domingo, 25 de novembro de 2007

Uma tarde de web em Santa Tereza

Chegou ao fim nosso curso de gestão de conteúdo web. Deu para aprender mais um pouco, fazer um montão de novos amigos e aplicar quase nada do que aprendeu, não que o aprendido não seja aplicável, pelo contrário, já está ficando até ultrapassado. É que algumas estruturas são mais.
Mas continuamos insistindo nos cursos. Para o jornalista, a web é a ferramenta básica hoje; a caneta de outrora. Ferramenta, fonte primária, secundária, receptor, cada um ou tudo junto, depende do gosto do freguês.
E num sabadão à tarde, um calor infernal, com nossos certificados debaixo do sovaco, vamos beber umas cervejas no Santa Tereza, onde funcionou o curso. Anda daqui, anda dali e caímos no Marilton's, nem sei bem em que rua, só sei que é depois da Praça Duque de Caxias e eu recomendo: lugar legal, um clima de litoral com interior, um som maravilhoso, ao vivo, sem precisar pagar o couvert e claro, a boa cerva bem gelada.
Todos assentados e começamos, como você se chama? E você? E você?
E passamos uma longa tarde de copos e mais copos de cerveja, em inevitáveis discussões sobre tv digital, acesso e democratização da comunicação, tudo conforme manda o figurino de uma mesa de boteco, onde se resolvem todos os problemas e misérias do mundo.
Caindo a noite volto para casa, não caindo, mas rindo da situação. Pessoas estranhas que passam uma tarde inteira juntas, que discutem, que trocam promessas de se encontrar e beijinhos na despedida.
Nada como a web para encurtar, também, nossas distâncias reais!

sábado, 24 de novembro de 2007

Mudando a conta de banco II

Uma vez mais a grande imprensa mineira blinda o governo de Aécio em outra trapalhada. A bola da vez é a venda da folha de salários dos servidores estaduais para o Banco do Brasil e o caos que isso gerou.
Mas na grande mídia não tem nada. Um probleminha aqui, outro ali, coisa pontual.
E tenho minhas dúvidas de que esta censura seja uma determinação do Palácio da Liberdade, dama de ferro ao leme: dama de ferro construída por marketing, diga-se, já que a neta de Tancredo não tem história política para isso, nem know how para tanto. Com certeza não passa de mais uma peça da simbologia política dos Neves, engendrada com a morte do patriarca num 21 de abril e perpetuada no neto, nas vagarosas tardes do Solar dos Neves, único casarão de São João Del Rei a merecer tal classificação, afinal o mito se constrói no espécime único.
A censura é a pior delas: é a autocensura. O que o povo simples costuma explicar como "mais realista do que o rei".
A grande imprensa do Estado, grande não sei em que concepção, não divulga o caos, porque sabe quem paga a folha de salários. É o pacto do silêncio.
Ou pior, encontra um bode expiatório. E este é o Banco do Brasil.
Ele tem culpa?
Tem. E muita. De dar medo até em lobisomem, tal as conversas que temos ouvido ou lido. Coisas do tipo: "estão lhe empurrando um mundo de produtos, sem você saber. As informações não são bem aquelas que eles lhe dizem" e por aí vai.
Mas o problema se originou aonde mesmo?
Isto mesmo, no governo. Que ganhou, só ele, com a transação, fora o banco, claro. Porque os funcionários só levaram ferro, mais uma vez, e às vésperas do Natal.
Mas onde publicar isto? Acertou de novo: nos nossos blogs.
Depois a mídia não entende aonde foram parar seus leitores.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Mudando a conta no banco I

Essa história da mudança de conta dos servidores estaduais para o Banco do Brasil é coisa de arrepiar e de criar até eventuais paranóicos.
Fui abrir a minha conta no Banco do Brasil e não quis nada do que o rapaz me oferecia gentilmente.
Informei a ele, respeitosamente, que só queria mesmo a conta-salário, independente de todas as vantagens que o BB pudessse me oferecer. Tenho uma preguiça danada de banco. Já sofro extremamente de ir em um, imagina em dois!
Aí, tudo bem, segundo o rapaz. Assina aqui, assina ali, mais este papel aqui, mais esta folha acolá.
Assinei, sem ler, coisa de umas seis folhas.
Horas depois abro meu correio eletrônico e tomo um susto com as listas de discussão de servidores. Entre outras coisas, diziam que não era para você assinar nada sem ler tudinho, porque o bom rapaz concordava com você sobre a recusa do pacotaço do BB e então, por causa dessa simpatia toda, pronto, lá estava você assinando tudo que lhe era empurrado. E este tudo, segundo as opiniões das listas, é tudo mesmo: cartões de crédito, empréstimos, cheque especial, bolsa turismo para você fazer aquela viagem pra lua acalentada há dois anos, e por aí vai.
Bem, àquela altura não adiantava descabelar, já tinha assinado mesmo.
A única coisa a fazer é esperar o dia do pagamento e ver se vou poder transferir todo o meu salário para o outro banco, sem qualquer custo.
Não sei por que, mas tenho uma inabalável crença na honestidade humana.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Mudando a conta do banco

