quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Venezuela dá mais um passo na hegemonia sul-americana

Leia no post de segunda a resenha de Prosa Sub
Do escritor Leonardo Machado, publicado pela editora Ophicina de Arte e Prosa, o livro será lançado no dia 24 de outubro, quarta-feira, às 19 horas, na escola de mergulho Maramar (rua Piauí, 1714 - Funcionários). Vá ao lançamento e tome um chopp por conta do autor.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.
Enquanto faz estardalhaço contra os EUA, atraindo os olhares do mundo, Hugo Chávez continua sua caminhada rumo à hegemonia na América do Sul. Um novo passo foi dado ontem (9), com o anúncio da criação do Banco do Sul, organismo que começará a funcionar já em novembro com um capital de US$ 7 bilhões, distribuídos em cotas pelos países fundadores, entre eles o Brasil.
O Banco do Sul vai fazer as vezes de fomentador do desenvolvimento sul-americano, contrapondo-se ao BID e BIRD, do FMI, organismo que as esquerdas latinas consideram excessivamente intervencionista.
Antes do Banco do Sul, a Venezuela deu um passo definitivo na integração: a criação da TV SUR. Ainda que incipiente, a TV quer dar o olhar dos latinos sobre sua própria realidade. Nada de modelos e padrões norte-americanos da CNN, por exemplo. Árabes fizeram o mesmo com a Al Jazeera. Controlar a mídia é passo básico em qualquer manual de dominação.
O tripé da hegemonia chavista se completará com a implantação do Gasoduto do Sul, outro projeto que acalenta, mas que encontra resistências entre os próprios possíveis parceiros, entre eles a Bolívia.
Mas Chávez caminha bem.
Sua política para o continente tem base ideológica, escudada no sonho de Simon Bolívar de integração latino-americana. Não é à-toa que a Venezuela adotou a alcunha de "República Bolivariana" .
Mas sua política tem base principalmente financeira, cacifada nas suas preciosas reservas petrolíferas.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Um pé de pitanga

Leia no post de segunda a resenha de Prosa Sub
Do escritor Leonardo Machado, publicado pela editora Ophicina de Arte e Prosa, o livro será lançado no dia 24 de outubro, quarta-feira, às 19 horas, na escola de mergulho Maramar (rua Piauí, 1714 - Funcionários). Vá ao lançamento e tome um chopp por conta do autor.


Pertinho da minha casa, em plena avenida Olegário Maciel, tem um pé de pitanga. Mesmo sem chuva, com esta secura toda, as pitangas começaram a brotar lotando o pé, pequenino, humilde, redondinho.
De um dia para o outro, com algumas já vermelhinhas, o pezinho virou atração de quem sobe a avenida, em direção ao Diamond.
Muita gente pára, colhe lá suas frutinhas, olha ressabiada para o porteiro do prédio em frente e vai embora, feliz de comer uma inacreditável pitanga colhida numa rua qualquer da "selva de pedra".
Bem perto também, na rua Timbiras, do lado contrário da igrejona da Universal, tem uma bananeira. Também mirrada, plantada em um buraco do passeio. Pois, já vi uma penca de banana ainda verde nela. E na rua de cima, na Aimorés, tem uma enorme jaqueira. Mas esta não faz sucesso. Parece que o povo não liga muito para aquela frutona que cai esborrachada do pé, porque ela fica ali pelo chão mesmo, ninguém apanha. Também ela madurinha tem um cheiro fortíssimo.
As grandes cidades, apesar de ganharem a fama, nem sempre são essas "selvas de pedra" que o imaginário urbano cunhou.
Há muitos anos, antes de o Arrudas ser canalizado em suas beiradas, alí perto do Barro Preto alguém plantou uns pés de couve na sua margem, do lado de dentro mesmo do leito, ao nível da rua.
As mangueiras da avenida Alfredo Balena, em frente ao Pronto Socorro, já protagonizaram muitas matérias de Tv. Numa delas, recente, foi mostrado um sujeito que até criou um instrumento para colher as mangas mais lá das grimpas. E o cara vendia alí mesmo, em meio àquele trânsito impossível.
O pé de pitanga é um mimo dos porteiros que o aguam e o cercam de cuidados o ano inteiro. Ele não é propriedade do prédio, apesar de estar em seu passeio.
Ele é de todos e nós todos compartilhamos esta doçura que a cidade seca, poeirenta, calorenta, oferece.

Vítor & Léo - Fred & Paulinho

Tá bom Isabela, vou lhe dar mais uma canja. Não lembro de tê-los ouvido, mas se você disse, eu acredito.
A dupla Fred & Paulinho não tem voz esganiçada de marreco. Não canta música de corno.
Mas faz muito sucesso também.
È o que a meninada chama de sertanejo "chique".
Os fãs são só gatinhas e gatões, todos muito bem de vida, chegando em seus carrões e picapes para o show.
E aposto que o Fred & Paulinho não cantam em parque de exposições.
E o fã clube é dirigido pela glamourosa.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Vítor & Léo

Leia no post anterior a resenha de Prosa Sub
Do escritor Leonardo Machado, publicado pela editora Ophicina de Arte e Prosa, o livro será lançado no dia 24 de outubro, quarta-feira, às 19 horas, na escola de mergulho Maramar (rua Piauí, 1714 - Funcionários). Vá ao lançamento e tome um chopp por conta do autor.

