domingo, 29 de junho de 2008

Marceneiro mau caráter

Não mandem fazer armários com o Claudinei, de São Domingos do Prata, que tem uma firma chamada Qualy Armários.
De qualidade não tem nada e além disso é mau caráter. Recebe todo seu dinheiro e o serviço fica incompleto e mau feito.
Bem, recebi uma indicação dele pela minha amiga Jane e confiei plenamente, afinal a Jane é expert em serviços. Sempre tem uma indicação de marceneiro, pedreiro, pintor, gesseiro e coisas de reforma em geral. Ela é síndica do prédio onde mora e já o reformou de cabo a rabo, deixando uma belezura um prédio que era simples, simples.
Pois o cara é da terra dela e fez um armário para ela.
Contratei o serviço com ele, depois de quatro orçamentos. O dele foi o segundo mais caro.
Burra que sou, que não aprendo nunca, fiz tudo sem um contrato formal. E agora estou passando dissabor, atrás de dissabor, porque o cara não termina o armário. Falta porta, falta ajuste, falta o suporte de papel toalha e as gavetas parece que têm 200 anos de tão emperradas.
E ele só prometendo vir. Mas arrumar ele não admite, afinal o "armário está certo".
Eu é que estou errada.
E estou mesmo.
Minha amiga Rosângela tem uma teoria para estes prestadores de (des)serviço: eles fazem isso só com mulheres. Pode ser. Ela fala de camarote porque teve de sustar um cheque dado a um pintor que nunca foi lá depois que pegou o serviço e o cheque. E ainda teve de aguentar um cara de uma vendinha de bairro cobrando dela. Cheques passam de mão em mão.
Sustei o último cheque do Claudinei, de R$ 1.500,00 e liguei hoje para ele, para avisar que troco o cheque assim que ele terminar o serviço. Mas o cheque já tá longe. Mas fiz também uma ocorrência policial, como me instruiu a Rosângela.
Mas eu acredito na força da internet. Com esta postagem, que peço a você para enviar para suas listas, este Claudinei, de São Domingos do Prata não pega mais nenhum serviço aqui em Beagá.
Já me sinto aliviada com esta idéia!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

E o mundo gira

Não, não estou fora do planeta. Já voltei à lida.
Sei que a Ruth Cardoso morreu e a Silvinha também.
A primeira quase virou santa, pela cobertura que mereceu da imprensa.
Aliás, eu acho que ela já era uma santa antes de morrer, só de aguentar aquele Fernando Henrique.
Intelectual, culta, doutora, teve de virar primeira dama de um governinho medíocre.
Mas a Silvinha, coitada, merecia mais do que o registro ligeiro da imprensa.
Afinal ela foi ídolo de muita adolescente. Linda, loura, magra, alta e cantora.
Quer mais?
Casou com o boa pinta do Eduardo Araújo, "o bom" da Jovem Guarda, tipo machão, sem essa montanha de músculo que é a moçada de hoje, uma calça jeans apertadinha, uma botinha de salto e um chapelão de cowboy.
Era o casal 20 da Jovem Guarda.
Voltei ao planeta, portanto.
Mortes, mortes, enchentes, frio, tragédias.
Epa! Cadê o meu escândalo da semana?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Os 2 reais do governo

Ouço uma notícia que me deixa de queixo caído.
O governo vai cobrar dos aposentados 2 reais que pagou a mais em janeiro, por causa de um reembolso indevido de CPMF, que já estava extinta.
Tem que ser muito miserável para fazer esta cobrança.
Justamente um governo que deixa milhões se esvaírem em maus-usos de programas como fome zero, bolsa escola e mais recentemente PAC, FPM.
Um governo que deixa um lobista amigo do rei ganhar 5 milhões de dólares na intermediação da venda da VarigLog.
E mais uma centena de desvios que nem vale a pena relembrar.
São 20 milhões de aposentados garfados e o governo deve embolsar R$ 40 milhões.
Não é um mimo?
E o "cumpade" Teixeira ganha U$ 5 milhões para convencer o governo a dar a VarigLog para uns estrangeiros, o que é proibido por nossa Constituição.
É de dar asco!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Este linguajar brasileiro

Andar de ônibus coletivo em outras cidades é sempre interessante. Dá para ouvir uns pedaços de conversa que deliciam.
De Olivença para Ilhéus pego um coletivo e vou ouvindo dois camaradas conversarem uma conversa muito engajada, sobre identidade cultural e antropológica do povo baiano.
Um participou de um seminário sobre a cultura local e o outro é estudante de não sei o quê.
E a conversa só aumentando de nível, resvalando para a má-educação como causa do desinteresse dos brasileiros por suas tradições e cultura.
Mas o estudante acha que o ensino é ruim porque os professores ganham mal, enquanto o outro sai com uma explicação estapafúrdia sobre o preconceito entre índios e negros: "o negro vê a crítica como algo negativo, enquanto o índio a vê como um elogio" .
E o arremate do longo papo foi demais: depois de tirar uma "dialética" do nada, o estudante desce, se despedindo de seu camarada, com um sonoro "valeu brother".
Mas melhor mesmo foi, noutra viagem, uma idosa que se desentendeu com a cobradora do ônibus e soltou em alto e bom som:
"- Sua quenga velha, *b de *p murcho"!
E as placas, então?
Um verdadeiro show como esta em Olivença: "aqui comida Ala Cart"

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mais fotos do paraíso

Ilha da Pedra Furada
Itacarezinho
Cachoeira do Tijuípe



Ah, Itacaré!

