Pela pertinência, lucidez e oportunidade, publico o artigo do meu amigo, jornalista Márcio Metzker. Convido-os a mergulhar nesta análise crua e crucial.
Trajetória dos Luízes
@ Márcio Metzker - 11/12/07
Há 61 anos, nascia em Guaratinguetá (SP), numa família abastada, o menino Luiz Flávio Cappio, que optou pela carreira religiosa e se tornou frade franciscano. Em 1992, nomeado bispo de Barra, em Pernambuco, desceu o rio São Francisco da nascente até a Diocese que iria assumir, já perto da foz. Tomou conhecimento dos graves problemas sociais, econômicos e ambientais que afligem o rio e as populações ribeirinhas, e fez a clássica opção franciscana pelos pobres.
Há 62 anos, nascia em Garanhuns (PE), numa família pobre, o menino Luiz Inácio da Silva, que perseguiu muito calango e bebeu água de cacimba até subir num pau-de-arara e ir para São Paulo, com o objetivo de subir na vida, comprar sapatos de cromo, ter seu próprio carro e nunca mais passar fome na vida. Tornou-se sindicalista, foi preso, fundou um partido político e acabou se tornando presidente da República, com o conforto assegurado até o fim dos seus dias.
Em 1993, a trajetória inversa desses dois homens se cruzou, durante o percurso da Caravana da Cidadania pelo vale do São Francisco, em que comungaram os mesmos ideais de melhorar a vida dos ribeirinhos e salvar o rio das agressões ambientais que já eram evidentes. Lula adquiriu valiosos conhecimentos para suas ambições eleitorais. Dom Cappio ainda não era tão sábio quanto é hoje e acreditou na pureza das intenções do companheiro de marcha.
Esses dois homens hoje são antagonistas em tudo. Enquanto o bispo se eleva cada vez mais nas causas espirituais, Lula renega os compromissos com os velhos companheiros e afunda no mais lamentável fisiologismo. O objeto da disputa de ambos são as águas do São Francisco. Dom Luiz quer águas puras e abundantes espalhando vida e prosperidade para as populações sofridas. Luiz Inácio quer bombear o rio para beneficiar os agronegociantes e os coronéis da seca ligados ao compadre Ciro Gomes.
Em setembro de 2005, ambientalistas, hidrólogos e entidades de ribeirinhos esperneavam inutilmente contra o projeto de transposição, e Dom Luiz o paralisou sozinho com uma greve de fome que durou 11 dias. Desta vez, os mercadores do templo se encheram de coragem e resolveram começar a obra na marra, mandando o Exército Brasileiro cumprir mais este triste papel contra o povo nordestino, 110 anos depois de massacrar a população de Canudos e seu santo, o beato Antônio Conselheiro.
Dom Luiz é homem de opinião: começou outro jejum em 27 de novembro, e não deixou nenhuma dúvida de que entrega o corpo à sepultura e o espírito a Deus se o Exército não sair de Cabrobó e Itaparica e o governo não desistir da transposição. Luiz Inácio é cabra da peste, sustenta a dolorosa mentira de que a água é para beneficiar 12 milhões de nordestinos sedentos. Os abutres das empreiteiras, da indústria de cimento e das indústrias metal-mecânicas aguardam de bico aberto debaixo do poleiro presidencial.
Milhares de peregrinos visitam Dom Cappio por semana: além das pessoas comuns, pescadores, beiradeiros e índios, também ambientalistas, artistas, políticos, ativistas estrangeiros. A modesta igreja de São Francisco, em Sobradinho, tornou-se ponto de romaria. Sem querer, Lula está criando um novo Padim Ciço. Todos querem beijar-lhe a mão, pedir uma bênção, ouvir seus conselhos. No imaginário fervoroso do nordestino, surge um novo santo, culto e humanista como Mahatma Gandhi e mestre também da resistência pacífica.
Como jurou nunca mais passar fome, Luiz Inácio jamais apostaria com Dom Luiz quem resiste mais a um jejum. Se apostasse certamente perderia, mas a despensa do Palácio da Alvorada faria uma expressiva economia em iguarias. É quase certo de que o Governo não recuará, devido aos altos interesses instalados no Palácio do Planalto, e com isso se distancia definitivamente dos compromissos populares. É quase certo de que Dom Luiz morrerá, e quem mata um santo será para sempre amaldiçoado. A morte do Conselheiro, que era um inculto beato, em 1897, pesou sobre o presidente Prudente de Morais, que sofreu um atentado a bala durante o mandato e morreu de tuberculose em 1902.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Greve de fome não pode ser em vão
(Veja ao lado as dicas do Gleidson Batista para uma viagem legal a Buenos Aires. E confira também a coluna do Trotta)
Militantes de movimentos sociais, à frente o FSMMG fizeram uma panfletagem na terça-feira (18), na porta da Igreja São José, centro de Belo Horizonte, em solidariedade ao bispo D. Luiz Cappio, que faz greve de fome há 22 dias, contra a transposição do Rio São Francisco.
De quebra, o pessoal do Fórum Social Mundial - MG foi até a porta da casa do Patrus Ananias, ex-militante católico - única pessoa do governo de Lula que não tinha nenhum direito de criticar D. Cappio e o fez -, para repudiar o ministro da fome. Aliás, sem trocadilho, D. Luiz é quem deveria ocupar tal ministério, pois tem experiência própria. Talvez desse mais certo para o ministério.
E para não dizer que o bispo faz greve sem proposta, aí vai o que ele cobra do governo do Lula, cobra mas também apresenta alternativas.
Faça como a Letícia Sabatella, que linda, linda, se ajoelhou as pés de D. Caprio, domingo destes, e ontem fez manifestação em Brasília. Faça como todos que são contra os termos da tal transposição. Proteste. De todas as formas ao seu alcance.
Contrapropostas de dom Luiz Cappio e dos Movimentos Sociais
Face à proposta feita pelo Governo Federal, através do Chefe de Gabinete da Presidência da República, Sr. Gilberto Carvalho, para suspensão do jejum de Dom Luiz Cappio;
Tendo em vista a solução real para o déficit hídrico e o desafio do desenvolvimento socioambiental sustentável do Semi-árido e da Bacia do Rio São Francisco;
Baseados na proposta feita pela Caravana em Defesa do Rio São Francisco e do Semi-Árido - Contra a Transposição (27/07/2007);
Para alimentar o diálogo e o entendimento;
Dom Luiz Cappio e os Movimentos Sociais que o acompanham e assessoram – MPA, MAB, MST, APOINME, CPT, CIMI, CPP, PJMP e FEAB – apresentam a seguinte contraproposta:
1- Manter a suspensão das obras iniciadas da transposição, com a retirada imediata das tropas do Exército;
2- Adução de 9m3/s para as áreas de maior déficit hídrico dos Estados de Pernambuco e da Paraíba, redimensionando o projeto atual de 28m3/s, através de termo de ajustamento entre o empreendedor e o Ministério Público Federal com interveniência dos Estados da Bacia, do Estado da Paraíba e do Comitê de Bacia Hidrográfica do São Francisco;
3- Implementação das obras previstas no Atlas Nordeste de Abastecimento Urbano de Água, da Agência Nacional de Águas, além das já referidas acima no item 2;
4- Apoio da União à introdução, ampliação e difusão de tecnologias apropriadas de captação, armazenamento e manejo de água para o abastecimento hídrico humano e produção agropecuária das comunidades camponesas do Semi-Árido, sob controle da ASA – Articulação do Semi-Árido Brasileiro e dos movimentos sociais;
5- Elaboração e implementação de um programa de revitalização da Bacia Hidrográfica do São Francisco, que comporte ações amplas e diversificadas, a curto, médio e longo prazo, e contemple a preservação dos Cerrados e das Caatingas, tornados Biomas Nacionais, tendo como suporte orçamentário o Fundo de Revitalização do Rio São Francisco, conforme a PEC a ser aprovada imediatamente no Congresso Nacional;
6- Elaboração e implementação de Programas de Revitalização das Bacias Hidrográficas dos Rios Jaquaribe no Ceará, Piranhas-Açu na Paraíba e Rio Grande do Norte e Parnaíba no Piauí e Maranhão, e rios temporários do Semi-árido;
7- Apoio técnico-político ao Comitê de Bacia Hidrográfica do São Francisco para elaboração do Pacto de Gestão das Águas do São Francisco com inclusão imediata do atendimento às demandas para abastecimento humano do estado da Paraíba e do Pernambuco e consideração dos pleitos dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte para abastecimento humano e dessedentação de animais;
8- Coordenação pela União da elaboração e implementação de um Plano de Desenvolvimento Socioambiental Sustentável para todo o Semi-Árido Brasileiro, conforme o paradigma da Convivência com o Semi-árido.
Sobradinho, 18 de dezembro de 2007
Militantes de movimentos sociais, à frente o FSMMG fizeram uma panfletagem na terça-feira (18), na porta da Igreja São José, centro de Belo Horizonte, em solidariedade ao bispo D. Luiz Cappio, que faz greve de fome há 22 dias, contra a transposição do Rio São Francisco.