Não dá para entender. Aliás dá, não dá é para aceitar calada.
Governo mineiro, para botar a mão numa bufunfa gorda, causa tremendo transtorno aos seus servidores.
Muda o banco onde deposita os salários. Agora é só no Banco do Brasil e "f* vocês".
Entra na fila, falta isso, falta aquilo, xerox disso, xerox daquilo. E tudo para poder receber o salário de dezembro, que graças a Deus, já está batendo à porta, pelo menos isso.
E para comprovar a independência de poderes existentes nas Minas, os outros dois (o das leis e o dos julgamentos) também "aderiram" à mudança para o BB.
Dá para imaginar o tumulto que está nas agências com a abertura compulsória de contas?
Verdadeiro presente de Natal do querido governador.
O mais interessante é que o mesmo governo que demonstra extrema agilidade para fazer uma mudança que está atazanando a vida de mais de meio milhão de pessoas, é de uma morosidade inexplicável quando se trata de garantir alguns direitos básicos de seus servidores.
Dia desses ouvi uma queixa, numa fila qualquer, de uma professora que se aposentou há quatro anos, e até hoje não teve sua aposentadoria publicada, pasmem, quatro anos! Já está afastada este tempo todo da escola, todo mês recebe o contracheque com um erro qualquer. Agora ficou sabendo, por acaso, que a aposentadoria está errada, que o cálculo do tempo de serviço não é aquele e que ela precisa voltar para a escola e trabalhar mais dois anos!!!
Incompreensível?
"Meu Deus é mais"

domingo, 18 de novembro de 2007

Carro movido a chocolate



Os ingleses testam um veículo movido a chocolate. Vão fazer uma expedição Saara afora, de seis mil quilômeros, até chegar no Mali, um dos países africanos que mais sofre com a mudança climática. O combustível será doado, bem como os segredos de seu processamento, às autoridades da cidade de Tombouctou, que era portuária, mas devido às mudanças climáticas teve o seu rio empurrado 20 quilômetros de seu curso, pelas areias do deserto.
Cana, amendoim, arroz, beterraba, soja, mamona, milho, gordura de picanha são algumas das matérias-primas em teste na fabricação de biocombustíveis. Por isso, já há uma corrente de cientistas criticando os biocombustíveis e alertando para o risco à segurança alimentar do planeta. Ou seja, você reduz a emissão de gás carbônico na atmosfera, mas mata de fome grande parte da população do mundo, segundo eles. ("Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come").
E agora o chocolate. Alimento riquíssimo. Já foi bebida, já foi comida, já foi doce. Virou remédio, depois cosmético e agora combustível.
Você não precisa mais se preocupar de comer chocolate quando estiver com TPM. Ou estressado.
E nem adianta saber que os povos da América Central já bebiam drinks alcóolicos feitos com cacau, mil anos antes de Cristo.
E nem passar chocolate no cabelo, pra ficar com aquele cabelão lindo, brilhante e lustroso. Ou na pele, para acabar com as rugas.
Chocolate agora é para fazer andar carros.
E na África, ironia das ironias, continente campeão da fome mundial!

Expedição leva carro movido a chocolate para a África

sábado, 17 de novembro de 2007

E Papai Noel chegou

E Papai Noel chegou finalmente. Depois de muita empolgação do mestre de cerimônias, de músicas natalinas, e brincadeiras para as crianças que lotavam a praça de alimentação do shopping, ele desceu pelas cordas, do terceiro andar.
Uma entrada triunfal de artista de circo, com direito a muito suspense: "será que ele vai cair"? Será que o Papai Noel chega inteiro ao chão"?, entusiasmava-se o moço da apresentação, esquecido de que era uma festa de crianças, muitas ainda bem pequeninas.
Se eu fosse criança teria morrido de susto. Não gostaria nunca de ver um Papai Noel despencando do alto.
Queria vê-lo sempre entrando por uma chaminé, e quando essa não fosse possível, surgindo de trás de uma porta, disfarçado na penumbra de luzes pisca-piscas da árvore de Natal, para nos surpreender, arrepiar, acelerar o coração.
Mas não. Este Papai Noel desceu de cordas, como se fora um atleta de rappel. Sinal dos tempos.
Deu cambalhotas, magrinho, magrinho. Sinal dos tempos também.
E quando chegou ao chão, foi imediatamente cercado pelos seguranças e levado para outro lugar, sabe-se lá onde.
E a criança que eu sempre fui, não pôde puxar sua barba para ter a certeza de que era de verdade!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

ONU no Brasil

A meteórica passagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por Brasília, tem um significado político: o ban ban ban (não resisti ao trocadilho) das Nações Unidas não veio ao Brasil, mas à Amazônia.
Não é à-toa que dos três dias no País, ele gasta dois deles no Norte brasileiro, visitando o museu Emílio Goeldi, no Pará, a Ilha do Combú, próxima a Belém, onde tem um parque ambiental, e discute os impactos do projeto do biocombustível brasileiro sobre a região amazônica.
Em Brasília, ele cumpriu estritamente o protocolar: um encontro com Lula e a apresentação das várias agências da ONU no Brasil, que tiveram apenas cinco minutos para se apresentar. Essas se ressentem do descaso e culpam a falta de carisma de Ban, em contraposição a Kofi Annan.
Ban Ki-moon veio na hora certa: o sincronismo de ações da ONU indica bem a prioridade dele à frente do organismo mundial: o meio-ambiente. Nestes mesmos dias de sua visita ao Brasil, o grupo do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, órgão multilateral formado por delegações de 130 paises) está em Valência, na Espanha, apresentando o último capítulo do relatório sobre a quantas anda o clima no planeta. As outras três partes do relatório foram apresentadas em fevereiro, abril e maio, e resultado todo mundo sabe: o inexorável aquecimento global.
A reunião do IPCC termina no sábado (17), com a divulgação do relatório na pesença do secretário-geral. O texto é uma síntese do que já foi falado antes, não contém novidades, mas as diretrizes para a política a ser adotada pós-Kyoto, que se expira em 2012 e cujo término é tema da reunião da Indonésia, em dezembro.
A novidade fica por conta das opções apontadas pelo IPCC: dá para estabilizar as emissões de CO2 a um custo razoável: menos de 3% do PIB mundial. E para o Brasil, o alerta feito em relatórios anteriores: o perigo da savanização da Amazônia, também lembrado na Conferência sobre Mudanças Globais para a América do Sul, realizada em São Paulo, na semana passada. Este perigo é patente no leste amazônico, onde ocorre mais intensamente o desmatamento.
O governo editou aí um decreto que imita uma privatização de partes da região, ao conceder a empresas, o direito de explorar a floresta. Disse que é uma forma de preservá-la.
Tenho minhas dúvidas.