Há quem ache Itacaré o melhor lugar do Sul da Bahia atualmente.
A cidadezinha em si não merece a classificação, afinal está um pouco descuidada e possui uma favelona logo na entrada.
Mas o acesso para lá, vindo de Ilhéus, já é qualquer coisa de fenomenal. A estrada é a BA 01, que atravessa a Mata Atlântica, uma reserva da biosfera declarada pela Unesco. Mais de 30 quilômetros de mata densa, exuberantemente verde.
E, de repente, lá embaixo, ao fundo, o mar.
Acho que a fama de Itacaré vem da rusticidade. A cidadezinha tem um clima afetivo, como o de Arraial da Ajuda.
É o point dos surfistas e naturebas em geral, afinal não é qualquer estado que pode oferecer praias praticamente desertas, sem aquele furdúncio de barracas, ambulantes e gente.
Em Itacaré é preciso disposição para andar a pé, afinal as praias mais próximas são a do Rezende, Tiririca, Da Costa, Ribeira, fora da cidade, todas pequenas enseadas com pedras, coqueiros e uma areia branquinha.
A praia urbana é a das Conchas, mas aí é esquema comercial mesmo.
Mas o melhor é pegar uma agência e contratar um pacote que se chama quatro praias e cachoeira do Rio Tijuípe.
E por que não pegar um carro e ir? Porque tem umas trilhas dentro da mata que não dá para encarar sem um guia local.
Este passeio começa pela praia do Havaizinho, de onde se pega uma trilha íngrime na mata cerrada até se chegar à praia da Engenhoca.
O acesso a essa era direto, mas um resort em construção fechou a trilha e a turma de Itacaré foi obrigada a abrir outra por Havaizinho.
Segundo nosso guia "Bahia" e os seguranças do resort de empresários portugueses, será o primeiro hotel seis estrelas do Brasil. Fica na boca da praia.
Pergunto se não é proibido construir ali, já que as margens de praias pertencem à Marinha.
Me explicam que foi embargada a obra, "mas é muito dinheiro correndo, muito emprego". Este é o Brasil.
O hotel, como todos os demais resorts, está em área de preservação ambiental, onde teoricamente seria proibido construir. Este então, já derrubou árvore para Blairo nenhum botar defeito.
Dessa praia, a gente volta pela trilha, fica um pouquinho no Havaizinho e segue rumo à praia de Camboinha. Nessa dá para visitar uma gruta, que o mar fez nos arrecifes ali na beirinha.
Depois pegamos a trilha de novo, subindo e descendo, tomando cuidado para não escorregar, afinal é mata fechada e choveu bastante nos dias anteriores, e chegamos a Itacarezinho.
É inacreditável! Você vê a praia ainda da trilha, estando num ponto mais alto e são treze quilômetros de areia clara, com coqueiros se debruçando por toda a extensão. Uma água clara, explodindo em ondas suaves incrivelmente brancas.
Não há muita infra-estrutura. Apenas uma barraca de crepes e um restaurante que está fechado até a temporada que recomeça em julho.
A barraca de crepes, além das iguarias deliciosas, oferece também banheiros, um serviço de som e uns gatos para atender. Maravilha pura!
O passeio termina na Cachoeira do Tijuípe, para onde vamos em uma van caquética e dá inveja ao chegar ao lugar. Um terreno limpíssimo, todo ajardinado, com banheiros e restaurante. E muita água descendo pela pedra larga, afinal o que não falta no litoral baiano é chuva nesta época.
Lembro das cachoeiras da Serra do Cipó, com aquela sujeira toda dos milhões de frequentadores de fins de semana e penso que os mineiros precisam tomar umas aulas de organização turística com os baianos.
Aliás, os mineiros precisam tomar outra aula com os baianos: a de identidade cultural.
Nessa época do ano, a Bahia, bem como todo o Nordeste, é São João puro. Há forrós pra tudo quanto é sete banda. E muita propaganda oficial sobre os festejos: "o melhor São João do Brasil".
Nosso São João hoje em dia, se restringe às festas particulares e de escolas.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Taipú de Fora é o lugar


Levanto às 5h30 para um passeio que nem a chuva vai me fazer desistir.
Depois de catar o povo aqui e alí, saímos, às 7 e pouco para Maraú.
A península é um lugar realmente selvagem. O acesso para lá é demorado e só com empresas de turismo.
Primeiro a gente vai para Camamu de ônibus. A viagem dura cerca de 1h40 e ainda chove e faz frio. Mas a paisagem vale a pena.
Em Camamu, já com o sol ensaiando dar as caras, pegamos uma lancha e fazemos uma travessia sensacional. Um pedaço de rio que se encontra com o mar, e uma dúzia de ilhotas às margens, com paisagens de cair o queixo. Há uma extensão de mangue tambem de perder o fôlego. Paramos em Barra Grande, um vilarejo praticamente virgem. O porto é um píer comprido e estreito e a gente sai numa areia branca, e um mar de água verde turqueza.
Aí começa a aventura.
Para chegar a Taipú de Fora só em "jardineira", nada mais nada menos que umas caminhonetes com toldos e uns bancos duros na carroceria.
Mais uns 40 minutos de rali, por uma estrada de areia batida, bem no estilo de praia de antigamente, quando nada era asfaltado, e muita lama, devido à chuva. "Rali dos sertões", ou safári, como classificaram nossos coleguinhas de viagem.
Mas na hora que se chega a Taipú, já com o sol inteiramente dominando, e se vê aquele marzão claro, claro, verde azulado, e praia, praia e coqueiro, coqueiro, aí vale a pena.
E depois quando vamos mergulhar para ver os peixes e corais, é tudo de lindo e um pouco mais.
E o guia ensinando "a senhora" a colocar o equipamento. "Puxa e sopra o ar, movimenta a nadadeira assim, assado".
E a senhora lá longe, singrando os mares.
Ôpa, tomo um susto quando olho para um lado e para outro e não vejo nada.
Arranco a máscara e morro de ri, quando vejo que estou na beira da praia.
E o resto da tarde foi só conversa fora, papo com os vizinhos, um casalzinho de Vitória que está de graça numa pousada. Ganhou a cortesia em janeiro e veio agora.
Bernardo, o garoto, me oferece um copo de cerveja, na hora que Naiara ameaça não me deixar pedir outra latinha, porque não "pedi logo a garrafa que ficava mais barato".
Ele pergunta:
- É sua filha?
E eu:
- Não, é minha mãe. E morro de rir, lembrando de Sarah e Salim, que arrumaram este parentesco. E o Bernardo também ri, afinal é tudo lindo, estamos de férias.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Ilhéus, o dilúvio