De quebra, o pessoal do Fórum Social Mundial - MG foi até a porta da casa do Patrus Ananias, ex-militante católico - única pessoa do governo de Lula que não tinha nenhum direito de criticar D. Cappio e o fez -, para repudiar o ministro da fome. Aliás, sem trocadilho, D. Luiz é quem deveria ocupar tal ministério, pois tem experiência própria. Talvez desse mais certo para o ministério.
E para não dizer que o bispo faz greve sem proposta, aí vai o que ele cobra do governo do Lula, cobra mas também apresenta alternativas.
Faça como a Letícia Sabatella, que linda, linda, se ajoelhou as pés de D. Caprio, domingo destes, e ontem fez manifestação em Brasília. Faça como todos que são contra os termos da tal transposição. Proteste. De todas as formas ao seu alcance.
Contrapropostas de dom Luiz Cappio e dos Movimentos Sociais
Face à proposta feita pelo Governo Federal, através do Chefe de Gabinete da Presidência da República, Sr. Gilberto Carvalho, para suspensão do jejum de Dom Luiz Cappio;
Tendo em vista a solução real para o déficit hídrico e o desafio do desenvolvimento socioambiental sustentável do Semi-árido e da Bacia do Rio São Francisco;
Baseados na proposta feita pela Caravana em Defesa do Rio São Francisco e do Semi-Árido - Contra a Transposição (27/07/2007);
Para alimentar o diálogo e o entendimento;
Dom Luiz Cappio e os Movimentos Sociais que o acompanham e assessoram – MPA, MAB, MST, APOINME, CPT, CIMI, CPP, PJMP e FEAB – apresentam a seguinte contraproposta:
1- Manter a suspensão das obras iniciadas da transposição, com a retirada imediata das tropas do Exército;
2- Adução de 9m3/s para as áreas de maior déficit hídrico dos Estados de Pernambuco e da Paraíba, redimensionando o projeto atual de 28m3/s, através de termo de ajustamento entre o empreendedor e o Ministério Público Federal com interveniência dos Estados da Bacia, do Estado da Paraíba e do Comitê de Bacia Hidrográfica do São Francisco;
3- Implementação das obras previstas no Atlas Nordeste de Abastecimento Urbano de Água, da Agência Nacional de Águas, além das já referidas acima no item 2;
4- Apoio da União à introdução, ampliação e difusão de tecnologias apropriadas de captação, armazenamento e manejo de água para o abastecimento hídrico humano e produção agropecuária das comunidades camponesas do Semi-Árido, sob controle da ASA – Articulação do Semi-Árido Brasileiro e dos movimentos sociais;
5- Elaboração e implementação de um programa de revitalização da Bacia Hidrográfica do São Francisco, que comporte ações amplas e diversificadas, a curto, médio e longo prazo, e contemple a preservação dos Cerrados e das Caatingas, tornados Biomas Nacionais, tendo como suporte orçamentário o Fundo de Revitalização do Rio São Francisco, conforme a PEC a ser aprovada imediatamente no Congresso Nacional;
6- Elaboração e implementação de Programas de Revitalização das Bacias Hidrográficas dos Rios Jaquaribe no Ceará, Piranhas-Açu na Paraíba e Rio Grande do Norte e Parnaíba no Piauí e Maranhão, e rios temporários do Semi-árido;
7- Apoio técnico-político ao Comitê de Bacia Hidrográfica do São Francisco para elaboração do Pacto de Gestão das Águas do São Francisco com inclusão imediata do atendimento às demandas para abastecimento humano do estado da Paraíba e do Pernambuco e consideração dos pleitos dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte para abastecimento humano e dessedentação de animais;
8- Coordenação pela União da elaboração e implementação de um Plano de Desenvolvimento Socioambiental Sustentável para todo o Semi-Árido Brasileiro, conforme o paradigma da Convivência com o Semi-árido.
Sobradinho, 18 de dezembro de 2007
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Salve uma garça
Coisa sinistra acontece em Fernando de Noronha. Na calada da noite, funcionários do Ministério da Agricultura pegam garças e matam, de forma politicamente correta claro, sem sofrimento para as aves, a não ser pela pequena agulhada da injeção letal.
Depois de ver a tosca cena de uma garça morta, parecendo mais um frango desses de abatedouro que exporta pras Arábias, decidi lançar a campanha: SALVE UMA GARÇA.
A campanha é simples e séria: mande um e-mail para a administração da ilha e diga que você quer salvar uma garça. Pode até pedir para lhe despacharem uma, eles têm lá uns aviões da FAB, então não deve ser difícil. Só o e-mail protestando também serve, afinal é da crise que surgem as soluções, não é o que dizem aí os manuais de gestão?
Tudo bem. Tudo bem. As garças estão desequilibrando o ecossistema da pequena Fernando de Noronha. Além disso, têm trombado com aviões, lá no espaço aéreo deles, aviões.
Daí a sacrificar é outra história. Precisa matar? Será que não tem outra alternativa? E depois, o descontrole populacional das garças é um indício de algo errado em Noronha, né não?
Se o número exagerado de aves ameaça o ecossistema da ilha, é preciso descobrir o motivo de as garças, migratórias que são, resolverem se estabelecer por lá. E por que estão se reproduzindo exponencialmente.
Estranha humanidade esta, que cria projetos para não deixar bichos, como as tartarugas, se extinguirem da face da terra e na outra ponta manda matar os que estão sobrando.
Triste humanidade esta que confina animais como o macaco Chico de Uberaba, porque ele andou tomando uns porres e ameaçando os visitantes do parque onde morava.
Será que esta humanidade acha que o Chico tomou cachaça por conta própria? Será que acha que as garças se reproduzem como coelhos porque são umas promíscuas que não conhecem nada de controle de natalidade?
Mas não tem nada não: no futuro, se as garças correrem risco de extinção, alguma empresa com débito ambiental grande, com certeza se disporá a financiar um projeto para salvá-las.
Vá ao o site www.noronha.pe.gov.br abaixo e deixe lá seu protesto
garças clique aqui
Depois de ver a tosca cena de uma garça morta, parecendo mais um frango desses de abatedouro que exporta pras Arábias, decidi lançar a campanha: SALVE UMA GARÇA.
A campanha é simples e séria: mande um e-mail para a administração da ilha e diga que você quer salvar uma garça. Pode até pedir para lhe despacharem uma, eles têm lá uns aviões da FAB, então não deve ser difícil. Só o e-mail protestando também serve, afinal é da crise que surgem as soluções, não é o que dizem aí os manuais de gestão?
Tudo bem. Tudo bem. As garças estão desequilibrando o ecossistema da pequena Fernando de Noronha. Além disso, têm trombado com aviões, lá no espaço aéreo deles, aviões.
Daí a sacrificar é outra história. Precisa matar? Será que não tem outra alternativa? E depois, o descontrole populacional das garças é um indício de algo errado em Noronha, né não?
Se o número exagerado de aves ameaça o ecossistema da ilha, é preciso descobrir o motivo de as garças, migratórias que são, resolverem se estabelecer por lá. E por que estão se reproduzindo exponencialmente.
Estranha humanidade esta, que cria projetos para não deixar bichos, como as tartarugas, se extinguirem da face da terra e na outra ponta manda matar os que estão sobrando.
Triste humanidade esta que confina animais como o macaco Chico de Uberaba, porque ele andou tomando uns porres e ameaçando os visitantes do parque onde morava.
Será que esta humanidade acha que o Chico tomou cachaça por conta própria? Será que acha que as garças se reproduzem como coelhos porque são umas promíscuas que não conhecem nada de controle de natalidade?
Mas não tem nada não: no futuro, se as garças correrem risco de extinção, alguma empresa com débito ambiental grande, com certeza se disporá a financiar um projeto para salvá-las.
Vá ao o site www.noronha.pe.gov.br abaixo e deixe lá seu protesto
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
E o mundo vai acabar em fogo

Os ambientalistas estão doidos mundo afora. A conferência de Bali, na Indonésia, que termina nesta sexta-feira (14/12), vai dar em nada. Era para já pensar o pós-Kioto, mas a turma que manda resolveu engrossar, mais uma vez. EUA, Canadá e Japão boicotaram o acordo para novas metas sobre o clima. O planeta está se exaurindo e os ricos do mundo nem aí. Querem mais é continuar emitindo gases incontavelmente, com seu progresso infernal, e o futuro que se dane. Veja o manifesto da ONG Avaaz (se conseguir, assine a lista entrando no site indicado abaixo, já que este espaço está meio zangado há três semanas e eu não consigo fazer link de nada). Ainda há tempo!
http://www.avaaz.org/po/bali_emergency/12.php
"Desastre Climático em Bali
O encontro da ONU em Bali está em perigo. Até então as coisas pareciam estar indo bem, os negociadores estavam quase chegando a um consenso para um novo acordo climático que incluía metas até 2020 para países desenvolvidos e um compromisso da China e dos países em desenvolvimento a fazer a sua parte. Mas o Japão, os Estados Unidos e o Canadá estão se unindo para boicotar esse acordo.
