Mais uma vez a cobertura da mídia de um fato de extrema comoção social - a morte da menina Isabella Nardoni - vira espetáculo.
Entra década, sai década, entra caso, sai caso e o comportamento é o mesmo. Já não basta noticiar o fato. É preciso criar/inventar seus desdobramentos.
Já não se faz suíte - que no jargão jornalístico significa dar seqüência à notícia. Faz-se espetáculo. E espetáculo deprimente, como o que ora se presencia com o caso Nardoni.
Mas há menos de um mês era o caso da menina torturada em Goiânia, suplantado por um ibope melhor. Onde está o desdobramento daquele processo policial? A "empresária" - personagem criado pelos telejornais para se referir à mulher que adotou informalmente a menina -, continua presa? Já tem condenação?
Mas isso não importa, porque a morte de Isabella é a mais nova comoção. E a imprensa se esmera em dar seu show, pulando muros, plantando-se na frente da casa da família, ouvindo garçons, porteiros, vizinhos, cachorro e papagaio e mais um festival de besteiras de corar qualquer "foca" (outro jargão, me perdoem).
Como se não bastassem os Datenas, Marcelos, dizendo do pai da menina: "olha ali o indivíduo. Olha ele de bermuda, de boné". E a gente olhando, mas ainda assim precisando da descrição dos "comunicadores", senão não seríamos capazes de formar nossos próprios conceitos.
Como se não bastasse tudo isso, vem a Ana Maria Braga e fica ao vivo, 8 horas da manhã, falando e entrevistando sobre a morte da infeliz criança.
Infelizes de nós que vemos este degradante tratamento da desgraça e dores alheias. A Braga conversando com o produtor do jornalismo da TV para saber como seria a cobertura da emissora naquele dia. E depois, no dia seguinte, entrevistando o repórter, para ver como e onde ele iria ficar.
Só falta entrevistar o diagramador do jornal impresso para ver como ele desenhará a página com a notícia.
Vemos porque temos poucas opções de escapar da "cobertura", verdadeiro reality show da televisão brasileira, comercial e de cabo, indistintamente.
E além dessa lavagem cerebral, temos também uma pobreza de informação assustadora.
Mas, infelizmente, a cobertura jornalística virou mesmo um espetáculo, porque alguém chamado "mercado" determinou que o povo gosta mesmo é de big brother
E tome vizinhos descrevendo gritos e choros.
Sou mais o Gritos e Sussurros de Bergman.
terça-feira, 15 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
E a tecnologia me deixou na mão
Bem, fiz uns posts abaixo e queria ilustrá-los com umas fotos. Tirei umas da estrada de Cataguases, que ficaram muito bonitas. Fiz no celular, um Motorola Z não sei o quê, que tem uma câmara de 2 megapixels.
Bem, daí para o computador é só tirar o chip, colocar num adaptador com entrada USB e pronto!
Foi assim que fiz as fotos de Uberaba e Uberlândia, que para celular e internet estavam até muito boas.
Mas dessa vez falhou. As fotos não descarregaram de jeito nenhum. Nem com um cabo que também veio com o telefone, que por sinal ganhei da Telemig no final do ano, com o compromisso de me "fidelizar" (palavra do telemarketing dela) por 12 meses. Como se eu precisasse disso, 12 anos depois de "fidelidade" à Telemig.
Dessa forma vou ficar devendo as fotos lindas da Serra da Mantiqueira, com um céu escandalosamente azul. Prometo que só viajo agora com a minha câmara Sony, que já manejo bem e não com esses celulares descartáveis, que, com apenas cinco meses de uso, já começam a sofrer tudo quanto é tipo de piripaco.
ô preguiça dessas geringonças!
Bem, daí para o computador é só tirar o chip, colocar num adaptador com entrada USB e pronto!
Foi assim que fiz as fotos de Uberaba e Uberlândia, que para celular e internet estavam até muito boas.
Mas dessa vez falhou. As fotos não descarregaram de jeito nenhum. Nem com um cabo que também veio com o telefone, que por sinal ganhei da Telemig no final do ano, com o compromisso de me "fidelizar" (palavra do telemarketing dela) por 12 meses. Como se eu precisasse disso, 12 anos depois de "fidelidade" à Telemig.
Dessa forma vou ficar devendo as fotos lindas da Serra da Mantiqueira, com um céu escandalosamente azul. Prometo que só viajo agora com a minha câmara Sony, que já manejo bem e não com esses celulares descartáveis, que, com apenas cinco meses de uso, já começam a sofrer tudo quanto é tipo de piripaco.
ô preguiça dessas geringonças!
sábado, 12 de abril de 2008
Ainda as cadeias do Estado
Não foram só as cadeias de Ubá e Cataguases que me levaram a algumas reflexões. Visitei também a de Frutal, no Triângulo mineiro.
Embora em condição um pouco melhorzinha que as outras duas, ainda guarda aquela imagem de curral, de masmorra. Lendo outras matérias sobre cadeias, só fica a impressão: o sistema todo está falido.
Aliás, a impressão é mais ampla: não é só o sistema penitenciário, mas todo o estado está falido. Os problemas no atendimento de saúde à população de baixa renda, mostrados diariamente pelas televisões. Basta acompanhar, a escalada da dengue.
A degradação da educação, também para a população carente, está aí para ser conferida a qualquer momento.
Se se não se faz parte da classe que pode pagar com facilidade, ou daquela que a duras penas também ainda paga a saúde e educação particulares, o resto é o fracasso.
Daí não se poder ignorar a pergunta: para que serve o estado?
Se o estado não consegue garantir segurança, saúde e educação, pelos quais pagamos, para que precisamos dele afinal?
Não seria a hora de revermos os termos do contrato que fizemos quando saímos da fase do "o homem é o lobo do homem" e criamos o estado?
Vai chegar um momento que todos vão descobrir que não vale mais a pena termos o estado só para que alguns se locupletem, com cartões corporativos ou não.
Embora em condição um pouco melhorzinha que as outras duas, ainda guarda aquela imagem de curral, de masmorra. Lendo outras matérias sobre cadeias, só fica a impressão: o sistema todo está falido.
Aliás, a impressão é mais ampla: não é só o sistema penitenciário, mas todo o estado está falido. Os problemas no atendimento de saúde à população de baixa renda, mostrados diariamente pelas televisões. Basta acompanhar, a escalada da dengue.
A degradação da educação, também para a população carente, está aí para ser conferida a qualquer momento.
Se se não se faz parte da classe que pode pagar com facilidade, ou daquela que a duras penas também ainda paga a saúde e educação particulares, o resto é o fracasso.
Daí não se poder ignorar a pergunta: para que serve o estado?
Se o estado não consegue garantir segurança, saúde e educação, pelos quais pagamos, para que precisamos dele afinal?
Não seria a hora de revermos os termos do contrato que fizemos quando saímos da fase do "o homem é o lobo do homem" e criamos o estado?
Vai chegar um momento que todos vão descobrir que não vale mais a pena termos o estado só para que alguns se locupletem, com cartões corporativos ou não.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Veja a beleza da estrada
Um acidente na estrada, onde um caminhão tanque pegou fogo, interrompendo o tráfego por mais de cinco horas, me levou a pensar: por que as pessoas correm tanto? Por que não curtem a beleza das rodovias?
Saindo de Ubá, na MG 265, até chegar ao entroncamento da BR-040, próximo a Barbacena, há um trecho magnífico da estrada. Até chegar a Cataguases, a rodovia é margeada por um verde intenso e a Serra da Mantiqueira, que oferece uma visão privilegiada. Por quilômetros e quilômetros é possível ver a serra que acompanha o motorista em todas as retas e curvas. Uma serra verdejante, viva, com um azul ao fundo, horizonte inconfundível dos dias de abril.