Bem, tem gente que tem a boca grande.
Foi só falar no sol e dia seguinte choveu prá ninguém botar defeito.
Pensei que Ilhéus fosse dissolver.
Aí peguei um ônibus e fui para o centro histórico da cidade.
Entrei no shopping Oi deles e comprei uma sombrinha de "5 real" e bati umas canelas pelas ruinhas.
Fui na casa do Jorge Amado e morri de dó.
Ô pobreza. Uma meia dúzia de objetos, numa casa enorme, com uma arquiterura linda, art nouveau, anos trinta.
Não sei por que a família do Jorge Amado não doa logo seus pertences e faz uns dois museus, um em Salvador, onde ele morava e outro em Ilhéus, onde passou a infância e juventude, antes de ir para o Rio, estudar Direito.
Aliás, Jorge Amado me decepcionou, depois que a guia da casa me contou que ele foi casado duas vezes: a primeira com uma carioca e a segunda com uma paulista. E eu nem sabia que a Zélia Gattai era paulista.
Pô, justamente o Jorge, que cantou e decantou as mulheres baianas, seu jeito, sua cor, seus cheiros?
A casa tem um piso em madeira todo decorado, em três tons. Muito lindo. Tem pinturas nos tetos e janelões em madeira maciça e frontões em ferro fundido.
Mas de objetos dele só umas poucas roupas, fotos e umas capas de livro nas línguas em que ele publicou.
Não consigo deixar de comparar com as casas de Pablo Neruda. Riquíssimas de acervo.
Dizem que em Salvador a casa de Jorge Amado - que inclusive está numa foto com Pablo Neruda na casa do poeta em Santiago, La Chascona-, está fechada, com todas as coisas lá dentro se estragando. Que os filhos (João Jorge e Paloma) nem ligam.
A casa de Ilhéus é mantida pela prefeitura. Jorge Amado nasceu em Itabuna e dessa casa só há uma fotinha na parede.
E ele foi publicado em 42 idiomas.

Chove chuva
Choveu mais um dia inteiro e forte.
Mas nós, como boas mineiras, juntamos as tralhas e fomos para a praia na Batuba Beach (isso mesmo, não estou gozando). Só que a chuva ficou tão forte que ficamos presas lá. Só duas pessoas.
Aí eu bebi uma cerveja, outra e nada da chuva parar, até ter coragem de arriscar uma pergunta para o garçom:
- Ô, não tem alguém aí para dar uma carona para a gente?
Batuba, que já está na entrada de Olivença, fica a uns 700 metros do Village Back Door, onde me hospedei.
Algum tempinho depois veio o dono do complexo de lazer para nos levar ao nosso hotel e ainda nos ofereceu uma cortesia para o resort Canabrava, "o dia que vocês quiserem, é só me ligar que eu franqueio a entrada de vocês". A família administra o resort, o complexo Batuba e o Hotel Opaba. Pai, filhos e a mãe. O bonzinho foi o Júnior (Ednei Júnior).
Bem, infelizmente não sobrou dia nenhum, porque amanhã tem um passeio que spromete, a Península do Maraú. E na sexta vamos a Itacaré.
Mas isso é tema para o post seguinte.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ilhéus tudo de bom!

Acabo de comer um dourado divino, acompanhado de um arroz com uns negocinhos vermelhos que a moça diz ser pimenta de cheiro. Uma delícia, como a farinha torrada na manteiga.
Vou andando pela rua, vendo o mar bater lá no fundo, agora à noite.
De dia é uma extensão quase infindável de mar, praias e coqueiros.
Estou em Ilhéus.
Conheci Gabriela (a do cravo e canela) de manhã. numa apresentação na Casa dos Artistas.
Feia que nem os bonecos de cera de madame Trousseau, em Londres. Coitada, mas diverte os turistas num esquetezinho de 20 minutos.
E mata os mais velhos de vergonha quando sai lá com umas piadinhas de duplo sentido.
Ouvindo o guia contar a história de Ilhéus, pensei que estivesse em Itu. Aqui tudo é mais, não em tamanho, mas em primeirisse.
Estou mesmo em Olivença e a praia fica a 10 passos, saindo do quarto.
Ao contrário das previsões, não chove nada. Está um tempo maravilhoso.
E para não passar por outros aperreios como a viagem para Natal, na então quase falida BRA, escolhi uma profissional. Nada como viajar de CVC. Um lanche maravilhoso , com um sanduíche, avião no horário certinho, um monte de guias fazendo aquelas piadinhas sobre a preguiça deles mesmos. Tudo ótimo.
Naiara acertou a mão dessa vez. Chega de aventuras como pagar a pousada duas vezes, como em Paraty (Trindade), ou voar o Brasil inteiro até chegar em Natal.
Esta viagem está tudo de bom. Não achei defeito em nada, por enquanto.
Vou tomar mais uma cervas para comemorar!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Quem pune a Vivo/Telemig?