Não podemos deixar que a má vontade de três governos destruam o futuro do planeta. Nós só temos até sexta-feira, o último dia do encontro fazer alguma coisa. Assine nossa petição de emergência que será divulgada publicamente em Bali, além de ser publicada no jornal Financial Times na Ásia e ser entregue á delegação do Japão, Estados Unidos e Canadá. Acrescente seu nome á campanha já! "
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Fôlego para o Velho Chico
Ainda estamos comemorando a liminar do TRF que suspendeu as obras da transposição do São Francisco. Mesmo que a gente saiba que talvez se trate apenas de uma saída política para que o bispo Luiz Cappio suspenda a greve de fome.
Mas como ele não é bobo não mordeu a isca. Felizmente para o Velho Chico. Infelizmente para a saúde e vida desse messiânico religiosso, que com sua ação solitária, conseguiu o que audiências públicas, marchas, protestos, passeatas, manifestos não alcançaram. D. Luiz Cappio repete a greve feita no início do projeto de transposição.
E lá no sertão pernambucano, onde os especialistas são contra a transposição, máquinas começam a furar o solo que é o sustento de ribeirinhos há 500 anos.
Agora é torcer para que Lula, na conversa com a CNBB hoje, desça do pedestal, esqueça aquela discurseira inóqua e volte a ouvir o povo, não o "seu povo", mas aquele que alimentou a construção de seu mito.
Mas como ele não é bobo não mordeu a isca. Felizmente para o Velho Chico. Infelizmente para a saúde e vida desse messiânico religiosso, que com sua ação solitária, conseguiu o que audiências públicas, marchas, protestos, passeatas, manifestos não alcançaram. D. Luiz Cappio repete a greve feita no início do projeto de transposição.
E lá no sertão pernambucano, onde os especialistas são contra a transposição, máquinas começam a furar o solo que é o sustento de ribeirinhos há 500 anos.
Agora é torcer para que Lula, na conversa com a CNBB hoje, desça do pedestal, esqueça aquela discurseira inóqua e volte a ouvir o povo, não o "seu povo", mas aquele que alimentou a construção de seu mito.
Feliz aniversário, Beagá!
Hoje Belo Horizonte completa 110 anos. E como a cidade está bonita. O centro foi todo reformado (ainda está), com uma significativa mudança de aparência. Canteiros suspensos, calçadas reformadas, passeios mais largos. É a cidade mudando de cara, mas principalmente, ficando mais humana, mais aconchegante. Ruas como Rio de Janeiro, Goitacazes, Tupis, São Paulo, que estavam em adiantado estado de degradação, são agora locais para a população andar. O fluxo de carros foi drasticamente diminuído com o estreitamento das pistas, e anteriormente, com a proibição do trânsito de veículos pesados no hipercentro.
Como presente de aniversário, Belo Horizonte recebe hoje uma árvore de Natal gigante e flutuante. É só conferir na Lagoa da Pampulha.
Mas o melhor presente que a cidade recebeu, para mim, foi a disponibilização na internet do arquivo fotográfico da construção da capital. Simplesmente fantástico!
Consultem no link abaixo e depois digam se tenho ou não tenho razão!
www.comissaoconstrutora.pbh.gov.br
Como presente de aniversário, Belo Horizonte recebe hoje uma árvore de Natal gigante e flutuante. É só conferir na Lagoa da Pampulha.
Mas o melhor presente que a cidade recebeu, para mim, foi a disponibilização na internet do arquivo fotográfico da construção da capital. Simplesmente fantástico!
Consultem no link abaixo e depois digam se tenho ou não tenho razão!
www.comissaoconstrutora.pbh.gov.br
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Um novo Antônio Conselheiro
Engana-se quem vive afirmando que a História não se repete. Repete sim, com graus diferentes de intensidade, motivações e outros componentes.
Melhor exemplo atualmente é a greve de fome do bispo Cappio contra o projeto da transposição do Rio São Francisco. Não sou especialista no assunto, mas em seminário sobre o tema no ano passado na Assembléia, ajudei a dar vaia num cara do governo federal que esteve em BH, nem me lembro o nome (deve ser alguém muito importante!).
Tomei uma posição muito clara contrária à transposição do rio, depois de ler um artigo de um pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, de Recife, mostrando por a+b os equívocos do projeto. Se o cara que é lá do sertãozão brabo é contra, imagina eu!
Mas agora inês é morta. As máquinas já estão lá cavoucando tudo, num desfecho de autoritarismo jamais visto neste País. Mas o bispo Cappio continua resistindo, e faz sua cruzada solitária. Passa fome para que os ribeirinhos não venham a passá-la décadas vindouras. O jornalista Márcio Metzker diz que é o novo Antônio Conselheiro.
Mas o artigo que mais me chamou a atenção recentemente foi do Raul Paixão, a quem pedi licença para reproduzir aqui neste pequeno espaço de idéias.
Raul, que se define como "eu sou eu mesmo, não mais", foi da direção nacional do PCB e do PPS e hoje "livre atirador".
Aí vai:
"Quem passou pelo Setor Público conhece bem o termo 'obra de empreiteira'. A transposição do Rio São Francisco é uma clara 'obra de empreiteira'.
Parto do suposto de que as pessoas envolvidas não são idiotas; logo, posso deduzir que todas elas têm ciência e consciência de que a transposição é uma 'obra de empreiteira'.
À parte o dano irreparável ao São Francisco – já foi chamado de Rio da Unidade Nacional – o que mais me chama a atenção na parte técnica é o seguinte:
Para chegar ao seu “porto de destino”, a água precisa subir 500 metros de altura – repito o pleonasmo: subir 500 metros na altura, e não em sua extensão linear e horizontal – através de “n” estações de bombeamento. Acreditem!
Não existe atividade que seja economicamente viável com o preço a que a água chegará a seu “porto de destino” – investimento fixo na faixa dos US$2,5 bilhões a ser amortizado ao longo do tempo e o custo da energia, claro. Haja rentabilidade!... A não ser que – ah!, já ia me esquecendo – nós todos banquemos a rentabilidade via subsídios pesados. Não faltará um político calhorda para criar um projeto com essa finalidade; e aqui me refiro ao Legislativo, Executivo e Judiciário.
Não me venham dizer que a transposição atenderá o povão do árido e do semi-árido nordestino; isto é conversa fiada para boi dormir ou para inglês ver. Para esta finalidade, estudos técnicos demonstram que existem alternativas mais inteligentes e baratas. Contudo, essas alternativas não chegam a ser “obras de empreiteira”. E mais: não falta água no árido e no semi-árido nordestino, é bom que fique claro.
Precisamos pôr a boca no mundo e gritar: abaixo a “obra de empreiteira” que é a transposição do Rio São Francisco e cadeia para seus patrocinadores.
Até que enfim, estou de acordo com a Igreja Cristã Católica, pelo menos, com parte dela: longa vida ao Bispo Luiz Flávio Cappio combatendo a transposição.
Saudações indignadas de um sertanejo do Vale do Jequitinhonha que vê desde criança, quando lá nadava, seus rios – Araçuaí e Jequitinhonha – secarem devagarzinho.
Raul Paixão
10/dez/2007"
Melhor exemplo atualmente é a greve de fome do bispo Cappio contra o projeto da transposição do Rio São Francisco. Não sou especialista no assunto, mas em seminário sobre o tema no ano passado na Assembléia, ajudei a dar vaia num cara do governo federal que esteve em BH, nem me lembro o nome (deve ser alguém muito importante!).
Tomei uma posição muito clara contrária à transposição do rio, depois de ler um artigo de um pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, de Recife, mostrando por a+b os equívocos do projeto. Se o cara que é lá do sertãozão brabo é contra, imagina eu!
Mas agora inês é morta. As máquinas já estão lá cavoucando tudo, num desfecho de autoritarismo jamais visto neste País. Mas o bispo Cappio continua resistindo, e faz sua cruzada solitária. Passa fome para que os ribeirinhos não venham a passá-la décadas vindouras. O jornalista Márcio Metzker diz que é o novo Antônio Conselheiro.
Mas o artigo que mais me chamou a atenção recentemente foi do Raul Paixão, a quem pedi licença para reproduzir aqui neste pequeno espaço de idéias.
Raul, que se define como "eu sou eu mesmo, não mais", foi da direção nacional do PCB e do PPS e hoje "livre atirador".
Aí vai:
"Quem passou pelo Setor Público conhece bem o termo 'obra de empreiteira'. A transposição do Rio São Francisco é uma clara 'obra de empreiteira'.
Parto do suposto de que as pessoas envolvidas não são idiotas; logo, posso deduzir que todas elas têm ciência e consciência de que a transposição é uma 'obra de empreiteira'.
À parte o dano irreparável ao São Francisco – já foi chamado de Rio da Unidade Nacional – o que mais me chama a atenção na parte técnica é o seguinte:
Para chegar ao seu “porto de destino”, a água precisa subir 500 metros de altura – repito o pleonasmo: subir 500 metros na altura, e não em sua extensão linear e horizontal – através de “n” estações de bombeamento. Acreditem!
