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sábado, 7 de março de 2009

E o calor cozinhou os miolos

Estou para escrever sobre a temperatura em Beagá, sobre este calor insano, mas me dá uma preguiça.
Olho para dentro de minhas ideias e vejo-as por ali, esparsas, encolhidas, abrigando-se em sombras parcas.
Minhas ideais estão pingando suor, buscando um refresco qualquer: um picolé, um ventilador, uma árvore amena onde se abrigar.
Torço, torço e não sai nada.
Apesar da chuva de ontem à noite, o calor dessa semana cozinhou meus miolos.
Tenho saudade de Quaresmas de outrora, quando a gente fazia roupa de frio, de lã, de veludo, de manga comprida, para usar na Semana Santa, acompanhar a Procissão do Encontro ou a do Senhor Morto.
Outros tempos, outros climas.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Banda Mole

Nem a chuva atrapalhou a saída da Banda Mole, agora um evento oficial do calendário turístico da cidade.
A Banda Mole de 30 anos atrás era uma delícia, com sua concentração ali na rua Goiás, na frente do Estado de Minas, onde a gente trabalhava e ficava sapeando até a turma sair. Grande parte dos foliões ficava por ali mesmo, caídos na porta da prefeitura, em frente ao Correio ou no passeio da Gruta Metrópole.
E a banda do Bororó atacando marchinhas de Carnaval, antes na rua, depois sobre um caminhão.
Os grupos de foliões masculinos com aquelas roupas ridículas das irmãs, mães, namoradas. Tudo muito justo, tudo muito curto. Aqueles batons vermelhos lambuzados fora da boca e os peitinhos de limões ou laranjas, mal ajambrados.
A gente subindo a rua da Bahia, feliz, parando no bar do Paulinho, que funcionava debaixo da Academia Mineira de Letras, para dar uma cafungada rápida no lança-perfume do Plínio Carneiro.
A Banda Mole saiu hoje, com foliões tinindo em fantasias profissionais, drags idem, trios elétricos puxando a animação.
Quem disse que Belo Horizonte precisa de Parada Gay?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Garotos são estranhos

Há um ruído enorme na comunicação entre meninos e meninas.
Não aqueles pirralhos, que estes se comunicam que é uma beleza.
Mas os meninos e meninas já crescidinhos, aqueles que já trocam figurinhas, que tanto pode ser o "pegar", "ficar", ou namorar.
Andam reclamando, os dois lados, que não há menino sério e menina idem, entendendo-se como sério aqueles que querem namorar mesmo.
Há um enorme fosso nas relações afetivas hoje em dia. Os dois lados não se entendem de jeito nenhum e culpam um ao outro.
Talvez haja um excesso de expectativa dos dois pólos. Ou um excesso de entrega. Ou uma entrega rápida demais.
Tudo é muito intenso, rápido, momentâneo.
Não se dá um tempo para a curiosidade. Para a descoberta. Para a fantasia.
E como tudo rápido demais, o esvaziamento vem na mesma intensidade.
Aí é a desilusão, a indiferença e a tristeza de que meninos e meninas estão cada dia se distanciando mais.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pequenos Milagres

Na campanha de popularização do teatro, uma peça imperdível é o Pequenos Milagres, levado pelo Grupo Galpão.
É longa, diga-se de passagem. Chega a dar dor na coluna ficar ali no teatro, apesar de o Palácio das Artes ser um dos mais confortáveis.
Mas vale a pena.
A peça é composta por quatro textos selecionados da campanha Conte sua História, que o Grupo Galpão realizou em 2006, especialmente para criar o novo espetáculo. Na época, o grupo recebeu cerca de 600 histórias de várias partes do país.
O Galpão tem muita estrada percorrida, 25 anos, por isso, sua trupe é de primeiro nível. O jeito de contar o Pequenos Milagres, a partir de pequenas históricas, é muito lírico e singelo, com algumas inovações, como a narração simultânea.
Cheguei há pouco do teatro e venho registrar rapidamente minha impressão que foi de conforto, de alegria.
Não deixem de ir. Vale a pena.
Está no Palácio das Artes até domingo. Sábado há duas sessões. Não sei é se ainda tem ingressos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Benjamim Button

