalismo só passam pelo conselho editorial, depois de redigidos pelos alunos. São 15 deles entre técnicos, locutores, repórteres.
Falam de tudo: dos eventos na escola, das atividades dos professores e colegiado, de coisas importantes que acontecem na cidade. E muitos recados e música.
A Rádio Corina é um importante instrumento pedagógico, além de tudo, pois pode ser sintonizada individualmente em cada sala, caso o professor queira usá-la como instrumento. E tem uma moçada de 15, 16 e 17 anos afiadíssima, com o maior pique.
Exemplo de que nem toda a juventude está perdida na alienação da mídia insípida e oca.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A rodoviária está nas mãos do MP

Depois que a Câmara municipal cumpriu seu papel de dizer amém à prefeitura de Belo Horizonte, aprovando a transferência da rodoviária para o bairro Calafate, agora está nas mãos do Ministério Público acabar com a farra.
Primeiro, paralisando o processo todo, para que seja tudo investigado. Por exemplo, por que a BHTrans se recusa a fazer o relatório de Impacto de Vizinhança (RIV)?
Segundo, por que a prefeitura pretende construir naquele terreno que não lhe pertence? (O Estado cedeu apenas parte. Há uma grande parcela que é de propriedade particular.)
Terceiro, por que o edital de licitação já estava prontinho, há dois anos?
Quarto, por que, se o problema é desafogar o trânsito na área central da cidade, a transferência se dará para outra área a somente quatro quilômetros da original?
Quinto, sexto, sétimo, oitavo, é de competência do Ministério Público defender o cidadão, neste caso da rodoviária, totalmente vilipendiado pelo poder público.
E para responder às argumentações de que para qualquer lugar aonde a rodoviária fosse, desagradaria à população da região, e que em algum lugar ela tem de ser construída acrescento:
Concordo, mas a diferença é singela: - é preciso deixar as coisas claras, ao alcance de todos os atingidos, sem discursos cretinos e enganosos de melhorias. É preciso que a comunidade tenha o direito mínimo de participar, opinar e, por fim, saber quanto custou ao contribuinte belo - horizontino a aprovação, de afogadilho, do projeto da prefeitura.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A conta de luz mais cara

A consulta pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sobre a revisão tarifária das contas de luz da Cemig, começa a mobilizar consumidores mineiros. Depois da divulgação de que Minas tem a segunda mais cara conta do país, atrás somente de Mato Grosso do Sul, começamos a nos dar conta (ops, olha o trocadilho!), de que talvez o Weliton Prado realmente tivesse razão.
O deputrado, do PT, passou um ano inteiro falando, na Assembléia, que a Cemig tinha a conta mais cara do país.
Ninguém deu muita bola, afinal política é assim mesmo. O papel do PT é aporrinhar a administração do PSDB e vice-versa, mesmo quando os dois, lá nas "mansardas" dos caciques, resolvem dizer que vão se juntar para a eleição do novo prefeito de Belo Horizonte.
Uma colega contou que a conta de luz da mãe dela foi de R$ 1.000,00 este mês, quando a média mensal não passava dos R$ 300,00.
Alguma coisa tem de estar errada, mas quando a gente vai à Cemig reclamar, eles nos mandam anotar os números do reloginho, voltar lá para ouvir que está tudo certo, que é esta exorbitância mesmo.
Já me aconteceu isto (não com uma conta de mil reais, porque se viesse uma nesse valor iria desligar a casa inteira por pelo menos um mês).
Mas como ainda acho minha conta muito alta, mesmo depois de ter desligado o freezer e comprado uma geladeira nova (a minha já tinha 11 anos) vou mandar o e-mail para a Aneel pedindo que a revisão tarifária da Cemig seja de pelo menos 30%. Afinal com tantos anos de conta alta, já pensou o que deve haver de sobrepreço aí?
Para quem quiser pedir abatimento na conta, como dizia minha mãe, ou pechinchar, mande um e-mail para a agência: ap007_2008@aneel.gov.br

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Assine a lista contra a nova rodoviária

