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domingo, 6 de julho de 2008

A sujeira do Atlético




Se a diretoria do Atlético fosse rápida para resolver os problemas do time, como é para pintar as paredes pixadas de sua sede, o Galo hoje estaria nas cabeças de qualquer campeonato.
Numa mesma semana, torcedores superinsatisfeitos com o desempenho do time (como não ficar?) fizeram uma manifestação na porta da sede.
Foi uma barulhenta "lavagem da sujeira", com muita charanga, vassouras, sabão em pó e água à vontade no passeio.
Depois a sede amanheceu pixada, com a frase: "a sujeira de fora nem se compara com a sujeira de dentro. Fora Ziza".
E antes de 9 horas da manhã, a parede já estava branquinha de novo. Acho que o Atlético virou sócio de uma loja de tinta, de tanto que tem pintado as paredes externas. Vejam que mimo o latão de tinta no chão, bem debaixo do nome do Ziza!
E o homem do bigode escovão lá dentro, olimpicamente alheio.
Cargo de presidente é uma praga mesmo. Pode ser presidente do país, até presidente do prédio de dois andares e quatro apartamentos, que o cara se isola, onipotente em seu poder!
E os ouvidos se entopem para o "clamor das ruas".
Azar o dele, que um dia cai do cavalo e não terá tempo nem de anotar a placa!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Ainda os cinco a zero

E como já tem gente dizendo que estou sem assunto, esta é a última postagem sobre o Atlético, mesmo sabendo que na noite dessa quarta para quinta certamente haverá bagunça de novo na sede.
Mas não vou falar mais nada, a menos que a PM solte bomba de novo lá em Lourdes.
Saí ontem para ver o que era aquele festival de sirenes e vi a porta do Atlético repleta dos torcedores da Galoucura, de charanga e tudo.
Como estivessem insultando muito o Ziza Valadares, a polícia foi chamada.
Acabei pegando um xerox de jornal fartamente distribuído para os passantes, com uma notícia sobre a condenação do Valadares pelo Tribunal de Contas da União. Parece que ele terá de pagar uma multa.
Coisas de quando ele esteve à frente da CBTU e contratou empresa sem licitação. Mas a condenação é uma mixaria. Só R$ 6 mil.
Mas aí um colega me disse que a Galoucura tem um ranço mesmo com o homem do bigode, porque ele cortou umas mordomias da torcida organizada, como ingressos gratuitos para o Brasil todo e tal. Corte por corte, a moçada agora quer o bigode!
Os dois estão errados e eu quero mais é que o time volte a ser o timão mineiro, sem estas exibições vergonhosas e sem a venda de ingressos na minha porta.
Acho que vou montar uma empresa de organizar venda descentralizada de ingressos e pedir o Ziza para me contratar sem licitação.
Que tal?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Também não precisava de cinco

Claro que roguei praga no Atlético!
Que morresse, que caísse pra terceira e tal.
Mas levar de cinco do Cruziero, aí nem eu que estou de mal com a torcida pedi.
Contudo, em uma coisa eu e a massa atleticana, que me azucrina no dia da venda dos ingressos, estamos de acordo. Esse Ziza Valadares precisa tomar vergonha na cara ou vamos arrancar aquele bigode fio por fio.
Onde já se viu apanhar, literalmente, do Cruzeiro dessa forma vergonhosa?
Por isso que hoje, com a Galoucura aqui na minha porta berrando insultos pro presidente do clube, não vou me chatear.
Deixem eles xingarem palavrões.
Deixem eles pedirem a cabeça do Ziza.
Deixem eles chamarem o homem de mentiroso. Que prometeu um título para a torcida e coisa tal.
Hoje eu apóio o furdúncio, desde que não passe das 10 da noite, é claro, afinal não sou tão magnânima assim!
E que o Ziza seja corrido do Galo, quem sabe o próximo presidente seja mais profissional e monte um time de verdade e aprenda a organizar um espetáculo digno de um Atlético e Cruzeiro.
E agora que a polícia chegou, de sirene ligada e tudo, vou lá ver o que se passa.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O amadorismo do Atlético e a Tv Record