Vejo o filme O curioso caso de Benjamin Button. Suas treze indicações ao Oscar são pouco para o que o filme vale.
Vale pela história, um lindo conto de F. Scott Fitzgerald, que sabia contar muito bem, com doçura, com crueza, uma história de amor, de traição, de sofrimento.
Vale pela direção delicada de David Fincher, que não é exatamente um diretor delicado (Seven, Clube da luta, etc).
Vale pela metáfora do tempo, que começa com o relógio da estação de trens, que corre para trás e que permeia toda a narração.
Mais uma vez o tempo como senhor dos destinos, das escolhas, das consequências.
Vale a pena ver.
Veja indicação ao lado

sábado, 17 de janeiro de 2009

A estranha


Assisto um filme na Tv noite dessas, duas vezes seguidas, como forma de fugir da insônia que me acomete ultimamente. É com Jodye Foster, uma repórter de rádio em Nova Iorque, que perde o noivo e quase morre também, depois de um assalto no Central Park.
Ela se torna uma assassina justiceira e vai sofrendo com a mudança em sua personalidade.
Não sei como o filme se chama, acho que é A estranha, porque ela vai narrando, em uma voz intimista, as transformações que sofre no comportamento, nas ideias.
Fico pensando que acontecimentos traumáticos levam a pessoa a se transformar, quase sempre imperceptivelmente para ela mesma, mas gritante para os que estão
à volta. Mas às vezes nem são só acontecimentos traumáticos. São novas realidades que têm de viver, como deixar uma cidade, um emprego, uma profissão.
De alegres, descontraídas, se tornam carrancudas. Fechadas. Paranóicas. Às vezes repetitivas, presas a um passado distante.
E o mais evidente: extremamente rígidas nas ideias.
Rigidez que se revela no corpo, nos gestos.
Rigidez que se revela em doenças de músculos e ossos e em dores constantes.
Fico pensando que acontecimentos traumáticos mudam assim as pessoas, em que elas mesmas não se reconhecem mais e sentem saudade de seu outro eu antigo. Pelo menos este era o caso de Jodye Foster, que se chamava Érica Bain no filme, e que via e sofria com a estranha em que se tornara.
Já com quem não percebe a mudança ou se recusa a aceitar as observações daqueles de fora, o sofrimento fica para os que acompanham "a estranha".
Estes sentem saudade daquela outra antiga.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Minha nesga de lua


Da minha janela vejo meu pedaço de lua. Inusitado presente na cidade grande, como o galo e os passarinhos que cantam na casa ao lado.

Casa que resiste bravamente à investida dos prédios em Lourdes. Será tombada?

Abro a janela da sala e olho a lua. Brilha com um halo mágico em volta, me lembrando outros lugares, matos, cidadezinhas, onde a lua, num céu limpo, passa despercebida de tão presente.

Aqui é uma raridade.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Um vaso de suculentas


Hoje aprendi a fazer um vaso de mini suculentas.
Fiquei feliz de pegar a terra, colocar o cascalho, separar as mudas dos vasos, plantar, cobrir com areia e finalizar com mini seixos brancos. Ficou lindo.
Foi um curso de jardinagem rápida em comemoração à semana do servidor.
Não, não estou pensando em me aposentar e por isso, procurando atividades para preencher o tempo.
Mas a montagem do vaso de suculentas me deu tanto prazer, tanto bem estar que já começo a pensar em me dedicar a este tipo de atividade.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O paraíso de cada um

Cada um tem seu pedaço de céu ou paraíso aqui na terra.


Esse aí da foto é o éden da minha irmã: um lote em Ibiúna, São Paulo, que ela ganhou do dono da gráfica onde imprime quatro ou cinco jornais que edita.

A planta é uma cerejeira, sakura, em japonês. O lote da foto é todo cercado de sakuras.
O homem é um japonês, que loteou um enorme terreno que tinha em Ibiúna e deu alguns lotes para "pessoas de caráter e muita força".