Mas não vamos ficar só nas críticas. Hoje os vereadores devem bater o martelo no projeto que autoriza a transferência.
Como os políticos gostam de dizer, o projeto de lei é uma "carta branca" que a Câmara dará ao prefeito Pimentel. No projeto de lei não há nada, mas nada mesmo, garantindo melhorias de acesso, segurança para aquela região.
Mande um e-mail para os vereadores, se você quiser ficar do lado da população da região Oeste. Se quiser protestar, mande um e-mail, pedindo pelo menos mais discussão sobre o projeto de construção.
Para facilitar, anexo modelo do e-mail, que você pode mudar, acrescentando ou não seu nome.
"Sr(a) vereador (a)
Sou contra a construção da rodoviária no Calafate. A população da cidade tem o direito de discutir melhor o tema. Respeite meu voto".
Adriana Gomes


http://www.cmbh.mg.gov.br/index.php?option=com_vereador&Itemid=296

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Nova rodoviária de Beagá IV

Segunda-feira (11) é o dia D para a nova rodoviária. Os vereadores votam, em segundo turno, o projeto da prefeitura que autoriza a transferência para o Calafate.
As manobras começaram antes, por isso não temos muitas esperanças de reversão do quadro.
Mas sugestões, e até mais plausíveis do que a do atual projeto, apareceram, como a do deputado Alencar da Silveira, de construir o terminal no terreno do antigo aeroporto Carlos Prates. O impacto sócio-ambiental seria menor, porque é uma área que está muito próxima do Anel Rodoviário, o que facilitaria o acesso e saída dos ônibus.
Houve ainda outras sugestões como a construção em um terreno da região Norte, possivelmente em Venda Nova, também em um local de vocação mais comercial.
Mas nada foi aceito, porque não está em questão o debate público e sim a imposição burocrática da BHTrans, que só porque tinha a construção da nova rodoviária em seu plano de metas 2002/2004 precisa apresentar mais esta meta cumprida.
Doa a quem doer, diria Collor!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Nova rodoviária de Beagá III

Agora sobre o projeto:
Segundo o Estado de Minas, é uma obra de R$ 50 milhões, que a empresa vencedora da licitação deverá desembolsar para a construção, com a contrapartida de que poderá explorar o espaço por 30 anos.
A área construída de 27 mil metros quadrados é menor do que a da atual rodoviária, mas terá uma flexibilidade nas plataformas de embarque e desembarque, para permitir que não haja superlotação em datas de pico e nem ociosidade no restante do ano.
O negócio não é pouca coisa não: só com as tarifas de embarque o vencedor da licitação poderá arrecadar mais de R$ 350 mil mensais, ainda de acordo com o jornal EM.
O pontapé para as obras é a votação de projeto de lei, na Câmara, que autoriza a transferência da rodoviária para o bairro Calafate. O projeto foi votado em 1º turno no finalzinho do ano passado e a segunda votação está prevista para esta segunda-feira (11) e segundo as avaliações políticas, a aprovação não encontrará dificuldades.
No primeiro turno o projeto recebeu 16 emendas de vereadores, mas para se ter uma idéia do rolo compressor da prefeitura sobre o legislativo, os vereadores aprovaram um requerimento que dispensa a discussão do projeto e das emendas, ou seja, os distintos edis vão direto à votação.

Comportamento dos vereadores
E nesse "imbróglio" todo, o comportamento dos vereadores é estranhíssimo, afinal pelo menos cinco deles têm votos na região Oeste e Noroeste, que sofrerão os impactos da rodoviária. Maria Lúcia Scarpelli, que mora no Prado, Luzia Ferreira, que foi administradora da Regional Oeste, Preto, que mora no Grajaú, Neuzinha Santos que atuou na Noroeste e Neila Batista que foi administradora da Noroeste, cuja sede era na Rua Santa Quitéria, logo depois da Via Expressa, perto do Conjunto Santos Dumont.
Desses, só Preto é contra a construção e tem se movimentado para impedir que ela aconteça. As outras são do PT e PPS, seu aliado.
E os vereadores que têm compromisso com a população da cidade como um todo e não só com este ou aquele bairro, só dizem amém.
Até quando os políticos, principalmente os dos legislativos, vão ignorar que foram colocados no poder para defender quem votou neles e não para dizer sim ao prefeito, ou ao governador, ou ao presidente, diante dos compromissos desses com empreiteiras, bancos e indústrias?
A população da região Oeste não quer a rodoviária lá, porque sabe que o trânsito que já é caótico nas horas de pico, devido à presença da PUC, e ao acesso a Contagem ficará impraticável.
Porque sabe que a segurança, que já é uma das mais frágeis de Belo Horizonte (o Padre Eustáquio é o bairro com o maior índice de roubo de carros), ficará ainda pior.
Porque sabe, enfim, que para a região serão atraídos ladrões, assaltantes, marginais de toda espécie e desocupados, degradando completamente o ambiente essencialmente familiar da região da Via Expressa.
Se o motivo da transferência da rodoviária é o esgotamento da capacidade da atual, por que não se optou por desmembrá-la em mais uma unidade, construída em um local de vocação exclusivamente comercial?
Por que levar a rodoviária para uma área inteiramente vocacionada para residência familiar?
Continuo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Nova rodoviária de Beagá II