E entre um povoado e outro, umas casas encarapitadas nos morros que me levam a pensar: como foram parar ali? Como se faz para chegar lá?
Situação que nem um grande amor, como disse uma companheira de viagem, me levaria a viver em um lugar tão inóspito. É um pedaço de Santa Bárbara do Tugúrio.
Mas isso foi na ida para Ubá, porque na volta, depois que passamos por Rio Pomba, um acidente com o caminhão nos fez dar meia volta e ir até Juiz de Fora, onde o prefeito foi preso por roubar do FPM, e aumentar nossa viagem em mais de 120 quilômetros.
Saindo de Ubá, na MG 265, até chegar ao entroncamento da BR-040, próximo a Barbacena, há um trecho magnífico da estrada. Até chegar a Cataguases, a rodovia é margeada por um verde intenso e a Serra da Mantiqueira, que oferece uma visão privilegiada. Por quilômetros e quilômetros é possível ver a serra que acompanha o motorista em todas as retas e curvas. Uma serra verdejante, viva, com um azul ao fundo, horizonte inconfundível dos dias de abril.
E entre um povoado e outro, umas casas encarapitadas nos morros que me levam a pensar: como foram parar ali? Como se faz para chegar lá?
Situação que nem um grande amor, como disse uma companheira de viagem, me levaria a viver em um lugar tão inóspito. É um pedaço de Santa Bárbara do Tugúrio.
Mas isso foi na ida para Ubá, porque na volta, depois que passamos por Rio Pomba, um acidente com o caminhão nos fez dar meia volta e ir até Juiz de Fora, onde o prefeito foi preso por roubar do FPM, e aumentar nossa viagem em mais de 120 quilômetros.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Ubá, Cataguases, cadeias
A profissão nos leva, às vezes, a situações, que por escolha própria, não gostaríamos de vivenciar. É o caso da visita às cadeias de Ubá e Cataguases, que fiz hoje.
Dá para entender alguns conceitos teóricos como degradação e outros nem tanto, como inferno e masmorras, depois de uma andada rápida por um corredor estreito, fedido, escuro.
Assim são as cadeias públicas de Ubá e Cataguases, na Zona da Mata.
Debaixo de um calor insuportável, com uma umidade de floresta tropical, que faz o suor escorrer incontrolável por todo o corpo, grudando roupas, cabelo, pensamentos, vai se vendo aqueles homens e mulheres atrás das grades, desesperança de uma humanidade perdida.
Páro do lado de fora da cadeia de Cataguases. Simplesmente não consigo acompanhar a visita. Não por problemas filosóficos, mas físicos mesmo. Saio porta afora pingando suor por todos os lados, morta de sede. Penso como é possível aos presos agüentar aquilo.
Na cadeia de Ubá, depois de ver algumas celas, páro numa sala que tem na entrada. Sento-me em uma cadeira capenga, sem forro, rasgada, dessas que os moradores de rua jogam fora, porque já não têm qualquer serventia.
Corro o olhar pelo resto dos "móveis": uma escrivaninha lascada, torta. Mais uma cadeia sem forro, lascada e outra "mesa" alquebrada. Pergunto para o escrivão para que serve aquela sala: "É para atender algum advogado que vai soltar um preso, ou algum familiar, ou qualquer coisa".
Passeio o olhar naquilo e entendo por que não sobra dinheiro para instalações decentes: alguns prefeitos têm de roubar do FPM, ou de outros fundos, para ter dez, doze carros, um milhão de reais em casa e armas, vá lá se saber para quê.
Dá para entender alguns conceitos teóricos como degradação e outros nem tanto, como inferno e masmorras, depois de uma andada rápida por um corredor estreito, fedido, escuro.
Assim são as cadeias públicas de Ubá e Cataguases, na Zona da Mata.
Debaixo de um calor insuportável, com uma umidade de floresta tropical, que faz o suor escorrer incontrolável por todo o corpo, grudando roupas, cabelo, pensamentos, vai se vendo aqueles homens e mulheres atrás das grades, desesperança de uma humanidade perdida.
Páro do lado de fora da cadeia de Cataguases. Simplesmente não consigo acompanhar a visita. Não por problemas filosóficos, mas físicos mesmo. Saio porta afora pingando suor por todos os lados, morta de sede. Penso como é possível aos presos agüentar aquilo.
Na cadeia de Ubá, depois de ver algumas celas, páro numa sala que tem na entrada. Sento-me em uma cadeira capenga, sem forro, rasgada, dessas que os moradores de rua jogam fora, porque já não têm qualquer serventia.
Corro o olhar pelo resto dos "móveis": uma escrivaninha lascada, torta. Mais uma cadeia sem forro, lascada e outra "mesa" alquebrada. Pergunto para o escrivão para que serve aquela sala: "É para atender algum advogado que vai soltar um preso, ou algum familiar, ou qualquer coisa".
Passeio o olhar naquilo e entendo por que não sobra dinheiro para instalações decentes: alguns prefeitos têm de roubar do FPM, ou de outros fundos, para ter dez, doze carros, um milhão de reais em casa e armas, vá lá se saber para quê.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Arquitetando informações para todos
Mais do que aprender arquitetura da informação em um fim de semana, um curso sobre o tema me ensinou um pouco mais sobre manter a mente aberta.
Gosto de conhecer experiências novas, idéias idem. E estes cursos costumam ser plenos de gente jovem, outros nem tanto, como eu, mas que estamos sempre com uma curiosidade infinita para aprender.
Para instigar nossa mente, deixá-la perplexa, cutucar a imaginação, o Daniel Diniz, professor do curso de Arquitetura da Informação, passou um vídeo sobre tecnologias de navegação para cegos, os obstáculos que eles encontram para navegar, quase tão intransponíveis como os do dia a dia das cidades, e as soluções simples, se se quiser realmente democratizar este mundo que nasceu sob o signo da socialização.
Uma internauta cega vai falando de suas dificuldades, principalmente com bancos, cujos sígnos de acesso seu programa de leitura não consegue decifrar, e outro, também cego, vai indicando as soluções para superação dessa ou daquela dificuldade.
Achei fantástico o vídeo e adorei a cutucada.
Nunca como agora achei perfeita a máximna "há muito mais sobre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia".
Preocupados em distribuir a informação nos sites e em fazer tudo corretamente, não nos passa pela cabeça os públicos especiais: cegos, portadores de deficiências de membros superiores (mãos e braços), crianças, adolescentes, velhos.
E me lembrei da foto do Stephen Hawking ("O universo numa casca de noz", entre outros tantos)aprisionado a uma cadeira de rodas, inteiramente imobilizado, mas totalmente lúcido, com uma mente a milhões de anos luz à frente das nossas, usando o computador com os olhos.
E me torno esperançada: de que haverá sempre gente pensando à nossa frente, olhando o mundo com outro olhar, o olhar dos menos, dos deficientes, dos loucos, dos desvairados.
E tenho certeza de que é essa gente que faz o mundo caminhar e que torna nossa vida mais confortável nos pequenos detalhes do nosso cotidiano.
Gosto de conhecer experiências novas, idéias idem. E estes cursos costumam ser plenos de gente jovem, outros nem tanto, como eu, mas que estamos sempre com uma curiosidade infinita para aprender.
Para instigar nossa mente, deixá-la perplexa, cutucar a imaginação, o Daniel Diniz, professor do curso de Arquitetura da Informação, passou um vídeo sobre tecnologias de navegação para cegos, os obstáculos que eles encontram para navegar, quase tão intransponíveis como os do dia a dia das cidades, e as soluções simples, se se quiser realmente democratizar este mundo que nasceu sob o signo da socialização.