Ou o japonês é maluco ou está comemorando os 100 anos da imigração japonesa, pois nem para valorizar o terreno a doação serve, já que minha irmã não tem dinheiro para construir lá.

Bom, não tem por enquanto. Porque quem sabe amanhã ganha uma herança, um jogo, uma rifa e fica com um dinheirão na mão.

Sorte ela já provou que tem.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Só as avós são felizes

Não são as mães, como dizia Cazuza, que são felizes. São as avós.
Enquanto aquelas têm de se preocupar com tudo: o bebê dormiu? Comeu? Fez xixi? Fez cocô? O cocô estava verde ou marrom? Gostou do mamão? Comeu a batatinha? Cuspiu o espinafre? Vomitou a vitamina de couve com alfafa? Chorou com a vitamina de beterraba e ovo cru?, a avó só fica sabendo de alguns detalhes por telefone.
A avó vai lá visitar o bebê, olha a coisinha, ri, brinca, põe ele no chiqueirinho, no máximo dá uma papinha, ou uma mamadeira e acha graça quando ele cospe o mamão na roupa novinha.
Mas depois vai embora. Se o bebê teve febre. Se teve de ir ao hospital. Se teve cólica, vai saber só no dia seguinte, por telefone, depois de ter dormido uma boa noite de sono e ter tomado aquele café da manhã.
E por que estou falando isso, se nem sou avó?
Bem tive um domingo de avó. Fui passar o dia com minha sobrinha-neta Giovana. Aliás não sei quem inventou este raio de parentesco. Para mim é sobrinha, se é filha da sobrinha.
Brincamos muito, ri, fiz o bebê de oito meses dar risada até soluçar, cantei, deixei-a rolar na cama na tentativa de pegar brinquedinhos, engatinhando, o que ela não faz ainda.
A menina me deu uma canseira danada e depois de, inutilmente, tentar fazê-la dormir, entreguei para a mãe e fui dormir no quarto ao lado.
A pestinha acabou dormindo com a mãe, mas um soninho de meia hora e armou logo o berreiro para voltar à atividade.
Será que a menina vai andar logo? Será que ela fala antes de um ano? Será que é hiperativa? Será que vai dormir bem esta noite?
Bem essas são preocupações da mãe.
Eu sou só a tia-avó.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Tempo, tempo









" Há o tempo de nascer e o de morrer.
Entre os dois são o Homem e seu tempo,
o largo espaço-tempo, claro campo que vai desde o viver ao não-viver .
Há o tempo de cantar e o de sofrer e o de cantar sofrendo e o de, cantando sofrer ;
e há o tempo desse canto, que o tempo dado ao Homem é mercê.
Há o tempo de fazer e o destruir, o tempo de sorrir e o de chorar, de se manchar e de se desmanchar.
Há o tempo de abraçar e o de partir, e o de nascer no tempo de abraçar e o de morrer, no tempo de partir. "
(Renata Pallottini)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Um ano


Algums pessoas passam por nossa vida deixando um perfume que lembraremos eternamente. Lembraremos quando tivermos de tomar uma decisão grave.
Quando formos criticar alguém ou algo.
Quando formos lidar com nossos filhos,
Com nosso irmãos,
Com nossos colegas, vizinhos, gente.
Me acontece de pensar nisso recentemente, com uma certa freqüência.
Pode ser a proximidade da data de uma partida muito sentida, muito doída.
Pode ser a saudade.
Pode ser a lição que ficou depois de todo sofrimento.
Deve ser a lição.
Gosto de pensar que pelo menos para isso - uma lição -, serve a dor que temos de enfrentar algumas vezes.
Não lição de conformismo, do tipo "antes isso do que aquilo", desculpa que nos empurramos, nós mesmos, ou outros, para justificar eventos que não queremos aceitar.
Lição de pensar, de refletir, de descobrir significados.
De redescobrir hábitos perdidos, como rezar, ir à missa e cantar olhando um telão com uma letra singela.
De ser mais tolerante. De não desistir ao primeiro tropeço. De continuar até deus sabe onde.
Essa é a lição: completa, dividida e multiplicada em outras tantas, que passou a levar meus passos, depois de um longo tempo recheado de incompreensão, revolta, culpa.
Hoje vou caminhando na certeza de sua companhia eterna ao meu lado.
Companhia, perfume, lembrança, presença.