Fico me perguntando em que parte da jornada me perdi do resto do rebanho. Isto mesmo. Me perdi do rebanho, porque é assim que me sinto, quando alguém fala num sertanejo qualquer.
Que vai sair de Beagá para ir num show do Vítor & Léo em Sete Lagoas, 70 quilômetros daqui, e num parque de exposições.
Ou então que vai ficar numa fila enooorme para comprar ingressos do César Menotti & Fabiano. Fora que ainda terá um show de Alan & Alex no Expominas.
Não sei nadica de nada desse povo.
E me pergunto se estou demodê (ô palavrinha fora de moda, sô!) no meu gosto musical. Será que ninguém mais escuta Luiz Melodia (fui quatro vezes na loja de disco para perguntar se o Cd novo havia chegado). Será que ninguém escuta Caetano? Chico Buarque? Marisa Monte? Titãs? Skanky? Barão?
Vítor & Léo; César Menotti & Fabiano. Uberlândia. Ribeirão Preto. Andradas. Cuiabá. Goiânia. Uberaba. Araguari. Varginha. Pouso Alegre. São Carlos. São José dos Campos.
Outro Brasil.
E eu com esta estranha sensação de que estou ficando desatualizada, apesar de ler milhões de jornais e revistas e ver tv e ficar com a internet no ar, praticamente o dia todo.
Mas não consigo gostar dos sertanejos e aquelas vozes esganiçadas, feito marrecos. E aqueles amores tortuosos.
Música de corno, que me perdoem os apreciadores.

domingo, 7 de outubro de 2007

Prosa Sub: o mergulho como metáfora da experiência humana

Hoje eu ataco de crítica literária e recomendo o livro com resenha da Flávia Mari transcrita abaixo. Compareçam ao lançamento no Maramar.


Um convite ao mergulho no mar, mas também na linguagem e na experiência humana. Essa é a mensagem que Leonardo Lúcio Machado quer transmitir em seu livro Prosa Sub, publicado pela editora Ophicina de Arte e Prosa. O lançamento do livro acontece no dia 24 de outubro, quarta-feira, às 19 horas, na escola de mergulho Maramar (rua Piauí, 1714 - Funcionários).
No livro, o autor conta a emoção de um mergulhador angustiado entre o prazer despertado pela experiência e a estranha sensação de estar envolto em "um ambiente sem ar" , estranho ao nosso. "Diante da mudança. Diante da necessidade de me adaptar. Diante do risco, que sempre existe, de me afogar" , conta.
Mas apesar de tratar dos sentimentos e experiências do mergulhador, o livro não se limita aos oceanos e não diz respeito apenas aos adeptos do esporte ou aos interessados em iniciar sua prática. Pelo contrário, é um mergulho na linguagem, na medida que o autor brinca com as palavras, com a ordem dos capítulos e com a capacidade do leitor de desvendar esses jogos.
É também um mergulho na experiência humana. O mergulho pode ser então compreendido como uma grande metáfora do aprendizado de convívio consigo mesmo e com o outro. O mergulhador não mais se vê diante do desafio de se adaptar a um ambiente estranho, mas à sua existência e à existência do outro. E de, como diz o professor de literatura Fabrício Marques na apresentação do livro, "na iminência do risco, voltar à superfície".
O autor - Formado em Direito, pela Faculdade Milton Campos, e em Letras, pela UFMG, Leonardo Machado é escritor, artista plástico e músico.
Já expôs suas pinturas na galeria de arte do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e no espaço cultural do Café com Letras. Em 1997, publicou seu primeiro livro de poesias, Tentativa de induzimento ao próprio suicídio - um livro alegre como os olhos dos peixes. Desde 1996, é servidor do Tribunal de Justiça.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A resposta do gerúndio

O gerúndio me respondeu. Escreveu uma carta, agradeceu as palavras sobre sua demissão e se disse magoado por eu tê-lo chamado de "rapaz chato".
Achei muito pertinentes suas colocações, por isso as reproduzo.
Antes, me penitencio. O rapaz não é chato.
Creio que ele é um incompreendido.
Não passa de um funcionário público desses antigos, que não teve oportunidade de passar por um treinamento para se adaptar aos tempos cibernéticos. Deve estar ali ainda, na repartição, cercado de papéis e poeira. E se não tem treinamento, certamente não tem carreira também. Não é culpa dele.
Mas vamos às considerações do gerúndio. Ele tem toda a razão: sua demisssão não passou de um ato espetaculoso do Arruda, que como governador é ótima erva para espantar maus olhados.
Esse governador não tem sensibilidade política e humana. Demite um pai de família (não sei se o gerúndio é casado com a voz passiva ou com a oração subordinada) só porque quer aparecer na mídia. Bem feito, apareceu nada!
Fico pensando nas conseqüências da demissão do gerúndio: será que os gerundinhos terão de parar de estudar em escolas particulares? E o curso de inglês? E as aulas de natação? Terão de abandonar tudo?
O gerúndio tem razão. É muita injustiça.
Se for seguir o critério da eficiência, o Arruda teria de demitr também o "H", o "Y"
e os "CHs", o trema, o acento grave, o circunflexo e tantos outros que se escondem por aí, em funções duvidosas e horários de expediente idem.
Uns aparecem no serviço só de vez em quando. Outros podem ser substituídos por este ou aquele, tanto faz.
E as mesóclises, então. Alguém aí usa?
Acho que foi um grande erro do Arruda. Não precisa demitir por ineficiência. Basta mudar o cara de função!
Acho que o gerúndio pode estar fazendo muita falta no telemarketing do governador!
Vou estar sugerindo isto para o Arruda.
E creio que ele vai estar pensando na besteira que fez e vai estar revogando a demissão.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Serra da Calçada e Rola Moça

