quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Israel e o genocídio em Gaza


Quando Israel bombardeia um edifício que abriga várias emissoras de TV não só árabes, mas ocidentais (alemã, americana e luxemburguesa), um hospital e um escritório da ONU para refugiados palestinos, não está errando o alvo.
O país tecnologicamente mais bem preparado belicamente, com o melhor serviço de inteligência do mundo não tem o direito de errar alvos. E ninguém acredita nesta desculpa esfarrapada.
Israel bombardeia sim alvos preferenciais, ainda que de forma mais suave, se se pode chamar de suave destruição de prédios, equipamentos e pessoas feridas.
E bombardeia porque faz parte da sua guerra a demonstração inconteste de sua supremacia, ainda que na forma de uma guerra semi-psicológica.
Como se não bastasse o genocídio dos palestinos, Israel quer calar a boca de quem se atreve a mostrar as atrocidades, de quem quer prestar ajuda aos milhares de atingidos, sobretudo crianças.
Israel é o Golias, não mais o Davi, como ainda gosta de se intitular.
Só que parece ter-se esquecido do final da história.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O golpe do sequestro

Atendo o telefone às 3 horas da madrugada. Não tenho o costume de fazer isso, pois abaixo a campainha, fecho a porta do meu quarto e não escuto mais nada desse mundo. Sono para mim é sagrado. É ritual de passagem, seja lá isso o que for.
Mas ontem, não dormia de jeito nenhum. Vi televisão até 1h30, incluindo aquele programa de venda de jóias que me dá sono. Depois de quase uma hora vendo as jóias da Marquesa de Santos, segundo o apresentador, deito, mas o sono não vem.
Mas voltando ao telefone. Atendo porque estava acordada e escutei a campainha. O aparelho é novo e ainda não descobri onde abaixá-la.
Era uma ligação a cobrar. Meu coração dá uma ligeira acelerada. Depois da gravação, escuto um aflito, indagativo e choroso alô feminino. Na terceira vez desligo, apesar da acelerada cardíaca.
Fico com o telefone na mão, olhando feito besta, esperando que ele tocasse novamente.
Vou ao telefone da sala para conferir a bina.
Bingo! Lá estava o prefixo do Rio, 21, e o número 76687002, com certeza um celular pré-pago, não sei de qual operadora.
Bem, o azar dos bandidos do trote do sequestro é que pegaram uma dorminhoca contumaz, que fica uma arara o dia que não dorme. Não conseguiram me pegar!
Mas já deito de novo maquinando um texto para meu blog, amanhã. Quer dizer hoje, já que amanhã já é hoje, e eu dormi ontem, mas não dormi, então ontem também já é hoje. E amanhã era na hora que eu deitei a primeira vez, depois da minissérie Maysa, lá pelas 11h30. Mas na verdade logo em seguida já era hoje, mesmo eu falando amanhã ou ontem.
Viiiixe! Acho que vou voltar para a cama e dormir um pouco porque acho que estou com as ideias meio embaralhadas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O otimismo tupiniquim


O que faz do brasileiro um povo tão confiante?
Enquanto o resto do mundo se acabrunha diante da crise econômica, por aqui, nós, em um significativo patamar de 34% dos entrevistados, achamos que ela não passa de uma "marolinha" e que tudo vai melhorar nos próximos três meses.
A marolinha é por conta do Lula e parece que pegou.
Será que os brasileiros não lêm notícias?
Não sabem que o setor minero-metalúrgico e siderúrgico está demitindo desde novembro passado?
Só em Minas, as demissões podem chegar a 5 mil postos de trabalho. O número não é definitivo porque por enquanto os dados são dos sindicatos de trabalhadores. A pesquisa mensal do IBGE, disponível no site do Ministério do Trabalho, ainda não tem os resultados de dezembro.
Em São Paulo, a Motorola liderou a guilhotinada, desde outubro, com mais de 300o demissões.
E para comprovar que os cortes estão mesmo aí, é só recorrer aos números do seguro-desemprego. Em São Paulo, apenas num posto integrado, tipo o Psiu da Praça Sete, só na primeira semana de janeiro foram mais de mil pedidos do benefício, 48% a mais do que em janeiro de 2008.
E por falar no Psiu, as senhas para atendimento dos desempregados acabam às 7h30 e o posto abre às 7h, de acordo com uma conhecida que foi lá hoje, para dar entrada nos papéis.
A pesquisa sobre a crise foi feita em 17 países e só o Brasil, Índia e China estão otimistas.
"Levando em consideração os números globais, aproximadamente metade do mundo teme pelo pior. No globo, 49% acham que a crise vai piorar, e apenas 12% acham que vai melhorar. Os mais pessimistas são os britânicos (78%) e os japoneses (70%). Os alemães vêm na terceira colocação, com 68% de pessimistas.
Otimismo, os pesquisadores só encontraram nos países em desenvolvimento, as chamadas economias emergentes. Indianos, chineses e brasileiros parecem estar na contramão desse mau humor internacional. Os indianos são os líderes, com 39%, seguidos pelo Brasil (34%) e pela China (27%)." - Portal G1
O povo brasileiro é ou não é um eterno otimista?
Ou seria alienado?
Tem razão o ministro Carlos Luppi, do Trabalho, que quer fazer uma varredura nas empresas que estão demitindo, para saber se elas estão entre as beneficiárias do pacote de socorro do Lula, que inclui a redução do IPI de carros novos e o aumento do crédito para estimular o consumo.