terça-feira, 13 de maio de 2008

No meio do caminho havia uma pedra

Estou indo toda serelepe, manhã cedinho, para o serviço. Finalmente o tempo começa a esfriar e eu fico feliz, porque não há cristão que agüente aquele calorão dos infernos.
Este friozinho de manhã dá uma preguiça de sair da cama, mas quando a gente troca a roupa e coloca uma blusa de lã - alguns mais friorentos experimentam até um casaco -, ou uma bota e sai toda chique, aí vale a pena.
Tempo civilizado é isso. Nem calor de matar, nem frio de rachar.
Mas estava indo trabalhar, como dizia, e dei um tremendo tropeção em uma pedra solta sobre um passeio. "No meio do caminho havia uma pedra", associei com Drumond, imediatamente.
Dois dias depois me acontece o mesmo, em outra rua, com uma pedra solta da calçada.
E antes de lembrar do verso drumoniano novamente, pensei em processar a prefeitura por danos físicos.
Mas segui em frente filosofando: "não é qualquer pedregulho que me derruba".
E ainda bem que a minha pedra era bem real.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Guga não merecia

( João Pires )
Que me importa se o Guga está "podre" de rico e nem precisa jogar mais?
Me importa é a forma como ele está sendo obrigado a deixar o tênis, por absoluta falta de condição física.
A despedida dele ontem, no aberto da Bahia (Costa do Sauípe), me fez chorar um bom tempo. E quando a câmera de tv mostrava o público e seu ex-treinador Larri Passos, vi que não era a única emocionada. Também, com fundo musical e tudo, ninguém agüenta.
Mas teria chorado com ou sem fundo musical, quando Guga se despediu, pedindo desculpas à torcida, "por não agüentar mais" e agradecendo ao Larri.
Aquele moço magrinho, com aquele cabelo cacheado como um anjinho barroco, e a cara lavada de lágrimas.
É uma imagem antológica da tv. No final do ano estará nas retrospectivas e depois, provavelmente, em alguma tese de mestrado.
Guga merecia continuar mais tempo no tênis. Merecia sair porque estava "velho", quem sabe lá pelos trinta e poucos anos...

x.x.x.x

Tem-me acontecido perder o sono no meio da noite, com certa freqüência ultimamente, derrubando minha fama de inveterada dorminhoca. E nestes momentos, corro para o computador e vou passear pela internet. É quando descubro os exemplos do "engenho humano", como este do concurso fantasma para gestor de saúde.
É quando tenho também algumas idéias mirabolantes, como a de fazer uma campanha eleitoral inteiramente pela internet, por meio de listas de discussão, orkut, myspace, blog. Já me candidatei uma vez a vereadora de Beagá e volta e meia ainda encontro alguém que me pergunta: "vai voltar não?"
A campanha, matematicamente elaborada (progressão exponencial) seria inédita, criativa e quase sem custo, além de ecologicamente correta.
E nem adianta você copiar a idéia, porque já estou providenciando seu registro em cartório.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Bolão de Fubá, sublocação