"A Serra do Rola-Moça não tinha este nome não"...
"Ali, fortuna inviolável!/ O casco pisara em falso. Dão noiva e cavalo um salto/ Precipitados no abismo./ Nem o baque se escutou./Faz um silêncio de morte,/ Na altura tudo era paz...
Chicoteado o seu cavalo,/ No vão do despenhadeiro
O noivo se despencou. / E a Serra do Rola Moça
Rola Moça se chamou ".
Imortalizada por Mário de Andrade, a Serra do Rola Moça pode aumentar de tamanho em breve.
E aumentar em importância também, se virar lei um projeto que tramita na Assembléia de Minas, anexando ao Parque Estadual do Rola Moça, a Serra da Calçada.
A Serra da Calçada, com área de pouco mais de mil e oitocentos hectares, entre Brumadinho e Nova Lima, tem a importante missão de blindar a biodiversidade da Cadeia do Espinhaço, na região do Quadrilátero Ferrífero. Daí a necessidade de sua inclusão na área do Parque do Rola Moça, pois só assim passa a ser protegida pela legislação do parque e a livrar-se das agressões das mineradoras, aliás, mineradora: a Vale do Rio Doce.
Só uma liminar suspendeu as prospecções que a Vale vinha fazendo na área, colocando em risco fauna e flora únicas, e mais de 40 mananciais da região.
A recomendação de integrar a Serra da Calçada ao Rola Moça foi feita no ano passado, em estudo chamado Espinhaço Vivo, da Fundação Biodiversitas, como forma de preservar áreas consideradas insubstituíveis do Espinhaço, um dos complexos de maior diversidade biológica do planeta e dos mais ameaçados também.
Além do Qudrilátero Ferrífero com sua vegetação única, outras áreas em Minas também são consideradas insubstituíveis na conservação do Espinhaço: a Serra do Cipó, a Serra do Cabral, a região de Diamantina (Parque Nacional Sempre Vivas e Parque Estadual Rio Preto), Itacambira e Grão Mogol (Espinhaço Norte).
Ambientalistas e moradores do entorno da serra já fizeram sua parte: um documento com mais de 15 mil assinaturas integra o pedido de juntar Calçada e Rola Moça.
O planeta agradece.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A demissão do gerúndio

O gerúndio, aquele chato do "vamos estar providenciando", "estaremos lhe passando", foi demitido em Brasília.
Por decreto do governador e tudo (veja o decreto completo abaixo). E sem direito a aviso prévio. Não sei se vai receber as outras obrigações trabalhistas, como FGTS, acerto de férias e outros, todos muito bem merecidos, pelo enorme tempo de trabalho prestado (ou uso, como queiram).
A partir de um decreto, a burocracia do Distrito Federal está proibida de usar tais expressões. O objetivo, segundo o governador Arruda (ops!) é agilizar a máquina e acabar com a ineficiência.
Ou seja, ninguém mais pode atrasar a coisa por um verbo, que dá idéia de processo, e não resolve nada.
Daí que, pediu informação? Nada de vai estar providenciando, mas providencio, ou providenciei ou providenciaremos. E deixa a burocracia mais ágil.
Vamos ver se ela anda, só porque mudou o tempo do verbo. E tem professora de português da UNB danada da vida pelo banimento do gerúndio. Diz ela que é desconhecer a língua portuguesa e os usos do verbo, e que legislar sobre a língua pátria é sempre um desastre.
Cada um com seus amores e idiossincrasias.
Mas acho que a medida deveria ser estendida para outros setores que não a burocracia brasiliense.
Por que não uma emenda à Constituição Federal para estender a proibição aos serviços de celulares e cartões de crédito? E também vendas no geral. E serviços bancários também.
Eu não tenho nada contra o rapaz, mas que o gerúndio é chato e uma praga isto é.