Sou cliente da Telemig há mais de 13 anos. Agora Vivo, aliás.
Hoje quase tive um ataque cardíaco por causa de um atendimento ridículo. Liguei para reclamar que havia recebido a conta de junho, quando deveria estar isenta este mês, por causa de um plano de fidelização que me foi oferecido em dezembro, em que minha conta seria isenta mês sim, mês não.
Começo a explicar isso para a atendente Naiara, depois de três tentativas de conseguir a ligação e falar com alguém vivo (sem trocadilhos). E as ligações só gerando cobrança.
Aí ela me fala que perdi o direito à isenção porque paguei a conta de maio com atraso. Vou explicar para ela que só paguei com atraso porque não recebi a conta. Não me preocupei, como não me preocupo com outras contas, porque nunca deixo de receber as faturas. E não me preocupo porque desde que o serviço foi inventado tinha todas as contas no débito automático.
Pelo menos até fevereiro, quando o governo mineiro mudou o pagamento dos servidores públicos para o Banco do Brasil, me obrigando a tirar todas as contas do débito automático. E como lidar com o Banco do Brasil é um pesadelo, deixei tudo para ir pagar lá nos caixas eletrônicos, porque sou meio masoquista.
Estava só aguardando a oportunidade para retornar ao banco antigo (6 meses), para voltar com o débito automático.
Com uns dias de atraso, recebi duas mensagens comunicando o fato e "mandando eu pagar, para meu telefone não ser desligado", olha que mimo.
Pensei que era o mês da isenção. Mas ainda assim liguei e reclamei que não havia recebido a fatura. Registrei, no serviço automático, um pedido de segunda via. Esta não veio. Tornei a ligar alguns dias depois e em vez de ir pro serviço automático, preferi esperar o atendimento pessoal. Registrei o pedido, fui informada que a fatura viria só em cinco dias, mas que eu poderia pagar com o código de barras. Me foi passado o número e eu paguei.
Pois não tive a oportunidade de explicar isso à atendente Naiara porque ela simplesmente falava ao mesmo tempo que eu. Eu pedi para ela me esperar terminar de colocar meu lado da questão e ela só falando em contrato, que era assim, que era só eu ler.
Pedi para falar com um supervisor, alguém, que suponho, tem mais controle emocional para lidar com um cliente irado como eu estava. Ela desligou e eu fiquei feito boba no telefone.
Fico pensando que espécie de política da empresa é esta que pune, veja bem pune, um cliente porque ele se "esqueceu" de pagar a conta, e pagou 12 dias depois, com uma justificativa para mim inteiramente plausível.
Pelas regras, - que a empresa sempre invoca quando lhe convém-, a obrigação de fornecer o instrumento para pagamento, é da Vivo/Telemig, não é meu. E não adianta falar que tem outras formas à minha disposição. A forma pactuada comigo foi pagamento mediante fatura.
Na hora de quebrar regras a empresa tem todas as justificativas, na hora de cobrar a quebra de regras, o cliente que se ferre.
E como se não bastasse, ainda coloca uma besta quadrada para lhe atender. Talvez seja melhor mesmo ser atendido por uma máquina.
E aí, fico mais indignada ainda, porque quero encerrar meu contrato com a empresa, que não me trata com respeito, mas não posso, porque a empresa me ameaça com mil processos.
Em outra época, teria ligado para minha amiga da assessoria de imprensa, pedindo para ela resolver isso.
Mas me cansei desse tipo de expediente, acho que a obrigação da empresa é tratar todo mundo bem, sem que ninguém tenha que recorrer a esse ou aquele amigo.
Hoje recorro esse espaço na internet, onde conto casos de desrespeito como este e onde compartilho com outras pessoas que me respondem, a indignação pelo despreparo das empresas com os direitos de seus clientes.
A relação comercial é uma mão dupla, mas quase sempre, as empresas só vêem o lado delas.
A Vivo/Telemig me pune agora, por eu ser "má pagadora", ter atrasado 12 dias no pagamento de uma conta, em 13 anos e ainda por um motivo alheio à minha vontade.
Como eu faço para punir a Vivo/Telemig que não me enviou a fatura, me causando todo este desgaste?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Para onde vai o dinheiro da mineração?

A mineração em Minas está em alta. Só se ouve falar em cifras astronômicas. É investimento de US$ 40 bilhões até 2010 no Estado. É empresa X e Y (pra não dizer outras letras), se instalando por aqui. É siderúrgica nova e tal.
No entanto, os números do Estado são irrisórios, quando se trata de benefícios arrecadados, ou impostos, ou Cfens, como queiram.
Enquanto o lucro de empresas como a Vale foi de R$ 20 bilhões, no ano passado, o Estado só ficou com R$ 153 milhões de Cfem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos
Minerais).
Claro, a Vale está em outros estados também, mas ainda assim é um absurdo de distância, levando-se em conta que o valor dessa Cfem corresponde a todos os minerais extraídos, por todas as outras empresas, além da Vale.
Pois, em seminário realizado na Assembléia hoje, o representante do órgão federal que comanda o setor minerário no Brasil, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Marco Antônio Valadares, disse com todas as letras que "há algo estranho", pois se a exploração vem só crescendo, em compensação, "a compensação" vem caindo.
Marco Antônio disse que a arrecadação da Cfem do mês de maio deste ano caiu R$ 2 milhões. Em 2007 foi de R$ 22 milhões e em 2008 (sempre considerando maio), foi de R$ 20 milhões.
E afirmou que só há uma explicação: as empresas não estão cumprindo algumas normas do DNPM. E emendou que tal queda não se justifica, diante do aumento da produção.
O mais engraçado é que ele anunciou aos quatro ventos, que no próximo dia 30 o órgão vai fazer uma grande operação de fiscalização aqui nas Gerais, tipo pente fino, mesmo.
Pena que avisou tão antecipadamente.
E pena que o DNPM não é a Polícia Federal, que faz aquelas operações espetaculosas, com nomes mirabolantes, que mesmo com resultados nem sempre muito práticos, produzem um enorme efeito de "alma lavada", na opinião pública.
Pois é. As mineradoras poluem, arrebentam, degradam a vida de comunidades, ficam trilhardárias e ainda passam a perna no estado e municípios.
Disse a assessora jurídica da Associação dos Municípios Mineradores, Priscila Ramos, que há uma mineradora em Itabirito, que todos sabemos qual é, que recolhia a Cfem lá para o Pará, dando o calote nos itabiritenses. Mas aí a turma fez uma lei municipal e colocou a coisa nos devidos lugares.
Mas isso é coisa de gente grande fazer?
Se ainda fosse gente miúda, de calça curta...