Dia desses minha colega Karina, ao ler meu blog, diz: "que negócio é este de Canto do Trota? Eeidriaaana, sublocando espaço?"
Pois é, o jornalista Antônio Trotta me mandava uns textos que ele publica lá pelos jornais do Sul de Minas e comecei a publicá-los, até que resolvi sistematizar uma coluna para ele, afinal o compartilhamento do espaço foi proposto por mim desde a "inauguração".
Quem me visitar poderá saborear também as crônicas do Trotta, na coluna da direita.
E hoje, poderá saborear quase literalmente, ao ler o texto "bolão de fubá".
Como também sou bicho de mato, acostumada em roças, deu até para sentir o cheirinho do bolão de fubá e do café coado, que ele descreve em seu texto.
De repente veio a lembrança e a saudade da fazenda de Tia Júlia, para onde íamos, minha mãe, eu, Taís e Robson, em um caminhão de leite que saía da Nestlé de Oliveira. Fazenda chamada Morro Alto, onde tomei um tombo uma certa vez, por estar encarapitada numa cerca de curral e depois de ter os arranhões do joelho curados com iodo por Tia Júlia, ainda levei umas palmadas, "para deixar de dar trabalho".
Fazenda onde, além das "quitandas" do café (biscoito de polvilho, broa de fubá, biscoito quebra-quebra), tinha uma especialidade: o requeijão de raspa.
Impossível esquecer a panela que ela nos dava para raspar, depois do requeijão pronto.
E apesar de o bolo de fubá não ser assado no latão com brasas, como o da avó do Trotta, até hoje é para mim a melhor companhia do requeijão no café da manhã, da tarde ou da noite.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Tchau, Patrícia

Não sei bem em que fase de nossa vida a morte começa a nos assediar com mais freqüência. É um parente longe que se vai, um ex-colega de faculdade, um vizinho idoso. E então, ela vai chegando mais perto: pai, mãe, irmãos, filhos.
Em 2007, ela escancarou nossa porta e entrou em nossa casa. E levou nossa mãe, nos deixando atordoados o resto do ano. Ao final de 2007, comecei a confundir as datas, ao desejar feliz Ano Novo para os conhecidos. Em vez de 2008, desejei feliz 2007.
Defesas do subconsciente.
Mas 2008 promete ser mais implacável. Ainda nem começou direito e já traz a morte novamente para nossas vidas.
Alguns conseguem driblá-la muito bem e chego a jogar o chapéu para o alto em comemoração. Como aconteceu com a Virgínia Castro há uma semana, ao sair de um choque anafilático, depois de uma anestesia para uma operação de vesícula.
Graças a Deus Virgínia já se recupera.
Mesma sorte não teve Patrícia.
Aos 30 e poucos anos ela se despede hoje da vida que tanto curtia.
Recebo cedo um telefonema para comunicar que ela não acordou mais hoje.
Choro por ela, pela sua filha Ana Alice, de sete anos, por sua mãe, por seu marido, por mim, que não entendo o que se passa à minha volta.
Patrícia foi minha colega de serviço, companheira de noitadas e bebedeiras, dessas que a gente precisa colocar dentro de um táxi, ao final da noite e dar o endereço para o motorista.
Colega com quem aprendi a ser mais tolerante, a entender as limitações de cada um, a ser uma chefe dura, mas justa e a separar bem as coisas: ambiente de trabalho e ambiente extra trabalho, quando então, nos tornávamos mais humanas.
Patrícia se vai agora, deixando para nós a eterna indagação: o que estamos fazendo aqui?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A moça vai à festa


Olho a roupa que ela veste para sair depois das 23 horas e me espanto: um shortinho preto e uma blusa idem, com paetês e as costas de fora. Nada em baixo e nada atrás, E aí me pergunta: - colocar esta pulseira fica muito pesado?
Olho aquela roda de fenemê preto no braço delicado e digo: - não. Quem sou eu para gostar de uma moda que exibe o corpo praticamente todo e tem uns acessórios teatrais?
Lembro que nos meus quinze anos usou-se short num inverno. Um frio do cão em Oliveira e a gente saindo de short. Claro que escondido do meu pai. Mas era diferente. Completava o short uma bota até o joelho, uma blusa de lã de gola rolê e, principalmente, uma capa dando quase no calcanhar. Era o mostrar disfaçando, o sugerir.
Mas hoje ela vai saindo, depois de me pedir opinião sobre a roupa: todas shorts e todas blusas com as costas inteiramente de fora. E há opção?
Bem, só posso desejar boa balada. E que a festa de aniversário que terá quatro dias de comemoração, bombe em todas. E que traga meu carro intacto, afinal amanhã tenho de buscar minha irmã no Planalto para o almoço de aniversário, que começa hoje, sexta-feira, passa pelo almoço de sábado, pelo de domingo, dia em que ela realmene nasceu, e pela balada da terça, onde vão se encontrar os outros que não podem ir em nenhuma das outras três.
Ai, ai, princess Naiara faz anos!!! Queriam o quê?