OLHA O DECRETO:

DECRETO Nº 28.314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007.
Demite o Gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:

Art. 1° - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 28 de setembro de 2007.
119º da República e 48º de Brasília

JOSÉ ROBERTO ARRUDA

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Uma posição incômoda

Acostumado à megalomania dos primeiros lugares - melhor futebol do mundo, maior cristo redentor do mundo, mulheres mais bonitas do mundo e por aí afora -, mesmo que sem comprovação nenhuma, o Brasil acordou hoje com uma posição incômoda: segundo pior desempenho da América do Sul em relação aos índices de alfabetização.
O Brasil está no segundo lugar em número de analfabetos, atrás apenas da Bolívia, que tem 11,7% de sua população sem saber ler nem escrever, contra os 11,1% de brasileiros.
A pesquisa do IBGE deve estar deixando o governo fulo da vida, como em outras pesquisas anteriores, sobre miséria e obesidade.
Acostumado aos discursos de "o Brasil é o único..., o Brasil é o maior.... nunca antes no Brasil..." e coisas do gênero, tão do agrado da goebeliana equipe de marketing do governo, Lula agora não terá o que comemorar.
Ainda de acordo com o IBGE, há 15 milhões de brasileiros com mais de 15 anos, completamente analfabetos, o que nos coloca, desconfortavelmente, no grupo das 11 nações na mira da Unesco, alvo do programa de metas de erradicação do analfabetismo até 2015, projeto que integra as "Metas do Milênio", da ONU.
O Brasil terá a companhia de Bangladesh, Irã, Paquistão, Etiópia e Nigéria, entre outros, nesta empreitada.
Mas isto não é motivo para tirar o sono só do Lula, mas de todos nós. Não é bom estar nesta situação de quase liderança política no continente, pelo menos segundo a propaganda oficial, e ostentar índices tão degradantes no lado social. Ainda mais que esforço para mudar a situação existe, como o próprio governo federal fez, com a criação do programa Brasil Alfabetizado.
Só que como tudo por aqui, nesta terra de Vera Cruz, o programa dá sinais, em muitos lugares do país, de estar sendo solapado pela corrupção.
Paraisópolis, no Sul de Minas, que o diga.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O artifício da alta do cimento

Fui comprar cimento para uma obra do prédio onde moro e tomei um susto com o preço: R$ 14,90, o saco. Reclamei com o gerente da loja.
- "Mas subiu muito e o dólar só caindo!"
- "Aproveita e compra mais, porque no final de semana vai subir de novo"
- "Ah, mas a Assembléia tá investigando. Estão achando que as empresas fizeram um cartel".
- "É, e o Antônio Ermírio de Morais está muito preocupado com a Assembléia..."
Falei o que queria e escutei o que não devia.
E o gerente me deu uma aula de mercado sobre quem manda e quem não manda. Quem não manda todos sabemos: nós, consumidores.
E quem manda, manda assim:
No ano passado, o cimento caiu para menos de R$ 10. O homem da loja disse que foi jogada do Antônio Ermírio, praticamente o único magnata do cimento no Brasil, atualmente.
Ele jogou o preço do saco lá no chão, quebrou os pequenos fabricantes todos e comprou o que restou. Agora só tem ele no pedaço. E não tem explicação econômica nenhuma para a alta, a não ser a vontade do paulista quatrocentão de ganhar mais um pouquinho, num produto que é quase tão básico como arroz e feijão.
E nem se dão ao desplante mais de culpar a alta do dólar. Aliás não se dão ao desplante de explicar nada, só cobrar o que bem entendem.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Maravilhas e inconfidências da tecnologia

Sentada, cerimoniosamente, em frente à mesa do médico, enquanto ele anota meus dados, escuto a voz rouca, grave, do Lula, insistente:
-"Companheiro, sou eu, atende o telefone!"
-"Companheiro, sou eu, atende o telefone!"
Com um sorrizinho meio sem graça, o médico tira um celular do bolso da camisa - antes que o Lula continuasse com aquela insistência despropositada, sem saber que o homem estava trabalhando -, e o atende.
E aí, escuto toda a conversa do médico com a esposa sobre uma lista de compras do supermercado. "Onde está, onde não está, o que é para comprar, o que precisa, então compra do outro óleo, cê resolve, tá no móvel da sala, na gavetinha, chama o pintor, troca a tinta"
-"Compra um creme de barbear. - Não precisa ser de espuma não. - É, do comum mesmo, estes bozzano, gilete."
- "Mas que remédio mesmo o pneumologista te receitou?"
- "Cê faltou do serviço foi ontem?"
Vou embora rindo da maravilhosa exposição íntima, preço da nossa mania por mais e mais tecnologias.
E vou embora morrendo de inveja de ter um celular antigo e não um modernérrimo, que permite o Lula ficar chamando, ou o Bob Esponja berrando pra gente atender o telefone, ou ainda uma risada escancarada, dessas de bruxas de filmes infantis.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Tá explicado!!!

(Golpe do sequestro por telefone - (leia abaixo))


Me mandaram um e-mail - gente tímida que não gosta de aparecer nos "comentários", por medo de ser reconhecida, e só manda seus pitacos pra mim mesma -, com uma ótima explicação.
O sucesso das novelas da Globo em Luanda está intimamente relacionado com um dos índices que citei no texto. Adivinhem qual é?
E por falar em besteirol, naquele mesmo domingo teve coisa pior ainda, se é que pode. Uma matéria sobre as relações de sogro e genro. Aproveitaram um casamento coletivo, que poderia ter sido abordado de outro ponto de vista, como por exemplo: não casam individualmente por causa do preço do casório? Mas se é por isso, como as noivas e os noivos estavam tão produzidíssimos? De onde teria saído o dinheiro para a produção?
É mais fácil o besteirol mesmo: "vc combina com seu sogro/genro?" E pronto, não havia mais o que perguntar, a não ser mostrar os risos forçados de sempre.