O "Magayver" está de volta

A viagem pelas gavetas me põe na mão um cartão do "Magayver, prestação de serviços em geral".
Isto mesmo, Magayver com a e y. E o homem faz de tudo: jardinagem, eletricista, bombeiro hidráulico, dedetização, limpeza de caixa d'água, caixa de gordura e aquecedor solar; desentupimento, vidraceiro, instalação de cortinas e outros.
Morro de rir da criatividade ao lembrar o seriado que passava na TV com este nome, nos anos 90.
Alguém se lembra do seriado MacGyver, profissão perigo?
Era o máximo. Richard Dean Anderson, com aquele cabelo espetadinho, prenúncio dos heróis que viriam já nos anos 2000, saía de tudo quanto é tipo de perigo, apenas usando um canivete, um pedaço de linha, um barbante, um fósforo. Foi um dos melhores seriados, com uma mensagem muito clara: superar os perigos com criatividade, usando o material que houvesse à mão, as coisas mais improváveis, como um chiclete mastigado, uma barra de chocolate. Com isso, o cara explodia até submarino e se safava sempre. Lindo, lindo.
Pois guardei o cartão num lugar de destaque da minha agenda, agora.
Para usar tanta criatividade e relacionar tão bem sua atividade com o nome, o cara dos consertos deve ser mesmo muuuiiito bom.
E viva o marketing pessoal!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

As gavetas da alma

Enquanto não volto a trabalhar vou botando a casa em ordem. A interna e a externa.
A interna vai sendo alimentada com boas leituras e filmes.
A externa passa por uma limpeza completa: dedetização, lavagem, arrumação de louças e gavetas.
Me espanto com o tanto de papel que jogo fora hoje: um saco de lixo de 50 quilos, só das gavetas do meu quarto. Amanhã passo para as gavetas de roupas e o quarto do computador. E assim ao longo da semana até chegar na sala, que parece ser o único local que não tem nada guardado.
Fico pensando na nossa mania de engavetar as coisas. Na nossa mania de compartimentar a vida.
É endereço, pedaço de papel de tudo quanto é tipo, cartões de visita, folhetos de lojas, catálogos, papel de presente, tudo que a gente nunca usa.
Acho que temos dificuldade de nos desfazermos das coisas. Talvez resquício de um medo atávico de olhar em volta e nos vermos sozinhos, sem nada, na escura caverna dos tempos imemoriais. Nus.
Vamos juntando bugigangas no esforço cotidiano de construir nossa história pessoal e familiar.
E quando assustamos, esta história está vazando pelas gavetas.
É hora de renovar e de deixar algumas lembranças somente na alma e no coração.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Minha nesga de lua


Da minha janela vejo meu pedaço de lua. Inusitado presente na cidade grande, como o galo e os passarinhos que cantam na casa ao lado.

Casa que resiste bravamente à investida dos prédios em Lourdes. Será tombada?

Abro a janela da sala e olho a lua. Brilha com um halo mágico em volta, me lembrando outros lugares, matos, cidadezinhas, onde a lua, num céu limpo, passa despercebida de tão presente.

Aqui é uma raridade.

O colchão Ortorruim

Comprei um colchão de mola no final de novembro passado. Desses cheios de trique trique, afinal o objetivo era acabar com uma dor nas costas. Mola pocket, pillow top e essas frescuras todas que o marketing inventa para nos impressionar.
Ontem, já cismada com o desconforto do mesmo, vasculho sua superfície e descubro umas depressões.
Pego o telefone para reclamar na loja, mas dou uma olhada antes na garantia.
Tomo um susto: está lá com todas as letras: "depressões de até 4 cms são consideradas normais, até pela ABNT".
Desligo.
Creio que não vai adiantar reclamar. E nem vou perder tempo medindo a "depressão", para ver se está dentro do que a empresa considera normal.
Para mim, um buraco, de que tamanho for, já é anormal, ainda mais que foi a deformação do outro, que só tinha quatro anos de uso, que me levou à troca. E olha que ele só tem um mês de uso.
Mas a ABNT não pensa assim então, azar o meu.
Depois de ler no blog da Patrícia Duarte, um problema que ela teve com uma secadora, vi que ainda temos muito chão para andar na conquista dos direitos do consumidor. Ou então, nos acostumarmos aos produtos descartáveis.
O colchão é um Ortorruim.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A marvada pinga