Uma internauta cega vai falando de suas dificuldades, principalmente com bancos, cujos sígnos de acesso seu programa de leitura não consegue decifrar, e outro, também cego, vai indicando as soluções para superação dessa ou daquela dificuldade.
Achei fantástico o vídeo e adorei a cutucada.
Nunca como agora achei perfeita a máximna "há muito mais sobre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia".
Preocupados em distribuir a informação nos sites e em fazer tudo corretamente, não nos passa pela cabeça os públicos especiais: cegos, portadores de deficiências de membros superiores (mãos e braços), crianças, adolescentes, velhos.
E me lembrei da foto do Stephen Hawking ("O universo numa casca de noz", entre outros tantos)aprisionado a uma cadeira de rodas, inteiramente imobilizado, mas totalmente lúcido, com uma mente a milhões de anos luz à frente das nossas, usando o computador com os olhos.
E me torno esperançada: de que haverá sempre gente pensando à nossa frente, olhando o mundo com outro olhar, o olhar dos menos, dos deficientes, dos loucos, dos desvairados.
E tenho certeza de que é essa gente que faz o mundo caminhar e que torna nossa vida mais confortável nos pequenos detalhes do nosso cotidiano.
domingo, 6 de abril de 2008
Acredito em redes de ajuda
Acredito em redes de ajuda. Grupos que se vão formando, muitas vezes aleatoriamente, em função de um objetivo qualquer. Pode ser para ajudar numa operação médica cara, num transplante, para encontrar uma criança desaparecida, contra alguma mudança ou obra de governos títeres.
Muita gente recebe isso por email e deleta, com raiva de receber mais uma "corrente".
Separando estas, que realmente enchem o saco, gosto e acredito nas redes que se organizam socialmente. Já participei de inúmeras, como a Liga contra o Trauma, Doação de Medula, etc.
Exemplo de redes de ajuda, é o grupo criado na internet (yahoo grupos) para lutar contra a implantação da rodoviária no bairro Calafate em Belo Horizonte.
Fiz alguns artigos sobre o assunto, como ex-moradora do Prado/Calafate, e entrei com todo o entusiasmo nas campanhas dos moradores.
Contribuo como posso: escrevendo.
Desde que fui adicionada ao grupo, tenho recebido e-mails da Eliane Torquato, Vanessa Freitas, pessoas que não conheço, com quem nunca troquei uma palavra, mas que temos uma luta comum.
As redes sociais são o que há de moderno em mobilização social. E com a ajuda da internet, então, é o melhor dos mundos.
E como gosto muito de uma campanha, estou sempre em defesa de algo, uma colega minha já me nomeou presidente da associação comunitária da Portelinha (pra quem não sabe, a favela da novela das 8 da Globo, que além de toda a chatice e implausibilidade, ainda é politicamente incorreta, chamando o tal local de "favela" ao invés de "vila", como manda o figurino sociológico).
A turma contra a rodoviária no Calafate está ativa, participando de todas as reuniões sobre o tema, e já prepara uma ofensiva mais séria, que são as ações populares contra a prefeitura.
E viva a consciência política e social!
Muita gente recebe isso por email e deleta, com raiva de receber mais uma "corrente".
Separando estas, que realmente enchem o saco, gosto e acredito nas redes que se organizam socialmente. Já participei de inúmeras, como a Liga contra o Trauma, Doação de Medula, etc.
Exemplo de redes de ajuda, é o grupo criado na internet (yahoo grupos) para lutar contra a implantação da rodoviária no bairro Calafate em Belo Horizonte.
Fiz alguns artigos sobre o assunto, como ex-moradora do Prado/Calafate, e entrei com todo o entusiasmo nas campanhas dos moradores.
Contribuo como posso: escrevendo.
Desde que fui adicionada ao grupo, tenho recebido e-mails da Eliane Torquato, Vanessa Freitas, pessoas que não conheço, com quem nunca troquei uma palavra, mas que temos uma luta comum.
As redes sociais são o que há de moderno em mobilização social. E com a ajuda da internet, então, é o melhor dos mundos.
E como gosto muito de uma campanha, estou sempre em defesa de algo, uma colega minha já me nomeou presidente da associação comunitária da Portelinha (pra quem não sabe, a favela da novela das 8 da Globo, que além de toda a chatice e implausibilidade, ainda é politicamente incorreta, chamando o tal local de "favela" ao invés de "vila", como manda o figurino sociológico).
A turma contra a rodoviária no Calafate está ativa, participando de todas as reuniões sobre o tema, e já prepara uma ofensiva mais séria, que são as ações populares contra a prefeitura.
E viva a consciência política e social!
terça-feira, 1 de abril de 2008
Crianças que caem. Crianças que são torturadas
Não sei o que é mais macabro, se é que se pode identificar algum ponto de intercessão entre os dois fatos: crianças que caem de prédios em São Paulo, que são torturadas em Goiânia, ou a epidemia de dengue no Rio, esta doença boba, que continua a matar, enquanto o prefeito da cidade reza para o Senhor do Bonfim.
A criança que caiu jogada da janela (para isso inventaram a palavra defenestrar, que o eufemismo lingüístico nos levou a adotar em outro sentido, mais brando e conotativamente) nos deixa pasmos.
O que leva uma pessoa - sejam pais, parentes, assaltantes, babás, mães adotivas-, a cometer desatinos como este? Creio que nem a psicoliteratura é capaz de dizer.
E o que faz uma autoridade eleita para comandar uma cidade, que recebe para isso, que tem um mundo de benesses por causa do cargo que ocupa, a deixar uma doença típica da Idade Média a se alastrar e a dizimar, sobretudo crianças?
E ainda por cima declarar nas tvs que "rezou para o Senhor do Bonfim levar o mosquito da dengue para o mar"?
Será que alguém disse para ele que quem leva o mosquito para longe não é o Senhor, ou qualquer outro santo, mas sim uma política de saúde correta e séria?
Que não adianta verba atrás de verba, se não há responsabilidade com seu uso? Que privilegie o saneamento básico, políticas de combate à miséria, antes de qualquer atendimento de urgência?
É aceitável, no terceiro milênio após Cristo, conviver e morrer de uma doença que é típica da miséria dos séculos medievais?
E entre crianças que caem e são torturadas e crianças que morrem de dengue está o imponderável, o insondável da mente humana. E entre ambos está uma Justiça que não dá respostas para nossos estranhamentos.
A criança que caiu jogada da janela (para isso inventaram a palavra defenestrar, que o eufemismo lingüístico nos levou a adotar em outro sentido, mais brando e conotativamente) nos deixa pasmos.
O que leva uma pessoa - sejam pais, parentes, assaltantes, babás, mães adotivas-, a cometer desatinos como este? Creio que nem a psicoliteratura é capaz de dizer.
E o que faz uma autoridade eleita para comandar uma cidade, que recebe para isso, que tem um mundo de benesses por causa do cargo que ocupa, a deixar uma doença típica da Idade Média a se alastrar e a dizimar, sobretudo crianças?
E ainda por cima declarar nas tvs que "rezou para o Senhor do Bonfim levar o mosquito da dengue para o mar"?
Será que alguém disse para ele que quem leva o mosquito para longe não é o Senhor, ou qualquer outro santo, mas sim uma política de saúde correta e séria?
Que não adianta verba atrás de verba, se não há responsabilidade com seu uso? Que privilegie o saneamento básico, políticas de combate à miséria, antes de qualquer atendimento de urgência?