domingo, 11 de novembro de 2007

Conclusões da Conferência de Mudanças Climáticas

Como a grande imprensa não deu a mínima bola para a conferência que trouxe cientistas do continente sul-americano para discutir as mudanças no clima da América do Sul; e como fiz um post sobre o assunto - ainda que não tenha havido uma resposta para minha indagação para o problema do gás metano dos bois e gnus -, dou minha pequena contribuição, reproduzindo algumas das conclusões e recomendações do encontro, divulgadas unicamente no site do evento:

Há uma percepção de mudança do eixo de discussão da conferência: antes, o foco era a existência das mudanças climáticas. Agora, o consenso entre os cientistas presentes nesta conferência é que as mudanças climáticas são uma realidade. No entanto, é preciso ter um maior conhecimento sobre medidas de adaptação e mitigação nos diversos setores da sociedade.

Os tomadores de decisão das políticas públicas precisam que as informações técnicas sejam não só acessíveis, mas também disponíveis em formato executivo.

Há uma necessidade de maior utilização de desenvolvimentos científico-tecnológicos como suporte à tomada de decisões em políticas públicas como garantia para o desenvolvimento sustentável. Deve-se também aliar academia, setor privado e organizações não governamentais.


Taxação e soluções

Recomendam-se que as políticas públicas definam ações claras que levem à redução de emissões de gases do efeito estufa, tais como taxação de combustíveis fósseis, aumento da eficiência energética etc.
Foram discutidas ações de adaptação às mudanças climáticas de caráter prático e de baixo custo, como, por exemplo: pintura do teto dos prédios na cor branca em regiões tropicais (o que evita o aquecimento da residência e gera economia de energia elétrica), reflexão por cobertura parcial no semi–árido (economia de água nos açudes), coberturas do solo no semi-árido.


O pesadelo amazônico

As conclusões relativas à Amazônia na conferência foram: existe uma incerteza quanto à capacidade de adaptação da floresta amazônica às mudanças climáticas; as modelagens metereológicas indicam uma possibilidade de savanização da Amazônia Brasileira; observa-se uma redução significativa da taxa de desmatamento nos últimos três anos, apesar de ainda ser superior à média histórica da década de 1990 e de os vetores que a determinam não serem muito claros.
Em relação à conferência anterior, relatou-se a aprovação de duas metodologias florestais complementares para obtenção de créditos de carbono no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): 1) recuperação florestal em Áreas de Preservação Permanente; 2) fomento a plantações florestais para fins industriais.
Recomenda-se a atenção dos órgãos de política agrícola ao uso racional de fertilizantes nitrogenados em atividades agrícolas e pecuárias.

Destaque para os aspectos sociais das políticas de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas. É preciso que projetos privados de redução de emissões procurem incorporar esses aspectos, e não somente o cumprimento da legislação nacional. Ao mesmo tempo, é preciso também pensar como a sociedade civil pode melhor se adaptar às mudanças climáticas.


Mudança de hábitos

O aumento populacional no planeta não condiz com o aumento na demanda de recursos hídricos. Portanto, há uma necessidade clara de mudança de hábitos de consumo, ou seja, mudança de paradigmas. A gestão dos recursos hídricos e o desenvolvimento urbano são estratégias para essa mudança.

As Oscilações Decadais do Pacifico (PDO) podem trazer uma atenuação ao efeito do crescente lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera nos próximos anos. Os oceanos regulam a distribuição de calor no planeta. Há uma potencial redução na capacidade dos oceanos de absorver CO2.


Há uma incapacidade do sistema econômico atual de reduzir a demanda por água.
As incertezas associadas às mudanças climáticas aumentam o risco no planejamento do uso dos recursos hídricos (por exemplo, construção de hidroelétricas).

Biocombustíveis

Os biocombustíveis são uma alternativa para que o setor de transportes dê a sua contribuição para a mitigação das emissões de gases de efeito estufas, em especial o etanol oriundo da cana-de-açúcar. No entanto, a melhoria de aproveitamento energético é tão importante quanto o uso de combustíveis alternativos, assim como a melhoria da eficiência dos motores e a redução do peso dos veículos e maior uso de transportes coletivos.