X.X.X.X.X.X.X.X.

Golpe do telefone

Esta mesma Elvira aí de baixo, tão jornalista, tão viajada, coitada, caiu no golpe do sequestrador por telefone neste mesmo domingo (ô domingo cheio de emoções este, e eu com falta de ar, não por causa delas, mas da asma!).
Ligam pra casa dela, no domingão à tarde, depois daquele almoção, daquelas cervas tomadas entre uma trempe ligada e um forno queimando, ela naquele sonão de fim de tarde e já atende com um cara gritando: "mãe, mãe, eles me pegaram, roubaram tudo, me espancaram e agora estou no porta-malas do carro, nem sei onde, mãe, mãe, me socorre!"
E ela já desesperada: "Samuel, Samuel, filho, fica calmo, nós vamos resolver tudo, não fique apavorado".
Bom, aí o cara já sabia que ela tinha um filho chamado Samuel. Apenas ela se esqueceu do detalhe de que o Samuel estava a milhares de quilômetros do Brasil, na Alemanha.
E deu trela pro sequestrador. E entrou em prantos, tremeu, quase desmaiou. E mobilizou a casa toda.
A Carol (aquela mesma, a fotógrafa, nossa ex-coleguinha da AL), ligou pra Alemanha, pelo celular. O outro filho, Guilherme, ligou pra polícia, para o pai em BH. O pai voltou a ligar pra Alemanha. E o Samuel lá, no bem bão do ocktober fest de Munich, entornando todas.
E a Elvira nem se lembrou do outro filho, Fred, aqui em Beagá, que em caso de sequestro, seria o alvo preferencial, né não?
Mas falamos assim, em tom de brincadeira, só para descontrair. Porque na realidade, o golpe pega mesmo. Até com gente que está muito bem informada, que está acostumada a lidar com situações extremas. É que nunca sabemos como estará nosso emocional, no momento em que atendermos um telefone.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A "Fantástica" surrealidade da Globo



Esta é a Elvira. Isto é Luanda.
Só uma fortíssima crise de asma, com direito a falta de ar e tudo, me deixou na frente do Fantástico neste domingo. Não que eu assista a "revista" semanal. Não assisto e não gosto. Mas porque meu irmão, que me fazia companhia enquanto eu não morria de falta de ar, ligou a Tv. Aí só faltei ter uma apoplexia ao final de uma bobagem com a Regina Casé, chamada Central Periferia. A chamada era sobre Angola, o que despertou minha curiosidade e fiquei vendo aquele completo nonsense até o fim.
A Regina Casé, toda soltinha, como se fosse a coisa mais natural do mundo, "garantir" que as novelas, especialmente no momento, "Paraiso Tropical", são o que há de mais importante culturalmente em Luanda.
A matéria (se é que se pode chamar aquilo de) foi um festival de besteiras. Um bairro todo às escuras, mas com uma turminha à frente de uma televisão movida a gerador, a assistir, no meio da rua, ansiosamente, o destino da Bebel, do Olavo e nem sei de quem mais. Como se aquilo fosse uma realidade ampla, extensa, resultado de um movimento cultural naquela capital. Pra gente que sabe como é feita a produção de reportagens, programas e outros formatos exibidos pelas tvs, ficou muito claro que a Globo carregou na mão.
Aliás, como em tudo mais que se relaciona com suas novelas ( e olha que tem até coisa boa!), onde um mundinho, geralmente do Rio, vira toda a realidade nacional. E agora a Globo exporta realidade para Angola.
A Casé, coitada, mostrou a moda nas "ruas" de Luanda (uma única mocinha vestia um troço horroroso parecendo um "colant"), copiada do figurino de Bebel, como se a pobreza do país permitisse às pessoas se darem ao luxo de seguir modas e modas. E a incongruência era maior, ao mostrar esta "revolução cultural, mania nacional" num bairro muito pobre de Luanda.
O que a Globo deveria ter mostrado é a miséria daquele povo que passou 40 anos em guerra civil, tem ainda 12 milhões de minas terrestres em seu território a impedir qualquer atividade agrícola; tem 58% da população completamente analfabeta e só 16% dessa mesma gente servida por saneamento básico, certamente aqueles ricos que moram em condomínios afastados da capital, longe do caos do trânsito, das ruas esburacadas, dos esgotos, dos mosquitos, do lixo acumulado e das feiras de alimentos em meio à imundicie.
E sem falar na falta de assistência médica, nas epidemias.
E ainda nos atentados, vez por outra, da Unita, que ainda tem gente no interior, sobretudo nas províncias ricas em diamante (Luzamba, no Leste), infernizando a população civil.
Angola é um país com ricas jazidas de diamante e petróleo, exploradas por poucos países imperialistas (retrato fiel, ainda que de outro país, feito em "Diamantes de Sangue")- e de uma pobreza inacreditável.
De suas tribos saíram três milhões de escravos para o Brasil, nossos antepassados, pois.
E isso tudo pode ser sabido de outros pontos de vista, que não o da Globo, que quer nos fazer crer que "a população" de Luanda morre de amores por novelas.
E um desses pontos de vista é o dos padres salesianos, que mantêm uma missão humanitária lá, onde minha irmã Elvira esteve há dois anos.
Foi como voluntária para a missão salesiana num bairro com certeza mais pobre do que o mostrado pela Globo, porque até se chama Lixão. E lá comeu da comida dos nativos (um peixe gosmento, segundo ela, mas que acabou descendo suavemente, depois que fez uma prece a Deus, para lhe dar coragem de comer "aquilo").
E - jornalista -, ensinou-lhes a preparar seu próprio informativo, com sua linguagem, com sua realidade, com suas expectativas; eles criando, ilustrando e ensinando a ela as diferenças entre "peixe homem e peixe mulher". E ensinando a ela uma enorme riqueza cultural, refletida em muitas coisas, entre elas, nas vestes femininas feitas simplesmente de um pano longo enrolado no corpo, de estampas e coloridos inimagináveis por globos e bebéis; e, principalmente, a alegria de suas crianças, que apesar da fome, das doenças, brincam na incoerente, para nós adultos, felicidade compartilhada com suas mães.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