É aceitável, no terceiro milênio após Cristo, conviver e morrer de uma doença que é típica da miséria dos séculos medievais?
E entre crianças que caem e são torturadas e crianças que morrem de dengue está o imponderável, o insondável da mente humana. E entre ambos está uma Justiça que não dá respostas para nossos estranhamentos.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Mineroduto e Conceição do Mato Dentro
E para comprovar o que já estamos dizendo desde o ano passado, sobre a "unanimidade" que a MMX quer enfiar goela abaixo da população das cidades atingidas pelo empreendimento Minas/Rio, a gente de Conceição do Mato Dentro já conta com um fórum de debates para acompanhar e fiscalizar o "troço". O endereço do grupo foi deixado no "comentários" da postagem sobre o Rio das Velhas. Convido os que visitaram pela primeira vez este canto do planeta a lerem as postagens antigas sobre o mineroduto, do ano passado, e ver também algumas fotos no pé da página. Obrigada à Flávia Costa e aqui fica meu convite para que o fórum use este pedaço de mundo para deixar seu recado. Não sou de Conceição, mas amo aquela região, que freqüentei por longo tempo, sobretudo Serro e Santo Antônio do Itambé.
Endereço do fórum:
ForumsustentavelCMD@yahoogrupos.com.br
Endereço do fórum:
ForumsustentavelCMD@yahoogrupos.com.br
quarta-feira, 26 de março de 2008
Mineroduto em debate sobre Rio das Velhas
O debate era sobre o Meta 2010, projeto que pretende revitalizar o Rio das Velhas, tornando-o apto para a pesca, navegação e lazer até aquele ano. Mas bem no finalzinho das apresentações, do encontro na Assembléia mineira, surge uma pergunta instigante: como falar em nadar, pescar e navegar no Velhas, se já se prepara a morte de outros rios, como o Peixe, tributário da bacia do Rio Doce? Na bacia será implantado o mais novo projeto de mineração em Minas, próximo às cidades de Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas, Serro, dentro do complexo do Espinhaço, declarado pela Unesco, patrimônio da humanidade.
Gente do Projeto Manuelzão, que engendrou o Meta 2010, teve que concordar: a mineração mudou pouco desde o século XIX. A tecnologia é praticamente a mesma, apesar de umas maquininhas aqui, outras ali. Ao final fica aquele buracão, aquela terra nua, escura, os rios poluídos, assoreados.
Ainda assim, a MMX prossegue no seu caminho inexorável de colocar a Serra do Espinhaço no rumo do desaparecimento, com o engodo de que seu moderno mineroduto é menos poluente.
No início deste mês conseguiu do Ibama a liberação da licença de instalação (LI) para a abertura do canteiro de obras do pátio de armazenamento de tubos e o acesso à estação de bombas do mineroduto. Esta carta branca do Ibama permite que a MMX Minas/Rio deslanche a construção do mineroduto, o monstrengo que vai levar o minério de ferro do coração de Conceição do Mato Dentro e mais a água do Rio do Peixe até o Rio de Janeiro. Agora só falta a licença ambiental, que é concedida pelos órgãos do Secretaria de Meio Ambiente.
E se depender desses, a conjugação dos astros continuará favorável à MMX. Demonstrando que o empreendimento é prioridade do governo mineiro, antes mesmo das licenças concedidas, o governador baixou um decreto no inicinho de março, obrigando, vejam bem que mimo, obrigando mais de 700 proprietários ao longo dos municípios por onde passará o minhocão (20 e poucas cidades) a darem à MMX o direito de passar com o tal por suas terras, mediante indenização (o decreto está lá no Minas Gerais de 3 ou 4 de março).
A negociação com os proprietários já corre há pelo menos nove meses e de acordo com a empresa, pelo menos 80% deles já concordaram com os termos. Há controvérsias e é preciso saber o que pensam os outros 20%.
Para quem não sabe, o mineroduto da MMX é uma parte do empreendimento, embora quase sempre tenha sido o principal foco da questão. Vai transportar 26 milhões de toneladas de pelets por ano por mais de 500 quilômetros até o norte fluminense (Porto de Açu, em São João).
O mais grave é a extração do minério em Conceição. Região de belíssimas paisagens, cachoeiras paradisíacas, pode virar uma nova Itabirito, ou uma nova Serra do Curral, ou a Serra de Igarapé, exemplos estão aí à vontade.
O mais grave é que o minério para correr pelo mineroduto, precisa de água, de muita água, que será tirada do Rio do Peixe, perto de 2.500 metros cúbicos por hora, ou 3,15% do volume total da vazão do rio, segundo estudos apresentados à Secretaria de Meio Ambiente.
A MMX vai pagar por esta água?
Daí ter razão a professora Dorinha Alvarenga que instigou dirigentes do Meta 2010: como pensar em salvar um rio agora e deixar que outros morram?
Vejam o clipe "Dança", no youtube http://www.youtube.com/watch?v=aDzokgVV_Bo
Gente do Projeto Manuelzão, que engendrou o Meta 2010, teve que concordar: a mineração mudou pouco desde o século XIX. A tecnologia é praticamente a mesma, apesar de umas maquininhas aqui, outras ali. Ao final fica aquele buracão, aquela terra nua, escura, os rios poluídos, assoreados.
Ainda assim, a MMX prossegue no seu caminho inexorável de colocar a Serra do Espinhaço no rumo do desaparecimento, com o engodo de que seu moderno mineroduto é menos poluente.
No início deste mês conseguiu do Ibama a liberação da licença de instalação (LI) para a abertura do canteiro de obras do pátio de armazenamento de tubos e o acesso à estação de bombas do mineroduto. Esta carta branca do Ibama permite que a MMX Minas/Rio deslanche a construção do mineroduto, o monstrengo que vai levar o minério de ferro do coração de Conceição do Mato Dentro e mais a água do Rio do Peixe até o Rio de Janeiro. Agora só falta a licença ambiental, que é concedida pelos órgãos do Secretaria de Meio Ambiente.
E se depender desses, a conjugação dos astros continuará favorável à MMX. Demonstrando que o empreendimento é prioridade do governo mineiro, antes mesmo das licenças concedidas, o governador baixou um decreto no inicinho de março, obrigando, vejam bem que mimo, obrigando mais de 700 proprietários ao longo dos municípios por onde passará o minhocão (20 e poucas cidades) a darem à MMX o direito de passar com o tal por suas terras, mediante indenização (o decreto está lá no Minas Gerais de 3 ou 4 de março).
A negociação com os proprietários já corre há pelo menos nove meses e de acordo com a empresa, pelo menos 80% deles já concordaram com os termos. Há controvérsias e é preciso saber o que pensam os outros 20%.
Para quem não sabe, o mineroduto da MMX é uma parte do empreendimento, embora quase sempre tenha sido o principal foco da questão. Vai transportar 26 milhões de toneladas de pelets por ano por mais de 500 quilômetros até o norte fluminense (Porto de Açu, em São João).
O mais grave é a extração do minério em Conceição. Região de belíssimas paisagens, cachoeiras paradisíacas, pode virar uma nova Itabirito, ou uma nova Serra do Curral, ou a Serra de Igarapé, exemplos estão aí à vontade.
O mais grave é que o minério para correr pelo mineroduto, precisa de água, de muita água, que será tirada do Rio do Peixe, perto de 2.500 metros cúbicos por hora, ou 3,15% do volume total da vazão do rio, segundo estudos apresentados à Secretaria de Meio Ambiente.
A MMX vai pagar por esta água?
Daí ter razão a professora Dorinha Alvarenga que instigou dirigentes do Meta 2010: como pensar em salvar um rio agora e deixar que outros morram?