Pela manhã, dei entrevista para a TV Record, na porta da minha casa. O assunto, claro, a bagunça da torcida atleticana na sede do clube, em Lourdes.
As Tvs adoram vir com aquelas pautas prontas - mostrar a alegria dos torcedores, as filas para comprar ingressos, porque os atleticanos são fiéis e muito apaixonados, e aquela baboseira toda, que se repete infinitamente.
Mas hoje a menina da Record não teve jeito: abordei-a e disse: "você devia entrevistar os moradores para ver o que eles acham disso". E lá estava eu, microfone na cara, rodeada de torcedores, e metendo o pau.
Falei, como já disse várias vezes aqui (só em março foram duas), das brigas, gritaria, sujeira, desrespeito com os moradores. Tudo isso para comprar ingresso de um jogo que só acontece no domingo. A venda começa na quinta, às 9 horas e a torcida vem para a porta na quarta, lá pelas 9, 10 horas da noite. E aí, já viu...
Mas ontem a coisa pegou fogo. Claro, alguns mais exaltados quebraram uns vidros da sede, o que eu achei bem feito.
Aí a polícia interviu: foi um festival de sirenes e bombas de efeito moral a noite toda. Às 3 horas da madrugada ouvi aquele estrondo. Era a última bomba jogada pela PM.
Engraçado, é que de outras vezes os torcedores incomodavam os prédios vizinhos, xingando porteiros e moradores, jogando garrafas nas garagens e jardins. Mas a PM nunca fez nada. Ficava só de longe, olhando.
Mas quando o patrimônio do clube foi atingido, bem aí foi outra estória.
Garantir a segurança do cidadão, como é de seu dever, a PM não faz. Mas garantir patrimônio de um ente particular, é na hora.
E a diretoria do Atlético continua com total desrespeito aos moradores e aos seus torcedores. Moradores já cansaram de fazer abaixo assinado para mudar o esquema de venda de ingressos. Mas, olimpicamente, a diretoria nos ignorou.
Quero ver até quando vai ignorar a torcida, que já fez um protesto recente contra a diretoria e agora quebrou o patrimônio do próprio time. E em vez de resolver o problema, a diretoria chama a polícia.
É difícil demais descentralizar as vendas? É difícil demais vender só no Mineirão? Ou em lojas de artigos esportivos? Ou em shoppings nas principais regiões da cidade (Barreiro, Venda Nova, etc)?
Fico imaginando como seria a venda de ingressos de um evento como o Pop Rock, em apenas dois dias e em um único lugar.
Por que o Atlético não deixa de ser amador e contrata uma empresa de produção de eventos, já que não consegue solucionar o arroz com feijão do seu metier?
Por aí a gente vê por que o clube não consegue entrar num único campeonato mais, a não ser com este desempenho pífio e desprezível!
Mas como disse um colega, "o Atlético está ali há mais de 30 anos, os vizinhos que se mudem", vou acabar tendo de me mudar.
E essa idéia me fez pensar que sou retirante em minha própria cidade: primeiro fugi da Nova Gameleira, tocada pela construção do Ceresp; depois fugi do Prado/Calafate, pela iminência da construção da nova rodoviária; e agora, bem agora é a torcida do Atlético. E nisso o Fernando tem razão: eu é que sou a intrusa.

terça-feira, 25 de março de 2008

O tsunami da torcida atleticana

Os 100 anos do Atlético podem ser ditos também como os 100 descasos do clube com a vizinhança de sua sede. Os 100 problemas causados pelas comemorações. Os 100 abusos da torcida nas vizinhanças de Lourdes e Savassi e por aí afora.
Um dia depois do início das comemorações, que temerosamente devem prosseguir hoje, a avenida Olegário Maciel amanhece como depois de um tsunami. Um furacão Katrina passou por lá e hoje pela manhã era só devastação: toneladas de lixo, vidros quebrados, garrafas espatifadas por toda a rua, jardins dos prédios empestiados de garrafas, copos, guardanapos, restos de comida. E vômitos.
Este é o saldo da festa que arrastou milhares de torcedores para as imediações da sede do Atlético, em um bairro nobre e estritamente residencial de Belo Horizonte.
E quem responde pelos estragos?
E vitórias mesmo.... ( epa! esqueci o Tupi!)