Mas o que eu tenho a ver com a construção da nova rodoviária no Calafate, se nem moro lá?
Pois morava e me mudei, assim que começaram as notícias mais concretas sobre a obra. Como tenho uma amiga que trabalha na Sudecap (a autarquia da prefeitura de Beagá que cuida de obras na cidade) que me disse que o projeto estava pronto, isto em 2005, tratei de vender meu apartamento e me mudar.
Não quis me arriscar achando que o movimento da população iria reverter o quadro, como apostou meu irmão que mora do outro lado da Via Expressa, no Padre Eustáquio e agora está apavorado.
Pela segunda vez fui varrida de um bairro onde morei mais de 10 anos, pela construção de uma obra muito impactante, não só para o trânsito, mas para a segurança e qualidade de vida.
A primeira vez foi quando da construção do Ceresp da Gameleira. Morava no Conjunto Henricão, um local que apesar de simples, foi ótimo para a criação da minha filha, com seus amplos espaços, árvores e muita criança.
Assim que começaram os boatos sobre a construção de uma unidade da Febem (que depois foi extinta) ou de um presídio, tratei de mudar, depois de ter morado no conjunto 15
anos.
Não nasci ontem e, portanto, não acredito no discurso oficial de que o "lugar vai ficar mais seguro".
Pois, menos de um mês depois da inauguração do Ceresp, houve uma fuga de presos, que foram se esconder adivinhem aonde? Isso mesmo, lá no Henricão.
Com as primeiras notícias da construção da nova rodoviária, não esperei dois tempos e me mudei.
Todas as iniciativas de saber o que se passava - já que volta e meia algum jornal dava a informação em destaque -, foram das associaões de bairros locais.
Nunca, mas nunca mesmo, a prefeitura tomou a iniciativa de fazer as "famosas audiências públicas", exigidas em diversas legislações, incluindo aí o Plano Diretor de Belo Horizonte, quando da construção de obras de grande impacto social.
Todos os encontros ocorridos até agora foram iniciativa das associações do Prado e Calafate e do Coração Eucarístico, como a manifestação na praça da Via Expressa, para o recolhimento de assinaturas contra a obra.
Mas o prefeito Pimentel, fechado em seu gabinete de ar refrigerado, ou resguardado do trânsito caótico da Via Expressa, do ar poluído e do barulho, em sua mansão arborizada, oficial, da Pampulha, faz ouvidos moucos.
Afinal uma das grandes aquisições da política moderna, sejam os governantes dessa ou daquela tendência, é assumí-los (os ouvidos moucos), logo no primeiro dia de seus mandatos.
No fim das contas, esse negócio de "povo" é muito "chato mesmo", quando somos nós que estamos no poder.
E o projeto está sendo tocado, a ferro e a fogo, como disse ontem, porque os interesses são muitos. Ou muito grandes.
Basta conferir as informações passadas pela BHTrans, sobre o edital de licitação "que já está pronto" há muito tempo, aguardando só a prefeitura dar o sinal verde.
É ou não é um caso para ser pensado? Afinal qual governo tem tanta certeza de aprovar um projeto em todas as instâncias (ambientais e no legislativo), a ponto de deixar pronto o edital, dois anos antes de o projeto ir à Câmara municipal e ao conhecimento da população?
Continuo.