Vejam o clipe "Dança", no youtube http://www.youtube.com/watch?v=aDzokgVV_Bo
terça-feira, 25 de março de 2008
O tsunami da torcida atleticana
Os 100 anos do Atlético podem ser ditos também como os 100 descasos do clube com a vizinhança de sua sede. Os 100 problemas causados pelas comemorações. Os 100 abusos da torcida nas vizinhanças de Lourdes e Savassi e por aí afora.
Um dia depois do início das comemorações, que temerosamente devem prosseguir hoje, a avenida Olegário Maciel amanhece como depois de um tsunami. Um furacão Katrina passou por lá e hoje pela manhã era só devastação: toneladas de lixo, vidros quebrados, garrafas espatifadas por toda a rua, jardins dos prédios empestiados de garrafas, copos, guardanapos, restos de comida. E vômitos.
Este é o saldo da festa que arrastou milhares de torcedores para as imediações da sede do Atlético, em um bairro nobre e estritamente residencial de Belo Horizonte.
E quem responde pelos estragos?
E vitórias mesmo.... ( epa! esqueci o Tupi!)
O Tsunami II
Gente que morava há mais de cinco quilômetros da sede escutou a barulheira infernal. Uma manada de atleticanos gritando e cantando enlouquecidos. Um foguetório de deixar alucinada a cachorrada do bairro (sabiam que cachorro tem o ouvido muito sensível e por isso, enlouquece com o barulho?). E fumaça de tampar o céu, depois dos fogos. E um funk de dar medo. E garrafa voando pra tudo quanto é lado. E palavrões, apupos, provocações.
E nós, moradores, atleticanos ou não, acuados dentro de casa, com a avenida e ruas vizinhas totalmente fechadas ao trânsito, numa incompreensível apropriação do público pelo privado (as ruas, pelo Atlético).
O mais engraçado é que poucos dias atrás, um vereador foi multado porque fez uma festa de aniversário na avenida Américo Vespúcio. Claro, ele é político, o alvo preferido de poderes constituídos.
Mas o Atlético se apropriar do bairro de Lourdes e Savassi e Praça Sete, emporcalhar vias públicas, deslocar três guarnições policiais, cinco viaturas e um ônibus da PM não é. E no dia seguinte, ainda demandar uma equipe extra de garis para varrer a rua, só lá no final da tarde.
Estranhos poderes estes que permitem tal desrespeito do direito de ir e vir do cidadão que paga seu imposto ( e caro, já que o IPTU de Lourdes é o mais alto de Belo Horizonte), para dar a um time de futebol, adorado ou não, patrimônio da cidade, do Estado, ou o que for, todo o espaço possível.
Mas vitórias.... (quem sabe agora contratando o Petkovic).
Tsunami III
Bem agora que desabafei um pouco, vamos aos fatos, isentamente. O Atlético paga à prefeitura pelo uso da equipe extra de garis? Paga à PM pelo policiamento excepcionalmente reforçado nestes dias? Paga aos vizinhos pelas depredações em jardins e grades?
O Atlético tem alvará para fazer uma festa na rua e cercar duas pistas de uma avenida crucial para o trânsito de Belo Horizonte, em plena segunda-feira e mais ruas vizinhas, como Aimorés, Bernardo Guimarães, Rio Grande do Sul, Santa Catarina?
Não, não, não, não.
Como também não dá a mínima para a vizinhança e nem mesmo para os torcedores (que dia mesmo eles fizeram uma passeata contra a diretoria?).
Soluções
Por que não fazer a comemoração no Mineirão, num sábado, ou num domingo, organizada, com um presente aos atleticanos, tipo uma vitoriazinha de vez em quando?
Ai que saudade do time que tinha Reinaldo, Éder....
Um dia depois do início das comemorações, que temerosamente devem prosseguir hoje, a avenida Olegário Maciel amanhece como depois de um tsunami. Um furacão Katrina passou por lá e hoje pela manhã era só devastação: toneladas de lixo, vidros quebrados, garrafas espatifadas por toda a rua, jardins dos prédios empestiados de garrafas, copos, guardanapos, restos de comida. E vômitos.
Este é o saldo da festa que arrastou milhares de torcedores para as imediações da sede do Atlético, em um bairro nobre e estritamente residencial de Belo Horizonte.
E quem responde pelos estragos?
E vitórias mesmo.... ( epa! esqueci o Tupi!)
O Tsunami II
Gente que morava há mais de cinco quilômetros da sede escutou a barulheira infernal. Uma manada de atleticanos gritando e cantando enlouquecidos. Um foguetório de deixar alucinada a cachorrada do bairro (sabiam que cachorro tem o ouvido muito sensível e por isso, enlouquece com o barulho?). E fumaça de tampar o céu, depois dos fogos. E um funk de dar medo. E garrafa voando pra tudo quanto é lado. E palavrões, apupos, provocações.
E nós, moradores, atleticanos ou não, acuados dentro de casa, com a avenida e ruas vizinhas totalmente fechadas ao trânsito, numa incompreensível apropriação do público pelo privado (as ruas, pelo Atlético).
O mais engraçado é que poucos dias atrás, um vereador foi multado porque fez uma festa de aniversário na avenida Américo Vespúcio. Claro, ele é político, o alvo preferido de poderes constituídos.
Mas o Atlético se apropriar do bairro de Lourdes e Savassi e Praça Sete, emporcalhar vias públicas, deslocar três guarnições policiais, cinco viaturas e um ônibus da PM não é. E no dia seguinte, ainda demandar uma equipe extra de garis para varrer a rua, só lá no final da tarde.
Estranhos poderes estes que permitem tal desrespeito do direito de ir e vir do cidadão que paga seu imposto ( e caro, já que o IPTU de Lourdes é o mais alto de Belo Horizonte), para dar a um time de futebol, adorado ou não, patrimônio da cidade, do Estado, ou o que for, todo o espaço possível.
Mas vitórias.... (quem sabe agora contratando o Petkovic).
Tsunami III
Bem agora que desabafei um pouco, vamos aos fatos, isentamente. O Atlético paga à prefeitura pelo uso da equipe extra de garis? Paga à PM pelo policiamento excepcionalmente reforçado nestes dias? Paga aos vizinhos pelas depredações em jardins e grades?
O Atlético tem alvará para fazer uma festa na rua e cercar duas pistas de uma avenida crucial para o trânsito de Belo Horizonte, em plena segunda-feira e mais ruas vizinhas, como Aimorés, Bernardo Guimarães, Rio Grande do Sul, Santa Catarina?
Não, não, não, não.
Como também não dá a mínima para a vizinhança e nem mesmo para os torcedores (que dia mesmo eles fizeram uma passeata contra a diretoria?).
Soluções
Por que não fazer a comemoração no Mineirão, num sábado, ou num domingo, organizada, com um presente aos atleticanos, tipo uma vitoriazinha de vez em quando?
Ai que saudade do time que tinha Reinaldo, Éder....
segunda-feira, 24 de março de 2008
Tibet e Nepal
De repente estes dois países que a gente só conhece de fotos maravilhosas entraram para o noticiário mundial. E com inusitadas explosões de violência.
Ambos, que nos remetiam sempre à idéia de relaxamento, paz, tranquilidade, imutabilidade, estão agora nos noticiários.
O primeiro, pelas revoltas populares de rua contra o regime da China, que há mais de 40 anos escraviza aquele país, perdido na Cordilheira do Humalaia, eternamente gelado, e em contraposição, eternamente com um povo de vestes coloridíssimas.