Aponta-se um conflito entre a utilização de terras para cultivo de alimentos e para obtenção de biocombustíveis.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Mudança climática

Em São Paulo começa hoje (5), a 3ª Conferência Regional sobre Mudanças Globais da América do Sul, que terá a apresentação de mais de 100 trabalhos relacionados com a mudança climática.
A discussão deve começar, naturalmente, pelo último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), que terá alguns de seus representantes presentes ao encontro. Junto com este relatório e suas sugestões, os cientistas da 3ª Conferência vão se deter especificamente sobre as mudanças na América do Sul e as soluções para a região.
O Brasil vai estar com as barbas de molho: além da poluição provocada pelas grandes queimadas em vastos territórios nacionais, o País é responsável por outra importante emissão poluente: o gás metano.
Embora a presença deste gás na atmosfera seja quatro vezes menor do que o gás carbônico, a origem de sua participação no aquecimento global chama a atenção, no caso brasileiro.
O metano brasileiro não é liberado pelos lixões, ainda que estes tenham uma importante contribuição, mas pelo rebanho bovino.
Em uma conversa de fim de semana, à beira de uma piscina e de muitas latas de cerveja, e por causa da presença de um ecologista ( Gustavo, geógrafo com ênfase em Meio Ambiente), fiquei sabendo do problema que o rebanho de gnus da África causa ao clima, com seus gases intestinais. Gnu é aquele animal que aparece sempre nos safáris, filmes, correndo desembestado pelas savanas africanas. Na verdade, a cena ocorre quando o rebanho, calculado em cerca de 2 milhões de animais, migra da Tanzânia para o Quênia, em busca de alimentação. Vocês podem imaginar o tipo de conversa que foi. As piadas, dois milhões de gnus correndo e ....
Aí, pesquisando daqui e dali sobre o assunto, acabei por deparar com a discussão sobre a emissão de metano oriundo dos gases do rebanho bovino brasileiro, o maior do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças. Milhões de toneladas de metano são liberados anualmente por esse processo "natural".
De acordo com especialistas, e com estes eu não discuto, a não ser para provocar o debate, cada molécula de metano, potencialmente, tem um efeito estufa maior, mas a nossa sorte é que a quantidade de metano na atmosfera é umas 250 vezes menor que o gás carbônico.
Daí que na Conferência deve aparecer alguma coisa sobre controle do gás metano no Brasil. Dizem que há muitos projetos nesse sentido, só que ligados às emissões dos lixões, que como vimos, não são os responsáveis maiores pelo metano na atmosfera.
Vou acompanhar os resultados do encontro de São Paulo para saber como os cientistas e pesquisadores, principalmente os da Embrapa, pretendem controlar a emissão da flatulência bovina.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Chico vai embora

O macaquinho prego Chico,que foi alvo de reportagens e mais reportagens, até do Jornal Nacional, vai mesmo ter de deixar sua casa no Parque da Mata do Ipê, em Uberaba. Ele já está de malas prontas, pois só pode ficar no atual endereço até 20 de novembro.
Os humanos continuam dando sinais de irracionalidade e este é o melhor exemplo. O macaco foi acusado de agredir visitantes do parque, roubar uma coisinha aqui, outra ali e dizem ainda que tomava uns porres. Por isso, as "autoridades" decidiram que ele tinha de ser despachado, "porque estava impróprio para o consumo" (mas o leite da Coopervale, de lá, não estava né?).
Resolveram fazer uma audiência pública para a própria população definir o destino dele (ô beleza de democracia!), e decidiram perdoar o cara, daquela vez. Mas parece que não teve jeito. O macaco reincidiu e atacou de novo outras pessoas, mordendo dedos e mãos.
Foi aí que veio a sentença definitiva do Ibama (porque este não vai cuidar de sua vida e acabar com o desmatamento da Amazônia?): o Chico tá banido da comunidade, por comportamento anti-social.
Dizendo assim parece chacota, mas não é. Dá pena ver como se resolve o problema sem se aprofundar em suas causas.
Ninguém explicou por que o Chico agride os visitantes. Será que não foi por provocação deles mesmos? Também ninguém explica quem deu bebida para ele. Será que o Chico foi ali no bar da esquina e comprou umas pingas e depois, rindo desavergonhadamente da cara do "home" do balcão, mandou colocar na "conta do Nereu, se ele não pagar, nem eu"?
Com tantos especialistas por estes zoológicos afora, será que ninguém pensou que o Chico, aos cinco anos, já estava estressado com aquele "porre" de gente puxando seu braço, dando comida ruim, fazendo e dizendo idiotices?
Pois quem não se lembra do Idi Amim, aquele gorilão do Zoo aqui de Beagá, que também andava meio bravo com a turma da visita? Descobriram que a agressividade era porque ele estava sentindo uma falta danada de uma companheira. Por isso, foi feita uma campanha para arranjar-lhe uma namorada.
Será que o Chico também não quer é namorar?
Tem lá sua irmã Chica (ô imaginação fértil para nome!), mas não é a mesma coisa, né mesmo?
E o pior, a Chica vai ter de partir também, da casa onde os dois nasceram e viveram até agora.
Ah! mundo cão.
Dá vontade de falar para o Chico fazer uma greve de fome. Ou então de recitar um verso de Drummond para ele: "vai, Chico!ser gauche na vida".
E quando se for, Chico, vire para trás e dê uma banana para eles!