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Bendita Fabiana!

Admiro pessoas que se dedicam profundamente em tudo que fazem. Pessoas que mergulham de corpo e alma em cada pequeno projeto de vida. E que por causa dessa intensa dedicação fazem tudo com perfeição. Pessoas que nós outros chamamos de "caxias", "CDF" e outros apelidos bobos.
Essas pessoas facilitam a nossa vida, quando são nossas colegas de trabalho. Adoçam nosso dia-a-dia e nos dão estabilidade emocional, quando são nossas companheiras de jornada pessoal; nos dão consolo e segurança quando são nossas amigas.
Noite dessas, lá pelas 21 horas, eu sozinha na redação da assessoria, nos finalmentes do fechamento do jornal, atendo o telefone. Era uma repórter da Rede TV!
- "Será que você me arruma o telefone do Walmir Coutinho?" Perguntei quem era o tal. Era um bambambam dos tratamentos de obesidade, lá de São Paulo.
"Uai, acho que não vou ter isso aqui não"! Aí ela disse que ele foi um dos palestrantes de um seminário de obesidade que havíamos feito no ano passado.
-"Ah, bem, então vou dar uma conferida nas nossas matérias; te ligo depois, me dá seu telefone."
Aí era um número de São Paulo. Eu já estava desconfiada pelo sotaque da moça. Não resisti: - "não é melhor você procurar aí em São Paulo mesmo, telelista, coisa assim?"
- "Já tentei e não consegui nada".
Procurei no nosso banco de notícias e lá estavam as indicações sobre o cara. Aí lembrei de que nossa colega Fabiana foi a encarregada da divulgação do seminário. E organizada que é, certamente teria anotado alguma coisa. Fui no nosso disco P e batata. Lá estavam todas as formas de encontrar o Walmir: celular, residencial, universidade, fax, e-mail. Liguei de volta para a paulista e passei mais do que ela pediu. Com muitos agradecimentos, ela acrescentou - "sabia que eu estava perguntando no lugar certo".
Final de noite, edição esgotante, é bom ouvir qualquer agradozinho.
Mas a Fabiana ajudou novamente, poucos dias depois. Uma repórter d'O Tempo liga pedindo um contato de uma ONG que acompanha nossos trabalhos. O Thiago me pergunta, eu digo que sei quem é, mas não tenho a menor idéia de telefone deles. Pergunta para a Fabiana e pronto: lá estava nome do responsável, site, telefone.
Me desculpem o bairrismo do caso, dos nomes, mas é uma homenagem que faço a todos os profissionais que trabalham com o coração, mesmo depois de anos e anos, de todas as desilusões e frustrações.
Bendita Fabiana, que nos socorre a todo momento e ainda nos trata com a maior delicadeza que você possa imaginar!

PS: O pé de página é para dizer que a Fabiana humildemente disse que eu me enganei. Não foi ela que preparou o seminário da obesidade, mas a Luciene. Faço a correção ( também no texto, que escrevi às carreiras, pedindo desculpas à Luciene), mas mantenho a avaliação sobre todas as Fabianas que conheço. E mantenho também o desagravo. Um dia, quando crescer, quero ser igualzinho a ela!!!!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Muito além das pitangas

Está chegando o dia do lançamento do livro Prosa Sub (Leia no post de segunda 8).
Do escritor Leonardo Machado, publicado pela editora Ophicina de Arte e Prosa, o livro será lançado no dia 24 de outubro, quarta-feira, às 19 horas, na escola de mergulho Maramar (rua Piauí, 1714 - Funcionários). Vá ao lançamento e tome um chopp por conta do autor.