E o segundo, que a gente só via em fotos, também dá sinais de mudança no comportamento de sua população. Dia destes, uma mulher amarrou seu marido em praça pública, para expô-lo aos olhares de todos os curiosos. É que ela se cansou dos porres do homem e resolveu dar-lhe uma lição.
Sem entrar no mérito da revolta tibetana - inteiramente justificável-, ou de sua forma - ainda que estranhamenteoposta à fama de seu povo -, me pergunto o que está mudando por lá.
Será que a idéia de "zen" que associamos imediatamente aos monges budistas, ao povo milenarmente pacífico, terá de mudar?
Não estou criticando nada, apenas tenho medo de perder mais uma referência sobre as especificidades de culturas quase místicas para nós ocidentais, ante a globalização da violência, seja em forma de conflitos sociais ou domésticos.
Ambos, que nos remetiam sempre à idéia de relaxamento, paz, tranquilidade, imutabilidade, estão agora nos noticiários.
O primeiro, pelas revoltas populares de rua contra o regime da China, que há mais de 40 anos escraviza aquele país, perdido na Cordilheira do Humalaia, eternamente gelado, e em contraposição, eternamente com um povo de vestes coloridíssimas.
E o segundo, que a gente só via em fotos, também dá sinais de mudança no comportamento de sua população. Dia destes, uma mulher amarrou seu marido em praça pública, para expô-lo aos olhares de todos os curiosos. É que ela se cansou dos porres do homem e resolveu dar-lhe uma lição.
Sem entrar no mérito da revolta tibetana - inteiramente justificável-, ou de sua forma - ainda que estranhamenteoposta à fama de seu povo -, me pergunto o que está mudando por lá.
Será que a idéia de "zen" que associamos imediatamente aos monges budistas, ao povo milenarmente pacífico, terá de mudar?
Não estou criticando nada, apenas tenho medo de perder mais uma referência sobre as especificidades de culturas quase místicas para nós ocidentais, ante a globalização da violência, seja em forma de conflitos sociais ou domésticos.
terça-feira, 18 de março de 2008
Rodoviária no Calafate: o conto do vigário
Em uma reunião da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembléia hoje, para discutir a transferência da rodoviária para o bairro Calafate, região Oeste de Belo Horizonte, ouvi coisas de arrepiar os cabelos.
Há um consenso entre os deputados participantes, sobretudo Alencar da Silveira Jr. e Délio Malheiros, de que o monstrengo nao sai do papel. Segundo Alencar, o projeto é só para a prefeitura ganhar dinheiro e que este é um debate de mais de 16 anos. (Especulação imobiliária?). Alencar prometeu, inclusive, abandonar a vida pública, caso o projeto saia.
Segundo Délio, o projeto técnico é completamente frágil juridicamente. E ele sabe do que está falando, pois foi do Procon por anos e anos. Ele questionou as falhas: ausência de uma lei para regulamentar a questão, o que hoje é feito por decreto; e o alto investimento que empresários particulares teriam de fazer com desapropriações e outros custos, sem garantia de retorno.
Ou seja: que havia interesses por trás, a gente desconfiava. Mas que eles pudessem ser expostos assim, publicamente, é de deixar qualquer cidadão engasgado.
Lembram-se que já escrevi sobre a rodoviária aqui, e que vendi meu apartamento no Prado, às pressas. Meu irmão ainda está lá, no Padre Eustáquio. Resolveu pagar para ver.
Os argumentos contra a construção naquele local todo mundo sabe. Capacidade de trânsito esgotada, aumento da violência, terrenos particulares.
O Estado doou para a prefeitura um terreno que só era dele parcialmente, num típico caso de "fazer reverência com o chapéu alheio".
O "cidadão engasgado" veio na fala do vice-presidente da Associação dos Moradores do Prado e Calafate, professor Renato de Leme. Ele disse que a associação vai lotar o Judiciário de ações populares contra a construção, porque o decreto da nova rodoviário está cheio de irregularidades. E fez um discurso aplaudidíssimo por moradores, contra a inércia das instituições e a negligência dos políticos para com os eleitores.
Consultor da Fundação Getúlio Vargas para estratégias de negócios, ele garantiu que não há empresário "burro", que queira investir num projeto como esse.
Vivendo e aprendendo.
Há um consenso entre os deputados participantes, sobretudo Alencar da Silveira Jr. e Délio Malheiros, de que o monstrengo nao sai do papel. Segundo Alencar, o projeto é só para a prefeitura ganhar dinheiro e que este é um debate de mais de 16 anos. (Especulação imobiliária?). Alencar prometeu, inclusive, abandonar a vida pública, caso o projeto saia.
Segundo Délio, o projeto técnico é completamente frágil juridicamente. E ele sabe do que está falando, pois foi do Procon por anos e anos. Ele questionou as falhas: ausência de uma lei para regulamentar a questão, o que hoje é feito por decreto; e o alto investimento que empresários particulares teriam de fazer com desapropriações e outros custos, sem garantia de retorno.
Ou seja: que havia interesses por trás, a gente desconfiava. Mas que eles pudessem ser expostos assim, publicamente, é de deixar qualquer cidadão engasgado.
Lembram-se que já escrevi sobre a rodoviária aqui, e que vendi meu apartamento no Prado, às pressas. Meu irmão ainda está lá, no Padre Eustáquio. Resolveu pagar para ver.
Os argumentos contra a construção naquele local todo mundo sabe. Capacidade de trânsito esgotada, aumento da violência, terrenos particulares.
O Estado doou para a prefeitura um terreno que só era dele parcialmente, num típico caso de "fazer reverência com o chapéu alheio".
O "cidadão engasgado" veio na fala do vice-presidente da Associação dos Moradores do Prado e Calafate, professor Renato de Leme. Ele disse que a associação vai lotar o Judiciário de ações populares contra a construção, porque o decreto da nova rodoviário está cheio de irregularidades. E fez um discurso aplaudidíssimo por moradores, contra a inércia das instituições e a negligência dos políticos para com os eleitores.
Consultor da Fundação Getúlio Vargas para estratégias de negócios, ele garantiu que não há empresário "burro", que queira investir num projeto como esse.
Vivendo e aprendendo.
domingo, 16 de março de 2008
Hotel Tamareiras, luxo de um tempo antigo



Em Uberaba, o Hotel Tamareiras é atração turística. Resquício da "Era do Zebu", o hotel guarda em suas instalações o luxo e o bom gosto de construções que ainda privilegiam o conforto com elegância.
Nada parecido com estes hotéis "estilo Miami", onde tudo é de carpete e papelão, inclusive as paredes.
O Tamareiras foi construído a partir de uma casa da década de 30, toda preservada na entrada do hotel. A expansão foi feita nos fundos, com duas torres altas, seguindo o estilo mourisco da casa.
Desenhado por um arquiteto austríaco, possui materiais de diversos países, como mármore carrara nas colunas e escadas, lustres alemães, vitrais franceses, azulejos e pisos portugueses. Um luxo. E um clima "belle époque", que faz a gente pensar que é rica!
Triângulo Mineiro, um país muito mais rico

Trabalhando no Triângulo Mineiro, na semana passada, comprovei o que a gente já sabe: é outro país. Mais rico, mais organizado, bonito.
Na estrada entre Frutal e Uberlândia, passamos por uma plantação de cana. Quilômetros e quilômetros, com uma rodovia no meio. E em alguns trechos, de um lado a cana e de outro o feijão. Depois de Frutral há uma plantação de abacaxi pérola, também às margens da rodovia.