domingo, 8 de junho de 2008

Release cibernético

Para quem não é do ramo, release, é aquela materinha, que nós assessores de imprensa, mandamos para jornais, rádios, tvs, portais.
E para comprovar o que tenho escrito aqui há vários dias, sobre as mudanças meteóricas da internet, com reflexos cada vez mais próximos em profissões como o jornalismo, acabo de receber uma newsletter do Comunique-se, informando de uma nova parceria da empresa. Um sócio internacional, a Marketwire entra no Brasil com uma novidade: a distribuição de releases internacionais.
Até aí nada de novo. Qualquer um pode fazer isso, basta ter os e-mails dos interessados e mandar.
Só que a Marketwire não usa e-mails. Isso é coisa do passado.
A americana, que de acordo com o Comunique-se, é a empresa de distribuição de releases que mais cresce no mundo, usa um sistema de "circuitos" (wires). Os wires consistem em acordos globais com as principais agências e sites de notícias do mundo, portais, que garantem a publicação do release. E há forma de verificação dessa publicação.
Ou seja, e-mail é coisa do passado.
Imagina jornalismo então!
Ah! e só de curiosidade: o Comunique-se, com este serviço, tem entre seus clientes sabe quem?
A MMX.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O livro dos recordes de Jeceaba

Jeceaba, que fica logo ali, atrás do morro, como diziam os antigos, pode entrar para o livro dos recordes, logo, logo.
Além de ser a cidade onde meu pai nasceu e onde meu avô se estabeleceu lá pelos idos de 1908, vindo de Portugal, junto com outros patrícios e espanhóis, para construir um ramal da estrada de ferro Central do Brasil, Jeceaba pode virar a cidade com 100% de seus habitantes empregados.
Pelo menos é o que se deduz dos anúncios da construção de uma siderúrgica por lá. A empresa francesa - que foi alemã até recentemente -, se associou a um grupo japonês e juntos vão investir lá algo perto de US$1,6 bilhão.
Até aí tudo bem, afinal é dinheiro para árabe nenhum botar defeito (ou francês ou japonês, como quer a globalização).
O problema é quando termina o fato e começa o marketing.
Pois a empresa garante que vai dar quatro mil empregos durante as obras.
Bem, o dinheiro é dela, ela dá quanto quiser e para quem quiser. Acontece que a cidade só tem 5.500 habitantes.
Daí que Jeceaba vai entrar para o Guiness de qualquer jeito, afinal vai ser a cidade onde toda a população terá emprego, com exceção de uns poucos pirralhos com menos de 10 anos, talvez uns velhotes de mais de 70. O resto, homens, mulheres, jovens, pré-adolescentes, cachorros, papagaios, vai estar empregado.
Ô paraíso, Jeceaba!
Pena que no tempo do meu pai não tinha esta fartura. Ele teve de ir procurar emprego em Passa Tempo, onde conheceu minha mãe, se casou e nunca mais voltou a Jeceaba.
Aliás, pena não. Se a siderúrgica estivesse lá antes, meu pai não teria buscado "mares nunca dantes navegados", e eu não teria nascido, né mesmo?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Como comemorar o Dia do Meio Ambiente


"De como no prazo duma hora só, careci de ir me vendo escorando rifle (...) trepado em jatobá e pequizeiro, deitado no azul duma laje grande".
João Guimarães Rosa, Grande Sertão:Veredas

Hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente
Bom seria comemorar com uma notícia boa: por exemplo, o desmatamento da Amazônia está desacelerando. Mas infelizmente não.
Para comemorar, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais divulgou há quatro dias que o desmatamento continua desenfreado. Só em abril, as motosserras comeram 1.123 quilômetros quadrados de árvores.
Bom seria comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente com uma notícia boa: por exemplo, tomou bomba o projeto de lei que permite "flexibilizar" a proteção do corte do pequizeiro. Mas infelizmente não.
O projeto, que visa permitir o corte de 410 árvores, nas proximidades de Sete Lagoas, para a instalação de uma fábrica de cerveja, só teve sua análise adiada, enquanto o lobby se rearticula para vencer a batalha, praticamente ganha.
O pequizeiro é uma árvore de cerrado cujo fruto tem alto teor protéico. É alimento da cultura alimentar dos povos do cerrado, especialmente Norte e Nordeste de Minas.
O projeto fala em compensação. Claro, tudo que arrebenta o meio ambiente tem uma compensação!
No entanto, o efeito estufa continua avassalador, as mudanças climáticas cada vez mais perto de nós, apesar de todas "compensações".
A dessa proposição, quase lei, é plantar 10 mudas para cada árvore arrancada, ou seja 2.005 pequizeiros.
Mas a espécie comum leva cinco anos para produzir.
E depois de plantadas as 2 mil - se é que alguém vai lá contar para ver se há este número de mudas -, quem irá cuidar para que elas vinguem?
Bom seria que o Dia Mundial do Meio Ambiente fosse comemorado com a notícia de que a empresa resolveu incorporar os 410 pequizeiros à sua planta, criando ali uma área de preservação e até mesmo de visitação pública.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Depois de Obama como fica a mídia tradicional


Aí está uma das suas fotos mais emblemáticas, com o lema que fez a cabeça dos americanos, para o inimaginável: um candidato negro e muçulmano. E tudo está no Flickr, gratuitamente


A campanha do democrata norte-amerciano Barack Obama é, certamente, um divisor de águas nas relações com a mídia tradicional.