Gui vendo disco voador
e a casa do pânico








Alexandre é dessas pessoas muito à vontade, que o vulgo costuma chamar de "folgado". É o caseiro da casa que alugamos em Búzios.
A casa é grande, em um terreno também muito amplo. E ele ficava por ali, o tempo todo, "desculpa", "com licença" e trançando por todo o lado. Logo cedo já estava rodeando a casa, ligando, desligando a bomba da caixa-d'água, muito conversado.
Bem, Alexandre é dado às lides alcoólicas, digamos assim, para não ofender Ana Paula, sua esposa, muito religiosa. É um casal novo, de trinta e poucos anos. Ela foi contratada para cozinhar para nós.
No dia 31, aquele climão todo de festa, a parentada da esposa espremida toda num barracão de dois quartos e o Alexandre comemorando o dia inteiro.
Comemorando a mineirada camarada que convidou todo mundo para a ceia, mas não esperou, porque estava doida para ir ver os fogos na praia, sabe como é, mineiro não perde trem.
Comemorando, puto, a parentada da Paula que veio para o Ano Novo, enquanto os seus próprios, mãe, irmãos e não sei mais quem, não apareceram para o Natal, porque estavam alagados em Campos.
E o Alê bebendo, "desculpe", "com licença", obrigou o sobrinho a passar um cortador de grama, deu um banho gelado no cunhado, namorado do irmão da Paula, no chuveiro da piscina, o coitado tremendo e olhando para nós com aquela cara de cachorro que caiu da mudança, "tó tintindo um frio"; e o Alê mandando, senhor dos impérios de Geribá e além mar.
Dia seguinte, a bebedeira continua.
Aí a briga explode, não podia ser de outro jeito, ainda mais que não houve explosão de fogos suficiente. Alguém tinha de soltar a pólvora acumulada o ano inteiro, que dependendo da situação, fica entalada mesmo ali no pescoço.
Foi efedepê para tudo quanto é lado, no finalzinho da tarde.
Aí a Paula juntou a família, incluindo o bebê de seis meses, e foi esfriar a cabeça na rua. E nós ficamos por ali, numa coisinha e noutra, a meninada mineira e pernambucana, travestida de paulista há mais de 13 anos, apagada no andar de cima, que mineiro também bebe os tubos.
Aí o Alê perdeu a medida, já nem "com licença" mais, reclamou que não foi convidado para o churrasco que os meninos fizeram à tarde. Que ninguém lhe ofereceu uma cerveja e dentro da casa procurou a Paula. Entrou em vários cômodos, "cadê a Paula?"
E disparou o alarme lá mesmo do barracão e vinha correndo xingando que alguém estava de brincadeira com ele. Isto três ou quatro vezes, cada vez mais alterado.
Minha irmã, tentando contornar, "vai para casa, amanhã a gente conversa". "Não, vou desligar o alarme, no andar de cima".
Foi lá, seguido de minha irmã e do meu sobrinho Guilherme, um galalau de 1,90m. Andou por lá, onde Touro Indomável estava no oitavo sono dos justos. Não desligou nada, desceu as escadas correndo e gozando a "vagareza" de minha irmã e sobrinho.
E levou ela até o barracão, totalmente às escuras. Saí correndo atrás e chamei o Guilherme. Imagina, ir sozinha lá naquela escuridão, com o Alê surtado, afirmando que estávamos escondendo a Paula.
Pano quente vai, pano quem vem e o Alê diz que vai embora, descansar, mas pede para dar um mergulho na piscina e usar o chuveiro. "Pode?"
"Não, não pode", arrebento, com minha corda finíssima de violino. "Meu irmão está dormindo e vai se incomodar".
Ele sai para seu barraco catando cavaco, desembainhando espadas, enfrentando dragões e xingando e "muito obrigado", "muito obrigado".
Entramos meio assustados agora, conjeturando se a Paula tinha enchido o saco e se mandado de vez.
E sintoma do nosso medo: não fizemos piadas como em outras situações. É que alguém lembrara que ele dissera ter uma arma. Ficamos por ali, "faz isso, vamos fazer aquilo, liga para o dono, e tal", quando vou à cozinha e dou de cara com o Alê do lado de fora dando murros na janela de vidro.
Saio correndo, subo ao andar de cima, acordo o Samuel. "Samuel, Samuel, acorda, estamos tendo um problema com o caseiro, ele está surtado".
A irmã do pano quente conversa com Alexandre, depois de abrir a porta da cozinha e ouvir as queixas dele sobre a Paula ter sumido, eu não ter deixado ele entrar na piscina às 23 horas do dia 1º de janeiro e de os garotos não terem lhe chamado para o churrasco.
Ele se vai e nós ficamos por ali, assustadíssimas, só as mulheres, (dois homens apagados embaixo e um em cima e dois acordados, olhando com cara de filhos, esperando a decisão da mãe).
E alarmadíssimas, mirabolando chacinas, ataques a machadadas, incêndios com nós todos dentro da casa: "liga para o Pedro, cadê o telefone, vamos à polícia". Pedro é o dono.
Brigamos entre nós, nos agredimos e o Alê no santo sono pós porre.
Sai uma comitiva para ir à polícia, fica duas horas na rua, vai numa delegacia e não é aquela, fica presa num engarrafamento, pega uma van do turismo sexual e volta para casa de mãos abanando, mas pelo menos falamos com o proprietário que promete vir no dia seguinte, logo cedinho.
Entre mortos e feridos, salvamos-nos todos, depois de uma noite em claro, esperando o ataque do Alê.
E a meninada de plantão o resto da noite na cozinha, conversando casos de família, que os paulistas não conhecem, porque foram embora muito pequenos e não sabem nada de nós.
De nossas bebedeiras, de nossas idiossincrasias, de nossas doenças, de nossas explosões e paranóias. E com certeza não ficaram sabendo de nossa generosidade, de nossa estranha afetividade, de nosso companheirismo, porque o dia não era para estas histórias. Estas ficam para uma outra vez. O clima era de terror e histórias de bondade não combinam.
Pedro quis mandar os caseiros embora e nós não permitimos. Pediu para um de nós fazer um boletim de ocorrência para ele se municiar para o caso de uma demissão por justa causa.
"Eu é que não vou ajudá-lo a resolver um problema que é dele. O nosso foi ontem, com a ameaça do caseiro", acordamos entre nós, depois de muito custo para convencer uma das irmãs, que queria porque queria ir, para não parecermos incoerentes.
E ficamos nisso. Com muitas desculpas do Alê e da Paula, pela "carraspana", e no resto da temporada cada um no seu papel.
Ah, quase me esqueci. O Alê não tinha arma nenhuma, segundo o Pedro, tudo não passava das mentiras que o caseiro gosta de contar, como a de que o proprietário é militar, quando na verdade é engenheiro. "Bravatas"...
Palavras há muito esquecidas, como carraspana e bravatas, usadas por um caseiro e um engenheiro, foram o meu saldo.
"A marvada pinga é que me atrapaia"....