CPMF e barrigas de aluguel

Não deixem de ler as dicas de viagem do Chile, da Flávia, na coluna da direita
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Como queiram: nada de CPMF, ainda mais agora, que já é leite derramado. E derramado tarde da noite: 23h28. Depois não entendem por que a sabedoria popular chama o horário destas e outras peraltices de "calada da noite".
Melhor mesmo é comentar outras doidices - ou não - como a avó que vai ser mãe dos netos, lá no Recife. Repete-se o fato que aconteceu por aqui mesmo, em Beagá.
Não critico. Não faço juízo de valor algum, só acho estranho, afinal só vivíamos, até há bem pouco tempo, os modelos tradicionais: pai é pai, mãe é mãe, avós são avós.
Vez por outra a gente ouvia falar, ou lia em algum jornal, que lá nos cafundós, tinha pai que era marido da filha; ou irmão que era marido da irmã. Mas era coisa rara, não exposta na tv; e fruto da situação de miséria econômica, cultural e até de taras mesmo.
Mas os casos não se comparam, não estão na mesma linha de explicação. Apenas, por outras vias, são exemplos do embaralhamento das relações familiares, que há muito já vêm-se modificando, a gente é que deixa passar despercebido.
Quanto maior o centro urbano, maior este embaralhamento, que atualmene já é tema de um humorístico da Globo: o "Toma lá, dá cá". Os filhos de um estão com o marido da ex. A sogra de um mora com os filhos do ex-genro. A mulher de um casou com o marido da atual do seu ex. E por aí vai.
Ou estamos avançando para relações cada vez mais novas ou só estamos voltando às origens.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Lula Chávez

O sonho de Lula, quando crescer, é ser Hugo Chávez. Para isso já dá tímidos passos, às vezes rasputidianamente, outras escancaradamente mesmo. No "imbróglio" da CPMF usa as duas táticas.
Lula quer ser Chávez para "enfrentar" os grandes opressores, como Chávez faz com os Estados Unidos, a quem cutuca de levinho, mas a quem entrega 90% de seu petróleo, afinal ninguém é de ferro, quando se trata de dólares.
Para votar a CPMF hoje (19), Lula fez a Câmara funcionar noite adentro e conseguiu destrancar a pauta. Ao contrário do que eu disse ontem, não vai reduzir nada do PAC. Vai é aumentar e foi isso que foi votado na sessão coruja. Um aporte polpudo para o PAC, programão (sem trocadilhos,por favor), que nunca sai do papel.
Mas é de onde sairá o "mensalão II", via obras para as bases dos parlamentares que votam com Lula. Roberto Jefferson deve estar rindo à-toa ao ver o mesmo esquema funcionando; e chorando à-toa, também, por não estar lá mais, participando do butim.
A CPMF vai ser prorrogada hoje, em duas votações. Sessões é o que não faltam, afinal o Chinaglia convocou a turma toda para o dia inteiro. E depois o projeto cai no Senado. Aí, no melhor dos mundos, é tchau, tchau.
E nós continuaremos a pagar as mordomias da companheirada por mais quatro anos.
Se legislação houvesse, como nos países civilizados, os governos não poderiam aprovar ações que ultrapassassem seus mandatos. Principalmente quando se tratassem de casuísmos e improvisações, como este de agora e outros tantos, marca registrada de todos os governos brasileiros de agora e de antanho.
Hugo Chávez brinca de líder continental. Enfrenta tudo e todos, de peito aberto e camisa desfraldada. E vai levando sua ditadura dourada como democracia. Suas ações são espetaculosas, midiáticas, porque sem os holofotes não há neogoverno que se sustente.
Lula bem que tentou ser o líder dos povos americanos. Mas, coitado, não nasceu na Venezuela ou Argentina e sim no Brasil, onde falamos português e não espanhol, aqui reconhecendo a língua como um dos mais significativos aspectos para qualquer dominação. Depois do poder econômico, claro.
Ambos queriam ser Fidel. Pela personalidade, pela posição na história mundial, pela lenda, pela adoração popular. Mas não passam de cópias bufas a agradar pequenas parcelas populares, sedentas de identificação e massificadas por um caldão de disparates "markedológicos", de fazer inveja a Goebels ("qualquer mentira repetida a exaustão acaba por se tornar uma verdade").