(Ao lado, uma poesia em homenagem ao Chico)

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Sexo oral das aranhas

Seria normal se se tratasse "daquelas" aranhas que o "vulgo" difundiu. Mas não, são os aracnídeos mesmo. As aranhas macho e fêmea fazem não só sexo oral, mas ainda uma boa quantidade de posições sexuais, mais de dez, na hora do "vamo ver", diz um estudo de uma entidade científica espanhola.
A mesma pesquisa, publicada pela agência EFE, da Espanha, diz até que os bichinhos têm seu próprio Kama Sutra, tal a variedade de posições, algumas bem acrobáticas como sugere o famoso livro hindu. Se enrolam na teia; levam um bichinho morto de presente para a parceira a fim de saciá-la (da fome mesmo!), já que a ingrata, depois do "bem bom", tem o péssimo hábito de devorar o macho (igual a abelha, lembram?). E segundo o estudo, (ô gente de mente poluida!), quando a fêmea "come" o macho, é também uma lição do Kama Sutra: o sadomasoquismo.
É, parece que as aranhas enjoaram do "papai e mamãe". E como os cientistas não encontraram uma explicação para o canibalismo das fêmeas, eu tenho a minha própria: o macho falhou na hora H. E aí não teve tempo nem de falar "desculpe, meu bem, isto nunca me aconteceu antes".
Como aranha fêmea não tem dor de cabeça para se negar ao sexo, o macho leva um presentinho para ela, e enquanto ela se distrai comendo um insetinho, ele crau!
E outra forma que o macho achou para se preservar, é escolher as parceiras menores, porque não são tão malucas; ou as mais gordinhas, porque são menos esfomeadas.
Me preocupei com a descoberta. É sinal de evolução de uma espécie, a sofisticação sexual. Já pensou se as aranhas começarem a evoluir, evoluir, falar, pensar, e acharem que podem dominar o mundo? E se nos escravizam?
Pense bem, você ali, nuinha ou nuinho, com as Entradas e Bandeiras à mostra, só com uma gravatinha borboleta, servindo um drinque para satisfazer a imaginação sexual de um aranhão?
Aaarrc.
Mas o mais engraçado do estudo, é que depois de tanto detalhe, os cientistas disseram que não sabiam porque as aranhas usavam tantas posições sexuais.
E precisa?

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

2014 é logo alí

Daqui a poucas horas, os olhos dos brasileiros estarão em Zurique, na Suíça. Vão ficar sabendo se o Brasil vai sediar ou não a Copa do Mundo de 2014. Ou melhor, vão ver a confirmação, já que o Brasil é candidato único.
Não quero ser chata, principalmente porque o assunto é futebol, mas algumas perguntas têm de ser feitas: se o negócio é tão bom assim, por que não apareceu outro concorrente?
E se o Brasil perder de novo, em casa, como foi em 1950?
De onde vai sair o dinheiro para tanta reforma e investimento?
Como o País vai fazer para proteger atletas, visitantes, torcedores?
Ah, mas acabei sendo chata, me perdoem.
No Pan foi a mesma coisa. Meti o pau, mas depois caí de amores. Afinal é tão bom ter alguma coisa se arrastando por dias e dias para a gente acompanhar, discutir, brigar, sofrer, comemorar e sair mais cedo do serviço. Melhor que ficar um tempão vendo cenas e mais cenas de acidentes de avião.
Mas ao mesmo tempo fico angustiada só de pensar que poderemos perder para os argentinos, já pensou? Em 50 foi para os uruguaios. Se perdermos, que seja para alemães, ingleses, franceses; estes não ficam zoando a gente eternamente. Mas argentinos, e em menor escala, italianos, ai meu Deus, não permita!
Que venha a Copa do Mundo em 2014! Mas está tão longe. Em sete anos é tanta coisa que acontece.
A propósito: não entendi o que o Paulo Coelho estava fazendo lá na reunião da Fifa. O Romário ainda vai, coitado, está nos finalmentes da carreira. Mas o Mago, não dá pra entender. Mas vá-se entender este País!

domingo, 28 de outubro de 2007

Êta mundinho pequeno!

Sempre compartilhei da idéia de que este mundo é um mundinho, uma ruazinha estreita, fechada, beco mesmo, onde todos se conhecem. E isto muito antes de internets, orkuts, celulares. O mundo já era pequeno antes das tecnologias, depois delas, então, virou um quintal.
E por quê isso agora?
É que cada vez mais a gente encontra pessoas conhecidas em lugares mais distantes e improváveis. Quem aí nunca encontrou um ex-colega de escola, de serviço ou vizinho, em uma viagem?
Num curso de fim de semana, encontrei uma menina que me cumprimentou. Como cheguei meio "sonada" na aula, não me lembrei de imediato quem era.
-" E aí, que dia você vai chamar a gente de novo para sua casa e fazer aquelas comidas gostosas"?
Aí, pimba!, lembrei. Era a Flávia, namorada do Guilherme, fotógrafo que trabalha com a gente. Isso numa turma de mais de 20 alunos, de diferentes formações.
Mas o maior exemplo de "ô mundo pequeno!", foi o encontro de minha prima Eliza, em Roma, na Fontana de Trevi, com um conterrâneo de Passa Tempo.
Passa Tempo é uma cidadezinha alí do centro-oeste mineiro, que quase ninguém ouviu falar.
Já pensou o que é você ir à cidade nos fins de semana, durante 20 anos ou mais e nunca encontrar uma pessoa, e de repente, em Roma, ouvir: "Eliza!?".
Não é o máximo?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Lo dia internacional de hablarse portuñol

Como mañana es feriado para nosotros, antecipo mi postage

(Esta colaboração é de nossa coleguinha Larissa. É demais. Vale a pena aderir!)