Mas quando se fala em Triângulo, na verdade, queremos dizer Uberlândia, que é quem puxa a economia local. Em um raio de 600 quilômetros de seu entorno, que inclui municípios paulistas, incluindo a capital, e goianos, está uma população responsável por quase 2/3 do PIB brasileiro, segundo o IBGE. Uberlândia é a oitava cidade brasileira em arrecadação de tributos federais e a terceira de Minas em tributos estaduais.
A cidade tem uma organização urbanística primorosa, com avenidas largas, arborizadas e coleta de veículos nas laterais, o que evita os estacionamentos de carros em filas duplas. A cidade também já é a segunda do Estado em frota de veiculos particulares.
O comércio é rico e dinâmico e você encontra de tudo e mais barato que em Belo Horizonte.
Lazer também tem à vontade. Shows sertanejos são o carro chefe, afinal a cidade é parte daquele Brasil interiorano com economia calcada na agroindústria, como São Paulo e Goiás.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Escola Corina, um exemplo de dinamismo
Para quem estudou em escola pública, como eu, depois viu a falência e derrocada do modelo, é supergratificante encontrar escolas que ainda resistem e tocam o barco com a maior dignidade. Encontrei uma assim em Uberaba.
Me encantei com o projeto da rádio da Escola Estadual Professora Corina de Oliveira. É rádio mesmo, não é serviço de som. Tem microfone, computador para a programação, jornalismo e grade com programas variados, como o Fala Professor. É toda tocada pelos alunos que correram atrás e fizeram tudo, como o estúdio acústico com embalagem de ovo.
Os locutores tiveram treinamento em uma faculdade local e os textos do jornalismo só passam pelo conselho editorial, depois de redigidos pelos alunos. São 15 deles entre técnicos, locutores, repórteres.
Falam de tudo: dos eventos na escola, das atividades dos professores e colegiado, de coisas importantes que acontecem na cidade. E muitos recados e música.
A Rádio Corina é um importante instrumento pedagógico, além de tudo, pois pode ser sintonizada individualmente em cada sala, caso o professor queira usá-la como instrumento. E tem uma moçada de 15, 16 e 17 anos afiadíssima, com o maior pique.
Exemplo de que nem toda a juventude está perdida na alienação da mídia insípida e oca.
Me encantei com o projeto da rádio da Escola Estadual Professora Corina de Oliveira. É rádio mesmo, não é serviço de som. Tem microfone, computador para a programação, jornalismo e grade com programas variados, como o Fala Professor. É toda tocada pelos alunos que correram atrás e fizeram tudo, como o estúdio acústico com embalagem de ovo.
Os locutores tiveram treinamento em uma faculdade local e os textos do jornalismo só passam pelo conselho editorial, depois de redigidos pelos alunos. São 15 deles entre técnicos, locutores, repórteres.
Falam de tudo: dos eventos na escola, das atividades dos professores e colegiado, de coisas importantes que acontecem na cidade. E muitos recados e música.
A Rádio Corina é um importante instrumento pedagógico, além de tudo, pois pode ser sintonizada individualmente em cada sala, caso o professor queira usá-la como instrumento. E tem uma moçada de 15, 16 e 17 anos afiadíssima, com o maior pique.
Exemplo de que nem toda a juventude está perdida na alienação da mídia insípida e oca.
terça-feira, 11 de março de 2008
Rapidinha com Marcos Frota
Aproveito que estou em Uberaba a trabalho e faço uma entrevista rapidinha com o ator Marcos Frota, que também está por aqui, no mesmo projeto.
Simpático, alegre, ele conversa com todos e faz incontáveis fotos com alunos, cantineiras, empregados diversos. A tietagem é inata no povo brasileiro, creio.
Meio ressabiado quando digo que é para um blog, começa a descartar.
Pergunto se ele está abandonando a profissão de ator.
Ele diz que não, que vai seguindo sua vida e fazendo atividades variadas. E garante que em breve estará de volta à telinha. Já está em fase de preparação do texto de uma minissérie na Globo. Não disse o que, nem quando, nem tema. Afinal eu sou só um bloguesinho.
Sobre amores, dá risadas e diz que está com três mulheres: a Hebe, a Dercy e a Ana Maria Braga. E acrescenta que tem três coisas sobrando na vida dele: mulher, dinheiro e sucesso.
Acompanho seu bom humor e peço para ele me passar um pouco disso, de dinheiro e sucesso, claro.
E depois conta que está namorando. "Uma garota de Guaxupé". Mas não disse mais nada, apesar da insistência. Imagina, se ele, Marcos Frota, escolado feito gato escaldado, vai dar um furo para um bloguesinho qualquer? Só se ele fosse doido.
E eu penso: "também não tô nem aí" (nada parecido com a raposa e as uvas, heim?). Afinal meu blog não é de fofocas televisivas, apesar de não ter nada contra, (não tenho é informação sobre).
quinta-feira, 6 de março de 2008
Que te muera, Galo!
Pensei que estivesse livre do pesadelo dos atleticanos na minha porta, mas esta noite/madrugada, o inferno voltou. Gritaria, palavrões, quebra-quebra e a torcida a noite inteirinha perturbando o bairro de Lourdes, lugar bom demais para morar. Sem os atleticanos, claro.
Não é compreensível por que a torcida vai passar a noite de quarta para quinta-feira na porta da sede do Atlético, para comprar ingresso para um jogo que só acontece no domingo.
Medo de ficar sem? Mas a Ademg não disponibiliza milhares e milhares de ingressos? E também não vende pela internet?
Será que é só para aparecer naquelas matérias bobas de TV, em um milésimo de segundo, pulando e gritando bestialmente?
Por que ficar aporrinhando o saco de quem quer somente ter uma noite tranqüila de sono, com gritos, cantoria e insultos? Esta parte não é para ser feita no Mineirão?
O pesadelo tinha desaparecido, desde que o Galo voltou à primeira divisão.
Naquele final de campeonato na segundona foi um terror. Todo jogo que o Galo ganhava arrastava a torcida no mesmo dia para a porta da sede e eles lá ficavam a noite inteira, esperando abrir a bilheteria, 9 horas da manhã do dia seguinte.
Pela manhã, o quarteirão estava coalhado de torcedores, geralmente homens e algumas destemidas mulheres, deitados pelos passeios, uma montanha de garrafas pet de água e de refrigerantes espalhados e muita lata de cerveja. E muita, muita briga, confusão, insultos aos moradores. O suplício perdurava por três dias.
Fizemos abaixo assinado, muitos de nós fanáticos pelo time, alguns conselheiros que moram por ali, para que o Atlético retirasse a venda da sede, afinal a região é estritamente residencial, ao contrário da sede do Cruzeiro que fica numa área puramente comercial. Mas o Atlético sequer se dignou a responder, numa total falta de respeito com uma grande parte do bairro.
Aí, a fila sumiu e agora volta com força total, tanto que foi preciso um microônibus do Batalhão de Choque para vigiar os exaltados (todos!).
Por isso, seguindo o exemplo de uma ciganinha em Valparaíso que me rogou uma praga porque não lhe dei uma moeda, digo para o time:
"Que te muera, Galo!"
Não é compreensível por que a torcida vai passar a noite de quarta para quinta-feira na porta da sede do Atlético, para comprar ingresso para um jogo que só acontece no domingo.
Medo de ficar sem? Mas a Ademg não disponibiliza milhares e milhares de ingressos? E também não vende pela internet?
Será que é só para aparecer naquelas matérias bobas de TV, em um milésimo de segundo, pulando e gritando bestialmente?
Por que ficar aporrinhando o saco de quem quer somente ter uma noite tranqüila de sono, com gritos, cantoria e insultos? Esta parte não é para ser feita no Mineirão?