Não existe atividade que seja economicamente viável com o preço a que a água chegará a seu “porto de destino” – investimento fixo na faixa dos US$2,5 bilhões a ser amortizado ao longo do tempo e o custo da energia, claro. Haja rentabilidade!... A não ser que – ah!, já ia me esquecendo – nós todos banquemos a rentabilidade via subsídios pesados. Não faltará um político calhorda para criar um projeto com essa finalidade; e aqui me refiro ao Legislativo, Executivo e Judiciário.
Não me venham dizer que a transposição atenderá o povão do árido e do semi-árido nordestino; isto é conversa fiada para boi dormir ou para inglês ver. Para esta finalidade, estudos técnicos demonstram que existem alternativas mais inteligentes e baratas. Contudo, essas alternativas não chegam a ser “obras de empreiteira”. E mais: não falta água no árido e no semi-árido nordestino, é bom que fique claro.
Precisamos pôr a boca no mundo e gritar: abaixo a “obra de empreiteira” que é a transposição do Rio São Francisco e cadeia para seus patrocinadores.
Até que enfim, estou de acordo com a Igreja Cristã Católica, pelo menos, com parte dela: longa vida ao Bispo Luiz Flávio Cappio combatendo a transposição.
Saudações indignadas de um sertanejo do Vale do Jequitinhonha que vê desde criança, quando lá nadava, seus rios – Araçuaí e Jequitinhonha – secarem devagarzinho.
Raul Paixão
10/dez/2007"
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
A moça vai à festa
Olho a roupa que ela veste para sair depois das 23 horas e me espanto: um shortinho preto e uma blusa idem, com paetês e as costas de fora. Nada em baixo e nada atrás, E aí me pergunta: - colocar esta pulseira fica muito pesado?
Olho aquela roda de fenemê preto no braço delicado e digo: - não. Quem sou eu para gostar de uma moda que exibe o corpo praticamente todo e tem uns acessórios teatrais?
Lembro que nos meus quinze anos usou-se short num inverno. Um frio do cão em Oliveira e a gente saindo de short. Claro que escondido do meu pai. Mas era diferente. Completava o short uma bota até o joelho, uma blusa de lã de gola rolê e, principalmente, uma capa dando quase no calcanhar. Era o mostrar disfaçando, o sugerir.
Mas hoje ela vai saindo, depois de me pedir opinião sobre a roupa: todas shorts e todas blusas com as costas inteiramente de fora. E há opção?
Bem, só posso desejar boa balada. E que a festa de aniversário que terá quatro dias de comemoração, bombe em todas. E que traga meu carro intacto, afinal amanhã tenho de buscar minha irmã no Planalto para o almoço de aniversário, que começa hoje, sexta-feira, passa pelo almoço de sábado, pelo de domingo, dia em que ela realmene nasceu, e pela balada da terça, onde vão se encontrar os outros que não podem ir em nenhuma das outras três.
Ai, ai, princess Naiara faz anos!!! Queriam o quê?
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Emagreça mas sem endoidar
Amiga minha chamada Jane - que muita gente acha que é um personagem que criei por causa dos casos escabrosos que ela protagoniza -, resolveu que estava com uns quilos a mais.
Foi no endocrinologista, reclamou do excesso de peso, exagerados dois ou três quilos, que estava comendo doce desesperadamente e tal. Mas queria um remédio, afinal não é muito disciplinada para regimes.
O doutor receitou um remedinho moderno, que não é anfetamina, segundo ele, a sibutramina. Jane pensou, pesou, mediu, os outros remédios que já toma, principalmente o antidepressivo cloridrato de sertralina. Disse ao médico que tomava sertralina, para controlar um pouco o "calorão", vocês sabem qual, pois Jane já chegou na década "enta" (a segunda, claro!).
Começa o uso da sibutramina aliada aos demais do "kit balzaca", preciosidade criada pela lavra janeana.
Passados uns cinco, seis dias, Jane começa a ter umas crises de irritabilidade e de choro. Era só falar qualquer coisa com ela mais triste ou ela se lembrar de algum fato triste e lá vinha o chororô, sem mais nem menos.
Jane disse que entrou em pânico. O que era aquilo? Aí começou a desconfiar de uma interação entre a sibutramina e a sertralina. Mas antes ligou para uma psicóloga sua amiga e marcou uma consulta.
Além disso, Jane, que já está aposentada, foi para a internet e buscou num site de perguntas e respostas, (acho que é o Yahoo Respostas) e pôs lá sua pergunta.
Recebeu três respostas: todas as três indicando que realmente os dois remédios não combinam. Uma das respostas mandava ela parar de tomar a sibutramina imediatamente e conversar com o endocrino sobre a interação medicamentosa.
Jane, muito despachada, queria mesmo é mandar o endocrino para aquele lugar e decidiu que afinal de contas, uns quilinhos a mais dão até um certo charme!
Foi no endocrinologista, reclamou do excesso de peso, exagerados dois ou três quilos, que estava comendo doce desesperadamente e tal. Mas queria um remédio, afinal não é muito disciplinada para regimes.
O doutor receitou um remedinho moderno, que não é anfetamina, segundo ele, a sibutramina. Jane pensou, pesou, mediu, os outros remédios que já toma, principalmente o antidepressivo cloridrato de sertralina. Disse ao médico que tomava sertralina, para controlar um pouco o "calorão", vocês sabem qual, pois Jane já chegou na década "enta" (a segunda, claro!).
Começa o uso da sibutramina aliada aos demais do "kit balzaca", preciosidade criada pela lavra janeana.
Passados uns cinco, seis dias, Jane começa a ter umas crises de irritabilidade e de choro. Era só falar qualquer coisa com ela mais triste ou ela se lembrar de algum fato triste e lá vinha o chororô, sem mais nem menos.
Jane disse que entrou em pânico. O que era aquilo? Aí começou a desconfiar de uma interação entre a sibutramina e a sertralina. Mas antes ligou para uma psicóloga sua amiga e marcou uma consulta.
Além disso, Jane, que já está aposentada, foi para a internet e buscou num site de perguntas e respostas, (acho que é o Yahoo Respostas) e pôs lá sua pergunta.
Recebeu três respostas: todas as três indicando que realmente os dois remédios não combinam. Uma das respostas mandava ela parar de tomar a sibutramina imediatamente e conversar com o endocrino sobre a interação medicamentosa.
Jane, muito despachada, queria mesmo é mandar o endocrino para aquele lugar e decidiu que afinal de contas, uns quilinhos a mais dão até um certo charme!
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Bem feito, quem manda ser esquecida!
Fiquei uma semana sem conseguir postar nada. E não foi bloqueio emocional (embora este esteja batendo à porta), nem foi falta de tempo e nem de inspiração.
Simplesmente, muito metida, depois de fazer um curso de gerenciamento de web, resolvi dar uma incrementada no blog.
Queria personalizar minha página de pesquisa com o iGoogle, colocar alguns índices de mensuração no blog como page views, acessos diários; banco de usuários e tal.
Bem, aí mexe daqui, mexe dali, cria uma conta, muda senha, muda nome de usuário e fica tudo pronto, não fosse por um pequeno detalhe: dois dias depois fui logar o blog para uma postagem e nada. Tentei, nada. É isso mesmo: esqueci a conta nova.
Entra na ajuda, preenche formulário e nada. Tudo voltava ao ponto de estrangulamento: o nome de usuário da conta e a senha.
Hoje, depois de mandar um e-mail para meu irmão, fez-se a luz: o nome, as iniciais dos sobrenomes e um número. Pronto ali estava a bendita conta e aqui estou eu de volta, depois de perder uma semana inteira, tempo em que o mundo girou, girou, traçou seu compasso e eu no espaço.
Às vezes quase me convenço de que esta web é mesmo uma esquizofrenia, principalmente quando pesquiso sobre a Web.3.
Second life é fichinha diante do que está vindo aí.
Sobreviver(ei)mos?
Simplesmente, muito metida, depois de fazer um curso de gerenciamento de web, resolvi dar uma incrementada no blog.
Queria personalizar minha página de pesquisa com o iGoogle, colocar alguns índices de mensuração no blog como page views, acessos diários; banco de usuários e tal.
Bem, aí mexe daqui, mexe dali, cria uma conta, muda senha, muda nome de usuário e fica tudo pronto, não fosse por um pequeno detalhe: dois dias depois fui logar o blog para uma postagem e nada. Tentei, nada. É isso mesmo: esqueci a conta nova.
Entra na ajuda, preenche formulário e nada. Tudo voltava ao ponto de estrangulamento: o nome de usuário da conta e a senha.
Hoje, depois de mandar um e-mail para meu irmão, fez-se a luz: o nome, as iniciais dos sobrenomes e um número. Pronto ali estava a bendita conta e aqui estou eu de volta, depois de perder uma semana inteira, tempo em que o mundo girou, girou, traçou seu compasso e eu no espaço.
Às vezes quase me convenço de que esta web é mesmo uma esquizofrenia, principalmente quando pesquiso sobre a Web.3.