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Renan e a CPMF

Ao contrário do que Sarah disse em seu comentário, vi sim o quebra-pau dos deputados para assistir a sessão secreta do Senado. Vi o Gabeira ("O que é isso, companheiro"?)dar e tomar pernada, bem como o Jurgman, com aquele tamanho todo, ser empurrado pelo segurança. Coisa do parlamento da Coréia, sem querer ofender os coreanos, que adoram trocar uns sopapos.
Mas voltando ao assunto sério e deixando, momentaneamente, minha irresistível vocação para José Simão.
O próximo papelão do Senado (e Câmara) é a votação da CPMF. É aí que entra a absolvição do Renan e a certeza de que teve o dedinho do governo naquela sordidez toda. O governo não podia arriscar deixar alguém como ele, "arquivo vivo", de fora do comando, afinal, os últimos tempos mostraram que o Congresso funciona à base da chantagem.
Dizem que o governo está "comprando" deputados e senadores para aprovarem a facada. Tem deputado da "oposição" chamando a investida de "neomensalão", "mensalão II" e eu chamo de "a hora do espanto 4 ou 5".
A CPMF, que foi criada para socorrer a saúde e não socorreu nada, a não ser a megalomania desse e do governo passado, teria que acabar no final do ano.
Mas claro que vão dar um "jeitinho" de ela continuar, afinal, de acordo com a ekipeconômica de Brasília (imagine, o relator do projeto é o deputado Palocci, ou "Palóffi", dá para acreditar?), se a cobrança for extinta, o tesouro perde 40 bilhões de reais.
E a chantagem começou cedo; com os homes do Planejamento, Fazenda e Casa Civil já ameaçando com cortes, sabe aonde? Para universidades, pesquisa, PAC (este ainda nem saiu do papel e já está sendo cortado, não é hilário?).
Se este fosse um governo sério respeitaria a opinião pública e a sociedade organizada e encerraria de vez este tributo, travestido de contribuição.
E cortaria gastos: nos cartões de crédito institucionais; nas enormes comitivas de Sua Majestade; na contratação desenfreada de militantes. Principalmente neste ítem, campeão do déficit orçamentário.
O Estado brasileiro precisa reencontrar uma de suas finalidades: financiar o investimento social e abandonar o financiamento de si próprio. É preciso sair do atoleiro dos meios e começar a olhar com seriedade para o mar dos fins.
Vamos todos nos juntar à campanha do "Xô CPMF". Mande textos, este ou outros, para suas listas e, principalmente, para o Congresso.

domingo, 16 de setembro de 2007

A viagem e a absolvição


Não viaje de BRA
Não compre pacotes da PNX
Não vá a Natal em setembro. É uma ventania do cão!

E nesse meio tempo muita coisa aconteceu, até mesmo um tremor de terra em Tabuleiro Grande, uma cidade ao Norte de Natal (coisa mixa, de 3 graus Richter).
Pior mesmo foi o tremor de terra em Brasília, com a absolvição do Renan.
Valha-me Deus, que a voz das ruas anda tão rouca que os homens dos bois e malas pretas não conseguem ouvir mais.
Mas a gente se vinga e consegue soltar dois ou três palavrões, no café da manhã, em frente à TV de plasma de 42 polegadas, ouvindo a notícia repetida no Bom Dia Brasil, no que é solidariamente acompanhada por mais uns poucos hóspedes madrugadores do hotel.
Depois não entendem porque são vaiados!

Enfim, a viagem


Deu pra notar que eu estava fora, né mesmo? Se disserem que não, vou ficar deprimida, achando que ninguém mais me visita.
A viagem maravilhosa daí de baixo enfim aconteceu, no feriado do 7 de setembro e semana seguinte.
A saga foi maior do que eu dissera antes.
É que quando chegamos em Confins nosso nome não estava em reserva nenhuma. O nosso e mais de umas 18 pessoas que também compraram pacotes pela PNX. Só embarcamos para Congonhas depois de duas horas de vaivém, até que resolvessem o problema. Mas não resolveram. Lá em São Paulo não sabiam de nada.
Mas antes fizemos uma paradinha em Uberaba(não era Uberlândia, como eu havia dito), com direito a emoção na pista do aeroporto, que acabava, acabava, e o avião não parava nunca mais. E nem estava chovendo. É, que, segundo a aeromoça, na cabeceira tem muita corrente de ar, o que obriga os pilotos a pousar já na metade da pista. Aí o A700-300 desliza feito um burro chucro, dando pinotes, quicando e cantando pneus. Acho que é para homenagear a terra do zebu.
Voltando a São Paulo. Não teve hotel nem nada, também a hora já ia adiantada e nós morrendo de fome. Fomos embarcados para Guarulhos num ônibus e lá, mais uma canseira de explica daqui, reclama dali e tal. Almoçamos, finalmente, lá pelas 18 horas e pouco, por conta da BRA (A viagem começara às 8 horas, no terminal em frente ao Sindicato dos Jornalistas, onde pegamos o ônibus para Confins, chegando lá às 9 horas e embarcando às 13h, depois de termos sido acomodados em vôos da Ocean Air). A explicação para toda a confusão do embarque para São Paulo, é que a BRA faz uma parceria com a Ocean Air em determinados trechos, mas parece que se esquecem de avisar a mesma. Já de Guarulhos em diante os aviões eram mesmo da BRA. E fomos parando por aí afora: Salvador, João Pessoa (que eu havia esquecido de mencionar antes) e eis que, finalmente, Natal - numa chuva do cão, às 2 da madrugada - do dia 8 de setembro.
Mas Natal é linda, divertida, alegre, mesmo com chuva e vento. Veja na coluna da direita, minhas dicas para Natal.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Uma tal de PNX