A rede de colaboradores que ele armou, via seus assessores, usando os últimos recursos da tecnologia de informação e relacionamento, certamente determinará uma mudança de comportamento nas suas relações com a mídia.
Quem precisa da mídia tradicional para se comunicar, quando tem mais de 2 milhões de pessoas cadastradas, interagindo diariamente em seu site? Opinando, corrigindo, sugerindo, perguntando?
Quem precisará de jornais, revistas, tvs?
Claro que estes dão visibilidade, mas será que serão indispensáveis depois da campanha?
Se ele ganhar, tem toda esta rede ao seu lado, num movimento até perigoso para o congresso, e para a mídia.
Quando você fala diretamente com as pessoas, não precisa de "pagar" espaços. (pagar aqui é simbólico, porque lá, ao contrário da mídia brasileira, não existe esta figura espúria. Somente a matéria redacional e a publicidade e não esta subserviência que é aqui.)
Só que usei pagar, porque de uma certa forma, mesmo quando a moeda de troca não é o dinheiro, é preciso haver a simpatia de donos, editores, ou mesmo que a pessoa seja pauta determinada pela mídia.
Se ele não ganhar, terá um poder de pressão mais forte ainda.
Sua rede de colaboradores de mais de dois milhões de pessoas (este número é aumentado diariamente, na contagem do site) será seu aval.
Mas uma vez ele falará diretamente com seu eleitor/simpatizante/admirador/colaborador.
Sua campanha levou o boca a boca informatizado, já presente em instrumentos como Orkut, MySpace, YouTube, às últimas conseqüências.
Quem fala com um, dois milhões de pessoas diariamente e é respondido, precisa dos 300, 500, 800 mil leitores do New York, da Times?
E aqui no Brasil, esta campanha teria sucesso?
Dificilmente.
Ao contrário de lá, onde o simpatizante o é por convicção e não por obrigação, aqui, além do sentido de obrigação, há um consenso muito mais perverso: o da descredibilidade.
Capaz de um site desses, interativo, só ter palavrão, xingamentos e quetais.
O que você acham?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A Web 2.0 no setor público

Além das inúmeras informações novas sobre o que está acontecendo no mundo, o "Mídia Social" trouxe, pelo menos para mim, uma informação nova: a utilização de redes virtuais pelo cidadão.
Alguns elementos da Web 2.0, como os pagamentos on line, os formulários via internet, as reclamações e sugestões via internet para áreas públicas já existem em quase todos sites de órgãos públicos. Mas o passo à frente foi dado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia.
Dentro de uma filosofia de inovação - que em alguns países, como Espanha, tem até ministério, e em outros casos, até prêmios internacionais, como o do InnoCentive, que paga por idéias brilhantes nas áreas de negócios e empreendedorismo, química, ciências da vida, matemática, ciência da computação, engenharia, de até U$ 1 milhão -, a Secretaria de Ciência e Tecnologia criou o Sistema Mineiro de Inovação.
Lá neste portal, está a essência da Web 2.0: uma rede virtual colaborativa, com endereços, informações, comunidades, para que os interessados possam achar quase tudo: bolsas de estudo, pesquisa, financiamentos, projetos. É um portal construído por todos: professores, empresários, estudantes, Ongs, escolas. Basta entrar e se filiar na comunidade que mais lhe interessa. E se ela não existir, basta você criá-la.
Pensei na importância desse serviço, ao me lembrar de minha filha, que trabalha numa Oscip, como mediadora de conflitos em áreas de risco social (núcleo Veneza). É um programa da Secretaria de Defesa Social. Volta e meia o núcleo, que tem uma advogada, uma piscóloga, um assistente social, monta um projeto para atender os pedidos da comunidade. Já fizeram uma biblioteca num dos bairros da região. Está em andamento uma cozinha industrial, para outro bairro. Tudo com foco na mitigação da violência. Por exemplo, o projeto da cozinha tem como público mulheres e adolescentes vítimas de violência doméstica.
O mais novo projeto que está sendo gestado é um de inclusão digital para idosos e adolescentes.
Já reviraram meio mundo atrás de financiamento.
Bem agora tem um centro onde começar uma busca sistematizada.
Não estou fazendo propaganda do Simi. A iniciativa nem precisa disso, já que tem um público formador de opinião envolvido com sua construção permanente.
Acho importante divulgar ações que contribuam realmente para tornar nosso mundo melhor, para todos. E se a internet pode contribuir um pouquinho para isso, vamos passar adiante a informação boca a boca, no boca a boca informatizado, como definiu Oswaldo Gouveia.