A "selva de pedra" guarda delicadezas muito além do que um pé de pitanga ou as mangueiras da avenida Alfredo Balena.
Às vezes ilhada por prédios, sobrevive uma casa, resquíscio de um tempo em que as famílias moravam em bairros nobres, sem saber o que era especulação imobiliária. E as heróicas sobreviventes exibem, com orgulho, traços de uma arquitetura modernista, pós-modernista e outras ainda inidentificáveis.
À rua Aimorés há uma casa assim. Sua fachada mantém os traços marcantes do modernismo, modelo que seduziu mais de uma geração de arquitetos mineiros do final dos 50 até metade dos 60. Traços que copiavam o arrojo de Brasília e seu guru maior Niemeyer, em que tudo era velocidade com a recém-chegada Wolkswagen; tempo em que o Brasil tinha de crescer 20 anos em 5, bem ao contrário de hoje, em que os governos ficam 8 anos, querem ficar 20, mas só fazem o que se pode fazer em 5.
Esta casa não guarda só a beleza arquitetônica. Lá existem outras preciosidades impossíveis nas "selvas de pedra".
Tem um galo que canta de madrugada em vez de cantar ao amanhecer, acho que meio perdido com o horário prolongado dos bebedores barulhentos dos bares vizinhos. Tem ainda um sabiá que canta o dia inteirinho, o que me deixou quase louca quando me mudei para perto dali, urbana insensível que sou.
Mas tem ainda uma lembrança muito melhor, de interior, de infância, de dias cheios de sol e de chuva ao final da tarde: as galinhas que cantam espalhafatosamente, no meio da tarde, anunciando a chegada de seus ovos.
São cenários e sons que a "selva" me oferece, gratuitamente, todos os dias.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Um pé de pitanga

Leia no post de segunda a resenha de Prosa Sub
Do escritor Leonardo Machado, publicado pela editora Ophicina de Arte e Prosa, o livro será lançado no dia 24 de outubro, quarta-feira, às 19 horas, na escola de mergulho Maramar (rua Piauí, 1714 - Funcionários). Vá ao lançamento e tome um chopp por conta do autor.


Pertinho da minha casa, em plena avenida Olegário Maciel, tem um pé de pitanga. Mesmo sem chuva, com esta secura toda, as pitangas começaram a brotar lotando o pé, pequenino, humilde, redondinho.
De um dia para o outro, com algumas já vermelhinhas, o pezinho virou atração de quem sobe a avenida, em direção ao Diamond.
Muita gente pára, colhe lá suas frutinhas, olha ressabiada para o porteiro do prédio em frente e vai embora, feliz de comer uma inacreditável pitanga colhida numa rua qualquer da "selva de pedra".
Bem perto também, na rua Timbiras, do lado contrário da igrejona da Universal, tem uma bananeira. Também mirrada, plantada em um buraco do passeio. Pois, já vi uma penca de banana ainda verde nela. E na rua de cima, na Aimorés, tem uma enorme jaqueira. Mas esta não faz sucesso. Parece que o povo não liga muito para aquela frutona que cai esborrachada do pé, porque ela fica ali pelo chão mesmo, ninguém apanha. Também ela madurinha tem um cheiro fortíssimo.
As grandes cidades, apesar de ganharem a fama, nem sempre são essas "selvas de pedra" que o imaginário urbano cunhou.
Há muitos anos, antes de o Arrudas ser canalizado em suas beiradas, alí perto do Barro Preto alguém plantou uns pés de couve na sua margem, do lado de dentro mesmo do leito, ao nível da rua.
As mangueiras da avenida Alfredo Balena, em frente ao Pronto Socorro, já protagonizaram muitas matérias de Tv. Numa delas, recente, foi mostrado um sujeito que até criou um instrumento para colher as mangas mais lá das grimpas. E o cara vendia alí mesmo, em meio àquele trânsito impossível.
O pé de pitanga é um mimo dos porteiros que o aguam e o cercam de cuidados o ano inteiro. Ele não é propriedade do prédio, apesar de estar em seu passeio.
Ele é de todos e nós todos compartilhamos esta doçura que a cidade seca, poeirenta, calorenta, oferece.