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Esperando 2009











Em Geribá, casa e praia, esperando 2009




terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Búzios precisa de cuidados

Praia de José Gonçalves
Como no ano anterior, fizemos uma expedição familiar para passar o reveillon na praia. Fomos para Búzios onde ficamos dez dias. E ao contrário de todas as expectativas, só pegamos tempo bom.
Não solão, mas uns bons dias levemente nublados, mormaço e também sol depois do meio dia.
Búzios ainda tem aquele clima especial. Uma cidade tipo Riviera francesa, com gente bonita, um local de "footing", encantador, a Rua das Pedras. Ainda há referências históricas de mais de 20 anos, como o Chez Michou com seus crepes maravilhosos e a sorveteria Itália.
Mas a impressão que dá é que a cidade não está preparada para os picos de temporada, como o reveillon. Foi uma inundação de carros e gentes. Consequência: engarrafamentos quilométricos, ruas entupidas de carros.
E o pior: não houve queima oficial de fogos na praia. Apenas uns minguados foguinhos de festas particulares ou de restaurantes, na Tartaruga, Ferradura.
Em Geribá, onde vai mais gente, por ser a praia maior, foi um fiasco. Lá pelos lados do Beach Club houve alguma coisa.
Tudo porque o prefeito perdeu a eleição e resolveu dar o troco na população. Nada de festa para os ingratos.
E o prefeito perdedor Toninho também deixou a cidade meio que sem dono: o recolhimento do lixo nas praias estava precaríssimo.
Nas ruas nem se fala.
Ruas esburacadas e a estrada Búzios/Cabo Frio é só uma lembrança.
O que entra, Mirinho, com certeza vai enfrentar um problemão: postos de saúde fechados, degradação ambiental.
Aliás, neste quesito, Búzios precisa se atualizar. Suas reservas ecológicas estão privatizadas (caso da praia de Ferradurinha). E agora a ameaça de um empreendimento turístico italiano em uma APA. Coisa de louco.
Uma das praias mais agradáveis, por ter um mar calmíssimo e águas menos geladas que as demais, a Tartaruga corre o risco de ficar completamente poluída, tal o número de escunas e táxis aquáticos que despejam gente por lá, queimando óleo diesel em suas águas ainda claras.
Outro problema que incomoda os turistas é a falta de uma infra-estrutura nas praias. Não há barracas com banheiros e nem sequer um chuveiro de água doce, como até praias mais simples oferecem.
Talvez seja querer muito, mas a gente se acostuma ao conforto das praias da Bahia e aí acha que todas devem ter, ainda mais que Búzios é um dos locais mais antigos de turismo. Está faltando é organização, regras para os carros, para os próprios turistas.
É um pedaço de Brasil muito bonito, muito agradável, que merecia um tratamento melhor dos administradores e uma consciência preservacionista melhor da população local.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Tropeços no Natal

Bem, um mês fora do ar é tempo suficiente para resolver todos os conflitos. Os de ordem afetiva, os físicos e os tecnológicos. E até mesmo os preguicísticos.
Voltei.
Agradecendo a todos que me desejaram bons fluídos no fim/início de ano.
Que me mandaram mensagens lindas e que não respondi.
Não respondi, não escrevi, mas me comovi com o carinho de todos.
Um mês é tempo suficiente para recuperar de tropeços, mesmo quando estes doem muito e nos pegam no contrapé.
Não vou prometer nada para este ano.
Talvez andar com mais cuidado, olhar mais à minha volta, selecionar melhor os caminhos a percorrer.
Bem, não deixam de ser promessas.
Quero continuar partilhando minhas ideias com vocês, principalmente com aqueles que me visitam espontaneamente e me mandam e-mails cobrando minhas bizarrices.
Vamos que vamos 2009, estreando a grafia nova, sem acento em ideia!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Doações de roupas estão suspensas

Ligo para a Defesa Civil de Santa Catarina (0800 482020) para fazer uma doação em dinheiro.
A atendente me informa que as doações de roupas e alimentos estão suspensas temporariamente. Não me atrevo a perguntar por que, já que queria era uma conta de banco, pois pretendia doar dinheiro. Imagino que seja uma questão operacional.
Mas me preocupei imediatamente com todas as entidades que estão recolhendo roupas e calçados Brasil afora.
Como vão dar vazão à montanha de donativos recolhidos? Será que as doações vão chegar aos desabrigados?
Por isso, sugiro que todos passem a doar o dinheiro, pois aí a Defesa Civil de Santa Catarina, que está fazendo um trabalho magnífico, extremamente organizado, poderá suprir melhor o que é preciso repor.
Creio que com a trégua da chuva, agora começa a hora da reconstrução. E aí os desabrigados precisam é de material de construção, móveis, etc. E isto só com dinheiro.
Para quem quiser doar dinheiro aí vão os bancos e as contas, informações repassadas pela Defesa Civil:

Banco do Brasil
Agência 3582-3
Conta Corrente - 80.000-7

Caixa Econômica Federal -
Agência - 1877
Operação - 006
Conta Corrente - 80.000-8

Bradesco
Agência - 0348-4
Conta Corrente - 160000-1

Itaú
Agência - 0289
Conta Corrente - 69971-2

Santander
Agência - 1227
Conta Corrente - 43000005-2

Banco de Santa Catarina (Besc)
Agência 068-0
Conta Corrente - 80.000-0

Banrisul
Agência - 0131
Conta Corrente - 06.8527250-5

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Solidariedade com Santa Catarina

As fotos são do website do Governo de Sta Catarina
A ajuda a Santa Catarina é a maior mobilização social que já vi. Nem aquelas campanhas da Globo, do Criança Esperança, que tem um bombardeio de oito dias direto, 24 horas por dia, mobiliza tanto.
Porque aqui, não é mobilização passiva: você pega no telefone e doa lá uma quantia.
Agora é uma mobilização ativa, ampla, de todos os segmentos sociais, em todo o país.
Fiquei emocionada ao ver o povo do Pará, de Rondônia, mandando alimentos. Um mundo tão distante, que nem parece que estamos no mesmo país. E, no entanto, lá estavam os caminhões emprestados por uns empresários, prontos para atravessar um continente.
Ontem (30), fui com meu irmão no Carrefour e na porta encontramos uns jovens com coletes escritos SOS Santa Catarina.
Meu irmão pergunta e fica sabendo que é de uma igreja próxima, evangélica.
Ele, católico fervoroso, ex-seminarista e bem sectarista quando se trata de religiões, voltou e comprou pacotes de arroz e de feijão. E ele é só um aposentado com salário de R$ 700.
Mas isso é só um grãozinho na imensa corrente de solidariedade para Santa Catarina.
Já fiz uma doação em dinheiro por telefone, num número que peguei na TV Record e minha filha fez uma limpa em roupas de cama e banho e mandamos para a sede do Galo.
Mas vou ajudar de outra forma. Me cadastrei no site "Voluntários em Ação". Vamos ver o que terei de tarefa.
Por enquanto continuo a divulgar os endereços para as doações.
Nos sites abaixos há muita informação:

"Defesa Civil habilita 0800 para informação de contas bancárias
Às 16 horas deste domingo (30), a Defesa Civil de SC disponibiliza um número de discagem gratuita aos interessados em fazer doação por depósito bancário. Por meio do 0800 48 2020 será possível obter todas informações sobre bancos e contas bancárias abertas para esse fim. (leia mais)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Como repor a memória afetiva?

Acabo de ler o texto aí embaixo, que recebo por e-mail de uma pessoa daqui de Belo Horizonte.
Me ocorreu que a perda é muito maior do que aquilo que a televisão mostra, do que as pessoas falam.
A tragédia de Santa Catarina agora, como tantas outras em tantos outros lugares do mundo, não é só o que se perde de bens.
Casas, móveis, plantações, estradas.
Há uma perda muito mais irreparável, com exceção da vida, naturalmente.
Para aqueles que ficam sem teto, sem roupas, sem móveis, sem comida, há uma realidade mais cruel: a perda da identidade.
Com os desmoronamentos, soterramentos, perdem-se as lembranças da vida: papéis, um bilhete, uma foto, uma carta, um objeto de família.
Reconstruir a casa, ganhar móveis, outras roupas, comida é possível e o povo brasileiro está dando este exemplo de solidariedade com seus irmãos catarinenses.
Mas como repor a memória afetiva?
Como resgatar os momentos vividos, eternizados em fotos, cartas, poemas, cadernos copiados, livros grifados, panos pintados a mão, pequenos bordados, roupas tecidas em crochê ou tricô, lembranças múltiplas da família, desde um avô ou avó há muito desaparecidos?

Carta de Santa Catarina

Não tenho palavras, só um nó na garganta...