sábado, 31 de maio de 2008

Ainda a Web e o estranhamento

Leio, leio, leio e ainda não fico sabendo de um terço do que está acontecendo. Na palestra do Oswaldo Gouveia, ele contou sobre a campanha do Obama.
Na parte de estratégias de comunicação, um cara de 20 e poucos anos, com um domínio fabuloso sobre a web, montou um verdadeiro canal mundial com o site do candidato.
O menino construiu um site pro Obama, que não custou nada. Buscou tudo que já estava disponível na web. Todas as ferramentas do site, e olha que tem de tudo, foram buscadas na rede mundial, gratuitamente.
Em um canto, há o "Obama em toda parte", com a lista das ferramentas de onde você pode acessar algo sobre o candidato: Facebook, MySpace, YouTube, Flickr, AsianAve, Digg, MiGente, BlackPlanet, Twitter, teaser, vídeos, fotologs, tudo colocado na página sem o cara gastar nada.
Há "n" endereços na internet que oferecem tais serviços gratuitamente.
E por falar em gastar, tem, óbvio, o campo de doações on line. E assim que começou a campanha foi estabelecida uma meta de 1, 5 milhão de doadores (há campos de doação de 50 a 500 dólares e um campo de "mais"). O site conta diariamente o número de doadores, que já ultrapassou muito a meta. Mas não conta a quantidade de dindim arrecadada. (Vou escrever sobre esta rede construída via internet depois).
A campanha pela internet é um multiplicador de opiniões, adeptos e tal. A página está traduzida até na China (menos doações, que a lei não permite, para estrangeiros).
Se você digitar Obama no Google, a primeira página é a chinesa. Coisa de louco, ou cibernéticos, claro.
A campanha está sendo acompanhada por milhões de pessoas pelo mundo afora, por meio dos twitters (mensagens curtas do que o Obama está fazendo, em tempo real, em espaços públicos, claro, que chegam pelo seu celular).
São milhões de "jornalistas" postando informações e milhões de aficcionados por tecnologia acompanhando e interagindo.
Isto é a web 2.0.
Por aqui temos o jornalismo colaborativo de alguns portais (Terra, Uol). Mas iniciativas de porte, vêm sempre de fora. A Índia está na linha de ponta.
Mas que importa de onde vem a iniciativa? Estamos todos conectados mesmo, mundo afora.

Ainda da campanha do Obama (isso tudo foi falado pelo Gouveia na palestra e eu fui xeretar depois no site): há um mapa do mundo no site para que os twitters sejam visualizados. Você posta daqui de BH e aparece em tempo real, no mapa múndi, com sua fotinha.
E tem também, um globo em 3D, que mostra as mensagens vistas do espaço com sua localização aqui, na pequena Terra!

Mas ainda vamos chegar à Web 2.0 no setor público. Continuo.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

McLuhan e a Web 2.0

Pouco antes de morrer, em uma de suas últimas entrevistas, McLuhan, teórico da comunicação global, guru de quem estudou jornalismo nos anos 70, respondeu à seguinte pergunta: "qual a pergunta que nunca lhe foi feita e que gostaria de responder?"
-"Gostaria que me perguntassem se gosto de tudo isso ( referindo-se ao seu campo de pesquisa e atividade). Só para responder que não, não gosto, tenho é medo disso tudo que está vindo".
E McLuhan não tem idéia do que veio e continua vindo. Claro que, profeticamente, ele anteviu nosso mundo globalizado, não só na informação, mas na economia, política, ciência.
Mas duvido que até mesmo sua genialidade pudesse supor o quão pequeno se tornou nosso planeta, com a internet.
E por que busquei o McLuhan aqui, hoje?
Porque me ocorreu que minha curiosidade com os avanços das tecnologias de informação, tem a ver um pouco com medo também.
Medo de não conseguir mais trabalhar. Medo de não conseguir entender uma simples conversa. Medo de não entender mais o mundo.
Essa é a sensação mais evidente diante de tantas novidades a nos assaltar diariamente.
E não só pelo marketing comercial e suas inutilidades (ainda tem celular que só faz e recebe chamadas?), mas principalmente pela infinidade de recursos disponíveis na web.
Fiz mais um curso de web. Todos que aparecem, ligados à minha profissão, me atraem irresistivelmente.
Cada vez saio sabendo menos. E não se trata apenas de uma constatação socrática.
Mas da percepção de que me faltam as ferramentas para entender o que intelectualmente vislumbro. Creio que preciso fazer um curso de informática, ou algo assim.
Pois a palestra era Mídia Social: os impactos da Web 2.0 nos setores privado e público, organizada pela Secretaria de Ciência e Tecnologia, com o apoio da Fapemig.
O expositor foi o Oswaldo Gouveia, administrador da Rede Peabirus.
Foi uma viagem cibernética.
Mas o tempo é curto e não dá para aprofundar em nada.
O jeito é pegar as referências, dicas e ir pesquisar porque "o tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém".
E eu quero entender um pouquinho desse mundo, enquanto estiver nele.
Volto ao assunto depois

quinta-feira, 29 de maio de 2008

As peraltices da MMX

A MMX, apesar de ser uma empresa recente, que ainda não teve tempo suficiente para arrebentar com ecossistemas de onde se instala - como a Vale -, já tem uma boa folha corrida de peraltices.

Primeiro, o Eike Batista foi corrido da Bolívia em abril de 2006, depois de uma tentativa frustrada de implantar um empreendimento altamente poluidor naquele país. Como já estava em andamento o projeto Corumbá, de instalar um baita complexo siderúrgico no Mato Grosso do Sul, ele passou a pressões políticas e econômicas para agilizá-lo, conforme denúncias de ambientalistas de lá. http://arruda.rits.org.br/oeco/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=6&pageCode=67&textCode=21219&date=currentDate&contentType=html

No Mato Grosso, o licenciamento passou a sair num piscar de olhos, deixando todo mundo de cabelo em pé, com medo de ver o Pantanal virar uma nova Cubatão. Lá o Ministério Público está com ação civil pública contra a MMX. (www.prms.mpf.gov.br/info/not/images/20070412-01.pdf )

O outro braço da MMX, o projeto do Amapá, corre solto, porque lá naquelas lonjuras acontece de tudo, a não ser quando os índios fecham as estradas (parece que os pataxós de Carmésia andam vendo televisão). Mas se não dá problema no Amapá, de onde vai extrair uma montanha de ferro para mandar para o exterior, a forma de mandá-lo é uma verdadeira odisséia.

A MMX quer construir um porto flutuante no Pará, por onde o minério escoaria, em comboios de barcaças. Coisa de louco! O Ministério Público do Pará botou os olhos em cima e a coisa virou polêmica. "Peraí né gente, também não é assim, isto aqui não é a casa da mãe Joana não", decretou o MP paraense. http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=15322

Aqüeduto lá, mineroduto aqui em Minas, onde a MMX vendeu quase todo o controle acionário do projeto Minas Rio, para a Anglo American.