Comemoração este ano: 26 de outubro de 2007
http://www.portunhol.art.br

A última sexta-feira de Outubro é o dia em que todos os brasileiros devem utilizar este idioma maravilhoso em seus blogs e chats, no trabalho, na hora de caminhar, tomar café da manhã, ligar para a amante, enfim, todos os momentos deste dia devem estar recheados de palavras em portuñol. Abaixo alguns links para você conhecer um pouco mais sobre a idéia, o dia, e principalmente aprender como utilizar este seleto idioma:
La comemoración en 2007 sera en lo dia 26 de lo otubro! PARTICIPE!

- 2006 - Infelizmente devido ao feriado a comemoração foi passada para 2007.
Como fué la comemoración en 2005
O que é?
Como agir?
Nuestra bandera
Quem está por trás disso tudo?
Como surgiu a idéia
Nuestro patrono: Lo Gran Admiral José Ruelas
Nuestra patrona: Carmen Miranda

Tabela de conteúdo
1 Aprenda a hablar lo portuñol
2 Programas que convertem português para portuñol
3 Canciones e Peliciculas
4 Tiextos dibersos

Aprenda a hablar lo portuñol
No haga feo en lo grande día! Aprenda acá a hablar nuestra língua.
Básico
Intermediário
Avanzado
Palabrones

Programas que convertem português para portuñol
Python
Plugino para lo Adium X de lo Mac. Chateie en portuñol en su Manzana, su preguisozo.

Canciones e Peliciculas
Abajo eston algunas cancionas famosas traduzidas para lo Portunol e los principales películas de lo cinema.
Chiquita Beneno
El Batima en la Fiera de la Fruta
Dar el culo és bueno, por la Tati Quiebra Barracon
El Robocuep-Alegre, por los Mamonas Matadoras

Tiextos dibersos
Abajo una coleción de tiextos dibersos coletados durante los años.
Una declaración de lo amor

Retirado de "http://www.portunhol.art.br/wiki/P%C3%A1gina_principal"

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Quero ser editado

Com o texto abaixo, meu amigo Trotta homenageou os jornalista, em 7 de abril, "homenagem a cada jornalista que dedica sua vida, sua integridade e trata com respeito a notícia para o seu público".


Já fiz a minha escolha para quando eu morrer. Não quero ser enterrado, mas cremado para ser transformado em pó. Não quero ser guardado em caixinha em cima de alguma cômoda da sala ou em segredo como restos mortais do que fui. Quero deixar aqui o meu derradeiro pedido: que o pó da minha existência seja misturado às tintas de alguma impressora para que eu possa sair impresso na próxima edição do jornal.
Espero não estar dando muito trabalho nessa ocasião, mas quero deixar a sensação de que continuo, de alguma forma, entre as notícias, impregnado nas palavras, oferecendo, numa espécie de esforço, até a última gota. “Ter” a sensação do dever correspondido, estampado e marcado pela identidade de uma vocação, vivida na comunicação. Saber que não mais faço parte de uma coluna, reportagem, ou seja lá o que for, mas do todo. Pertencer a todas as notícias, anúncios, traço, linha, expressão, idéia e pontuação. Começar não apenas como a primeira letra maiúscula de uma frase, mas também pertencer às idéias e chegar até o seu ponto final.
Não mais somente ser do jornalismo, mas pertencer definitivamente ao jornal, a cada folha, a cada página, a cada leitor. Cobrir, in memorian, mais uma edição. Não mais fazer parte da pauta, mas estar, como um todo, em pauta; sentir-me vivo em cada editoria, pulsando nas linhas do editorial. Sentir-me presente no próprio expediente. Consumir-me no jornal, consumado nas informações.
Que cada partícula do pó misturado nas tintas possa ajudar a comunicação, os comunicadores e os leitores a pensarem que a informação e as notícias devem estar a serviço de um mundo justo e cheio de paz. E que tenham a plena consciência de que cada um de nós, por menor que seja, por mais “morto” que pareça estar, tem o poder de mudar o estado das coisas e buscar o impossível, o novo. De descobrir uma nova forma de sobreviver, de se sentir vivo entre os vivos. De reviver, na próxima edição.
Estarei entre substantivos, alguns adjetivos, muitos verbos e entre tantos artigos e pronomes. Serei oração principal e subordinada. Envolto em tintas. Feliz. Completo. Sujeito minha existência. Serei, então, objeto misturado a tantas vidas noticiadas em simples folhas de papel jornal.
Quero ser editado. Levado ao prelo e estampado em cores ou em preto e branco. Estar na forma de anúncio, letras ou na fisionomia dos rostos, gestos e figura de cada foto. Não quero ser notícia, mas estar notícia nas mãos dos meus colegas de trabalho e, depois, ser lido pelos leitores em busca de informações. Quero estar nas linhas e entrelinhas dos textos.
Tornar-me útil, mesmo depois, servindo a muitos dos meus leitores que me liam por dentro e me conheciam por fora. Então, me terão por inteiro, sem máscaras e sem receio, sem limitações, vindo do pó e voltando ao pó, em forma de notícias.
Até a próxima edição!

Antonio Trotta – Jornalista
marketingsempena@itajuba.com.br

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Sobre cachorros e homens

Última chamada: amanhã é o lançamento do livro Prosa Sub, do Leonardo Lúcio Machado, lá no Maramar (R. Piauí, 1.714 - Funcionários). Vale a pena conferir a prosa que na superfície é sobre mergulho, e no fundo, sem máscara ou oxigênio, é sobre emoções humanas. E para quem está perguntando quem é o Leonardo Lúcio Machado, é o Léo, diretor da Escola do Judiciário. Mas a melhor referência sobre ele é que é o marido da Flávia Mari.

x.x.x.x..x.x.