Second life é fichinha diante do que está vindo aí.
Sobreviver(ei)mos?
domingo, 25 de novembro de 2007
Uma tarde de web em Santa Tereza
Chegou ao fim nosso curso de gestão de conteúdo web. Deu para aprender mais um pouco, fazer um montão de novos amigos e aplicar quase nada do que aprendeu, não que o aprendido não seja aplicável, pelo contrário, já está ficando até ultrapassado. É que algumas estruturas são mais.
Mas continuamos insistindo nos cursos. Para o jornalista, a web é a ferramenta básica hoje; a caneta de outrora. Ferramenta, fonte primária, secundária, receptor, cada um ou tudo junto, depende do gosto do freguês.
E num sabadão à tarde, um calor infernal, com nossos certificados debaixo do sovaco, vamos beber umas cervejas no Santa Tereza, onde funcionou o curso. Anda daqui, anda dali e caímos no Marilton's, nem sei bem em que rua, só sei que é depois da Praça Duque de Caxias e eu recomendo: lugar legal, um clima de litoral com interior, um som maravilhoso, ao vivo, sem precisar pagar o couvert e claro, a boa cerva bem gelada.
Todos assentados e começamos, como você se chama? E você? E você?
E passamos uma longa tarde de copos e mais copos de cerveja, em inevitáveis discussões sobre tv digital, acesso e democratização da comunicação, tudo conforme manda o figurino de uma mesa de boteco, onde se resolvem todos os problemas e misérias do mundo.
Caindo a noite volto para casa, não caindo, mas rindo da situação. Pessoas estranhas que passam uma tarde inteira juntas, que discutem, que trocam promessas de se encontrar e beijinhos na despedida.
Nada como a web para encurtar, também, nossas distâncias reais!
Mas continuamos insistindo nos cursos. Para o jornalista, a web é a ferramenta básica hoje; a caneta de outrora. Ferramenta, fonte primária, secundária, receptor, cada um ou tudo junto, depende do gosto do freguês.
E num sabadão à tarde, um calor infernal, com nossos certificados debaixo do sovaco, vamos beber umas cervejas no Santa Tereza, onde funcionou o curso. Anda daqui, anda dali e caímos no Marilton's, nem sei bem em que rua, só sei que é depois da Praça Duque de Caxias e eu recomendo: lugar legal, um clima de litoral com interior, um som maravilhoso, ao vivo, sem precisar pagar o couvert e claro, a boa cerva bem gelada.
Todos assentados e começamos, como você se chama? E você? E você?
E passamos uma longa tarde de copos e mais copos de cerveja, em inevitáveis discussões sobre tv digital, acesso e democratização da comunicação, tudo conforme manda o figurino de uma mesa de boteco, onde se resolvem todos os problemas e misérias do mundo.
Caindo a noite volto para casa, não caindo, mas rindo da situação. Pessoas estranhas que passam uma tarde inteira juntas, que discutem, que trocam promessas de se encontrar e beijinhos na despedida.
Nada como a web para encurtar, também, nossas distâncias reais!
sábado, 24 de novembro de 2007
Mudando a conta de banco II
Uma vez mais a grande imprensa mineira blinda o governo de Aécio em outra trapalhada. A bola da vez é a venda da folha de salários dos servidores estaduais para o Banco do Brasil e o caos que isso gerou.
Mas na grande mídia não tem nada. Um probleminha aqui, outro ali, coisa pontual.
E tenho minhas dúvidas de que esta censura seja uma determinação do Palácio da Liberdade, dama de ferro ao leme: dama de ferro construída por marketing, diga-se, já que a neta de Tancredo não tem história política para isso, nem know how para tanto. Com certeza não passa de mais uma peça da simbologia política dos Neves, engendrada com a morte do patriarca num 21 de abril e perpetuada no neto, nas vagarosas tardes do Solar dos Neves, único casarão de São João Del Rei a merecer tal classificação, afinal o mito se constrói no espécime único.
A censura é a pior delas: é a autocensura. O que o povo simples costuma explicar como "mais realista do que o rei".
A grande imprensa do Estado, grande não sei em que concepção, não divulga o caos, porque sabe quem paga a folha de salários. É o pacto do silêncio.
Ou pior, encontra um bode expiatório. E este é o Banco do Brasil.
Ele tem culpa?
Tem. E muita. De dar medo até em lobisomem, tal as conversas que temos ouvido ou lido. Coisas do tipo: "estão lhe empurrando um mundo de produtos, sem você saber. As informações não são bem aquelas que eles lhe dizem" e por aí vai.
Mas o problema se originou aonde mesmo?
Isto mesmo, no governo. Que ganhou, só ele, com a transação, fora o banco, claro. Porque os funcionários só levaram ferro, mais uma vez, e às vésperas do Natal.
Mas onde publicar isto? Acertou de novo: nos nossos blogs.
Depois a mídia não entende aonde foram parar seus leitores.
Mas na grande mídia não tem nada. Um probleminha aqui, outro ali, coisa pontual.
E tenho minhas dúvidas de que esta censura seja uma determinação do Palácio da Liberdade, dama de ferro ao leme: dama de ferro construída por marketing, diga-se, já que a neta de Tancredo não tem história política para isso, nem know how para tanto. Com certeza não passa de mais uma peça da simbologia política dos Neves, engendrada com a morte do patriarca num 21 de abril e perpetuada no neto, nas vagarosas tardes do Solar dos Neves, único casarão de São João Del Rei a merecer tal classificação, afinal o mito se constrói no espécime único.
A censura é a pior delas: é a autocensura. O que o povo simples costuma explicar como "mais realista do que o rei".
A grande imprensa do Estado, grande não sei em que concepção, não divulga o caos, porque sabe quem paga a folha de salários. É o pacto do silêncio.
Ou pior, encontra um bode expiatório. E este é o Banco do Brasil.
Ele tem culpa?
Tem. E muita. De dar medo até em lobisomem, tal as conversas que temos ouvido ou lido. Coisas do tipo: "estão lhe empurrando um mundo de produtos, sem você saber. As informações não são bem aquelas que eles lhe dizem" e por aí vai.
Mas o problema se originou aonde mesmo?
Isto mesmo, no governo. Que ganhou, só ele, com a transação, fora o banco, claro. Porque os funcionários só levaram ferro, mais uma vez, e às vésperas do Natal.
Mas onde publicar isto? Acertou de novo: nos nossos blogs.
Depois a mídia não entende aonde foram parar seus leitores.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Mudando a conta no banco I
Essa história da mudança de conta dos servidores estaduais para o Banco do Brasil é coisa de arrepiar e de criar até eventuais paranóicos.
Fui abrir a minha conta no Banco do Brasil e não quis nada do que o rapaz me oferecia gentilmente.
Informei a ele, respeitosamente, que só queria mesmo a conta-salário, independente de todas as vantagens que o BB pudessse me oferecer. Tenho uma preguiça danada de banco. Já sofro extremamente de ir em um, imagina em dois!
Aí, tudo bem, segundo o rapaz. Assina aqui, assina ali, mais este papel aqui, mais esta folha acolá.
Assinei, sem ler, coisa de umas seis folhas.
Horas depois abro meu correio eletrônico e tomo um susto com as listas de discussão de servidores. Entre outras coisas, diziam que não era para você assinar nada sem ler tudinho, porque o bom rapaz concordava com você sobre a recusa do pacotaço do BB e então, por causa dessa simpatia toda, pronto, lá estava você assinando tudo que lhe era empurrado. E este tudo, segundo as opiniões das listas, é tudo mesmo: cartões de crédito, empréstimos, cheque especial, bolsa turismo para você fazer aquela viagem pra lua acalentada há dois anos, e por aí vai.
Bem, àquela altura não adiantava descabelar, já tinha assinado mesmo.
A única coisa a fazer é esperar o dia do pagamento e ver se vou poder transferir todo o meu salário para o outro banco, sem qualquer custo.
Não sei por que, mas tenho uma inabalável crença na honestidade humana.
Fui abrir a minha conta no Banco do Brasil e não quis nada do que o rapaz me oferecia gentilmente.
Informei a ele, respeitosamente, que só queria mesmo a conta-salário, independente de todas as vantagens que o BB pudessse me oferecer. Tenho uma preguiça danada de banco. Já sofro extremamente de ir em um, imagina em dois!
Aí, tudo bem, segundo o rapaz. Assina aqui, assina ali, mais este papel aqui, mais esta folha acolá.
Assinei, sem ler, coisa de umas seis folhas.
Horas depois abro meu correio eletrônico e tomo um susto com as listas de discussão de servidores. Entre outras coisas, diziam que não era para você assinar nada sem ler tudinho, porque o bom rapaz concordava com você sobre a recusa do pacotaço do BB e então, por causa dessa simpatia toda, pronto, lá estava você assinando tudo que lhe era empurrado. E este tudo, segundo as opiniões das listas, é tudo mesmo: cartões de crédito, empréstimos, cheque especial, bolsa turismo para você fazer aquela viagem pra lua acalentada há dois anos, e por aí vai.