SANTA CATARINA

"Chorei!
Mas agora não foram lágrima de tristeza, a mesma tristeza que sinto como catarinense e vivendo no meio desta catástrofe. Chorei emocionada assistindo o Jornal Nacional e ver que o povo brasileiro é o melhor povo do mundo...As lágrimas nos olhos daquela senhora do Rio de Janeiro são as mesmas lágrimas que flui nos olhos de todos nós catarinenses. Meu povo está destruído, arrasado, morto por dentro, sem entender que castigo é esse...
Vendo o jornal chorei ao ver que Curitiba, Rio e outros estados estão se mobilizando nesta campanha de solidariedade, de compaixão e de amor. Cada pessoa que doa algo está certamente agradando a Deus, porque nessa hora é que Deus vê quem é capaz de atos gigantescos, mesmo que seja doando um litro de leite, uma meia para um bebezinho.
Moro em Itapema, as escolas estão cheias de família sem nada, suas casas foram destruídas, se não foi a casa, nada do que tinham dentro de casa restou...nem moveis, muito menos roupas, alimentos...e não há água!
Eu não tenho água em casa. Não moro em área de risco, mas estamos todos sem água, ficamos sem luz, não podemos trabalhar normalmente, parece o fim do mundo...
Hoje, quando levantei e vi o mar limpo, porque a cor do mar era cinza misturado com marrom...ondas imensas, assustador. Quando vi o sol, meus olhos ficaram marejados...desde agosto não vemos o sol, ou seja, tínhamos dois dias no máximo de sol e restante da semana chuva.
Somos valentes, somos batalhadores, somos um povo de paz, receptivo e solidário, somos de luta, mas quando vemos tudo se perder, como meus olhos presenciaram, nossas forças desaparecem feito fumaça e os olhos não crêem no que se vê. Ficamos com as lágrimas dependuradas nos cantos dos olhos, e muitas vezes precisamos nos esconder para descarregar a dor no pranto, um pranto por ora sem fim.
Aqui não somos mais comerciantes, gerentes, donos de empresas, moradores pobres e ricos. Somos agora um povo arrasado pela fúria da natureza, somos um povo castigado, no meio do caos ninguém é diferenciado pela cor, religião, ou posição social, somos um povo que perdeu tudo, e recomeçar do zero é preciso. Porque há os que perderam pela fúria da natureza e há os que não conseguem trabalhar porque não há a menor possibilidade.
Diante de tanta destruição, onde só quem viu e vê é que pode realmente crer, que tudo aquilo não é um filme de terror, mas sim a realidade do povo catarinense.
É provação? Provação para ver até onde vai nossa capacidade de luta? Somos valentes na alegria e na dor...Provação em ver os entes queridos soterrados, arrancados do meio da lama, barro e mortos?
Não sei dizer o que é isso! Sei que choro a dor dos que perderam a vida, daqueles que perderam seus móveis, e dos que perderam suas empresas e casas...Eu vi o que se passou onde moro e ameniza um pouco agora, que o sol veio sorrindo como se nada tivesse acontecido...eu vi a dor nos olhos de todos, eu vi as crianças sem mamadeiras, sem fraldas, sem toalhas de banho, mulheres sem uma calcinha para trocar, sem absorventes...eu vi pessoas sem nada, fugindo de casa carregando na palma de sua mão apenas suas vidas...
Eu vi a luta dos bombeiros, dos salva-vidas, aqueles moços que foram treinados para entrar no mar e salvar pessoas, mas dentro do mar...aprenderam mais uma lição aqueles moços e moças, aprenderam a salvar até mesmo a dignidade das pessoas...porque ficamos sem saber quem somos diante do horror. Eu vi a luta de todos e muitas vezes ficamos sem ação, apenas olhando tudo sem reação alguma.
Foi um momento da besta ou de Deus, tudo isso?
Não quero perder minha fé, sabendo que estou viva e bem, claro que devido a tudo, os que supostamente estão bem, estão sem trabalhar, sem ganhar seu ganha-pão, sem água potável e muitas vezes sem luz. Todos, todos os catarinenses desta região foram afetados de alguma forma, os que estavam seguros ficaram sem a menor condição de agir.
Caos é o que se tornou a vida de todos, mas todos indistintamente...
Quando vi no jornal, roupas de crianças, era o que mais a Rádio Cidade FM pedia, as crianças com pezinhos gelados, e ali não eram crianças pobres e nem ricas, eram crianças com frio, molhadas e fugindo do terror.
Muita gente me pergunta: - Mas por que não saíram antes de suas casas?
Creio que nem os geólogos seriam capazes de prever algo tão terrível...lugares que não eram de risco tornaram-se o inferno.
No sábado escrevi falando que Santa Catarina chora...mas poucos acreditaram que estávamos no meio do inferno...porque ninguém crê em tanta desgraça assim, não queremos crer que o inferno desceu à terra e ainda aterroriza dessa forma.
Agora, ouço as sirenes desesperadas das ambulâncias correndo pela cidade...ando assustada, temendo esse som desesperado.
Àquelas pessoas que vi no jornal, doando não somente roupas, calçados, alimentos e outros, mas doando seu coração para o povo catarinenses, acreditem, somos gratos por toda eternidade. Por mais que nós, as pessoas que não sofreram diretamente, mas indiretamente todo esse horror, ajudamos, mas é muito pouco diante do que se precisa. Dividimos o que tínhamos, mas é um grão de areia o que fizemos, se comparado com a necessidade...ainda é necessário muito mais...por isso, todas as pessoas dos estados que estão mobilizadas, a defesa civil dos estados que entraram nessa campanha de socorro, somos gratos.
Por ter a certeza que temos o melhor povo do planeta, é que sinto orgulho de dizer: Eu sou brasileira com muito orgulho!
As orações que foram dirigidas vieram com a mesma intensidade da chuva, porque hoje o sol abriu um sorriso, assim, aliviando nosso medo.
Santa Catarina chora um pranto de morte e dor. O povo catarinense está desolado, apenas olha para tudo sem força para lutar nesse momento.
Olhei hoje a praia, não a reconheci, tem tanta coisa estranha ali, tem coisas que vieram do mar que não dá pra crer, tem destruição em tudo. Nosso paraíso, a Meia Praia - Itapema está irreconhecível...A avenida Atlântica em Balneário Camboriu era uma coisa só, água do mar e dos rios...
Os sonhos não morrem, não tem morte súbita. Os sonhos estão no coração de todos os catarinenses, mesmo que agora, estejam amortecidos, doentes, mas existem...sabendo que agora os sorrisos se transformaram em lágrimas de sangue e dor. Depois que tudo passar e o sorriso voltar traduzindo garra e coragem, sei que nosso povo irá se agigantar e do barro levantará suas vidas...porque o tempo não pode ser de negras nuvens para sempre. Sei que as horas de terror tornar-se-ão minuto, minuto este de paz, de calmaria...
Quando tudo passar, o povo catarinense terá disso tudo, apenas um passado de terror e todos renascerão no futuro, com uma vida renovada...porque não pressentimos o perigo, mas podemos pressentir o futuro e em paz.
Obrigada todos amigos que junto comigo rezaram desde sábado. Obrigada todos que estão atentos e enviando uma energia positiva a ponto de fazer um sol nascer para todos nós...porque a previsão era de chuva ate quinta-feira, mas não ocorreu, o sol nasceu nesta segunda em meio a nuvens, pancadas de chuvas, mas hoje, o sol nasceu com todo seu esplendor, creio na força da oração dos meus amigos
Não vou assinar com fel e dor este momento, desde já, um pedido de perdão para Deus, quando indaguei desesperadamente:
- Por que, meu Deus?! Por quê! Por que crianças? Por que doentes em UTIs? Por que idosos? Por que todos? Por que prantos sem consolo? Por que tudo isso?
Vou agora tomar meu banho de caneca, porque desde a semana passada estamos sem água...e vou rezar, porque ajuda está vindo, mas ainda preciso orar por todos que estão se mobilizando em todos os estados...
Quisera fosse possível fechar os olhos e adormecer serenamente, mas tudo isso não é mais um filme de terror, e sim a realidade do povo catarinense.
Itapema chora por seu povo...Santa Catarina chora!"