Houve um tempo em que a vida começava mais cedo e terminava cedo também. Na casa dos 20, os homens já estavam casados e com filhos. Na casa dos 30 já tinham netos. E morriam na casa dos 50, no máximo.
Hoje estamos atrasando estes períodos cada vez mais. Os filhos já não saem de casa, quando saem, antes dos 30, 40 anos. Só vamos ter netos depois de 60, época em que antigamente as mulheres e homens já tinham bisnetos.
E vamos estendendo a vida, artificialmente, e pagando alto preço também. Vidas sustentadas à base de medicamentos e mais medicamentos. De tratamentos e mais tratamentos de rejuvenecimento. Tudo para deter o inexorável passar do tempo. Até chegarmos a situações de extrema dor: seres humanos ligados a máquinas e mais máquinas, como se isso fora prolongar a vida.
E a situação se estende agora para os animais. Aqueles domésticos com quem vivemos anos a fio, como se fossem parte de nossa família. Cães, gatos, passarinhos, peixinhos e tartaruguinhas são tratados com medicamentos dos humanos, e suas vidas são esticadas, desgraçadamente para eles, que ficam por ali, nas nossas casas, cegos, inválidos, surdos e nem sei o quê mais.
Tudo para deter o inexorável tempo. "Tempo, tempo, tempo, és o senhor do destino".
Nicole, minha cocker de 10 anos está doente, com infecção intestinal. Tomou buscopan para a dor e um antibiótico. Não melhorou. Pode estar com insuficiência renal e piometria (um troço no útero).
Os cães não têm servido só para dar conselhos aos seus donos (livro: Marley e eu), numa nova tendência chamada de au auto ajuda.
Servem também para deixar a gente bem para baixo.
Mas também para matar a gente de rir, de alegria, de casos e mais casos para contar todos os dias para os amigos e colegas.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Leite derramado

Não, não se trata da licença que o Renan Calheiros pediu de seu mandato, apesar de esta também poder ser considerada "chorar sobre o leite derramado".
Mas dessa vez é sobre o leite mesmo. Quase não tomo leite, mas fiquei pasma de saber que havia uma quadrilha falsificando o leite aqui nas Gerais, terra do próprio. Não é o fim da picada?
Imagine se forem reeditar a "política do café com leite", terão de chamá-la de "café com leite aguado". Ou "café com leite batizado". Ai que vergonha me dá!
Também neste país tem quadrilha para tudo, que a gente nem deveria se espantar mais.
Só que com esta falcatrua - que a Polícia Federal chamou de "Operação Ouro Branco"-, a gente fica é muito indignada mesmo.
Já pensou as criancinhas tomando o leite com produto químico? Sim, porque não era água não, colocavam soro para aumentar o volume, e um tal de peróxido de hidrogênio, que serve para disfarçar as más condições higiênicas do produto. Ou seja, em vez de vender um produto bom, a corja vendia um produto ruim e disfarçado! E uma das cooperativas ainda usava soda cáustica. Meu Deus, que é isso?
Os falsificadores pertencem a duas cooperativas mineiras: a Coopervale e a Casmil, a primeira de cidades do Vale do Rio Grande e a segunda do Sudoeste mineiro. O leite estragado ia para a Parmalat e a Calu que declararam não ter nada a ver com o caso.
A PF botou a mão em 23 pessoas de Uberaba e Passos. Sabe o que eu faria com estes cachorros? Deixava cinco dias (tempo da prisão preventiva) a pão e leite, claro, do leite fornecido por eles.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Bendita Fabiana!

Admiro pessoas que se dedicam profundamente em tudo que fazem. Pessoas que mergulham de corpo e alma em cada pequeno projeto de vida. E que por causa dessa intensa dedicação fazem tudo com perfeição. Pessoas que nós outros chamamos de "caxias", "CDF" e outros apelidos bobos.
Essas pessoas facilitam a nossa vida, quando são nossas colegas de trabalho. Adoçam nosso dia-a-dia e nos dão estabilidade emocional, quando são nossas companheiras de jornada pessoal; nos dão consolo e segurança quando são nossas amigas.
Noite dessas, lá pelas 21 horas, eu sozinha na redação da assessoria, nos finalmentes do fechamento do jornal, atendo o telefone. Era uma repórter da Rede TV!
- "Será que você me arruma o telefone do Walmir Coutinho?" Perguntei quem era o tal. Era um bambambam dos tratamentos de obesidade, lá de São Paulo.
"Uai, acho que não vou ter isso aqui não"! Aí ela disse que ele foi um dos palestrantes de um seminário de obesidade que havíamos feito no ano passado.
-"Ah, bem, então vou dar uma conferida nas nossas matérias; te ligo depois, me dá seu telefone."
Aí era um número de São Paulo. Eu já estava desconfiada pelo sotaque da moça. Não resisti: - "não é melhor você procurar aí em São Paulo mesmo, telelista, coisa assim?"
- "Já tentei e não consegui nada".
Procurei no nosso banco de notícias e lá estavam as indicações sobre o cara. Aí lembrei de que nossa colega Fabiana foi a encarregada da divulgação do seminário. E organizada que é, certamente teria anotado alguma coisa. Fui no nosso disco P e batata. Lá estavam todas as formas de encontrar o Walmir: celular, residencial, universidade, fax, e-mail. Liguei de volta para a paulista e passei mais do que ela pediu. Com muitos agradecimentos, ela acrescentou - "sabia que eu estava perguntando no lugar certo".
Final de noite, edição esgotante, é bom ouvir qualquer agradozinho.
Mas a Fabiana ajudou novamente, poucos dias depois. Uma repórter d'O Tempo liga pedindo um contato de uma ONG que acompanha nossos trabalhos. O Thiago me pergunta, eu digo que sei quem é, mas não tenho a menor idéia de telefone deles. Pergunta para a Fabiana e pronto: lá estava nome do responsável, site, telefone.
Me desculpem o bairrismo do caso, dos nomes, mas é uma homenagem que faço a todos os profissionais que trabalham com o coração, mesmo depois de anos e anos, de todas as desilusões e frustrações.
Bendita Fabiana, que nos socorre a todo momento e ainda nos trata com a maior delicadeza que você possa imaginar!