O Tsunami II

Gente que morava há mais de cinco quilômetros da sede escutou a barulheira infernal. Uma manada de atleticanos gritando e cantando enlouquecidos. Um foguetório de deixar alucinada a cachorrada do bairro (sabiam que cachorro tem o ouvido muito sensível e por isso, enlouquece com o barulho?). E fumaça de tampar o céu, depois dos fogos. E um funk de dar medo. E garrafa voando pra tudo quanto é lado. E palavrões, apupos, provocações.
E nós, moradores, atleticanos ou não, acuados dentro de casa, com a avenida e ruas vizinhas totalmente fechadas ao trânsito, numa incompreensível apropriação do público pelo privado (as ruas, pelo Atlético).
O mais engraçado é que poucos dias atrás, um vereador foi multado porque fez uma festa de aniversário na avenida Américo Vespúcio. Claro, ele é político, o alvo preferido de poderes constituídos.
Mas o Atlético se apropriar do bairro de Lourdes e Savassi e Praça Sete, emporcalhar vias públicas, deslocar três guarnições policiais, cinco viaturas e um ônibus da PM não é. E no dia seguinte, ainda demandar uma equipe extra de garis para varrer a rua, só lá no final da tarde.
Estranhos poderes estes que permitem tal desrespeito do direito de ir e vir do cidadão que paga seu imposto ( e caro, já que o IPTU de Lourdes é o mais alto de Belo Horizonte), para dar a um time de futebol, adorado ou não, patrimônio da cidade, do Estado, ou o que for, todo o espaço possível.
Mas vitórias.... (quem sabe agora contratando o Petkovic).

Tsunami III

Bem agora que desabafei um pouco, vamos aos fatos, isentamente. O Atlético paga à prefeitura pelo uso da equipe extra de garis? Paga à PM pelo policiamento excepcionalmente reforçado nestes dias? Paga aos vizinhos pelas depredações em jardins e grades?
O Atlético tem alvará para fazer uma festa na rua e cercar duas pistas de uma avenida crucial para o trânsito de Belo Horizonte, em plena segunda-feira e mais ruas vizinhas, como Aimorés, Bernardo Guimarães, Rio Grande do Sul, Santa Catarina?
Não, não, não, não.
Como também não dá a mínima para a vizinhança e nem mesmo para os torcedores (que dia mesmo eles fizeram uma passeata contra a diretoria?).
Soluções
Por que não fazer a comemoração no Mineirão, num sábado, ou num domingo, organizada, com um presente aos atleticanos, tipo uma vitoriazinha de vez em quando?
Ai que saudade do time que tinha Reinaldo, Éder....

quinta-feira, 6 de março de 2008

Que te muera, Galo!

Pensei que estivesse livre do pesadelo dos atleticanos na minha porta, mas esta noite/madrugada, o inferno voltou. Gritaria, palavrões, quebra-quebra e a torcida a noite inteirinha perturbando o bairro de Lourdes, lugar bom demais para morar. Sem os atleticanos, claro.
Não é compreensível por que a torcida vai passar a noite de quarta para quinta-feira na porta da sede do Atlético, para comprar ingresso para um jogo que só acontece no domingo.
Medo de ficar sem? Mas a Ademg não disponibiliza milhares e milhares de ingressos? E também não vende pela internet?
Será que é só para aparecer naquelas matérias bobas de TV, em um milésimo de segundo, pulando e gritando bestialmente?
Por que ficar aporrinhando o saco de quem quer somente ter uma noite tranqüila de sono, com gritos, cantoria e insultos? Esta parte não é para ser feita no Mineirão?
O pesadelo tinha desaparecido, desde que o Galo voltou à primeira divisão.
Naquele final de campeonato na segundona foi um terror. Todo jogo que o Galo ganhava arrastava a torcida no mesmo dia para a porta da sede e eles lá ficavam a noite inteira, esperando abrir a bilheteria, 9 horas da manhã do dia seguinte.
Pela manhã, o quarteirão estava coalhado de torcedores, geralmente homens e algumas destemidas mulheres, deitados pelos passeios, uma montanha de garrafas pet de água e de refrigerantes espalhados e muita lata de cerveja. E muita, muita briga, confusão, insultos aos moradores. O suplício perdurava por três dias.
Fizemos abaixo assinado, muitos de nós fanáticos pelo time, alguns conselheiros que moram por ali, para que o Atlético retirasse a venda da sede, afinal a região é estritamente residencial, ao contrário da sede do Cruzeiro que fica numa área puramente comercial. Mas o Atlético sequer se dignou a responder, numa total falta de respeito com uma grande parte do bairro.
Aí, a fila sumiu e agora volta com força total, tanto que foi preciso um microônibus do Batalhão de Choque para vigiar os exaltados (todos!).
Por isso, seguindo o exemplo de uma ciganinha em Valparaíso que me rogou uma praga porque não lhe dei uma moeda, digo para o time:
"Que te muera, Galo!"