Marillena Salete Ribeiro
Itapema - Santa Catarina
25/11/2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Planeta Água de Santa Catarina

E por falar em Diálogos da Terra no Planeta Água, vamos arregaçar as mangas para ajudar o povo de Santa Catarina.
Fiquei chocada com as imagens sobre o desastre meteorológico no estado.
Fico impressionada com as expressões que a imprensa usa para descrever as chuvas: "fúrias das águas", "fúria da natureza", "vingança da natureza".
Como chamar o despejo de toneladas de produtos químicos num afluente do Paraíba do Sul, que matou 80 toneladas de peixe?
Como chamar o despejo de esgotos em rios como Tietê, Arrudas, Pinheiros, Velhas e mais centenas de outros pelo Brasil afora?
Como chamar a derrubada indiscriminada de árvores na Amazônia?
Como chamar o desmatamento de matas ciliares ao longo dos rios?
Irresponsabilidade e fúria seria pouco.
A natureza não se vinga.
Ela tenta se reequilibrar
Em BH tem a campanha SOS Santa Catarina, feita pela Fundação Dom Cabral:

Campus Aloysio Faria - Centro Alfa Av. Princesa Diana, 760 Alphaville, Lagoa dos Ingleses 34000-000 - Nova Lima/MG - Brasil (31) 3589-7457 (geral)
Unidade Belo Horizonte - Rua Bernardo Guimarães, 3071 Sto. Agostinho - 30140-083Belo Horizonte/MG - Brasil (31) 3299-9700 (geral)

Ambientalistas no Diálogos da Terra

E como eu não fui, claro que perdi o "extra-oficial".
Este ficou por conta do protesto dos ambientalistas, na porta do Minascentro, segundo um e-mail que recebi e só lido agora, devido ao dia infernal que tive ontem.
O pessoal do Manuelzão, Amda e SOS Rio das Velhas entregou um documento para o Aécio Neves chamado "Carta dos Rios de Minas".
No conteúdo, a enorme preocupação com o Meta 2010 (de despoluição da Bacia do Rio das Velhas), por causa da transposição do São Francisco.
É como diz Apolo Heringer: a transposição, sem recuperação do São Francisco vai tornar inútil toda recuperação do Rio das Velhas. Heringer disse. "Esta Meta é antagônica ao projeto de transposição do rio São Francisco, pois havendo transposição jamais haverá revitalização. Vão fazer barragens para aumentar a disponibilidade de água para Sobradinho etc e tal. Os rios vão ficar com algas e sem piracema. Terras férteis serão inundadas, haverá problemas".
Isto não está na Carta, mas no e-mail que o Apolo me mandou na época das eleições municipais.
Independente da manifestação, ninguém da área ambiental seria doido de deixar de ir ao Minascentro ouvir o Mohan do IPCC. O cara é "o cara".