Alguém aí já ouviu falar numa tal de PNX? Uma operadora de turismo que atua com uma tal de BRA, esta última de aviação?
Pois eu já. E já estou arrependida.
A PNX é dessas empresas que faz anúncios enormes de pacotes turísticos nos principais jornais do País, mas o serviço oferecido é bem diferente do que é anunciado.
É a famosa "tem mas acabou".
Assim foi com um pacote para Maceió que vi anunciado. Pelo telefone tinha. Quando fui na agência, tinha, mas, acabado. O mesmo para um pacote para Fortaleza, que a própria atendente me ofereceu. Mandei um cheque meu para pagar, à vista, mas não foi aceito porque era de "terceiros". Foi mais uma coisa que aprendi, eu sempre achei que era "primeira", quando se tratava de euzinha mesma, mas descobri que sou "terceira".
Aí quando voltei com a bufunfa na mão, dentro de um saco de supermercado, para não perder nem uma das notas de 5,00 reais que levei, o pacote tinha acabado.
Então comprei um para Natal. "Cacete, vou pra qualquer lugar, eu quero é viajar, por uma semana, tempo que consegui tirar de minhas férias. Me dá logo aí, um pacote qualquer".
Comprei o de Natal. Mas o "sistema" não funcionava e a atendente não pôde fazer o contato com "São Paulo" (vai ver a mulher é médium). Tive de voltar quatro dias depois.
Mas o pior foi na confirmação do vôo, na véspera da viagem.
Tive a agradável surpresa de descobrir que meu vôo - fretado junto à BRA, portanto, não sujeito à bagunça de TAMs e GOLs -, que seria de 3 horas, na verdade esticou para 15 horas. Saída de BH às 10 horas da manhã, do dia 7; chegada em Natal à 1 hora da madrugada, do dia 8.
É que a PNX, generosamente, resolveu oferecer um tour pelos aeroportos do Brasil. A viagem inclui escalas em Uberlândia, Congonhas, aí desembarca e vai para um hotel por umas seis horas. Depois vai para Guarulhos e depois para Salvador e ufa!, só então chega-se a Natal, ja numa madrugada.
Como a PNX é boazinha, nada como driblar o caos aéreo oferecendo tours nos aeroportos.
Acho que vou inspecionar as obras de Congonhas e se não estiverem nos conformes, deixem comigo: dou bomba. Em Salvador, talvez dê uma chegadinha no Pelourinho pra comer um acarajé. Não sei o que posso fazer em Guarulhos, mas posso me esforçar para descobrir. E em Uberlândia, acho que vou na ABCZ comprar uns bois.
E se der tempo, vou à praia em Natal...
A Marta Suplicy tinha razão...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Leitura cidadã

No próximo domingo, dia 9, um bom programa é participar do evento "Livro de graça na praça". A partir de 9 horas, na Praça da Liberdade, o projeto, tocado por um grupo de escritores mineiros e patrocinado pelo Banco Mercantil, emplaca sua terceira edição. Nesse ano, será distribuído, gratuitamente, o livro A Primeira Vez, que reúne histórias inéditas de 24 autores mineiros.
É uma iniciativa maravilhosa, apesar de ser na Praça da Liberdade, onde vão somente os moradores de uma certa classe que, teoricamente, não precisam ganhar livros, pois podem comprá-los.
Mas deixando de lado este preconceito bobo, já mandei o convite para minha filha Naiara, que montou, junto com seus colegas do Núcleo Veneza (do Programa Mediação de Conflitos, da Secretaria de Estado de Defesa Social), uma biblioteca comuniária.
A iniciativa da biblioteca faz parte do projeto Mediação, que divide com o Fica Vivo, o mesmo espaço no bairro Veneza, uma das regiões mais pobres de Ribeirão das Neves. A Mediação atende casos pessoais e coletivos de quem não tem acesso à Justiça. É baseado no projeto Pólos, criado há mais de 10 anos pela UFMG e uma das idéias mais brilhantes de inclusão social, num tempo em que inclusão social ainda não era só um discurso vazio de políticos idem.
O projeto da Biblioteca Pública Adélia Prado, que já conta com 1.200 livros, foi desenvolvido junto com uma associação comunitária local.
E o mais bonito foi ver a empolgação da minha filha, ao visitar a biblioteca na semana seguinte à inauguração, e encontrar pessoas da comunidade retirando livros emprestados.
Agora a Mediação precisa de um bibliotecário, ou estudante de Biblioteconomia (sei que não tem este nome mais),voluntários, para dar um treinamento ao pessoal da associação, sobre indexação, formas de empréstimo, para que a idéia não morra, por falta de infra-estrutura.