Bem, àquela altura não adiantava descabelar, já tinha assinado mesmo.
A única coisa a fazer é esperar o dia do pagamento e ver se vou poder transferir todo o meu salário para o outro banco, sem qualquer custo.
Não sei por que, mas tenho uma inabalável crença na honestidade humana.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Mudando a conta do banco
Não dá para entender. Aliás dá, não dá é para aceitar calada.
Governo mineiro, para botar a mão numa bufunfa gorda, causa tremendo transtorno aos seus servidores.
Muda o banco onde deposita os salários. Agora é só no Banco do Brasil e "f* vocês".
Entra na fila, falta isso, falta aquilo, xerox disso, xerox daquilo. E tudo para poder receber o salário de dezembro, que graças a Deus, já está batendo à porta, pelo menos isso.
E para comprovar a independência de poderes existentes nas Minas, os outros dois (o das leis e o dos julgamentos) também "aderiram" à mudança para o BB.
Dá para imaginar o tumulto que está nas agências com a abertura compulsória de contas?
Verdadeiro presente de Natal do querido governador.
O mais interessante é que o mesmo governo que demonstra extrema agilidade para fazer uma mudança que está atazanando a vida de mais de meio milhão de pessoas, é de uma morosidade inexplicável quando se trata de garantir alguns direitos básicos de seus servidores.
Dia desses ouvi uma queixa, numa fila qualquer, de uma professora que se aposentou há quatro anos, e até hoje não teve sua aposentadoria publicada, pasmem, quatro anos! Já está afastada este tempo todo da escola, todo mês recebe o contracheque com um erro qualquer. Agora ficou sabendo, por acaso, que a aposentadoria está errada, que o cálculo do tempo de serviço não é aquele e que ela precisa voltar para a escola e trabalhar mais dois anos!!!
Incompreensível?
"Meu Deus é mais"
Governo mineiro, para botar a mão numa bufunfa gorda, causa tremendo transtorno aos seus servidores.
Muda o banco onde deposita os salários. Agora é só no Banco do Brasil e "f* vocês".
Entra na fila, falta isso, falta aquilo, xerox disso, xerox daquilo. E tudo para poder receber o salário de dezembro, que graças a Deus, já está batendo à porta, pelo menos isso.
E para comprovar a independência de poderes existentes nas Minas, os outros dois (o das leis e o dos julgamentos) também "aderiram" à mudança para o BB.
Dá para imaginar o tumulto que está nas agências com a abertura compulsória de contas?
Verdadeiro presente de Natal do querido governador.
O mais interessante é que o mesmo governo que demonstra extrema agilidade para fazer uma mudança que está atazanando a vida de mais de meio milhão de pessoas, é de uma morosidade inexplicável quando se trata de garantir alguns direitos básicos de seus servidores.
Dia desses ouvi uma queixa, numa fila qualquer, de uma professora que se aposentou há quatro anos, e até hoje não teve sua aposentadoria publicada, pasmem, quatro anos! Já está afastada este tempo todo da escola, todo mês recebe o contracheque com um erro qualquer. Agora ficou sabendo, por acaso, que a aposentadoria está errada, que o cálculo do tempo de serviço não é aquele e que ela precisa voltar para a escola e trabalhar mais dois anos!!!
Incompreensível?
"Meu Deus é mais"
domingo, 18 de novembro de 2007
Carro movido a chocolate

Os ingleses testam um veículo movido a chocolate. Vão fazer uma expedição Saara afora, de seis mil quilômeros, até chegar no Mali, um dos países africanos que mais sofre com a mudança climática. O combustível será doado, bem como os segredos de seu processamento, às autoridades da cidade de Tombouctou, que era portuária, mas devido às mudanças climáticas teve o seu rio empurrado 20 quilômetros de seu curso, pelas areias do deserto.
Cana, amendoim, arroz, beterraba, soja, mamona, milho, gordura de picanha são algumas das matérias-primas em teste na fabricação de biocombustíveis. Por isso, já há uma corrente de cientistas criticando os biocombustíveis e alertando para o risco à segurança alimentar do planeta. Ou seja, você reduz a emissão de gás carbônico na atmosfera, mas mata de fome grande parte da população do mundo, segundo eles. ("Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come").
E agora o chocolate. Alimento riquíssimo. Já foi bebida, já foi comida, já foi doce. Virou remédio, depois cosmético e agora combustível.
Você não precisa mais se preocupar de comer chocolate quando estiver com TPM. Ou estressado.
E nem adianta saber que os povos da América Central já bebiam drinks alcóolicos feitos com cacau, mil anos antes de Cristo.
E nem passar chocolate no cabelo, pra ficar com aquele cabelão lindo, brilhante e lustroso. Ou na pele, para acabar com as rugas.
Chocolate agora é para fazer andar carros.
E na África, ironia das ironias, continente campeão da fome mundial!
Expedição leva carro movido a chocolate para a África
sábado, 17 de novembro de 2007
E Papai Noel chegou
E Papai Noel chegou finalmente. Depois de muita empolgação do mestre de cerimônias, de músicas natalinas, e brincadeiras para as crianças que lotavam a praça de alimentação do shopping, ele desceu pelas cordas, do terceiro andar.
Uma entrada triunfal de artista de circo, com direito a muito suspense: "será que ele vai cair"? Será que o Papai Noel chega inteiro ao chão"?, entusiasmava-se o moço da apresentação, esquecido de que era uma festa de crianças, muitas ainda bem pequeninas.
Se eu fosse criança teria morrido de susto. Não gostaria nunca de ver um Papai Noel despencando do alto.
Queria vê-lo sempre entrando por uma chaminé, e quando essa não fosse possível, surgindo de trás de uma porta, disfarçado na penumbra de luzes pisca-piscas da árvore de Natal, para nos surpreender, arrepiar, acelerar o coração.
Mas não. Este Papai Noel desceu de cordas, como se fora um atleta de rappel. Sinal dos tempos.
Deu cambalhotas, magrinho, magrinho. Sinal dos tempos também.
E quando chegou ao chão, foi imediatamente cercado pelos seguranças e levado para outro lugar, sabe-se lá onde.
E a criança que eu sempre fui, não pôde puxar sua barba para ter a certeza de que era de verdade!
Uma entrada triunfal de artista de circo, com direito a muito suspense: "será que ele vai cair"? Será que o Papai Noel chega inteiro ao chão"?, entusiasmava-se o moço da apresentação, esquecido de que era uma festa de crianças, muitas ainda bem pequeninas.
Se eu fosse criança teria morrido de susto. Não gostaria nunca de ver um Papai Noel despencando do alto.
Queria vê-lo sempre entrando por uma chaminé, e quando essa não fosse possível, surgindo de trás de uma porta, disfarçado na penumbra de luzes pisca-piscas da árvore de Natal, para nos surpreender, arrepiar, acelerar o coração.
Mas não. Este Papai Noel desceu de cordas, como se fora um atleta de rappel. Sinal dos tempos.
Deu cambalhotas, magrinho, magrinho. Sinal dos tempos também.
E quando chegou ao chão, foi imediatamente cercado pelos seguranças e levado para outro lugar, sabe-se lá onde.
E a criança que eu sempre fui, não pôde puxar sua barba para ter a certeza de que era de verdade!
terça-feira, 13 de novembro de 2007
ONU no Brasil
A meteórica passagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por Brasília, tem um significado político: o ban ban ban (não resisti ao trocadilho) das Nações Unidas não veio ao Brasil, mas à Amazônia.
Não é à-toa que dos três dias no País, ele gasta dois deles no Norte brasileiro, visitando o museu Emílio Goeldi, no Pará, a Ilha do Combú, próxima a Belém, onde tem um parque ambiental, e discute os impactos do projeto do biocombustível brasileiro sobre a região amazônica.
Em Brasília, ele cumpriu estritamente o protocolar: um encontro com Lula e a apresentação das várias agências da ONU no Brasil, que tiveram apenas cinco minutos para se apresentar. Essas se ressentem do descaso e culpam a falta de carisma de Ban, em contraposição a Kofi Annan.
Ban Ki-moon veio na hora certa: o sincronismo de ações da ONU indica bem a prioridade dele à frente do organismo mundial: o meio-ambiente. Nestes mesmos dias de sua visita ao Brasil, o grupo do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, órgão multilateral formado por delegações de 130 paises) está em Valência, na Espanha, apresentando o último capítulo do relatório sobre a quantas anda o clima no planeta. As outras três partes do relatório foram apresentadas em fevereiro, abril e maio, e resultado todo mundo sabe: o inexorável aquecimento global.
A reunião do IPCC termina no sábado (17), com a divulgação do relatório na pesença do secretário-geral. O texto é uma síntese do que já foi falado antes, não contém novidades, mas as diretrizes para a política a ser adotada pós-Kyoto, que se expira em 2012 e cujo término é tema da reunião da Indonésia, em dezembro.