Diálogos da Terra

É preciso tirar o chapéu para uma coisa deste governo mineiro: pela primeira vez eu vejo uma Secretaria de Ciência e Tecnologia usar tecnologia. Usar e bem.
Exemplos são os inúmeros recursos que a Sctes criou para usar a web. O mais recente é o site do Diálogos da Terra, que cobre, em tempo real, o que acontece na conferência internacional sobre sustentabilidade que o governo mineiro está realizando até amanhã, sexta-feira (28). É um site fantástico.
Na abertura, transmitiu em tempo real a conferência do presidente executivo da Green Cross, Alexander Likhotal e da conferência magna com o prêmio Nobel da Paz de 2007, Mohan Munasinghe (foto ao lado), presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
Antes houve uma coletiva, da qual não participei porque estava trabalhando, mas que reproduzo alguns trechos. Depois acompanhei alguma coisa pelo meu computador, em casa mesmo.
Mas vc pode acompanhar mesmo pelo Twitter, se você estiver cadastrado no site, óbvio, aí recebe as informações no celular, se não, só na página do Diálogos mesmo, também no Twiter, onde dá para ver as informaçõs de última hora, mas bem resumidinhas, afinal esta é a característica do bichinho.
A coletiva foi conduzida pelo Otávio Elísio Alves de Brito, que é o coordenador do evento, que acontece no Minascentro, e teve a participação do Munasinghe, do IPCC; do Alexander Likhotal, presidente da Green Cross International; e do diretor da Green Cross, Xavier Guijarro.
O discurso é de que poderá sair da conferência algo para ser replicado no restante do planeta e que existe uma certa má-vontade dos dirigentes mundiais com o desenvolvimento sustentável.
Já dentro de uma visão social, e o cara sabe do que está falando, já que é do Sri Lanka, um dos países mais pobres do mundo, Mohan Munasinghe disse que os problemas estão aumentando porque estão relacionados com a pobreza, alimentação, energia e segurança.
Ou à falta de planejamento deles. E que o problema é que os líderes mundiais não querem saber de mexer nos atuais modelos de gestão. Mohan creditou, ainda, um papel determinante para as empresas, ao lado dos governos naturalmente, no controle e recuperação das atividades que degradam o ambiente.
Energia renovável
Um dado interessante: Alexander Likhotal, da Green Cross, disse que se houver investimentos de US$ 100 bilhões em energias renováveis, serão gerados quatro vezes mais empregos do que nas fontes tradicionais. Bem, só não disseram isso para os governos, inclusive o de Minas, que licenciam diariamente atividades intensamente degradantes, como a mineração.
O Diálogos da Terra se realiza pela primeira vez na América Latina. Já aconteceu na França, Espanha, Estados Unidos e Austrália. Minas foi escolhida para sediar o evento, em 2008, por ser o estado brasileiro que possui grande biodiversidade ambiental e cultural, além de abrigar nascentes de importantes rios brasileiros. Por isso, o encontro recebeu o nome de “Diálogos da Terra no Planeta Água”. As conclusões do encontro farão parte da pauta do 5º Fórum Mundial da Água, que será realizado em Istambul (Turquia), em 2009.

Chorar é humano

Desde que o mundo é mundo, alguém reclama de alguma coisa, quando algo não vai bem.
Imagino que Adão reclamou com Deus que não tinha uma Tv para ver o jogo de futebol naquelas tardes de modorra de domingo no Éden.
E a Eva então?
Deve ter reclamado que não tinha um xampu adequado para lavar os cabelos. Ou um protetor solar para proteger sua pelezinha sensível daquele solão infernal do Paraíso.
Ontem ouvi e presenciei o chororô dos produtores de leite.
Que o preço para a indústria está baixo. Que não tem mercado externo e nem interno, por isso há excesso de leite no mercado. Que os insumos estão pela hora da morte. E que o setor leiteiro vai quebrar.
Não sei desde quando escuto esta conversa. Creio que desde que fui editora de agropecuária no Diário de Minas lá pelos anos 80 e alguma coisa. Não só os produtores de leite, mas os pecuaristas, os cafeicultores.
O choro é geral quando algum evento no mercado externo faz o preço despencar. Ou quando há um tempo ruim na natureza, muito ou pouca chuva, muito ou pouco frio, aí então, é o fim do mundo.
Me espanta um setor, cujo negócio é matéria prima ou comoditie, ficar afirmando que isso ou aquilo não estava previsto.
É um negócio inteiramente relacionado às condições climáticas e aos movimentos do mercado externo. Então não há como dizer que o setor foi pego de surpresa.
Na verdade, o que existe é o velho paternalismo da economia brasileira, onde quando tudo vai bem, ótimo, ninguém sabe, ninguém viu.
E quando algo sai mal um pouquinho, aí é culpa do governo, do excesso de tributos, e a salvação é uma linha de crédito especial para os produtores.
E o pior de tudo: os produtores querem que o governo faça uma campanha de marketing para incentivar o consumo do leite. Por que eles mesmos não fazem isso?
E depois não entendem por que o brasileiro bebe 90 litros de refrigerante/ano por pessoa e só 38 de leite/ano por pessoa.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Vixe Maria!!!

E como hoje estou meio que no gilete press, aí vai outro assunto para você entrar e votar.
Não que eu esteja sem assunto, mas é que achei os dois mais relevantes.
Este aqui, então, é uma boa mostra daquilo que move as preocupações de alguns parlamentares em Brasília. Ou daquilo que povoa suas mentes férteis.
Depois ainda estranham o desinteresse da população pela política!

Há trezentos anos Nossa Senhora Aparecida é venerada pelos brasileiros como sua Rainha e Padroeira.
Nas calamidades, nos períodos de agitação ou de tranqüilidade, a Senhora Aparecida sempre foi um fator de unidade nacional.
Por essa razão Ela é reconhecida oficialmente como Rainha e Padroeira do Brasil.
Mas, o Projeto de Lei 2623/2007, do Deputado Vitório Galli, pastor evangélico da Assembléia de Deus, quer que esse título seja retirado.