O pesadelo tinha desaparecido, desde que o Galo voltou à primeira divisão.
Naquele final de campeonato na segundona foi um terror. Todo jogo que o Galo ganhava arrastava a torcida no mesmo dia para a porta da sede e eles lá ficavam a noite inteira, esperando abrir a bilheteria, 9 horas da manhã do dia seguinte.
Pela manhã, o quarteirão estava coalhado de torcedores, geralmente homens e algumas destemidas mulheres, deitados pelos passeios, uma montanha de garrafas pet de água e de refrigerantes espalhados e muita lata de cerveja. E muita, muita briga, confusão, insultos aos moradores. O suplício perdurava por três dias.
Fizemos abaixo assinado, muitos de nós fanáticos pelo time, alguns conselheiros que moram por ali, para que o Atlético retirasse a venda da sede, afinal a região é estritamente residencial, ao contrário da sede do Cruzeiro que fica numa área puramente comercial. Mas o Atlético sequer se dignou a responder, numa total falta de respeito com uma grande parte do bairro.
Aí, a fila sumiu e agora volta com força total, tanto que foi preciso um microônibus do Batalhão de Choque para vigiar os exaltados (todos!).
Por isso, seguindo o exemplo de uma ciganinha em Valparaíso que me rogou uma praga porque não lhe dei uma moeda, digo para o time:
"Que te muera, Galo!"
quarta-feira, 5 de março de 2008
A guerra que não aconteceu
Quase fechado o acordo entre Equador e Colômbia para evitar a quase guerra, o vizinho palpiteiro, Chávez continua a pôr lenha na fogueira. Diz que ainda vai mandar oito mil homens para a fronteira com a Colômbia.
Depois de todo mundo botar pano quente para que não explodisse um conflito ali nas fronteiras, o presidente da Venezuela continua sua carreira de inconseqüente. Se ele quer testar seu arsenal bélico, adquirido freneticamente nos últimos tempos, que procure outro quintal. O nosso não!
A OEA mostrou que tem prestígio e acertou uma resolução que ficou bem para todos: a Colômbia pede desculpas pro Equador, mas não é condenada pela invasão. O Equador aceita e vamos tocando o barco.
Ótimo. Maturidade diplomática é isso. Se todo mundo tem culpa no cartório (quem bombardeou o vizinho, quem recebeu dinheiro do outro vizinho), então é melhor fingir que nada aconteceu e seguir a vida.
Aliás acho que a OEA deveria ser despachada pela ONU para resolver aquela pendenga eterna entre Israel e palestinos (e sírios, e árabes e libaneses).
Israel invade todo mundo todo dia e ninguém faz nada. Acho que a OEA lá acabava com esta farra logo, logo.
Voltando para a América do Sul: é bom respirar aliviada por não termos de enfrentar uma guerra de farrapos nos nossos quintais.
E que o caudilho recolha sua metralhadora retórica e a real e páre de meter o bedelho na casa de todo mundo. Ô home chato sô!
Depois de todo mundo botar pano quente para que não explodisse um conflito ali nas fronteiras, o presidente da Venezuela continua sua carreira de inconseqüente. Se ele quer testar seu arsenal bélico, adquirido freneticamente nos últimos tempos, que procure outro quintal. O nosso não!
A OEA mostrou que tem prestígio e acertou uma resolução que ficou bem para todos: a Colômbia pede desculpas pro Equador, mas não é condenada pela invasão. O Equador aceita e vamos tocando o barco.
Ótimo. Maturidade diplomática é isso. Se todo mundo tem culpa no cartório (quem bombardeou o vizinho, quem recebeu dinheiro do outro vizinho), então é melhor fingir que nada aconteceu e seguir a vida.
Aliás acho que a OEA deveria ser despachada pela ONU para resolver aquela pendenga eterna entre Israel e palestinos (e sírios, e árabes e libaneses).
Israel invade todo mundo todo dia e ninguém faz nada. Acho que a OEA lá acabava com esta farra logo, logo.
Voltando para a América do Sul: é bom respirar aliviada por não termos de enfrentar uma guerra de farrapos nos nossos quintais.
E que o caudilho recolha sua metralhadora retórica e a real e páre de meter o bedelho na casa de todo mundo. Ô home chato sô!
terça-feira, 4 de março de 2008
Os crimes de internet
Ontem havia posto minhas barbas de molho ao ler que um senador estava com um projeto de lei para aumentar as penas previstas no Código Penal para crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação), quando cometidos pela internet.
Hoje relaxei, porque o senador Expedito Júnior, do PR de Rondônia, retirou o projeto, depois da grita geral de usuários da internet.
Minhas barbas estiveram molhadas um bom período, afinal quando se trata de criticar, critico com força, como fiz com a mineradora MMX (vou voltar a ela brevemente). E sempre com o Lula e o Chávez.
Mas o que não dá para entender é por que o Senado insiste em regulamentar o uso da internet.
Se o propósito fosse simplesmente regulamentar, ótimo. É preciso mesmo, porque senão continua esse território de ninguém.
Mas o problema é que tem alguma coisa mais por trás dessas tentativas. E quando digo tentativas é porque ainda agorinha houve outro projeto, o do Eduardo Azeredo.
Aí é só a mídia criticar e eles retiram as brilhantes idéias de tramitação.
Então há alguma coisa errada. Ou escusa, o que é mais provável.
Aliás, refaço o que disse acima: não sei se é preciso regulamentar nada não.
Afinal nunca foi possível tanta discussão sobre tudo neste país (ops! este negócio pega!)
É ótimo você ver jornalistas enfrentando os oligopólios de comunicação, dando sua versão dos fatos (Nacif x Veja).
É ótimo a gente ter um espaço para dizer o que pensa, da forma que quer, em muitas e muitas análises, o que a gente sempre fazia, faz e fará, só que com a diferença de agora poder compartilhá-las com outras pessoas.
Análises de acontecimentos e não boatos (embora os haja), informações privilegiadas (embora haja também as notícias plantadas).
Mas há uma infinita diferença: os botões Delete e Esc.
Hoje relaxei, porque o senador Expedito Júnior, do PR de Rondônia, retirou o projeto, depois da grita geral de usuários da internet.
Minhas barbas estiveram molhadas um bom período, afinal quando se trata de criticar, critico com força, como fiz com a mineradora MMX (vou voltar a ela brevemente). E sempre com o Lula e o Chávez.
Mas o que não dá para entender é por que o Senado insiste em regulamentar o uso da internet.
Se o propósito fosse simplesmente regulamentar, ótimo. É preciso mesmo, porque senão continua esse território de ninguém.
Mas o problema é que tem alguma coisa mais por trás dessas tentativas. E quando digo tentativas é porque ainda agorinha houve outro projeto, o do Eduardo Azeredo.
Aí é só a mídia criticar e eles retiram as brilhantes idéias de tramitação.
Então há alguma coisa errada. Ou escusa, o que é mais provável.
Aliás, refaço o que disse acima: não sei se é preciso regulamentar nada não.
Afinal nunca foi possível tanta discussão sobre tudo neste país (ops! este negócio pega!)
É ótimo você ver jornalistas enfrentando os oligopólios de comunicação, dando sua versão dos fatos (Nacif x Veja).
É ótimo a gente ter um espaço para dizer o que pensa, da forma que quer, em muitas e muitas análises, o que a gente sempre fazia, faz e fará, só que com a diferença de agora poder compartilhá-las com outras pessoas.
Análises de acontecimentos e não boatos (embora os haja), informações privilegiadas (embora haja também as notícias plantadas).
Mas há uma infinita diferença: os botões Delete e Esc.
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