A novidade fica por conta das opções apontadas pelo IPCC: dá para estabilizar as emissões de CO2 a um custo razoável: menos de 3% do PIB mundial. E para o Brasil, o alerta feito em relatórios anteriores: o perigo da savanização da Amazônia, também lembrado na Conferência sobre Mudanças Globais para a América do Sul, realizada em São Paulo, na semana passada. Este perigo é patente no leste amazônico, onde ocorre mais intensamente o desmatamento.
O governo editou aí um decreto que imita uma privatização de partes da região, ao conceder a empresas, o direito de explorar a floresta. Disse que é uma forma de preservá-la.
Tenho minhas dúvidas.
Não é à-toa que dos três dias no País, ele gasta dois deles no Norte brasileiro, visitando o museu Emílio Goeldi, no Pará, a Ilha do Combú, próxima a Belém, onde tem um parque ambiental, e discute os impactos do projeto do biocombustível brasileiro sobre a região amazônica.
Em Brasília, ele cumpriu estritamente o protocolar: um encontro com Lula e a apresentação das várias agências da ONU no Brasil, que tiveram apenas cinco minutos para se apresentar. Essas se ressentem do descaso e culpam a falta de carisma de Ban, em contraposição a Kofi Annan.
Ban Ki-moon veio na hora certa: o sincronismo de ações da ONU indica bem a prioridade dele à frente do organismo mundial: o meio-ambiente. Nestes mesmos dias de sua visita ao Brasil, o grupo do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, órgão multilateral formado por delegações de 130 paises) está em Valência, na Espanha, apresentando o último capítulo do relatório sobre a quantas anda o clima no planeta. As outras três partes do relatório foram apresentadas em fevereiro, abril e maio, e resultado todo mundo sabe: o inexorável aquecimento global.
A reunião do IPCC termina no sábado (17), com a divulgação do relatório na pesença do secretário-geral. O texto é uma síntese do que já foi falado antes, não contém novidades, mas as diretrizes para a política a ser adotada pós-Kyoto, que se expira em 2012 e cujo término é tema da reunião da Indonésia, em dezembro.
A novidade fica por conta das opções apontadas pelo IPCC: dá para estabilizar as emissões de CO2 a um custo razoável: menos de 3% do PIB mundial. E para o Brasil, o alerta feito em relatórios anteriores: o perigo da savanização da Amazônia, também lembrado na Conferência sobre Mudanças Globais para a América do Sul, realizada em São Paulo, na semana passada. Este perigo é patente no leste amazônico, onde ocorre mais intensamente o desmatamento.
O governo editou aí um decreto que imita uma privatização de partes da região, ao conceder a empresas, o direito de explorar a floresta. Disse que é uma forma de preservá-la.
Tenho minhas dúvidas.
domingo, 11 de novembro de 2007
Conclusões da Conferência de Mudanças Climáticas
Como a grande imprensa não deu a mínima bola para a conferência que trouxe cientistas do continente sul-americano para discutir as mudanças no clima da América do Sul; e como fiz um post sobre o assunto - ainda que não tenha havido uma resposta para minha indagação para o problema do gás metano dos bois e gnus -, dou minha pequena contribuição, reproduzindo algumas das conclusões e recomendações do encontro, divulgadas unicamente no site do evento:
Há uma percepção de mudança do eixo de discussão da conferência: antes, o foco era a existência das mudanças climáticas. Agora, o consenso entre os cientistas presentes nesta conferência é que as mudanças climáticas são uma realidade. No entanto, é preciso ter um maior conhecimento sobre medidas de adaptação e mitigação nos diversos setores da sociedade.
Os tomadores de decisão das políticas públicas precisam que as informações técnicas sejam não só acessíveis, mas também disponíveis em formato executivo.
Há uma necessidade de maior utilização de desenvolvimentos científico-tecnológicos como suporte à tomada de decisões em políticas públicas como garantia para o desenvolvimento sustentável. Deve-se também aliar academia, setor privado e organizações não governamentais.
Taxação e soluções
Recomendam-se que as políticas públicas definam ações claras que levem à redução de emissões de gases do efeito estufa, tais como taxação de combustíveis fósseis, aumento da eficiência energética etc.
Foram discutidas ações de adaptação às mudanças climáticas de caráter prático e de baixo custo, como, por exemplo: pintura do teto dos prédios na cor branca em regiões tropicais (o que evita o aquecimento da residência e gera economia de energia elétrica), reflexão por cobertura parcial no semi–árido (economia de água nos açudes), coberturas do solo no semi-árido.
O pesadelo amazônico
As conclusões relativas à Amazônia na conferência foram: existe uma incerteza quanto à capacidade de adaptação da floresta amazônica às mudanças climáticas; as modelagens metereológicas indicam uma possibilidade de savanização da Amazônia Brasileira; observa-se uma redução significativa da taxa de desmatamento nos últimos três anos, apesar de ainda ser superior à média histórica da década de 1990 e de os vetores que a determinam não serem muito claros.
Em relação à conferência anterior, relatou-se a aprovação de duas metodologias florestais complementares para obtenção de créditos de carbono no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): 1) recuperação florestal em Áreas de Preservação Permanente; 2) fomento a plantações florestais para fins industriais.
Recomenda-se a atenção dos órgãos de política agrícola ao uso racional de fertilizantes nitrogenados em atividades agrícolas e pecuárias.
Destaque para os aspectos sociais das políticas de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas. É preciso que projetos privados de redução de emissões procurem incorporar esses aspectos, e não somente o cumprimento da legislação nacional. Ao mesmo tempo, é preciso também pensar como a sociedade civil pode melhor se adaptar às mudanças climáticas.
Mudança de hábitos
O aumento populacional no planeta não condiz com o aumento na demanda de recursos hídricos. Portanto, há uma necessidade clara de mudança de hábitos de consumo, ou seja, mudança de paradigmas. A gestão dos recursos hídricos e o desenvolvimento urbano são estratégias para essa mudança.
As Oscilações Decadais do Pacifico (PDO) podem trazer uma atenuação ao efeito do crescente lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera nos próximos anos. Os oceanos regulam a distribuição de calor no planeta. Há uma potencial redução na capacidade dos oceanos de absorver CO2.
Há uma incapacidade do sistema econômico atual de reduzir a demanda por água.
As incertezas associadas às mudanças climáticas aumentam o risco no planejamento do uso dos recursos hídricos (por exemplo, construção de hidroelétricas).
Biocombustíveis
Os biocombustíveis são uma alternativa para que o setor de transportes dê a sua contribuição para a mitigação das emissões de gases de efeito estufas, em especial o etanol oriundo da cana-de-açúcar. No entanto, a melhoria de aproveitamento energético é tão importante quanto o uso de combustíveis alternativos, assim como a melhoria da eficiência dos motores e a redução do peso dos veículos e maior uso de transportes coletivos.
Aponta-se um conflito entre a utilização de terras para cultivo de alimentos e para obtenção de biocombustíveis.
Há uma percepção de mudança do eixo de discussão da conferência: antes, o foco era a existência das mudanças climáticas. Agora, o consenso entre os cientistas presentes nesta conferência é que as mudanças climáticas são uma realidade. No entanto, é preciso ter um maior conhecimento sobre medidas de adaptação e mitigação nos diversos setores da sociedade.
Os tomadores de decisão das políticas públicas precisam que as informações técnicas sejam não só acessíveis, mas também disponíveis em formato executivo.
Há uma necessidade de maior utilização de desenvolvimentos científico-tecnológicos como suporte à tomada de decisões em políticas públicas como garantia para o desenvolvimento sustentável. Deve-se também aliar academia, setor privado e organizações não governamentais.
Taxação e soluções
Recomendam-se que as políticas públicas definam ações claras que levem à redução de emissões de gases do efeito estufa, tais como taxação de combustíveis fósseis, aumento da eficiência energética etc.
Foram discutidas ações de adaptação às mudanças climáticas de caráter prático e de baixo custo, como, por exemplo: pintura do teto dos prédios na cor branca em regiões tropicais (o que evita o aquecimento da residência e gera economia de energia elétrica), reflexão por cobertura parcial no semi–árido (economia de água nos açudes), coberturas do solo no semi-árido.
O pesadelo amazônico
As conclusões relativas à Amazônia na conferência foram: existe uma incerteza quanto à capacidade de adaptação da floresta amazônica às mudanças climáticas; as modelagens metereológicas indicam uma possibilidade de savanização da Amazônia Brasileira; observa-se uma redução significativa da taxa de desmatamento nos últimos três anos, apesar de ainda ser superior à média histórica da década de 1990 e de os vetores que a determinam não serem muito claros.
Em relação à conferência anterior, relatou-se a aprovação de duas metodologias florestais complementares para obtenção de créditos de carbono no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): 1) recuperação florestal em Áreas de Preservação Permanente; 2) fomento a plantações florestais para fins industriais.
Recomenda-se a atenção dos órgãos de política agrícola ao uso racional de fertilizantes nitrogenados em atividades agrícolas e pecuárias.
Destaque para os aspectos sociais das políticas de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas. É preciso que projetos privados de redução de emissões procurem incorporar esses aspectos, e não somente o cumprimento da legislação nacional. Ao mesmo tempo, é preciso também pensar como a sociedade civil pode melhor se adaptar às mudanças climáticas.