PS: O pé de página é para dizer que a Fabiana humildemente disse que eu me enganei. Não foi ela que preparou o seminário da obesidade, mas a Luciene. Faço a correção ( também no texto, que escrevi às carreiras, pedindo desculpas à Luciene), mas mantenho a avaliação sobre todas as Fabianas que conheço. E mantenho também o desagravo. Um dia, quando crescer, quero ser igualzinho a ela!!!!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Será que o Bope é aquilo tudo?

Mais uma vez cumpro meu papel de advogada do diabo. Afinal, esta foi a idéia propulsora do OndePublicar.
Vou fugir da unanimidade que é o "Tropa de Elite". Mas não tanto. Também gostei do filme, achei-o bem feito, sem discurseba, sem moralismo. Com todos os recursos técnicos esperados, o que torna o filme até movimentado. Mas o melhor mesmo, na minha opinião, é o retrato das emoções dos personagens, especialmente do capitão Nascimento. A adrenalina corre por conta não dos enfrentamentos entre "políca x bandidos", mas alí, na exposição dos sentimentos do capitão: a que momento o cara vai explodir. E qual a intensidade dos megatons.
E enquanto elogiávamos, nossa estagiária Yany disse: "mas acho que encheram demais a bola do Bope. Será que só tem mocinho alí? Não tem nenhuma corrupção, né, me engana que eu gosto"!
Todo mundo caiu de pau na coitada. Já pensou, divergir assim, acintosamente, do consenso?
Aí, passado um tempinho, concordei com ela.
Será que o Bope é aquilo tudo?
O "sistema" corre à parte do Bope, sempre?
E se é aquela beleza toda, por que o Bope tentou impedir a exibição do filme, através de liminar?
É difícil acreditar, em se tratando de polícia e de Rio de Janeiro, que me desculpem os cariocas, eles mesmo cansados de tanta falcatrua.
O diretor José Padilha achou um filão, desde que filmou o 174, a história daquele ônibus sequestrado no Rio, cheio de passageiros, por um maluco que queria reatar com a mulher, uma das passageiras.
A tragédia recente, real, é melhor do que a ficção. Daí o sucesso de Trope de Elite, Cidade dos Homens, 174 e outros.
Creio que o lado ficcional do filme ficou por conta da sublimação daquele Bope, afinal um filme precisa sempre de um herói, nem que seja "um herói sem nenhum caráter", como Macunaíma.
O que vocês acham?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Muito além das pitangas

Está chegando o dia do lançamento do livro Prosa Sub (Leia no post de segunda 8).
Do escritor Leonardo Machado, publicado pela editora Ophicina de Arte e Prosa, o livro será lançado no dia 24 de outubro, quarta-feira, às 19 horas, na escola de mergulho Maramar (rua Piauí, 1714 - Funcionários). Vá ao lançamento e tome um chopp por conta do autor.


A "selva de pedra" guarda delicadezas muito além do que um pé de pitanga ou as mangueiras da avenida Alfredo Balena.
Às vezes ilhada por prédios, sobrevive uma casa, resquíscio de um tempo em que as famílias moravam em bairros nobres, sem saber o que era especulação imobiliária. E as heróicas sobreviventes exibem, com orgulho, traços de uma arquitetura modernista, pós-modernista e outras ainda inidentificáveis.
À rua Aimorés há uma casa assim. Sua fachada mantém os traços marcantes do modernismo, modelo que seduziu mais de uma geração de arquitetos mineiros do final dos 50 até metade dos 60. Traços que copiavam o arrojo de Brasília e seu guru maior Niemeyer, em que tudo era velocidade com a recém-chegada Wolkswagen; tempo em que o Brasil tinha de crescer 20 anos em 5, bem ao contrário de hoje, em que os governos ficam 8 anos, querem ficar 20, mas só fazem o que se pode fazer em 5.
Esta casa não guarda só a beleza arquitetônica. Lá existem outras preciosidades impossíveis nas "selvas de pedra".
Tem um galo que canta de madrugada em vez de cantar ao amanhecer, acho que meio perdido com o horário prolongado dos bebedores barulhentos dos bares vizinhos. Tem ainda um sabiá que canta o dia inteirinho, o que me deixou quase louca quando me mudei para perto dali, urbana insensível que sou.
Mas tem ainda uma lembrança muito melhor, de interior, de infância, de dias cheios de sol e de chuva ao final da tarde: as galinhas que cantam espalhafatosamente, no meio da tarde, anunciando a chegada de seus ovos.
São cenários e sons que a "selva" me oferece, gratuitamente, todos os dias.