Aqui falta o MP tomar uma medida qualquer, nem que seja obrigar a empresa a fazer um amplo esclarecimento à sociedade e não ficar comprando as terras de Conceição, Serro, Alvorada por valores milionários. Não ficar prometendo milhares de empregos para os coitados dos moradores que não têm alternativas de ocupação nessas cidades pequenas. Não ficar prometendo uns caraminguás para os prefeitos delas, sob a carapaça de desenvolvimento, que depois todo mundo verá do que se trata, mas aí já serão outros governantes.

Os índios da reserva Guarani, de Carmésia, desbloquearam a estrada, mas estão com os caminhões com os tubos do mineroduto. Ótimo, pelo menos a MMX foi obrigada a descer do pedestal, nem que por um minutinho só.

O Fórum de Desenvolvimento Sustentável tem um documento já apresentado ao MP com uma lista de irregularidades no processo de lá. Pedi uma cópia para o pessoal do Fórum. Estou aguardando.

Mas enquanto isso, sem licença, com licença, com processo na justiça, sem processo, com projeto ou não, a MMX vai caminhando tranquilamente, aqui, no Mato Grosso e no Amapá.

Um dia, quando acordarmos, teremos só essa "terra devastada"

(Eis a natureza, árida, desolada, como metáfora da condição humana):

"Terra devastada" (fragmentos)

T.S.Elliot

"Aqui água não há, mas rocha apenas
Rocha. Água nenhuma. E o arenoso caminho
O coleante caminho que sobe entre as montanhas
Que são montanhas de inaquosa rocha
Se água houvesse aqui, nos deteríamos a bebê-la
Não se pode parar ou pensar em meio às rochas
Seco o suor nos poros e os pés na areia postos
Se aqui só água houvesse em meio às rochas
Montanha morta, boca de dentes cariados que já não pode cuspir
Aqui de pé não se fica e ninguém se deita ou senta
Nem o silêncio vibra nas montanhas
Apenas o áspero e seca trovão sem chuva
Sequer a solidão floresce nas montanhas
Apenas rubras faces taciturnas que escarnecem e rosnam
A espreitar nas portas de casebres calcinados
Se água houvesse aqui
E não rocha
Se aqui houvesse rocha
Que água também fosse
E água
Uma nascente
Uma poça entre as rochas
Se ao menos um sussurro Aqui água não há, mas rocha apenas
Rocha. Água nenhuma. E o arenoso caminho
E água
Uma nascente
Uma poça entre as rochas
Não a cigarra
Ou a canora relva seca
Mas a canção das águas sobre a rocha
Onde gorjeia o tordo solitário nos pinheiros
Drip drop drip drop drop drop drop
Mas aqui água não há".

terça-feira, 27 de maio de 2008

No caminho da MMX tinha os índios

A MMX começa a enfrentar os problemas reais no território mineiro.
Se ela achava que era só chegar, jogar preços lá nas alturas, e começar a cavoucar, enganou-se.
Mesmo contando com a boa vontade do governador, que graciosamente, decretou a desapropriação de quilômetros e quilômetros de terras na região, "para fins públicos", facilitando a "negociação" com as famílias desapropriadas, melhor dizendo, expropriadas, a MMX ganhou a mídia negativamente.
Mesmo que a Globo, visando claro seu lado comercial, insista em dar a notícia sem citar quem. E olha que o "quem" é pilar básico da notícia.
No caminho do mineroduto que vai levar nosso pobre minério (pobre mesmo, porque de teor econômico bem mais baixo do que o de outras áreas de exploração tradicional) para o porto de Açú no Rio de Janeiro, tinha uns índios pataxós.
E os pataxós estão com os caminhões da empresa "sob custódia" há dois dias. Caminhões carregadados de tubos para a construção do "minhocão".
Os índios dizem que os caminhões estão passando por sua reserva em Carmésia, atrapalhando plantações, pondo em risco a vida das crianças que vão a pé para as escolas.
Não quero nem saber se os índios estão certos sobre a reserva.
Estou é achando ótimo a atitude deles. Pelo menos um segmento social peitou a poderosa multi.
E com uma repercussão internacional, basta ver os portais, porque a imprensa nacional mesmo não dá nada. E quando dá, omite o nome do santo, ou demônio, se preferirem.
Mais do que nunca está provado que a mineração não contribui grande coisa para a economia do Estado. E nem para o desenvolvimento das comunidades. Que o digam o governo mineiro e as populações atingidas como as de Itabira, Congonhas, obrigadas a conviver com poluição, restos, degradação.
Não são as "tecnologias" dessas empresas que melhoram a situação. No cômputo geral, somente as mineradoras são as beneficiadas. Estão só faturando bilhões, como a Vale, que no ano passado teve um lucro de R$ 21 bilhões.
E o Estado só faturou R$ 265 milhões com a mineração, enquanto o Rio de Janeiro ganhou R$ 7 bilhões com os royalties do petróleo.
Minas continuará devastada, porque é política desse governo atrair mais mineradoras, que oferecem, no final das contas uns níqueis de compensação, uma terra arrasada e o maior saldo de acidentes de trabalho de todas as atividades econômicas: 2.717 mortos em 2006, segundo o Sindicato dos Garimpeiros de Paracatu.
E salve os 150 índios pataxós da reserva de Carmésia, que com sua ação provocaram o maior "imbróglio". A PM disse que não lhe competia interferir, chamou a Polícia Federal, que disse aguardar a Funai, que disse estar tudo bem.
Se não fosse tão trágico, poderia ser um poema de Carlos Drumond de Andrade.