Mudança de hábitos
O aumento populacional no planeta não condiz com o aumento na demanda de recursos hídricos. Portanto, há uma necessidade clara de mudança de hábitos de consumo, ou seja, mudança de paradigmas. A gestão dos recursos hídricos e o desenvolvimento urbano são estratégias para essa mudança.
As Oscilações Decadais do Pacifico (PDO) podem trazer uma atenuação ao efeito do crescente lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera nos próximos anos. Os oceanos regulam a distribuição de calor no planeta. Há uma potencial redução na capacidade dos oceanos de absorver CO2.
Há uma incapacidade do sistema econômico atual de reduzir a demanda por água.
As incertezas associadas às mudanças climáticas aumentam o risco no planejamento do uso dos recursos hídricos (por exemplo, construção de hidroelétricas).
Biocombustíveis
Os biocombustíveis são uma alternativa para que o setor de transportes dê a sua contribuição para a mitigação das emissões de gases de efeito estufas, em especial o etanol oriundo da cana-de-açúcar. No entanto, a melhoria de aproveitamento energético é tão importante quanto o uso de combustíveis alternativos, assim como a melhoria da eficiência dos motores e a redução do peso dos veículos e maior uso de transportes coletivos.
Aponta-se um conflito entre a utilização de terras para cultivo de alimentos e para obtenção de biocombustíveis.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Mudança climática
Em São Paulo começa hoje (5), a 3ª Conferência Regional sobre Mudanças Globais da América do Sul, que terá a apresentação de mais de 100 trabalhos relacionados com a mudança climática.
A discussão deve começar, naturalmente, pelo último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), que terá alguns de seus representantes presentes ao encontro. Junto com este relatório e suas sugestões, os cientistas da 3ª Conferência vão se deter especificamente sobre as mudanças na América do Sul e as soluções para a região.
O Brasil vai estar com as barbas de molho: além da poluição provocada pelas grandes queimadas em vastos territórios nacionais, o País é responsável por outra importante emissão poluente: o gás metano.
Embora a presença deste gás na atmosfera seja quatro vezes menor do que o gás carbônico, a origem de sua participação no aquecimento global chama a atenção, no caso brasileiro.
O metano brasileiro não é liberado pelos lixões, ainda que estes tenham uma importante contribuição, mas pelo rebanho bovino.
Em uma conversa de fim de semana, à beira de uma piscina e de muitas latas de cerveja, e por causa da presença de um ecologista ( Gustavo, geógrafo com ênfase em Meio Ambiente), fiquei sabendo do problema que o rebanho de gnus da África causa ao clima, com seus gases intestinais. Gnu é aquele animal que aparece sempre nos safáris, filmes, correndo desembestado pelas savanas africanas. Na verdade, a cena ocorre quando o rebanho, calculado em cerca de 2 milhões de animais, migra da Tanzânia para o Quênia, em busca de alimentação. Vocês podem imaginar o tipo de conversa que foi. As piadas, dois milhões de gnus correndo e ....
Aí, pesquisando daqui e dali sobre o assunto, acabei por deparar com a discussão sobre a emissão de metano oriundo dos gases do rebanho bovino brasileiro, o maior do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças. Milhões de toneladas de metano são liberados anualmente por esse processo "natural".
De acordo com especialistas, e com estes eu não discuto, a não ser para provocar o debate, cada molécula de metano, potencialmente, tem um efeito estufa maior, mas a nossa sorte é que a quantidade de metano na atmosfera é umas 250 vezes menor que o gás carbônico.
Daí que na Conferência deve aparecer alguma coisa sobre controle do gás metano no Brasil. Dizem que há muitos projetos nesse sentido, só que ligados às emissões dos lixões, que como vimos, não são os responsáveis maiores pelo metano na atmosfera.
Vou acompanhar os resultados do encontro de São Paulo para saber como os cientistas e pesquisadores, principalmente os da Embrapa, pretendem controlar a emissão da flatulência bovina.
A discussão deve começar, naturalmente, pelo último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), que terá alguns de seus representantes presentes ao encontro. Junto com este relatório e suas sugestões, os cientistas da 3ª Conferência vão se deter especificamente sobre as mudanças na América do Sul e as soluções para a região.
O Brasil vai estar com as barbas de molho: além da poluição provocada pelas grandes queimadas em vastos territórios nacionais, o País é responsável por outra importante emissão poluente: o gás metano.
Embora a presença deste gás na atmosfera seja quatro vezes menor do que o gás carbônico, a origem de sua participação no aquecimento global chama a atenção, no caso brasileiro.
O metano brasileiro não é liberado pelos lixões, ainda que estes tenham uma importante contribuição, mas pelo rebanho bovino.
Em uma conversa de fim de semana, à beira de uma piscina e de muitas latas de cerveja, e por causa da presença de um ecologista ( Gustavo, geógrafo com ênfase em Meio Ambiente), fiquei sabendo do problema que o rebanho de gnus da África causa ao clima, com seus gases intestinais. Gnu é aquele animal que aparece sempre nos safáris, filmes, correndo desembestado pelas savanas africanas. Na verdade, a cena ocorre quando o rebanho, calculado em cerca de 2 milhões de animais, migra da Tanzânia para o Quênia, em busca de alimentação. Vocês podem imaginar o tipo de conversa que foi. As piadas, dois milhões de gnus correndo e ....
Aí, pesquisando daqui e dali sobre o assunto, acabei por deparar com a discussão sobre a emissão de metano oriundo dos gases do rebanho bovino brasileiro, o maior do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças. Milhões de toneladas de metano são liberados anualmente por esse processo "natural".
De acordo com especialistas, e com estes eu não discuto, a não ser para provocar o debate, cada molécula de metano, potencialmente, tem um efeito estufa maior, mas a nossa sorte é que a quantidade de metano na atmosfera é umas 250 vezes menor que o gás carbônico.
Daí que na Conferência deve aparecer alguma coisa sobre controle do gás metano no Brasil. Dizem que há muitos projetos nesse sentido, só que ligados às emissões dos lixões, que como vimos, não são os responsáveis maiores pelo metano na atmosfera.
Vou acompanhar os resultados do encontro de São Paulo para saber como os cientistas e pesquisadores, principalmente os da Embrapa, pretendem controlar a emissão da flatulência bovina.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Chico vai embora
O macaquinho prego Chico,que foi alvo de reportagens e mais reportagens, até do Jornal Nacional, vai mesmo ter de deixar sua casa no Parque da Mata do Ipê, em Uberaba. Ele já está de malas prontas, pois só pode ficar no atual endereço até 20 de novembro.Os humanos continuam dando sinais de irracionalidade e este é o melhor exemplo. O macaco foi acusado de agredir visitantes do parque, roubar uma coisinha aqui, outra ali e dizem ainda que tomava uns porres. Por isso, as "autoridades" decidiram que ele tinha de ser despachado, "porque estava impróprio para o consumo" (mas o leite da Coopervale, de lá, não estava né?).
Resolveram fazer uma audiência pública para a própria população definir o destino dele (ô beleza de democracia!), e decidiram perdoar o cara, daquela vez. Mas parece que não teve jeito. O macaco reincidiu e atacou de novo outras pessoas, mordendo dedos e mãos.
Foi aí que veio a sentença definitiva do Ibama (porque este não vai cuidar de sua vida e acabar com o desmatamento da Amazônia?): o Chico tá banido da comunidade, por comportamento anti-social.
Dizendo assim parece chacota, mas não é. Dá pena ver como se resolve o problema sem se aprofundar em suas causas.
Ninguém explicou por que o Chico agride os visitantes. Será que não foi por provocação deles mesmos? Também ninguém explica quem deu bebida para ele. Será que o Chico foi ali no bar da esquina e comprou umas pingas e depois, rindo desavergonhadamente da cara do "home" do balcão, mandou colocar na "conta do Nereu, se ele não pagar, nem eu"?
Com tantos especialistas por estes zoológicos afora, será que ninguém pensou que o Chico, aos cinco anos, já estava estressado com aquele "porre" de gente puxando seu braço, dando comida ruim, fazendo e dizendo idiotices?
Pois quem não se lembra do Idi Amim, aquele gorilão do Zoo aqui de Beagá, que também andava meio bravo com a turma da visita? Descobriram que a agressividade era porque ele estava sentindo uma falta danada de uma companheira. Por isso, foi feita uma campanha para arranjar-lhe uma namorada.
Será que o Chico também não quer é namorar?
Tem lá sua irmã Chica (ô imaginação fértil para nome!), mas não é a mesma coisa, né mesmo?
E o pior, a Chica vai ter de partir também, da casa onde os dois nasceram e viveram até agora.
Ah! mundo cão.
Dá vontade de falar para o Chico fazer uma greve de fome. Ou então de recitar um verso de Drummond para ele: "vai, Chico!ser gauche na vida".
E quando se for, Chico, vire para trás e dê uma banana para eles!
(Ao lado, uma poesia em homenagem ao Chico)
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